13 de março de 2016

Resenha: A Cor Púrpura

Título Original: The Colour Purple
Autora: Alice Walker
Páginas: 356
Tradução: Betúlia Machado, Maria José Silveira e Peg Bodelson
Editora: José Olympio
Livro recebido em parceria com a editora.
Vencedor do Prêmio Pulitzer em 1983 e inspiração para a obra-prima cinematográfica homônima dirigida por Steven Spielberg, o romance A cor púrpura retrata a dura vida de Celie, uma mulher negra no sul dos Estados Unidos da primeira metade do século XX. Pobre e praticamente analfabeta, Celie foi abusada, física e psicologicamente, desde a infância pelo padrasto e depois pelo marido. Um universo delicado, no entanto, é construído a partir das cartas que Celie escreve e das experiências de amizade e amor, sobretudo com a inesquecível Shug Avery. Apesar da dramaticidade de seu enredo, A cor púrpura se mostra muito atual e nos faz refletir sobre as relações de amor, ódio e poder, em uma sociedade ainda marcada pelas desigualdades de gêneros, etnias e classes sociais.

Já tinha ouvido falar do filme A Cor Púrpura, dirigido pelo incrível Steven Spilberg, tendo Whoopi Goldberg no papel principal (que, inclusive, lhe rendeu a indicação ao Oscar de melhor atriz 1986). Não assisti ao filme, primeiro porque não sou muito fã de filmes no geral, segundo porque morria de vontade de ler o livro antes, de qualquer forma. Vocês não calculam a minha felicidade quando vi A Cor Púrpura nas opções que a Editora Record mandou para os parceiros em fevereiro. 

Neste romance, Alice Walker descreve a história de Celie, entre 1900 e 1940. O livro todo é narrado através de cartas que Celie escreve, primeiro para Deus, depois para sua irmã, Nettie. Nessas cartas, a protagonista faz um desabafo do seu dia-a-dia: primeiro os abuso sexuais que sofria pelo Pai, depois o relacionamento violento com o marido, além das dificuldades impostas pela sociedade, já que Celie é mulher, pobre e negra, além de semi-analfabeta. 

O fato de Celie não ter sido educada adequadamente, faz com que a linguagem de todo livro seja totalmente alegórica, o que faz o leitor se sentir íntimo da personagem. A maioria das cartas são bastante rápidas e pungentes, com ortografia próxima à língua oral, e reais até demais para o meu gosto. Os relatos são tão sofridos que dão pena e até raiva em alguns momentos, principalmente nos episódios em que as mulheres eram rebaixadas. 

Se ao menos eu tivesse compreendido então o que eu sei agora! ele falou.
Mas como poderia? Existem tantas coisas que nós não compreendemos. E tanta infelicidade acontece por causa disso. –  Nettie
(pág. 225)

Não conheço outras obras de Alice Walker, mas posso dizer que ela desenvolveu A Cor Púrpura com tremenda maestria. Desde as primeiras páginas me vi totalmente absorta e, ao mesmo tempo, assustada e agoniada. Como não se impressionar com um livro que tem uma cena de estupro em sua segunda página? Walker tratou não só do racismo (que atinge ambos os sexos), mas todas as outras consequências de uma sociedade incrivelmente machista e paternalista para nós, mulheres. Imaginem só: ser mulher, naquela época, era motivo para ser "menos"; ser mulher e negra agravava ainda mais a situação.  

Com o passar do tempo, acompanhamos uma mudança de atitude de Celie, principalmente depois que Shug Avery entra em sua vida. Sua ânsia para se libertar de todo os seus sofrimentos era tão grande que, com a ajuda dessa mulher ímpar e de diversas outras que acabam aparecendo no decorrer da história, luta por si mesma, passando por cima de todos os preconceitos da época. Assim, ela percebe que, como todo ser humano, tem valor e, principalmente, direitos. Sendo assim, A Cor Púrpura é um livro com um tema totalmente atual, apesar de ter sido escrito no século passado, principalmente se levarmos em conta os movimentos de igualdade de gênero. 

A vida de Celie e de todas as suas companheiras serve de inspiração para vermos as milhares de coisas que conquistamos daquele tempo para cá, mas, infelizmente, acaba se tornando, também, um recado para lembrarmos de que ainda há muito para se conquistar. 

Trailer


Classificação final: 

19 comentários:

  1. Oi, Ana Clara
    Também já ouvi falar do filme, mas ainda não vi. Não sei se leria esse livro, pelo menos não nesse momento. De qualquer maneira, achei interessante a narrativa ser feita por meio de cartas. Já li livros dessa maneira, e acho muito empolgante e pessoal.
    Beijos, Fer

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  2. Oi Ana, já ouvi falar do filme até em seriados como Everybody hates chris e nunca fui em busca de mais informações, mas fiquei com uma imensa vontade de ler e ver o filme depois dessa resenha. Beijos.

    Visite: http://carpediemmica.blogspot.com.br/

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  3. Olá, Ana!
    Acabei de ler esse livro pela segunda vez e, como eu coloquei na minha resenha, eu senti que esse é daqueles livros que, a cada leitura, você enxerga novas coisas, novas descobertas. Os temas propostos pela autora, infelizmente, não podem ser mais atuais; os maus tratos com as mulheres, o racismo, a marginalização de certos indivíduos da sociedade... Esse livro é tão necessário agora quanto na época em que foi lançado.

    Ótima resenha, bjs,

    Hel - Leituras & Gatices

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  4. Oi Ana,
    Não conhecia o livro, nem sabia sobre a adaptação para o cinema.
    Adoro livros que conseguem trazer discussões sobre assuntos importantes.
    Só o que me deixa com um pé atrás é a narrativa através de cartas. Não curto livros epistolares.
    Abraço,
    Alê
    www.alemdacontracapa.blogspot.com

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  5. Oiii, tudo bem?
    Menina que resenha é essa? Primeira vez que visito seu blog e me apaixono de cara kkkkkkkkkkk eu gostei muito deste livro, principalmente pela capa que coisa mais linda <3 espero um dia ter a oportunidade de ler.
    Beijão

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  6. Oi, Ana! Tudo bem? Adorei a resenha! <3 Esse é um livro que vejo o pessoal sempre falando e elogiando e tudo mais, mas nunca me interessei, sabe? Agora com sua resenha, eu fiquei com muita vontade de ler "A Cor Púrpura". Espero fazer isso em breve! :)

    Abraço

    http://tonylucasblog.blogspot.com.br/

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  7. Olá, Ana.
    Achei alguém igual a mim que também não gosta muito de filmes hehe. Eu não conhecia nem o livro nem o filme, mas é claro que me interessou. Adoro livros assim, que falam dessa luta, que é tão antiga, mas infelizmente ainda é tão atual. Assim que der eu vou ler.

    Blog Prefácio

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  8. Oi Ana, essa é a primeira vez que leio sobre esse livro e o filme. Eu não sou muito ligada a filmes. E é a primeira vez que vejo falar desse selo da editora, hahaha. A história parece ser maravilhosa pelos relatos da personagem, mas eu não consigo me concentrar em livros que são narrados através de cartas, nada contra, mas pelo visto esse parece ser bom já que você deu 5 estrelas. Mas depois de ler por completo a resenha, quero ler o livro para sentir tudo isso que você sentiu. Beijos.

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  9. Oiee ^^
    Também já tinha ouvido falar do filme, mas não conhecia o livro até vê-lo no catálogo da editora também. Pensei em solicitá-lo, gostei bastante da premissa (gosto de histórias realistas, principalmente quando trazem consigo críticas sociais), mas acabei decidindo por não pedi-lo , e estou muito arrependida agora *-* Fico feliz que o livro tenha te tocado, espero conseguir lê-lo em breve, e ver o filme também.
    MilkMilks
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  10. Não tem como não associar o livro ao O Sol É Para Todos da Harper Lee, claro que as histórias são diferentes e esta é bem mais forte, mas a ideia do preconceito é semelhante.
    Tenho visto muitas resenhas de A Cor Púrpura e ando com muita vontade de lê-lo. Esta nova edição está belíssima.
    Lendo sua resenha pude perceber que se trata de um tema fortemente retratado, e vivido bravamente por uma personagem de fibra. Sem dúvida eu o leria, assim como estou com muita vontade de assistir ao filme...

    Beijo, Van - Retrô Books
    http://balaiodelivros.blogspot.com.br/

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  11. Oi Ana, sinceramente esse livro não me chama atenção. Eu não gosto de enredos fortes assim, como você mesma se sentiu agoniada no inicio eu também me sentiria e não é isso que eu procuro em um livro quando o pego para ler. Você falou muito bem da obra e mostrou as qualidades que você encontrou mas mesmo assim eu não tenho interesse em uma leitura como essa

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  12. Apesar da resenha destacar ótimos pontos e posso concluir que o livro possui uma história envolvente e a forte ao mesmo tempo, não fiquei interessada no enredo, pois não é exatamente o tipo de leitura que busco, mas tenho que concordar, Cor purpura mexerá com o leitor, pois senti isso ao ler suas palavras, mas por enquanto, não pretendo tê-lo em minha lista de futuras leituras.

    Da Imaginação à Escrita

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  13. Olá, Ana Clara!
    Eu não daria nada por essa capa, mas sua resenha me fez ficar bem interessada pelo livro!
    Já ouvi falar nesse título, mas não sabia se era livro ou filme, bom saber quer temos os dois.
    Adoro livros em formato de cartas (no todo ou em parte), ainda mais quando você menciona que são escritas com linguagem que se aproxima à oral, trazendo realidade à história.
    Adorei a dica!

    Beijos!

    Karla Samira
    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

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  14. Nossa, mulher e negra em uma época dessas não deve ter sido fácil mesmo. Não assisti o filme, mas sabia sobre a história. Agora ao saber do livro também prefiro ler antes de conferir o filme. A trama é bem sensível, e eu adoro este tipo de narrativa, através de cartas e tal, então acho que vou adorar a leitura.
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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  15. Nunca vi o filme e nem li o livro, mas ele já está na minha lista de livros para ler há tempos. Sei que ele é hum dos clássicos do tipo "todos devem ler".
    Sei que depois de ter lido uma resenha sobre o livro ontem e mais a sua já fez com que eu colocasse o livro no topo da minha lista. Eu não sabia sobre o assunto que ele aborda e apesar de ser um livro pesado, é importantíssimo lê-lo.
    Adorei esse trailer, parece ser um filme emocionante!

    Beeijos, Erica Regina
    Blog Parado na Estante / Fanpage Parado na Estante

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  16. Oi Ana!
    Também nunca vi o filme, mas sei lá o porquê. Eu fiquei interessada no livro mas confesso que essa coisa de ser escrita por cartas me incomoda um pouco. É um bom recurso para nos aproximar da personagem mas ainda acho um pouco ruim, prefiro uma narração normal. De resto, sempre bom ver livros que abordem temas como esse, acho até que ta pouco.

    beijos

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  17. Oi Ana, primeiramente eu nem sabia da existência do filme, mas o livro já tinha ouvido falar e levando em conta a faze para livros mais sérios em que me encontro acredito que seja o momento perfeito para lê-lo. Não sabia muito sobre a hitória mas sua resenha me deixou curiosa, quero saber mais sobre a luta da protagonista e fazer as inferências que você comentou. Só o que me inomoda é ser escrita através de cartas, são raros os livros neste estilo que gosto, entre eles o melhor foi com certeza Precisamos Falar Sobre o Kevin, mas talvez esse me surpreeda tbm!

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  18. Ei, tudo bem?
    Eu já ouvi falar bastante do filme, mas nunca tive interesse de assistir, pelo mesmo motivo que você: não sou fã de filmes. Recebi esse livro de cortesia da editora e estou bem animada com a leitura. É um tema recorrente na sociedade e acho muito importante mostrar o tamanho sofrimentos dos negros naquela época. Sei que vai ser uma leitura bem tensa, mas estou ansiosa por isso.

    Beijos, Gabi
    Reino da Loucura

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  19. Oie, Ana! Eu já ouvi falar muito do livro e morro de vontade de ler, mas sempre acabo adiando a compra, muitas vezes porque minha fila está imensa. Mas vou mudar isso logo. Acho interessante a narrativa epistolar, mas meu contato com ela foi muito pequeno. O tema é realmente super atual e pelo jeito um super tapa na cara de quem acha que as coisas são simples.
    Anna - Letras & Versos

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