23 de maio de 2016

Resenha: As Vidas e as Mortes de Frankenstein

Título: As Vidas e as Mortes de Frankenstein
Autora: Jeanette Rozsas
Páginas: 176
Editora: Geração Editorial

Escapar da morte, viver para sempre… O que antes parecia apenas fantasia ou ficção científica, hoje está sendo procurado nos principais centros de pesquisa do mundo. Neste romance, Jeanette Rozsas reúne personagens reais e ficcionais para tratar de uma questão polêmica: a fim de vencer a morte, a ciência pode passar por cima de tudo, até mesmo da moral e da ética? Esse é o estranho vínculo que aproxima intimamente, mas em épocas diferentes, uma jovem pesquisadora brasileira trabalhando na Alemanha, três importantes escritores ingleses do século XIX e um famoso alquimista do século XVII e seu ingênuo discípulo.

Sabe aquele livro que a gente pega para ler quase que por obrigação, só para dar uma diminuída na pilha? Pois foi isso mesmo o que aconteceu comigo quando fui ler As Vidas e as Mortes de Frankenstein. Pelo título eu esperava que fosse um livro denso, com uma narrativa mais científica e uma história totalmente cansativa. Não se deixem enganar por essa capa feinha: paguei língua, me surpreendi. Encontrei histórias riquíssimas e instigantes nesse livro. 

Jeanette Rozsas narra em pouco menos de 200 páginas um tema muito polêmico: será possível para a ciência passar por cima de tudo para conseguir driblar a morte? Para tentar responder essa pergunta, a autora utiliza três épocas e personagens diferentes, de forma totalmente inovadora. As histórias se passam, respectivamente, no século XXI, XIX e XVII, cada uma com seu vocabulário e características únicas, e acabam se cruzando em determinado ponto. Foi uma bela sacada da autora, já que o que une os personagens é a paixão exacerbada pela ciência.

A primeira história se passa em meados de 2010, conhecemos a médica e cientista Elizabeth Medeiros, que conseguiu um estágio muito bom em uma faculdade ainda melhor na Alemanha. Sua narrativa é dada em forma de e-mail e cartas, além de alguns tweets (sou viciada em Twitter, vocês imaginam o quanto eu adorei isso, né?). Na segunda história, ambientada no século XIX, conhecemos o jovem casal Mary Godwin e Percy Shelley, que fugiram de tudo e de todos por estarem apaixonados. Acabaram levando Jane Clairmont a tiracolo, porque esta implorou para ir junto na aventura dos dois. A última narrativa se passa no século XVII e nos apresenta Max Muller, um garoto de apenas 15 anos que sonha em descobrir os segredos do universo, e seu mestre, Johann Konrad Dippel, um alquimista que vive em função de encontrar a fórmula do elixir da vida. 

[...] a imortalidade só pode mesmo nos ser dada pela arte. (pág. 156)

O que mais me agradou nessa obra foi descobrir que Rozsas utilizou personagens reais e fictícios para construir a história. Mary Godwin e Percy Shelley são escritores ingleses tão importantes quanto podem ser. Mary Godwin e ninguém mais, ninguém menos que Mary Shelley, autora do livro Frankenstein, que é mundialmente reconhecido. Johann Konrad Dippel realmente existiu e é uma lenda que persiste até hoje. Com certeza a história do alquimista e do seu jovem discípulo foi a que mais me instigou, ficava o tempo inteiro ansiando para as partes em que a história dos dois era narrada. 

Outro destaque dessa edição são algumas páginas em papel especial que possuem algumas pinturas, retratos realistas de alguns personagens da obra, como Mary Godwin, Percy Shelley e  Johann Konrad Dippel. Tem até uma foto super linda do castelo dos Frankenstein, que é o lugar onde Dippel vivia e fazia os seus experimentos (o castelo existe sim, gente). Há também uma bibliografia no fim do livro, que mostra que Jeanette Rozsas estudou não só os personagens, mas todos os elementos que compõe essa magnífica história.

Para mim, o ponto alto do livro foi a mensagem deixada pela autora, por mais que o tempo passe e a tecnologia avance, nada nesse mundo conseguirá acabar com a morte. Afinal, essa é a única certeza que temos: para morrer, basta estar vivo.

Classificação final: 

12 comentários:

  1. Nossa, que tema interessante! Você tem razão, a capa é bem sem graça, mas me interessei pela premissa do livro mesmo assim, driblar a morte é um assunto muito legal para ser discutido, afinal, essa é nossa única certeza né, que um dia iremos morrer!
    Beijo

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  2. Oiii Ana, tudo bem?
    Realmente não conhecia essa obra, tenho as mil faces dele, mas não essa! Realmente me encantei pela obra e essa capa está fabulosa.
    Beijinhos

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  3. Oi, Ana! Sempre julguei esse livro mal justamente pela capa e um pouco pelo titulo :(
    Realmente a história parece ser bem legal; eu acho que nunca cheguei a ler uma história de um mesmo personagem em épocas diferentes, esse é um fator que me deixa curiosa. E sim, Twitter ♥ acho que eu curtiria isso ai. rs
    Beijos
    Estilhaçando Livros
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  4. Oiee ^^
    Acho que essa é a segunda resenha deste livro que eu leio, e a segunda positiva também. Eu adoro histórias que se passam em séculos passados, principalmente quando elas são inovadoras ♥ Gostei :)
    MilkMilks ♥

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  5. Olá, Ana Clara. Sua resenha está totalmente incrível e me deu uma vontade enorme de pegar o livro e ler agora. Realmente pela capa da a impressão que o livro tem uma narrativa chata e científica, mas que bom que nos surpreendeu, né?! Ótima resenha!

    Beijo,
    http://pactoliterario.com/

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  6. Li esse livro e gostei bastante. Sou meio medrosa e a princípio tive um certo receio, mas achei fantástica a forma com que a autora construiu as três histórias e as interligou. Só achei umas partes meio nojentas, mas consegui superar.

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  7. Olá, tudo bem??
    Nossa essa resenha me surpreendeu, confesso que sempre tive vontade de ler esse livro, mas pela capa, achei que fosse alguma coisa chata e que eu não iria gostar, mas agora depois que li sua resenha, com certeza vou dar a oportunidade para esse livro e vou ler!!!
    Beijus
    www.bibliotecaempoeirada.com.br

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  8. Também tinha julgado mal o livro, achei que seria uma leitura extremamente chata, mas pela sua resenha é bem o contrário. Gostei de saber mais sobre o enredo, e acho que vou colocar nos desejados e descobrir se realmente é tão bom assim! Gostei muito da sua resenha, me deixou ansiosa para ler.
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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  9. Oi Ana sua linda, tudo bem?
    Achei o máximo ela colocar pessoas reais no livro e fiquei impressionada quando descobri que o castelo existe realmente. Isso por si só já chamou minha atenção, agora, colocar as três histórias se passando e épocas tão distintas, com a mesma busca, foi super criativo. Essa busca pela ciência desenfreada ultrapassando os limites é sempre perigosa. Não vejo a hora de ler esse livro. Sua resenha ficou ótima!!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  10. Mas gente to com esse livro na estante e aconteceu a mesma coisa, pré julguei ele e agora to com vontade de ler hahahaha, também achei que ia ser algo bem rebuscado assim hauahuah, mas agora vou tentar ler logo logo.

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  11. Oi Ana, que resenha mais instingante e top, uau!!! Adorei saber que o livro conquistou você e a sua empolgação me conquistou também, tanto que desejo ler a obra que parece nos envolver e absorver. Sim, a única certeza que se tem nesta vida é que um dia morreremos, faz parte do ciclo.
    Parabéns pela espetacular resenha.

    Bjos da Tânia – www.facesdaleitura.com.br

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  12. Ana, assim como você quando vi esse livro tive certo receio da história e tenho certeza que se tivesse solicitado ia iniciar a leitura com um pé atrás. Mas lendo sua resenha estou me sentindo arrependida, adoro histórias que misturam fatos reais e ficção e essa obra parece ser bem rica em ambas as situações, mas o que mais me chamou atenção foi a presença de Mary Shelley na obra, agora quero ler para ontem!

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