20 de outubro de 2015

Resenha: O Segredo do Meu Marido

Título Original: The Husband's Secret
Autora: Liane Moriarty
Páginas: 368
Tradução: Rachel Agavino
Editora: Intrínseca

Imagine que seu marido tenha lhe escrito uma carta que deve ser aberta apenas quando ele morrer. Imagine também que essa carta revela seu pior e mais profundo segredo - algo com o potencial de destruir não apenas a vida que vocês construíram juntos, mas também a de outras pessoas. Imagine, então, que você encontra essa carta enquanto seu marido ainda está bem vivo...
Cecilia Fitzpatrick tem tudo. É bem-sucedida no trabalho, um pilar da pequena comunidade em que vive, uma esposa e mãe dedicada. Sua vida é tão organizada e imaculada quanto sua casa. Mas uma carta vai mudar tudo, e não apenas para ela: Rachel e Tess mal conhecem Cecilia - ou uma à outra -, mas também estão prestes a sentir as repercussões do segredo do marido dela. Um romance emocionante, O Segredo do Meu Marido é um livro que nos convida a refletir até onde conhecemos nossos companheiros - e, em última instância, a nós mesmos.

Se você tivesse tomado decisões diferentes em algum momento, será que sua vida seria diferente?

Foi tudo por causa do Muro de Berlim.
Se não fosse o Muro de Berlim, Cecilia nunca teria encontrado a carta, e então não estaria sentada ali, à mesa da cozinha, tentando convencer a si mesma a não abri-la com um rasgo. (p. 11)

Cecilia gostava de ter sua vida milimetricamente controlada. Os pequenos detalhes de seu dia a dia estavam sempre impecáveis, e só assim ela conseguiria dar conta de cuidar do seu casamento de vinte anos com John-Paul, suas três filhas, seu trabalho como representante comercial e seu tempo para trabalho voluntário. Ela só não podia imaginar que seu marido escondia um segredo que poderia mudar tudo que ela sempre acreditou viver.

Rachel perdeu sua filha quando esta ainda era adolescente, seu marido também já falecera, e só restava de sua família o filho, Rob, de quem ela não se sentia nada próxima. O fato de ele ser casado com Lauren, uma mulher de negócios, não ajudava muito, ainda mais agora que ela sabia que eles se mudariam para Nova York e a deixariam sem seu neto, Jacob.

Tess sempre achou que sua família era perfeita. Ela e Will já estavam casados há bastante tempo e, apesar de não ser mais aquela paixão de início de relacionamento, eles se amavam e tinham um filho que os unia, Liam. Mas agora que seu marido lhe contara que estava apaixonado por sua prima e melhor amiga, Felicity, não restava a Tess outra alternativa a não ser voltar para Sidney, à casa da mãe.

A vida dessas três mulheres, que não parecem ter quaisquer vínculos, começam a se cruzar de uma maneira surpreendente em O segredo do meu marido, de Liane Moriarty. As três histórias são inicialmente independentes, e o livro, desde o começo, é narrado com divisões intercaladas dos pontos de vista de Cecilia, Rachel e Tess. A partir dessa construção, pode-se conhecer melhor o que levou cada uma delas à situação em que se encontram, por meio das lembranças sobre suas vidas, e compreender o ponto onde há ligação entre elas. A história de Tess, que é a mais independente de todas, parece ser dispensável a princípio, mas é, na verdade, essencial para ligar as outras duas mulheres no presente.

Ele disse que a tinha escrito logo depois que Isabel nascera, e que não se lembrava exatamente do que dizia. Era compreensível. Isabel estava com doze anos, e John Paul era muito esquecido. Ele sempre contava com Cecilia para lembrar-lhe das coisas.
Só que ela tinha quase certeza de que ele estava mentindo. (p. 57)

O segredo, de que trata o título do livro, não é tão difícil de descobrir. O próprio enredo é breve e antes da metade do livro já se sabe do que exatamente se trata. Mas esse segredo não é o que leva ao ápice da história, e sim o desenrolar dela depois que ele vem à tona. Moriarty brincou, durante toda a obra, com as possibilidades da vida e os "e se..." que questionamos, por vezes, ao fazer reflexões por meio de suas protagonistas. Tanto que, em um epílogo inesperado, ela sugere o que poderia ter acontecido, deixando-nos com esse pensamento ainda mais vivo.

No início imaginei que a fonte na qual foi impressa o livro, de tamanho pequeno, atrapalharia a leitura, mas  o texto é tão bom que mal reparei enquanto lia. A narrativa utilizada pela autora é bonita, refinada, e os diálogos são preenchidos com frases inteligentes permeadas com um toque de humor. Não é uma leitura difícil, mas tem certa complexidade que, junto ao formato do texto, deixa os leitores em alerta e mantém a leitura dinâmica. É uma obra que nos deixa vidrados, porque consegue a mistura exata entre mistério, drama, romance e outros elementos que, mesmo em menor escala, conseguem suprir o que poderia faltar.

Nenhum de nós conhece todos os possíveis cursos que nossas vidas poderiam ter tomado. E provavelmente é melhor assim.
Alguns segredos devem ficar guardados para sempre.
Pergunte a Pandora. (p. 364)

É um livro ótimo, que encontra o equilíbrio entre o denso e o leve e que consegue fazer pensar em diversas implicações dos nossos próprios atos. Trata-se daquele tipo de texto que nos conquista não por ser exatamente bonito, mas por ter uma beleza real, crível, e que tem uma "moral da história" implícita.

Classificação final: 

7 comentários:

  1. Oláá Ana Clara, tudo bem??
    Faz um tempinho que quero adquirir esse livro, porém ainda não pude, mas agora que li sua resenha fiquei mais curiosa e ansiosa para poder ler esse livro, eu amo esse tio de livro que além de nos proporcionar uma leitura maravilhosa ainda nos faz repensar alguns de nossos atos.
    Amei a última quote que você selecionou! *---*
    Bjoos

    Jovem Literário

    ResponderExcluir
  2. Oi, Ana Clara!
    Tenho muita vontade de ler esse livro, vendo a tua resenha essa vontade só aumentou. Espero poder lê-lo logo e gostar tanto quanto você gostou.

    Beijos!
    Books and Movies
    www.booksandmovies. com.br /

    ResponderExcluir
  3. Oi Ju,
    O que eu mais gostei no livro foram as formas com a vida dessas três mulheres se cruzaram, e as consequencias para cada uma delas.
    Tbm me impressionei com o epílogo.
    Acho que vc descreveu bem com a expressão "encontra equilibrio entre o denso e o leve". Uma ótima definição para o livro.
    Abraço,
    Alê
    www.alemdacontracapa.blogspot.com

    ResponderExcluir
  4. Oi Ju
    Faz tempo que tenho curiosidade em ler este livro, gosto da premissa dele, do contexto. Adorei sua resenha. Espero poder ler em breve.

    Beijos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  5. Oi, tudo bem?
    Ótima resenha, acho esse livro incrível!!!
    Bj

    @saymybook
    saymybook.blogspot.com

    ResponderExcluir
  6. Oie Ju =)

    Da Liane, li apenas As Lembranças de Alice e gostei bastante. A autora tem aquele tipo de narrativa que a principio parece maçante, mas que ao mesmo tempo consegue nos manter preso a história.

    Ótima resenha ^^

    Beijos e um ótimo final de semana;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary

    ResponderExcluir
  7. Oi Ju!

    Ainda não li nada da autora, mas esse livro desde que foi lançado que chamou minha atenção, mas ainda não tive o privilégio de lê-lo.

    Ótima resenha!!

    Beijos
    Lay
    www.detudoumpouquinho.com

    ResponderExcluir

 
Layout feito por Vinícios Costa editado por Silviane Casemiro | Todos os direitos reservados ©