6 de outubro de 2014

Resenha: O Retrato de Dorian Gray

Título Original: The Picture of Dorian Gray
Autor: Oscar Wilde
Páginas: 273
Tradução: Oscar Mendes
Editora: Abril

Dorian Gray é um belo e ingênuo rapaz retratado pelo artista Basil Hallward em uma pintura. Mais do que um mero modelo, Dorian Gray torna-se inspiração a Basil em diversas outras obras. Devido ao fato de todo seu íntimo estar exposto em sua obra prima, Basil não divulga a pintura e decide presentear Dorian Gray com o quadro. Com a convivência junto a Lorde Henry Wotton, um cínico e hedonista aristocrata muito amigo de Basil, Dorian Gray é seduzido ao mundo da beleza e dos prazeres imediatos e irresponsáveis, espírito que foi intensificado após, finalmente, conferir seu retrato pronto e apaixonar-se por si mesmo. A partir de então, o aprendiz Dorian Gray supera seu mestre e cada vez mais se entrega à superficialidade e ao egoísmo. O belo rapaz, ao contrário da natureza humana, misteriosamente preserva seus sinais físicos de juventude enquanto os demais envelhecem e sofrem com as marcas da idade.

Com uma narrativa encantadora, Oscar Wilde prende o leitor com facilidade às páginas de seu livro, considerado a obra prima do escritor. Esta é composta por uma narrativa moderna e ágil, recheada de diálogos inteligentes e estupendos. É exatamente o tipo de livro em que você pode esperar uma frase arrebatadora na próxima página, e se ela não estiver lá, tenha certeza de que estará em outra página com mais duas outras frases de grande teor filosófico.

Obviamente que todo o teor filosófico da obra é graças ao seu autor, porém, é através de um personagem em particular que ele exterioriza toda a filosofia hedonista. Lorde Henry, o cínico. Junto ao protagonista, o personagem mais incrível da obra e também um dos mais maravilhosos da literatura universal.

A única maneira de livrar-se da tentação é ceder a ela.

Lorde Henry, em seus vários diálogos ao longo da narrativa exprime para Dorian toda a sua filosofia hedonista, e ao mesmo tempo também o faz para com o leitor, que, mesmo sendo ele o mais difícil de se agradar e mesmo não concordando com uma palavra da personagem, admite estupefato que esta é maravilhosamente bem construída e de grade valor crítico para com a sociedade.

Um dos motivos que o leitor apaixonado pela arte vai se apaixonar, assim como eu, vosso humilde resenhista, pelo livro de Oscar Wilde, é a grande fascinação das personagens principais pela arte, e mesmo aquele que não conheça e que não se interesse por ela será arrastado pelas garras do escritor para este mundo, aprendendo a contemplar a arte como à própria vida.

Se um homem leva a sua existência artisticamente, o seu cérebro fica sendo o seu coração.

É imprescindível comentar, o que com certeza pela sinopse foi percebido, a paixão que a personagem Dorian Gray desenvolve por si mesmo ao contemplar o próprio retrato pintado magnificamente por seu amigo Basil, aludindo ao conto de Narciso, que morreu afogado, por acidente, ao cair, nas águas em que contemplava ininterruptamente sua própria face. Porém, mais profundamente vai Wilde, mostrando não só a vaidade excessiva, mas também a degradação da alma da personagem, uma crítica profunda à sociedade moderna.

A homossexualidade das personagens, tão comentada e tão sutil, é um dos pontos altos do livro, que para a época – século XIX – foi, sem dúvidas, considerado imoral. Mas, como o próprio autor do livro afirma: “Um livro não é, de modo algum, moral ou imoral. Os livros são bem ou mal escritos. Eis tudo.”

Porque possui uma maravilhosa juventude, e a juventude é a única coisa que vale a pena.

Por isso, Dorian Gray não pode ser definido como algo estável e imutável, pois é o tipo de livro que com o passar dos anos e quando o leitor o reler será exposto a este mais uma camada do livro, uma nova e maravilhosa camada.

Classificação final: 

5 comentários:

  1. Só vi o filme por enquanto, mas gostei da resenha do livro.
    Bjs
    eternamente-princesa.blogspot.com.br

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  2. Eu sou louca para ler esse livro há tanto tempo que eu nem sei precisar quanto!
    Todo mundo que já leu só tem maravilhas para falar a respeito dele, então não tem outro jeito: tenho que ler algum dia na minha vida. <3

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

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  3. Poxa, fiquei feliz em encontrar um blog que trata com tanto carinho clássicos como Dorian Gray. Não é um livro fácil, ele envolve situações pesadas com um teor de requinte poético que dá voltas no estômago. Lembro que na primeira vez que li, fiquei tão assustada quanto maravilhada pelas frases navalhadas que o texto de Wilde apresenta. E, realmente, conforme aumentamos a nossa bagagem pessoal, reler ganha sempre novos significados e é de aprendizagem tremenda. :)

    Abraço,
    Emily.

    http://megsarmybookclub.blogspot.com/

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  4. Ei Ana

    Nossa faz tantos anos que eu li este livro, eu também amei quando li, mas não lembrava mais muitos detalhes e foi ótimo ler uma resenha sobre ele. ^^
    Frase perfeita esta do autor que você citou no final da resenha, adorei.
    bjs

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  5. Eu amei esse livro.
    Tive que ler na Faculdade e até hoje não me arrependo!
    Adorei a dica
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias

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