29 de julho de 2014

Descobrindo os Segredos do Universo

Oi gente! Como vocês estão? Estou aqui, mais uma vez, com o intuito de mostrar o quanto alguns livros podem mexer com a gente. Esse texto é de Benjamin Alire Sáenz, autor de "Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo" e foi retirado do Blog da Companhia.

Estou trazendo esse texto para vocês hoje não só porque fala sobre um dos meus livros favoritos, mas simplesmente porque vale a pena ser lido. O autor, de uma forma clara e bastante pessoal, aborda alguns temas importantes como a descoberta da sexualidade e a aceitação (não só a pessoal), mas sem tirar a felicidade de foco.


Quase não escrevi Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo. Em primeiro lugar, minha jornada em busca da aceitação da minha sexualidade tem sido dolorosa, difícil, complicada e conflituosa. E bastante longa. Como se diz hoje em dia, eu “saí do armário” aos cinquenta e quatro anos. Estava um pouco atrasado. É justo dizer que, ao fim dessa jornada, estava ferido. Mas o que são algumas feridas para um escritor? Feridas saram — principalmente quando você recorre às palavras em busca de conforto e cura. Se eu não tivesse chegado a este estágio de autoaceitação, certamente não teria passado pela minha cabeça escrever um romance sobre a amizade e o amor entre dois garotos latino-americanos.

Em segundo lugar, quando comecei a escrever a história de Ari — um jovem na fronteira da maturidade, mas também à beira do autodesprezo —, quase abandonei o projeto de vez. Por quê? A resposta é simples: eu estava com medo. Estava com medo de revelar minha sexualidade de maneira tão pública. E estava com medo de que o personagem que eu estava criando fosse perigosamente próximo de mim mesmo. As inseguranças e angústias de Ari refletiam muito bem as minhas. E isso realmente me assustava.

Dei um tempo na escrita do romance e passei a me dedicar ao meu livro de poesia. O livro estava uma confusão. Mas, certa manhã, enquanto eu tomava uma xícara de café, acidentalmente abri o arquivo de Aristóteles e Dante. Comecei a ler e pensei: preciso terminar isso. Havia alguma coisa no Ari que cativava a atenção e, naquele momento, senti que estava lendo o trabalho de outra pessoa. Era um sentimento incomum, estranho, mas também maravilhoso, e eu sabia que tinha que escrever o livro. Pensei em todos os garotos por aí tentando se tornar homens, e pensei que deveria existir um mapa para os garotos que nasceram para jogar com regras diferentes — garotos que, não por escolha própria, nasceram gays. Pode-se dizer que me tornei um cartógrafo.

Algumas vezes, falamos erroneamente sobre homossexualidade como se fosse uma questão de escolha. Que cara maluco faria uma escolha dessas num mundo como este? É certo que a atração sexual é inata aos indivíduos. Para pessoas que são atraídas pelo sexo oposto, a sexualidade é vista como algo positivo. Infelizmente, para pessoas que são atraídas por membros do mesmo sexo — bem, nossa sexualidade não é vista como algo positivo pela maior parte da sociedade. Na verdade, somos vistos como uma ameaça. Na religião em que fui criado, nós vemos o amor entre um homem e uma mulher como sagrado. O amor entre um homem e uma mulher é encarado como um sacramento. Não é por acaso que tantos homens gays sofram não só para amar outro homem, mas para amar a si mesmos. Eu tive que escrever este livro. Eu queria mostrar as angústias de dois garotos e dos pais que os amavam, porque eu queria que meus leitores os amassem também. Que os aceitassem, sofressem com eles, rissem com eles, chorassem com eles — e triunfassem com eles.

Enquanto escrevia o livro, pensei nos milhares, senão milhões de garotos que estão sofrendo consigo mesmos neste exato momento — garotos que estão aprendendo a aceitar os segredos do próprio corpo. Levava sempre comigo, na minha mente e no meu coração, a minha jornada e a de milhares de latino-americanos da minha geração, cuja caminhada em direção à maturidade foi terrível, dolorosa e torturante. Levava sempre comigo, na minha mente e no meu coração, a dolorosa e às vezes violenta jornada que meu país está trilhando ao aceitar homens como eu. Homens e garotos como eu não são nem demônios nem degenerados. Somos apenas homens. Eu sou apenas um homem. E como todos os homens, quero ser capaz — sob a Declaração de Independência dos Estados deste país — de buscar a felicidade.

2 comentários:

  1. Aplausos para o Autor!
    Muito bom texto. Magnífico!
    Imagino a dificuldade que ele teve em se expressar desse jeito, numa sociedade que, apesar de caminhar para a aceitação, continua machista e preconceituosa.
    Não posso imaginar os dramas sofridos pelo autor, mas posso falar que fiquei com ainda mais vontade de ler este livro ^^

    otakufanboy.tumblr.com

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    Respostas
    1. Oi Marcel!

      Não é? Pensei a mesma coisa. E o texto foi um dos mil empurrões para eu passar esse livro na frente de todos os outros. Espero que você consiga lê-lo!

      Beijos!

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