21 de fevereiro de 2014

Cinema: Capitão Phillips

Título original: Captain Phillips
Ano: 2013
Diretor: Paul Greengrass
Duração: 2 horas e 14 minutos
Gênero: Drama | Suspense
Elenco principal: Tom Hanks, Barkhad Abdi, Barkhad Abdirahman

Capitão Richard Phillips (Tom Hanks) é um comandante que trabalha com o transporte de mercadorias e, nesta viagem, pretende percorrer a região do chifre africano para entregar abastecimentos de água e comida em Mombaça, Quênia. Porém sofre com o intempere da presença de piratas somalianos durante o percurso. Após tentativas de impedir que os piratas invadam o navio e que sua tripulação seja encontrada, o capitão é sequestrado pelo grupo de piratas e o filme passa a girar em torno da captura e da ação da Marinha Americana em relação ao ocorrido.

Baseado em fatos reais, o filme retrata de maneira extraordinária e realista como é encarada a situação de ambas as partes, do capitão americano e dos saqueadores africanos. Richard Phillips, durante a tentativa de manter seu navio à salvo, age da maneira mais centrada o possível - o que já é visto no início do filme, durante a conversa com sua esposa Adrea Phillips (Catherine Keener) -, nos fazendo admirar a atuação de Tom Hanks, que mantém seu personagem como alguém real e humano, não um herói americano. E também, claro, Muse (Barkhad Abdi), Bilal (Barkhad Abdirahman), Najee (Faysal Ahmed) e Elmi (Mahat M. Ali), o grupo de piratas que, por mais que tenham que agir como vilões, mostram o lado humano do medo de encarar a prisão e/ou a morte, no caso de serem pegos pela marinha.

A visão de como a função de pirata na África é uma necessidade e não uma obrigação é muito clara, nas primeiras cenas do filme e também durante a captura de Richard, mostrando toda a tentativa de êxito e obtenção do que foi-se exigido pelos contratadores por uma necessidade econômica. E, diferente de outros filmes que retratam visões do africano, este não os coloca como homens inferiorizados que merecem pena, e sim como humanos que têm caráter e se preocupam com a sua vida e a vida de seus companheiros, ao pé de igualdade com Phillips, que poderia muito bem ter sido retratado como superior, mas que não é o caso.

O uso da câmera em movimento e dos ângulos utilizados durante as cenas de ação mantêm o espectador ligado diretamente ao filme, fazendo-o parecer mais interessante e dando mais emoção às cenas de ação e suspense - basicamente, ao filme todo.

Embora alguns acreditem na ideia do patriotismo e supervalorização dos Estados Unidos no filme - pois quem triunfa é a Marinha Americana -, eu acredito que a ideia de triunfo não deu valor aos americanos, uma vez que o método utilizado pela marinha é pouco glorioso e não os coloca como bonzinhos que trazem o bem, e sim como desumanos que desvalorizam totalmente a vida de alguém que não tenha valor à sua própria pátria.

Portanto, podemos dizer que Paul Greengrass obteve êxito com o filme. Não consigo contar os pontos negativos do filme, porque mesmo ultrapassando as 2 horas - que para alguns filmes seria longo demais -, o filme parece passar rapidamente sem cansar o expectador. Prova do êxito está no fato do filme ter tido grandes críticas positivas e ser indicado as maiores premiações do cinema, o Globo de Ouro, o BAFTA (Barkhad Abdi ganhou como Melhor Ator Coadjuvante) e o Oscar, ou seja, vale a pena.

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