22 de outubro de 2014

Resenha: Histórias Extraordinárias

Título Original: Extraordinary Tales
Autor: Edgar Allan Poe
Páginas: 272
Tradução: José Paulo Paes
Editora: Companhia das Letras

O homem sempre sentiu medo, sobretudo daquilo que não pode entender,do incerto e porque não dizer do proibido. Talvez por isso o horror tenha algo que nos afaste, mas que também nos atraia e nos deixe fascinados. E foi desbravando essa estranha e ambígua sensação que o contista, crítico e poeta norte-americano Edgar Allan Poe se consagrou como um dos mestres do gênero do terror e o pai da literatura policial. Ambientes sombrios, ruas desertas, esquinas escuras, mansões malditas, assassinatos misteriosos e personagens sobrenaturais compõem a atmosfera gótica que tanto marcou suas histórias de terror. Poe detém o poder de envolver o leitor desde a primeira frase. Ele nos conduz pelo conto, deixando escapar apenas o que devemos saber naquele momento, mantendo o suspense até o desfecho invariavelmente inesperado. Mas suas fina ironia, seu sarcástico humor e suas inigualáveis lógicas e sagacidade também são elementos que cunharam a obra desse homem que influenciou de forma decisiva o conto moderno de horror. Ler as histórias de Edgar Allan Poe nos faz regressar aos tempos de infância, em que os maiores medos despertavam o horror, mas também deixavam um estranho desejo de sentir o corpo arrepiar, só mais uma vez. Uma experiência inigualável.

Quando se fala em horror não há como não falar de Edgar Allan Poe, mestre do terror e pai da literatura policial. Seus livros expõe o leitor à um fino véu em que a realidade e o fantástico estão postos lado a lado, encarando-se de forma sagaz e comprometedora. É possível que a mente do leitor, ao tentar diferenciar a realidade da fantasia, encontre-se em estado de devaneios lunáticos.

"Histórias Extraordinárias" pode ser considerado por alguns duro de ler, e até intragável para outros, mas não há dúvidas de seu sucesso como um livro em que a vingança chega ao seu mais refinado toque, como um anjos de longas asas esculpidas em marfim. Porém, o que as pessoas não sabem é que este marfim é negro, pintado mão após mão pelas trevas que cercam cada assassinato que ocorre em cada conto de Poe.

Quem não se surpreendeu cem vezes a cometer uma ação tola ou vil pela simples razão de saber que não se deve cometê-la? Não é verdade que temos uma inclinação perpétua, apesar da existência do nosso julgamento, a violar aquilo que é lei, simplesmente porque sabemos que é Lei?

Os pensamentos mais profundos da alma do leitor podem ser encontrados nos pensamentos mais frequentes das personagens de Poe, e é isso que fascina nos contos do mestre. A exatidão como ele descreve as cenas em um curto pedaço de papel é intrigante, pois cada conto revela uma história tão elaborada quanto romances inteiros com centenas de páginas.

Incrível é a sintonia perversa que corrompe o leitor ao se encontrar desejando que o assassino saia vitorioso, e sentindo a estranha sensação de que poderia ser você o assassino, e você dar razão ao vingador para poder se sentir bem com sua própria alma assassina.

Classificação final: 

1 comentários:

  1. Olá
    Eu amo Poe. E você conseguiu transmitir perfeitamente as sensações que eu sinto ao ler um conto do Poe: aquela torcidinha básica para o assassino rs
    Essa edição parece ser bem mais bonitinha do que a que eu tenho, gostei da capa.
    bjos
    www.mybooklit.com

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