8 de abril de 2016

Resenha: Tony & Susan

Título Original: Tony and Susan
Autor: Austin Wright
Páginas: 334
Tradução: Rubens Figueiredo
Editora: Intrínseca

Há vinte e cinco anos, Susan Morrow deixou Edward Sheffield, seu primeiro marido. Certo dia, instalada confortavelmente na casa em que mora, com os filhos e o segundo marido, inesperadamente ela recebe, pelo correio, um embrulho que contém o manuscrito do primeiro romance escrito por Edward. Ele lhe pede que leia seu livro: Susan sempre foi sua melhor crítica, justifica. Tony e Susan, de Austin Wright, publicado originalmente nos Estados Unidos em 1993, ganha nova edição, dezoito anos depois de seu lançamento, por se tratar, segundo seus editores, da “mais impressionante obra de arte da ficção americana desde Revolutionary Road, de Richard Yeats”, publicado no Brasil como Foi apenas um sonho.
Ao iniciar a leitura, Susan é arrastada para dentro da vida do personagem Tony Hastings, um professor de matemática que leva a família de carro para a casa de veraneio no Maine. Quando a vida comum e civilizada dos Hastings é desviada de seu curso de forma violenta e desastrosa, Susan se vê novamente às voltas com seu passado, obrigada a encarar a própria escuridão e a dar um nome para o medo que corrói seu futuro e que vai mudar sua vida.

Tony & Susan, de Austin Wright, nunca foi um livro que me provocasse grande curiosidade, mas quando a Ana me perguntou se eu gostaria de ler algum dos livros de uma lista que ela tinha, decidi escolher este. Afinal, por que não? Ela me avisou que não conseguiu prosseguir com a leitura, mas eu tentei iniciar o livro despida de preconceitos. Eu consegui ler a obra até o final, mas antes não tivesse feito, pois foi o livro mais chato que já li.

O livro se divide em duas perspectivas. A primeira delas é a de Susan, que aceita um pedido de Edward, seu primeiro marido, para ler e comentar o manuscrito da obra criada por ele. Casada com Arnold há vinte anos e com filhos, Susan mergulha na apreciação da evolução de Edward como escritor, da sua própria vida e da maneira como chegou à situação atual. Intercalada às suas reflexões, como segunda perspectiva, a própria obra de Edward é transcrita ao leitor, com Tony como seu personagem principal.

Nenhum problema é temporário antes que tenha terminado. Todos os problemas são potencialmente permanentes.

No início, o livro não era daqueles que eu interrompia a leitura ansiosa por retomá-la. Eu às vezes o esquecia por dias. Porém, nos momentos em que me sentava para leitura, as páginas fluíam sem qualquer problema. A dificuldade se deu a partir da segunda metade do livro: o ritmo que pensei ser introdutório era, na verdade, o ritmo de todo o livro, e a falta de expectativa de qualquer acontecimento interessante pelo restante da obra tornou o ato de lê-la maçante.

Isso decorre da própria natureza do livro, que é essencialmente introspectivo. Os poucos acontecimentos são narrados no início da obra; depois, são citados apenas alguns detalhes banais, cotidianos, que servem tão somente para contextualizar os momentos. Só que mesmo a introspecção não me pareceu devidamente aprofundada, haja vista que os pensamentos dos personagens eram confusos, inconstantes e em alguns momentos eu nem consegui visualizar o que tanto os incomodava de fato, visto que muitos aspectos eram citados ao mesmo tempo e dificultavam identificar o cerne da questão.

Será que devia dizer para Dorothy e Artur pararem com aquilo? Ela reprime um impulso teatral para repreendê-los por desperdiçar sua juventude em frente de um televisor. Televisão, ir para Washington, esmurrar Ray, tudo se mistura em sua mente, parece que é o televisor que ela quer esmurrar. Então imagina um visitante alienígena que pergunta qual a diferença entre Dorothy boquiaberta diante da televisão e a própria Susan boquiaberta diante de um livro. Martha e Jeffrey, seus bichinhos de estimação, que acham estranho vê-la ali parada, petrificada. Susan gostaria de não ter de ficar provando o tempo todo que é sua capacidade de ler que a torna civilizada.

Por conta disso, não consegui criar empatia com os personagens ou compreendê-los inteiramente, mesmo porque não tive vontade de me esforçar em fazer isso. Tive a impressão de que ler um livro dentro do outro não me permitiu mergulhar em nenhum dos dois.

Eu tentei gostar do livro, tentei de verdade, e só mesmo concluí a leitura por esperar encontrar nele algo que muitos leitores conseguiram. Vi que várias pessoas marcaram o livro como favorito ou que deram notas altas nas avaliações do skoob, e eu só não parei na metade do livro porque achei que algo me surpreenderia mais adiante. Não aconteceu, eu não consegui gostar do livro, e a sensação final foi de que perdi um tempo valioso.

Classificação final: 

7 comentários:

  1. Olá,
    Confesso que nunca tinha ouvido falar sobre esse livro. Acredito que a sua decepção maior seja fruto da sinopse ("mais impressionante obra de arte da ficção americana..."), através dela imaginamos que o livro é altamente reflexivo e que irá prender a nossa atenção, mas pela sua resenha eu acredito que não é exatamente isso que acontece. Enfim, não parece ser o livro que entrará em minha lista de leitura.
    Abraços,
    Um Rascunho a Mais

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  2. Olá Ana,

    eu não conhecia essa obra e o autor, é muito ruim quando dispendemos de nosso tempo para ler algo e percebemos que a leitura não rende, que o livro não é bom o quanto esperamos ou simplesmente é ruim. Uma pena que o livro não tenha sido legal para você. Após ler sua resenha e sua opinião, certamente não vou ler! Bjusss
    www.sagaliteraria.com.br

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  3. Ao contrário de você, eu tenho muuuita curiosidade com este livro, tudo nele me chama a atenção, consegui adquiri-lo ano passado por troca, mas ainda ainda não peguei para ler infelizmente. Já vi algumas pessoas dizendo mesmo que não gostaram, mas vi outras dizendo que amaram, acho que deve ser 8 ou 80, hehe.

    Um bj, Vanessa Meiser - Retrô Books
    http://balaiodelivros.blogspot.com.br/

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  4. Dá um nervoso quando não gostamos de algum livro que a maioria gosta, né? Fico me sentindo um et, mas acontece. rsrs
    Que pena saber que a leitura não funcionou para você. Eu comprei a obra, confesso que mais pelo preço, mas acabei gostando sim da trama e pretendo ler esse ano ainda. Espero gostar!
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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  5. Nossa, que medo, o livro mais chato que você já leu? Acho que o que ocupa esse lugar na minha vida é Morte Súbita. Comprei esse livro na Bienal, se não me engano estava nas super promoções da editora, agora entendi porque... rs... Isso de não conseguir criar empatia com os personagens costuma destruir uma leitura para mim. :/

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  6. caraca primeira que vejo falando isso do livro, mas te entendo, mas vc foi guerreira em continuar eu teria abandonado....
    http://odiariodoleitor.blogspot.com.br/

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  7. Parabéns você foi uma mulher guerreira, dá uma sensação ruim quando batalhamos por um livro e ele nos decepciona neh!!! Esse livro eu ainda não conhecia e nunca tinha visto, agora passarei bem longe quando ver ele kkkk


    Até mais, www.meninoliterario.com.br

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