21 de março de 2016

Resenha: Sejamos Todos Feministas

Título Original: We Should All Be Feminists
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Páginas: 64
Tradução: Cristina Baum
Editora: Companhia das Letras
Livro recebido em parceria com a editora. 

Chimamanda Ngozi Adichie ainda se lembra exatamente do dia em que a chamaram de feminista pela primeira vez. Foi durante uma discussão com seu amigo de infância Okoloma. “Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele; era como se dissesse: ‘Você apoia o terrorismo!’”. Apesar do tom de desaprovação de Okoloma, Adichie abraçou o termo e começou a se intitular uma “feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens”. Sejamos todos feministas é uma adaptação do discurso feito pela autora no TEDx Euston, que conta com mais de 1,5 milhão de visualizações e foi musicado por Beyoncé.

"Mas nossa, Ana, mais um livro sobre o feminismo??". Sim, e se reclamar vai ter mais! Pode até parecer que eu estou brincando mas este é um assunto muito sério que deveria ser lido, entendido e compartilhado. Fiquei imensamente feliz quando chegou um envelope da Companhia das Letras pelo qual não estava esperando, e mais feliz ainda quando vi o conteúdo: um exemplar de Sejamos Todos Feministas todinho para mim. 

Para quem não sabe, Chimamanda é uma escritora nigeriana que tem muitos livros incríveis: Hibisco Roxo, Americanah e Meio Sol Amarelo (ganhador do Orange Prize e adaptado para o cinema em 2013) foram publicados aqui no Brasil também pela Companhia das Letras. Sejamos Todos Feministas é um livro curtinho, pois é uma adaptação de um discurso feito pela autora no TedxEuston em 2012 que possui mais de 2,6 milhões de visualizações no You Tube. Apesar de ser curto, o livro traz muitas verdades e ensinamentos sobre o feminismo.  

Algumas pessoas me perguntam: "Por que usar a palavra 'feminista'? Por que não dizer que você acredita nos direitos humanos ou algo parecido?". Porque seria desonesto. O feminismo faz, obviamente, parte dos direitos humanos de uma forma geral — mas escolher uma expressão vaga como "direitos humanos" é negar a especificidade e particularidade do problema de gênero. Seria uma maneira de fingir que as mulheres não foram excluídas ao longo dos séculos. Seria negar que a questão de gênero tem como alvo as mulheres. Que o problema não é o ser humano, mas especificamente um ser humano do sexo feminino. (págs. 42-43)

Eu já havia me apaixonado pela Chimamanda quando assisti O Perigo de Uma Única História, um discuso que ela fez também no TedxEuston. O jeito que ela fala é incrível, totalmente crítico e irônico, além de bem humorado. Minha grande surpresa foi perceber que ela conseguiu falar da mesma forma sobre um tema tão mais complicado. E nós sabemos como é difícil falar sobre o feminismo, sabemos o quanto essa palavra é incompreendida. Acho que às vezes é muito complicado colocar na cabeça das pessoas que nós, feministas, defendemos direitos iguais para homens e mulheres e não uma supremacia.

No seu discurso, Chimamanda consegue exprimir de uma maneira muito simples como as mulheres vêm sendo oprimidas. É claro que conseguimos muitos direitos, mas ainda tem muita coisa para mudar. Coisas que são vistas como "normais". Por exemplo, por que uma mãe comemora tanto quando o pai ajuda a cuidar dos filhos sendo que isso é uma obrigação dele também? O mesmo vale para as tarefas domésticas. Por que vivemos dizendo às meninas o que elas devem ou não fazer, o que elas devem vestir, como devem se portar e não fazemos igual com os meninos? São muitas questões a serem discutidas, infelizmente.

Se você estiver um pouquinho curioso que seja, vale a pena, e muito, assistir ao discurso (principalmente se não der para esperar o livro chegar, ou não estiver podendo ler no momento). A única coisa que eu tenho para dizer é que essa mulher é foda, com o perdão da palavra. Ah, as legendas em português estão ocultas, não se esqueçam de ativá-las e aproveitem!


Muito se fala sobre desigualdade de gênero, mas poucos percebem que, infelizmente, o alvo do problema são as mulheres. E eu concordo com a autora quando ela diz que nós, humanos, independente do sexo, podemos melhorar isso. É uma luta que todos deveriam aderir. Somos biologicamente diferente dos homens, mas sim, nós somos iguais e merecemos direitos iguais.

Classificação final: 

14 comentários:

  1. Oi Ana,
    É visível o quanto você gostou do livro viu? Pelas partes que você falou no whatsapp e sua avaliação, digo isso agora vou ler a resenha. Eu já ouvi falar dessa autora, mas nunca li nada dela, fiquei interessada nesse livro pelas quotes que você falou, poderia ser mais longo né? Serei sincera, mesmo sendo um tema sério e interessante, eu não pagaria por só 150 páginas. Adorei o último paragrafo da sua resenha. Beijos.

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  2. Oi Ana,
    Estou amando a sua atitude de ceder um espaço aqui no blog para discussões sobre feminismo. Apesar de ser um assunto muito comentado no momento, ainda há uma resistência muito grande à adesão do movimento feminista, inclusive por uma porcentagem imensa de mulheres, que na minha opinião, só precisam de mais informação para entenderem o quão importante é o movimento feminista para a sociedade em geral. E sobre o discurso da Chimamanda... simplesmente espetacular! Abordou os tópicos de maneira inteligente, clara e com o suporte de argumentos sólidos. Amei a escolha! Parabéns!

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  3. Oiiii, que livro é esse menina?
    COnseguiu me encantar profundamente <3 eu quero realmente ler este livro a bastante tempinho já, desde que saiu o lançamento. É um obra cheia de conhecimento e coisas importantes para nos passar. Eu achei meio forte em relação ao nome do livro sabe, em relação que sempre tem aquelas pessoas preconceituosas com o feminismo. Fora isso, me encantei e quuero ler.
    Beijão <3

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  4. Oi, flor.
    O tema feminismo precisa mesmo ser debatido. Acho que o preconceito contra as feministas têm aumentado, infelizmente, em igual proporção ao interesse pelo tema. E atribuo isso à postura também excludente de muitas feministas. Acho que uma feminista que realmente tenha interesse em mudar a nossa cultura deve compreender os comportamentos a partir de uma perspectiva cultural. Não podemos simplesmente condenar o homem de hoje sem considerar a origem do seu comportamento machista. Fomos oprimidas, humilhadas, esquecidas. Continuamos sendo em instâncias e graus diferentes. Às vezes, é até difícil identificar um comportamento machista. Por outro lado, papéis sociais masculinos e femininos, em minha opinião, precisam ser distintos. Um homem deve, sim, ajudar a cuidar dos filhos. Deve trocar fralda, levar ou buscar na escola, preparar o lanche das crianças, lavar roupa... Enfim, deve participar ativamente disso. Mas ele é o PAI e tem funções que cabem especificamente a ele. É o homem que estabelece o limite entre quem é a mãe e quem é o filho, por exemplo. Ao tirar a criança dos braços da mãe, mesmo que ela chore, o pai desempenha o papel da sociedade. Ele faz a criança perceber que é um ser separado da mãe. É ele quem impõe a sisão no relacionamento simbiótico entre mãe e filho. A mãe, por outro lado, é uma extensão do filho na primeira infância. É por meio dela que a criança se expressa e provoca mudanças importantes no ambiente. Uma agitação de mão e a mãe sabe que a criança está com sede. Ao lhe dar a mamadeira com água, ela constrói a confiança da criança em ser capaz de obter aquilo que quer.

    Não sei se percebe, mas não me refiro às tarefas domésticas. Refiro-me ao papel social do pai e da mãe, que são diferentes (e devem ser) no desenvolvimento da criança. Acho que falta aos defensores do feminismo reconhecer de qual igualdade estão falando.

    Eu quero ler o livro, flor. Gostei do tema e acho que a autora tem muito a dizer. O e-book sempre está gratuito na Amazon, já obtive o meu.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

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  5. Oi!!

    Eu conheci Chimamanda na faculdade, onde assisti a sua palestra O Perigo de uma única história e isso ocorreu em mais de uma disciplina. O que posso dizer é que agora formada posso procurar saber mais sobre ela, e sim, me surpreendia ao entrar no seu blog e se apresentada a essa obra. Já coloquei no skoob como meta de leitura , e não deixe de nos apresentar livros assim. Ao falar dessa obra e do assunto em questão a mesma traz uma grande verdade, o feminismo hoje está tão na moda, porém de forma equivocada. Ser feminista não é deixar de ser vaidosa ou levantar a bandeira contra os homens, ser feminista é acredita que a mulher precisa ser valorizada e ter seus direitos respeitado, fazendo a escolha que decidir. Esse livro parece ser maravilhoso e sim, vou adquiri-lo. Tudo que nos leve a reflexão e me faça construir alicerces que me abriram janelas para melhor compreensão, contribuindo para o meu senso critico e me informando entra no meu mundinho literário. Ah, antes de terminar meu comentário, toda vez que uma pessoa elogia o marido por ajudar com tarefas domesticas me irrita, não pq não seja a favor, mas pq essa rotina pode e deve ser realizada por ambos os sexos, afinal atualmente a mulher além de contribuir com o sustento da casa, fica atarefada com outras questões rotineiras, assim como os homens. Então, direitos iguais nesse sentido também.

    Beijos!

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  6. Olá, Ana Clara!
    Esta não é a primeira resenha que leio sobre esse livro e, novamente, fico morrendo de vontade de ler. Já está na minha lista há tempos!
    O tema é super importante, pois como você disse, ainda tem gente achando que feminismo defende a supremacia da mulher, enquanto na verdade, tudo o que queremos é a igualdade entre os gêneros.
    Estamos cansadas de termos salários menores exercendo as mesmas funções, de sermos diariamente desrespeitadas (espancadas e mortas) apenas pelo fato de sermos mulheres e de sermos julgadas pelo nosso gênero!
    Imagino que esta escritora sofre um duplo preconceito (por ser uma mulher negra) e tenho certeza de que ela tem uma grande riqueza de conteúdo para nos contar nos livros que escreveu.
    Vou ler em breve!
    Beijos!

    Karla Samira
    http://www.pacoteliterario.blogspot.com.br/

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  7. Oi, Ana. Não tinha reparado no quanto as editoras estão preocupadas em levar esse tipo de informação xs leitorxs e acho muito bacana. Ainda não conhecia a autora e vou conferir o vídeo com o discurso dela.
    Realmente, muitos acham que o feminismo se trata apenas de fazer as mulheres serem mais do que os homens e não iguais, sem falar naqueles que acha que é tudo mimimi nosso. Espero que em algum momento esse assunto seja tão natural e debatido de forma saudavel, sem ser motivo de piada para alguns, que então as coisas irão melhorar. Beijos
    Sil - Estilhaçando Livros

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  8. Bem, o tema, é algo que vem sendo discutido bastante nos últimos tempos, e é interessante ver que as editoras estão trazendo livros dessa temática, já tinha lido uma resenha de um livro similar a este e acredito que traze-lo a literatura seja uma ótima escolha. Não conhecia a autora, e gostei de saber um pouco mais sobre Sejamos todos feministas, não é um tipo de leitura que costumo ler, mas é bom sair da zona de conforto e conhecer obras novas e diferente, como é o caso desta, espero ter a chance de ler em breve e gostar tanto quanto você.

    Da Imaginação à Escrita

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  9. Nunca li um livro sobre feminismo, mas não foi por falta de vontade, apenas de oportunidade mesmo. Por isso estou ansiosa para meu exemplar chegar e conferir o que essa mulher incrível tem a falar sobre um tema tão conhecido. Sua resenha me deixou bastante ansiosa para isso. Feminismo não é questão de superioridade, mas de ter direitos iguais, o que não entra na cabeça dos machistas.
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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  10. Ana Clara,
    infelizmente nunca tive oportunidade de ler nada dela, mas todas as resenhas que vejo dos dois livros dela são ótimas e a cada resenha fico mais curiosa.
    Acho muito interessante ela lutar tanto pelos nossos direitos, mas o que acho mais incrível é que ainda tem mulheres hoje em dia que se deixam virar empregadas de seus maridos.
    Não é porque somos mulheres que temos que levar filhos e casa nas costas, até porque tanto casa como filho também é do marido.
    Temos muito que lutar, mas não podemos desistir.

    Lisossomos

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  11. Sim, realmente é difícil que as pessoas entendam o feminismo, exatamente por falta de informação. Eu mesma não sabia o que o termo queria dizer até alguns dias atrás, pensava mesmo que defendia a supremacia da mulher, e não a igualdade entre os sexos. A palavra é usada de uma forma negativa e as pessoas distorcem seu significado. Não sei quando terei oportunidade de ler o livro, mas já deixei o discurso carregando aqui pra assistir daqui a pouco (sim, minha internet é ruim assim... rs...).

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  12. Oi Ana, tudo bem? O feminismo tem sido muito deturpado ao longo dos tempos, mas eu concordo com você quando diz que o tema é bem delicado e que deveríamos nos inteirar melhor sobre o termo. Vi muita coisa no dia das mulheres e senti pena das meninas pela ignorância embutida de feminismo! E sim, feminismo é feminismo porque retrata o preconceito e desmerecimento que sofremos ao longo dos anos, direitos humanos seria genérico para retratar a nossa situacao. Com certeza é uma leitura super válida, principalmente para os homens!!! Bjos

    http://www.porredelivros.blogspot.com.br

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  13. Oi Ana, tudo bem? O feminismo tem sido muito deturpado ao longo dos tempos, mas eu concordo com você quando diz que o tema é bem delicado e que deveríamos nos inteirar melhor sobre o termo. Vi muita coisa no dia das mulheres e senti pena das meninas pela ignorância embutida de feminismo! E sim, feminismo é feminismo porque retrata o preconceito e desmerecimento que sofremos ao longo dos anos, direitos humanos seria genérico para retratar a nossa situacao. Com certeza é uma leitura super válida, principalmente para os homens!!! Bjos

    http://www.porredelivros.blogspot.com.br

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  14. Oi, Ana!
    Realmente, as mulheres já alcançaram grandes feitos na história geral, mas ainda temos um bom caminho a ser percorrido para garantir esses mais que continuam sendo ignorados por muitos. Infelizmente é uma realidade complicada para nós, e fica mais ainda quando algumas mulheres mal intencionadas agem justamente em prol de uma supremacia, o que acaba deturpando os objetivos reais e mais nobres do movimento, mas com força e união, chegamos lá um dia. Quanto ao livro da autora, já vi diversas vezes ele disponível na Amazon e já tive certa vontade em ler, principalmente por tratar-se de um discurso adaptado, ou seja, curtinho. Quem sabe em um momento que vier a surgir a oportunidade de leitura?
    Beijos!

    ♥ Sâmmy ♥
    ♥ SammySacional ♥

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