14 de agosto de 2016

Resenha: Segundo a Lei da Arma

O Corvo sobrevoava o deserto do Novo México. Atraído pelo chamamento do sangue, chegou a uma solitária montanha pintada em tons alaranjados. Abaixo, três figuras: um fora da lei, um ranger e um caçador de recompensas — três representantes do melhor e do pior que a espécie humana tem para oferecer — dançavam uma dança tão antiga como a própria existência: a dança da morte. Texas Red. Filho perdido do povo Navajo e criminoso sanguinário, produto das tragédias que assolaram o seu povo. Olhos-Azuis. Personificação estóica do velho oeste e da ideia de que as leis apenas existem porque homens poderosos asseguram a sua existência. Forasteiro de Negro. Sádico e desprovido de quaisquer escrúpulos. Ele cospe na face das leis da sociedade e obedece apenas ao seu depravado e rígido código moral. No final do dia, estes três homens demonstrarão que quando o homem despe as ilusões efémeras da sociedade apenas uma lei sobrevive — A Lei da Arma.

Título Original: Segundo a Lei da Arma
Autor: José Casado Alberto
Páginas: 203
Editora: Chiado
Livro recebido em parceria com o autor

Segundo a Lei da Arma é o livro de estreia do autor José Casado Alberto e monta a história de três personagens totalmente diferentes entre si: Texas Red, índio norte-americano e assaltante, com uma vida dedicada aos crimes; Olhos azuis, o “anjo bom” da história, um homem seguidor da lei e que busca Red para que este pague por seus crimes; e Forasteiro de Negro, o lado sombrio, que vai em busca de Red pela recompensa que é oferecida pela sua cabeça.

Infelizmente, devo dizer desde já que não foi uma leitura que me agradou. Embora o livro tenha um estilo sombrio e mórbido (ao qual eu gosto, diga-se de passagem), a obra contém alguns problemas além de considerações pessoais que faço.

Primeiro de tudo, o tema de velho-oeste é um dos poucos temas aos quais não sinto atração. Comumente, gosto de ler sobre coisas bem diversas desde aliens até política, entretanto, a temática de velho-oeste realmente não me conquista. Mas lembrando, esta é uma escolha pessoal, a construção do cenário e da história é muito boa, então, pra quem gosta do assunto, o livro poderá se mostrar maravilhoso.

O livro foi escrito inteiramente no português falado em Portugal. Isso dificulta um pouco a linguagem. Obviamente, muitas palavras são semelhantes, porém, em muitos momentos a forma de escrita é estranha para quem está acostumado ao português do Brasil. Ainda há os cortes de fala. Por exemplo, em determinada parte, em vez de o sujeito falar “Não era melhor [...]” ele fala “N’era melhor [...]”. As falas ainda são marcadas por aspas, algo que me incomoda bastante.

Apesar do que citei anteriormente, a ideia para o livro foi muito boa, só não, bem aproveitada. Os personagens realmente têm suas próprias ambições e conseguem nos trazer alguma profundidade, não são personagens rasos e sem vida. A descrição da brutalidade dos feitos é satisfatória: não é algo muito pesado e forte, mas também não é um livro pra quem é acostumado com coisas leves. O livro envolve a morte como sendo sua cena principal.

Definitivamente, as partes em que meu interesse foi realmente despertado vieram quando se beirava o NONSENSE, em cenas que mostravam a filosofia da Lei da Arma nos pensamentos de um corvo que ali sobrevoava. O corvo, como bem sabemos, é um animal que carrega um pensamento de morte, portanto, o autor conseguiu trazer um arrepio e uma reflexão durante os momentos em que os corvos pensavam e explicavam.

De uma forma geral, posso dizer que não recomendaria o livro para algumas pessoas que tem um gosto literário semelhante ao meu. O livro é muito bom, mas para um público específico, e digo de antemão, que não faço parte desse grupo. Entretanto, para quem gosta da temática se não se importa com os “problemas” de edição, irá se deleitar com a obra. Boa leitura!

Classificação final: 

3 comentários:

  1. Oi, Edu!

    Cê é tão fofo, tão educadinho nas resenhas, gosto assim viu! Velho oeste também não faz muito o meu tipo, acho que se tivesse lido teria sido um pouco grossa nas críticas.

    Beijo!

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  2. Boa tarde Edu,

    Eu li e resenhei esse livro no blog, gostei do livro e apesar de também não gostar de ler na escrita falada em Portugal não me atrapalhou e nem desqualificou o livro, a história é muito boa e espero poder ler mais livros do velho oeste, apesar de não ser o meu estilo favorito também, mas gostei da proposta.

    Gostei da sua opinião...abraço.

    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

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  3. Oi Edu!

    Menino do céu, eu nem chego perto de livro de velho-oeste...
    E outra, tô custando entender o Português do Brasil, imagina o de Portugal?
    Passarei longe.

    Bjs

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