19 de julho de 2017

Resenha: Tudo e Todas as Coisas

Tudo envolve riscos. Não fazer nada também é arriscado. A decisão é sua. A doença que eu tenho é rara e famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Não saio de casa. Não saí uma vez sequer em 17 anos. As únicas pessoas que eu vejo são minha mãe e minha enfermeira, Carla. Então, um dia, um caminhão de mudança para na frente da casa ao lado. Eu olho pela janela e o vejo. Ele é alto, magro e está todo de preto: blusa, calça jeans, tênis e um gorro que cobre o cabelo. Ele percebe que eu estou olhando e me encara. Seu nome é Olly. Talvez não seja possível prever tudo, mas algumas coisas, sim. Por exemplo, vou me apaixonar por Olly. Isso é certo. E é quase certo que isso vai provocar uma catástrofe.

Título Original: Everything, Everything
Autora: Nicola Yoon
Páginas: 280
Tradução: Janaína Senna
Editora: Arqueiro 
Livro recebido em parceria com a editora

Mesmo sabendo praticamente toda a história de Tudo e Todas as Coisas — caí na besteira de assistir ao trailer e ele revela coisas demais —, inclusive o final, eu quis me aventurar nesta leitura. Isso porque me apaixonei pela escrita da Nicola Yoon desde que li O Sol Também é Uma Estrela, então eu tinha certeza que seria impossível não gostar desse livro, mesmo lendo-o sem expectativa nenhuma. Gente, e não é que minha escolha foi certeira!?

A princípio, o enredo dessa obra é bastante simples. Madeline é uma jovem de dezoito anos que não pode sair de casa em hipótese alguma, já que ela possui uma doença muito rara. Uma pessoa portadora da imunodeficiência combinada grave (IDCG), mais conhecida como "doença da bolha", possui o nível de anticorpos tão baixo que qualquer coisa, desde um alimento desconhecido, um ar poluído e até mesmo o contato com pessoas pode desencadear uma série de doenças que podem ser fatais.

De acordo com a Teoria do Big Bang, o universo surgiu num único momento: um cataclismo cósmico que deu origem a buracos negros, anãs marrons, matéria e matéria escura, energia e energia escura. Tudo isso fez nascerem as galáxias, estrelas, luas, sóis, planetas e oceanos. É um conceito difícil de assimilar: a ideia de que houve um tempo antes de nós. Um tempo antes do tempo.
No princípio, não havia nada. E, de repente, havia tudo.
(p. 199)

Tudo o que Madeline conhece é o interior de sua casa e convive com apenas duas pessoas, sua mãe e sua enfermeira que cuida dela desde sempre. Ela estuda em casa com a ajuda de tutoria online e vive no mundo dos livros — obviamente isso é um dos pontos que fazem a gente se identificar tanto com a personagem. Mesmo sendo tão reclusa, ela se considera uma pessoa extremamente feliz e sortuda, mas seus pensamentos quanto a sair de casa e levar uma vida normal mudam da água para o vinho quando Olly se muda para a casa ao lado e eles começam uma amizade virtual.

Então, não é segredo algum o fato de Maddy e Olly engatarem um romance. É óbvio que não é isso que surpreende os leitores, mas sim a forma como Yoon vai nos apresentando os fatos. A autora toma tanto cuidado nos assuntos abordados — família, alcoolismo, relacionamentos abusivos — que a narrativa é bastante real. O que eu quero dizer é que Nicola Yoon consegue tornar incrível, sensacional e memorável uma história que tem de tudo para ser apenas "ok" e isso é o que eu mais admiro nela.

A matemática do Olly diz que é impossível prever o futuro. Acontece que também é impossível prever o passado. O tempo flui nas duas direções — para frente e para trás — e o que acontece aqui e agora antera tanto um quanto o outro. (p. 227)

Quanto aos personagens, o que mais ganhou o meu coração foi Olly com a sua personalidade nada exagerada. Quer dizer, o menino conseguia ser fofo, romântico, carinhoso, super engraçadinho, mas tudo sem parecer forçado. Aí fica a questão: como não amar um personagem desses? Maddy também não fica atrás, apesar de ter me incomodado um pouco com a sua ingenuidade, mas como exigir maturidade de um personagem de dezoito anos que nunca saiu de casa e convive apenas com duas pessoas? É claro que a única personagem que tive vontade de esfregar a cara no asfalto foi a mãe da protagonistas, mas vocês mesmos terão que descobrir o porquê. 

Tudo e Todas as Coisas é uma leitura leve, perfeita para se ler em apenas um dia e até mesmo para sair daquela ressaca literária infernal. Fiquei simplesmente encantada com tudo, não consigo achar uma única coisa que me desagradou nesse livro. Até a diagramação tem suas peculiaridades, como desenhos, listas, prontuários médicos, tudo que deixa a leitura muito mais cativante. Mais uma vez, Nicola Yoon mostra o seu potencial e não decepciona. 

15 comentários:

  1. Oi Ana, que bom é quando achamos um livro que não conseguimos colocar um defeitinho se quer rsr, se já tava interessada em ler esse livro antes de ler tua resenha agora preciso lê-lo e antes de ver o filme :D Gostei de saber que a narrativa da autora faz a diferença e ela consegue pegar temas muito utilizados e imprimir sua marca neles fazendo a leitura ser memorável. O livro já tá na lista e espero lê-lo futuramente ;)

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  2. O que mais gosto neste tipo de livro, e como a autora consegue nos cativar de forma tão plena, no envolvemos de tal forma com a estória da personagem que e quase impossível querer largar o livro. Outro ponto e o fato de que o personagem masculino me pareceu um fofo com todas as caraterista que encanta qualquer garota, porém ainda sim não ficou forçado. Pretendo ler este livro no próximo ano, e espero gostar bastante.


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  3. Olá Ana!
    Ainda não li o livro, estou me segurando pra não ver o filme antes de ler, mas estou bem curiosa e ansiosa pra conhecer a história.
    Bjs

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  4. Tenho ele com a outra capa mas ainda não li, que bom que é tudo de bom, assim não me decepcionarei na leitura, vou querer assistir o filme também. Fiquei curiosa com o desenrolar da historia deve ser muito fofo esse contato deles através de outros meios que não seja o pessoalmente, mas também é muito triste, fiquei me perguntando como vão fazer para resolver isso.

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  5. Oi Ana!

    Estou apaixonado pelo livro, pois as críticas que já li me agradaram e muito, na minha próxima compra de livros este será um dos primeiros que vou adicionar ao carrinho.

    Adorei a resenha!

    Grande abraço,
    www.cafeidilico.com

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  6. Falou bastante das coisas que senti com esse livro. Ele é simples. O jeito que a autora aborda as coisas é simples mas acho que por isso mesmo é que fica tão legal. Ela consegue passar um tom de realidade sem encher linguiça, mostra temas bacanas sem se estender muito nisso e consegue tornar a coisa bem mais impactante mesmo não falando muito. A trama é legal, passa boas mensagens e é muito gostosa de ler. Os personagens ganham a gente mesmo. Fica difícil não torcer pela garota e não se apaixonar pelo menino. Adorei esses dois. Os personagens são legais. Menos a mãe da garota né xD
    Entendo sentimento que teve com ela.
    É um livro muito gostoso de ler mesmo. Vale a pena.

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  7. Facera estou eu de conferir tua resenha! Compre ele na AmazonDay e estou esperando ansiosa ( ainda mais agora), com certeza será minha próxima leitura,amo romances e ainda mais este que tem toda uma temática diferente. Espero gostar e ter uma leitura tão fluida como a tua ♥

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  8. Estou doida por esse livro! Quero muito começar a ler os livros dessa mulher que só recebe elogios!
    E que capa linda.
    Ainda bem que não vi ao filme. Livro sempre é melhor, então vou ler primeiro.

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  9. Ana!
    Quando ainda tinha parceria com a NC, tive oportunidade de ler os primeiros capítulos do livro e na época, lembro de ter me identificado muito com Madeline, pois não tenho a doença que ela tem, mas de certa forma, tenho minhas limitações físicas e que dificultam, hoje em dia, sair para conhecer o mundo, como fazia antigamente e fico mais tempo em casa...
    Acredito mesmo que seja uma leitura fofa, o primeiro amor, querer conhecer as coisas que nunca teve oportunidade de viver, enfim, gostaria de terminar a leitura.
    “Educar é semear com sabedoria e colher com paciência.” (Augusto Cury)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE JULHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  10. Me surpreendi, sem dúvida. Gostei muito. Apesar de gostar dos romances básicos que vemos por aí, gostei desse por ser diferente e deixa mensagens muito boas.

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  11. Estou louca pra ler o livro e ver o filme logo, gostei muito da proposta do livro e psrece ser um livro muito emocionante, cheio de superações, sem contar as mensagens que você disse que aborda que são muito importantes tbm !!! Olly me conquistou pelo trailer e quero muito mais nos livros, e quero saber como foi a descoberta desse sentimento para Madeline e como o romance se desenvolveu.

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  12. Este com certeza é um daqueles livros apaixonantes. Li a sinopse e a resenha e tudo o que quero agora é ler o livro. Deve ser uma tortura ter a síndrome da "bolha", ter alergia de tudo, serio eu tento imaginar, mas não da. É certeza que vou ler este livro, preciso ler e saber o que acontece. Obrigada pela dica.

    Visitem meu blog!
    garotaeraumavez.blogspot.com.br
    Obrigada!

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  13. Oi Ana,
    Nicola Yoon sabe criar uma história que chama atenção e Tudo e todas as coisas já está na minha lista de desejados. Madeline vai ter sua vida revirada ao conhecer Olly e é neste momento que ela perceberá que anseia por mais na vida. Ele fará com que a protagonista queira vivenciar novas experiências, conhecer outras coisas e viver um amor. Sei que o livro tem seu momentos tristes e de realidade, afinal de contas Madyy está doente e não é nada simples. Eu assisti ao trailer e estou com medo de que a experiência com o livro não seja tão boa como espero. Mas é o tipo de história que gosto de ler e estou ansiosa por isso.

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  14. Oi, Ana!
    Ainda não tive a oportunidade de ler esse livro, mas ganhei ele em um top comentarista e to louca esperando ele chegar. Já li diversos comentários positivos e outros diversos negativos em relação a história e quero muito ler para tirar minhas próprias conclusões (e em seguida assistir o filme hahah) Beijoss

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  15. Oi, eu não tive vontade nenhuma de assitir o filme, que bom né? Eu jurava que a doença era fictícia, eu sempre brinco que sou alérgica a tudo, mas não chego nem perto, Graças a Deus! Pretendo ler ainda, é só ter um dinheirinho sobrando que vou comprar.

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