23 de junho de 2014

Resenha: As Aventuras de Pi

Título Original: Life of Pi
Autor: Yann Martel
Páginas: 376
Tradutor: Maria Helena Rouanet
Editora: Nova Fronteira

Um dos romances mais importantes do século, As aventuras de Pi é uma narrativa singular de Yann Martel que se tornou um grande best-seller. O livro narra a trajetória do jovem Pi Patel, um garoto cuja vida é revirada quando seu pai, dono de um zoológico na Índia, decide embarcar em um navio rumo ao Canadá. Durante a viagem, um trágico naufrágio deixa o menino à deriva em um bote, na companhia insólita de um tigre-de-bengala, um orangotango, uma zebra e uma hiena. A luta de Pi pela sobrevivência ao lado de animais perigosos e sobre um imenso oceano é de uma força poucas vezes vista na literatura mundial.

Li "As Aventuras de Pi" em meados de junho de 2013. Faz aproximadamente um ano e eu ainda me lembro da história como se fosse ontem. Vocês não têm ideia do quanto eu adorei esse livro e nem imaginam a dificuldade que foi começar essa resenha. Mas eu não desisti, já que não posso morrer antes de falar desse livro incrível para vocês. 

Piscine Molitor Patel, ou Pi, como prefere ser chamado, além de ter um nome criativo e incomum - inspirado na mais incrível piscina de Paris - nasceu, cresceu e foi criado em meio a animais selvagens, já que sua família administra um zoológico no jardim botânico da cidade de Pondicherry. Não bastasse isso, sempre foi considerado um garoto incomum por ter escolhido ser hindu, muçulmano, judeu e cristão, já que tinha motivos para admirar todas as quatro religiões. 

Após alguns anos, o governo da Índia passou a ter algumas dificuldades e o negócio da família Patel começou a definhar. Sem muitas escolhas, o pai de Pi resolve vender o zoológico e todos os seus animais. Tomada essa decisão, ele decide também se mudar para o Canadá para buscar uma nova vida. 

Algum tempo depois e após muita burocracia, os animais são vendidos para outros zoológicos nos Estados Unidos. Nessa mesma oportunidade, Pi e sua família também embarcam no cargueiro Tsimtsum. Acontece que, em uma das noites da viagem, uma tempestade atinge o cargueiro. Quando Pi percebe, todos os níveis inferiores do navio estão completamente inundados e o pior: é justamente onde o restante dos seus familiares estavam alojados. 

O alto atrai o baixo e o baixo atrai o alto. Acredite, se você estivesse em condições tão desesperadoras, também acabaria elevando os seus pensamentos. Quanto mais baixo cairmos, mais alto a nossa mente vai querer voar. Era natural que, estando assim tão abandonado e desesperado, assolado pelo sofrimento constante, eu me voltasse para Deus.

Jogado em um bote salva vidas, Pi se vê praticamente sozinho, com exceção de alguns animais que invadiram o bote e o temido tigre de bengala Richard Parker. É a partir desse momento que a história começa a se desenrolar de verdade.

O livro é dividido em nada mais, nada menos que 100 capítulos. Apesar de gostar bastante de capítulos curtos, achei que muitos deles eram desnecessários. Pode até parecer contraditório, mas mesmo com esse pequeno detalhe e ao contrário de muitos outros blogueiros, eu não achei a obra cansativa. A escrita de Martel é muito fluida, o que facilita a leitura.

Quase um ano depois após eu ter concluído a leitura, eu descobri que "As Aventuras de Pi" seria um plágio de "Max e os Felinos", do incrível Moacyr Scliar. Não posso expressar minha opinião sobre isso, já que nunca li o livro de Scliar, mas essa matéria do Literatortura pode acalmar as mentes mais curiosas - ou não. O fato é que, mesmo sabendo do caso, que é aparentemente verídico, não deixei de apreciar a obra de Martel.

Não deixa de ser uma obra completa, cheia de emoções, fé e esperança. É um livro forte e triste, mas ao mesmo tempo bonito. Yann Martel nos mostra de uma forma muito singela a importância de não desistir da vida, por mais complicada que ela esteja. Ademais, ele nos traz um final surpreendente, que nos deixa cheios de dúvidas, mas de um jeito bom - entenderão melhor o que eu quis dizer quando finalizarem a leitura. "Extraordinário" é a palavra perfeita para descrever esse livro.

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