Imagine juntar uma mulher romântica, mas inexperiente, com um homem experiente, mas pouco inclinado ao romance. De um lado, Annie Walker, que acredita no amor, mas não sabe exatamente como vivê-lo na prática, que ama romances históricos com piratas, coleciona inseguranças e encontros ruins e carrega a sensação constante de estar atrasada na vida. Do outro lado, Will Griffin, bonitão, musculoso, tatuado e gentil, mas emocionalmente inacessível. É a partir desse contraste que Amor na Prática, de Sarah Adams, constrói sua narrativa.
O livro começa mostrando Annie em mais um encontro fracassado. A protagonista, que define a si mesma como "tímida, ansiosa e introvertida de carteirinha" está cansada de encontros ruins e sente que jamais encontrará alguém pra se relacionar porque nem consegue passar do primeiro encontro. Vista por todos como fofa, doce e boazinha, Annie está cansada de ser vista como um anjinho puro e inocente e não como uma mulher.
Para melhorar suas habilidades em paquera, Annie receberá uma ajudinha de Will. Afinal, por que não receber dicas de relacionamento do cara por quem você sempre teve uma quedinha? Acho que nem preciso dizer que Amor na Prática é um clichê dos grandes, né?! Mas, confesso, um clichê d.e.l.i.c.i.o.s.o.
O livro me ganhou já no capítulo 3, quando Will diz: "Durante o tempo em que trabalhei em Roma, sempre foi impossível não reparar na mais nova das irmãs Walker. A “mais doce”, como diziam. A mais quietinha. A mais fofa. Já ouvi gente da cidade descrevê-la com todo e qualquer sinônimo possível dessas palavras. No entanto, ninguém nunca usou o adjetivo que sempre surgia na minha cabeça quando eu a via: deslumbrante."
Eu adoro quando o mocinho já é caidinho pela mocinha desde o início. Vocês não? Amor na Prática é narrado por Annie e Will, em capítulos alternados. Isso traz uma dinamicidade para a história, além de manter o leitor informado sobre o que os protagonistas estão sentindo e pensando. Mas se não é falta de interesse ou de atração que afasta Will de um possível relacionamento com a Annie, o que é? Ao longo da leitura, entenderemos porque Will é tão avesso a ideia de ter um relacionamento estável.
Inclusive, outro ponto positivo do livro é justamente esse: Amor na Prática nos apresenta os protagonistas rapidamente. A gente não precisa passar páginas e páginas tentando entender quem são os personagens. Os primeiros capítulos já deixam bem claro quem são Annie e Will, suas dificuldades, seus traumas e seus anseios. Daí pra frente o foco é no desenvolvimento do vínculo entre eles.
Livros como Amor na Prática não fazem mistério. A gente começa a leitura já sabendo que os dois vão ficar juntos no final. Então, qual a graça de ler um livro que a gente já sabe o final? O desenvolvimento, é claro. Se a gente já sabe o que vai acontecer no final, a gente lê pra descobrir o "como". E eu ADOREI como tudo acontece nesse livro. Annie é realmente um desastre em encontros. Ela é desajeitada e sem filtro, mas, por outro lado, é super divertida e inteligente. E Will vê isso. Ao longo dos treinos, eles simulam encontros, saem pra comer juntos, trocam provocações, têm conversas profundas e vão desenvolvendo um laço de parceria e intimidade muito bonito de acompanhar. E a forma como eles se enxergam para além das máscaras e das barreiras é belíssimo.
Eu adoro como as interações entre eles são genuínas e sem joguinhos. Will sabe que Annie o acha atraente e nem tenta esconder que acha o mesmo dela (apesar de Annie ter dificuldade pra reconhecer isso por conta de sua baixa autoestima). Eles não só se abrem um com o outro como se libertam e se descobrem. Annie consegue ser mais leve, livre e espontânea quando está com Will e Will consegue, aos poucos, se desprender de bloqueios antigos.
— Você deveria mesmo fazer essa tattoo. Ficaria muito sexy.
Sinto um aperto no peito e hesito por um instante.
— Acha que eu ficaria… sexy com uma tattoo?
Ele solta uma risadinha, e, por um segundo, tenho medo de que esteja zombando de mim. Talvez ele nem tenha dito “sexy”. Talvez meu cérebro tenha acrescentado a palavra sozinho, por pura esperança. Se for isso, vou precisar entrar para o programa de testemunhas e me mudar para outro lugar.
— Não, Annie. Não me entenda errado. Já acho você sexy sem tatuagem. Então, tenho certeza de que, tatuada, você ficaria ainda mais sexy.
Sinto meus lábios se separarem e puxo o ar de uma vez, feliz. Ele disse isso mesmo? Nunca na minha vida me chamaram de sexy. Sempre fui “legal” ou “a garota de coração bom”. Sexy? Nunca. Nenhuma palavra fez com que eu me sentisse tão feminina quanto essa que ele acabou de usar para me descrever.
O livro é cheio de passagens que me fizeram ter vontade de dar gritinhos de empolgação, como o capítulo em que a Annie faz sua primeira tatuagem e o capítulo em que Will está no quarto dela lendo um de seus romances com piratas. O cenário de Amor na Prática é uma cidade pequena bem no estilo Stars Hollow (Gilmore Girls). Toda a cidade adora a Annie e todos a veem como uma menina doce que merece um homem à sua altura. E esse homem, na visão de seus vizinhos, não é Will. Essa dinâmica de cidade pequena e superprotetora me lembrou muito quando a Rory Gilmore namora o Jess, que era visto por todos como um bad boy, marginal e indigno da Rory.
Esses conflitinhos trazem certa profundidade para a história, mas sem pesar o clima. Na verdade, o livro como um todo é leve e fluido de ler. Eu gostei tanto de acompanhar as interações entre eles, incluindo as "aulas", que os capítulos que abordavam outras questões ou mostravam outros personagens, eu sentia vontade de pular. Acho que o livro perdeu um pouco de tempo nesses outros assuntos que não são, nem de perto, tão interessantes quanto a dinâmica e os diálogos honestos entre Annie e Will.
— Você tem sentimentos por mim, Will?
Solto uma risadinha.
— Annie, não se faz esse tipo de pergunta. É contra as regras, não sabia?
— Por quê?
— Porque… a gente deveria guardar tudo pra gente, em um estado constante de angústia. Deixar o outro confuso, cheio de questionamentos. É assim que as coisas funcionam.
Ela curva os lábios e desliza a mão sobre a coberta até entrelaçar com delicadeza os dedos nos meus.
— Você gosta de mim, Will?
Sustento o olhar dela e aperto seus dedos, sentindo suas palavras extraírem a verdade de mim, como sempre.
— Sim, Annie. Gosto. E você, gosta de mim?
— Aham. Apesar do meu bom senso.
Enfim, adorei conhecer Annie e Will e adorei ver a construção de relacionamento deles. Um relacionamento saudável, que respeita limites, compreende peculiaridades e enxerga além do óbvio. Recomendo!
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