17 de maio de 2016

Resenha: Na Ponta dos Pés

Título Original: Pointe
Autora: Brandy Colbert
Páginas: 336
Tradução: Lavínia Fávero
Editora: Vergara & Riba

Theodora está melhor. Voltou a se alimentar e a sair com alguns caras. Além disso, está se dedicando como nunca para se tornar uma grande bailarina profissional. Mas o repentino retorno de seu melhor amigo, Donovan, depois de quatro anos sequestrado, lança Theo de volta aos momentos que antecederam o fatídico episódio. Surge em sua memória a lembrança do sequestrador... Donovan não fala nada sobre o que viveu no cativeiro. Dizer a verdade poderia colocar em risco tudo aquilo pelo qual Theo havia lutado: sua imagem, sua carreira, sua reputação e seu verdadeiro amor. Na ponta dos pés é um livro arrebatador. A vida conturbada de uma jovem talentosa nos faz acreditar que a superação pode ser difícil, mas sempre há tempo para recomeçar.

A primeira coisa que vocês precisam saber sobre esse livro: a sinopse é tão reveladora que eu não aconselharia ninguém a lê-la, e só fui perceber isso quando o tinha finalizado. Aliás, é impossível falar sobre o livro sem soltar algum spoiler, então estejam avisados. Tendo me apegado demais a capa, imaginei que seria só um livro sobre uma garota apaixonada pela dança. Sim, a vida de Theo é o balé, mas a história por trás de tudo é muito maior e mais complexa, densa e angustiante.

Em Na Ponta dos Pés, conhecemos a história de Theodora, uma adolescente aparentemente comum, que frequenta o ensino médio e pratica balé desde criancinha. Mas, como disse antes, diferente do que pensei, a história gira em torno do sequestro do seu melhor amigo, que aconteceu há quatro anos. Todo mundo achava a volta de Donovan totalmente improvável até que ele é encontrado pela polícia através de algumas denúncias. Seria motivo de extrema felicidade se a volta dele não fizesse Theo se lembrar dos momentos tão doloroso que antecederam o sequestro, quando ela ainda tinha 13 anos.

Nós não sabemos realmente o que aconteceu, mas a trama está toda entrelaçada à esses momentos e a um segredo que, ao que parece, pode mudar completamente o rumo da história. É claro que o mistério em si nos prende à história, mas a própria narrativa da autora é tão convidativa que é impossível parar de ler. Brandy Colbert consegue retratar vários temas polêmicos, como distúrbios alimentares, pedofilia, abuso sexual, sequestro, uso de drogas de uma forma tão comovente e dramática que minha vontade era pegar a Theo, abraçar e falar que tudo ia ficar bem.

É estranho. Você pode estudar com uma pessoa a vida inteira, esbarrar com ela nas festas por anos e anos, e aí alguma coisa muda. Queria poder apontar o momento exato em que isso acontece, mas talvez não seja  um momento. Talvez seja algo que estava lá o tempo todo e ninguém percebeu. (pág. 188)

Na minha opinião, um dos pontos altos do livro foi o romance presente nas páginas. Achei incrível a forma como a autora conseguiu desenvolvê-lo mesmo com toda a tensão envolta no retorno de Donovan. E por falar em Donovan, acho que a única coisa que me irritou foi o fato de ele nunca aparecer, mesmo com toda a sua importância para a trama. Tudo bem, o menino voltou traumatizado, mas em momento algum a Theo pensou em visitá-lo. Muito pelo contrário, ela queria evitar o amigo a todo custo. Não sei como eu agiria em um momento assim, mas acho que se minha melhor amiga fosse (Deuzolivre) sequestrada, ia querer vê-la no exato momento da sua chegada, mesmo se eu guardasse um segredo terrível sobre isso. 

Theo é uma menina extremamente forte, principalmente por tudo o que ela passou. Fiquei o tempo inteiro me imaginando no lugar dela e só consigo pensar que, provavelmente, não teria forças nem para levantar da cama. É impossível não notar o sofrimento da garota, mas ela tenta se manter em pé, demonstrar que está bem e saudável, mas sem deixar de se punir de outras formas. Um exemplo disso é o seu distúrbio alimentar e a forma como ele é retratado: ela se machuca toda vez que pensa em comer. 

Escrevendo essa resenha, percebi que não vou conseguir falar o quanto eu gostei desse livro. Tenho a impressão que falei, falei, falei, mas na verdade só dei voltas, sem conseguir expressar o que eu queria. Não é um livro fácil e talvez seja esta a minha dificuldade. Há cenas muito pesadas, há falas muito fortes que me fizeram refletir bastante. O final, apesar de ter deixado algumas pontas soltas, foi totalmente digno. Me deu uma esperança de que as coisas podem sim, melhorar. Algumas coisas só precisam ser ditas para que as coisas comecem a dar certo.

Classificação final: 

2 comentários:

  1. Não conhecia o livro, mas parece uma leitura incrível. Com toda certeza lerei assim que tiver oportunidade. Ler livros que nos deixam com essa sensação é exatamente o que os livros deveriam fazer, na minha opinião. Obrigada pela dica :3

    ❥Blog: Gordices Literárias

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  2. Assim como "Para Poder Viver" e "Perdão, Leonard Peacock" acho que esse livro não deve ter sido fácil. No caso do primeiro que eu citei, a menina tem a minha idade, faz aniversário poucos dias antes de mim e passou por tanta coisa na vida, que me faz parecer um lixo HUAHUA sério~ Foi sequestrada, vendida, prostituida, perdeu casa, pai, irmã, viu a mãe ser estuprada... Chegou em Seul aos 15 e fez a vida do ZERO, já cursou uma universidade e está super bem; e eu me pergunto COMO~ pq se fosse eu, não sei como teria a força que ela teve.
    No caso do Leonard, achei que não ia chorar, mas na carta da filha dele eu desmoronei dentro do onibus mesmo HAHA esse livro deve ser mais um da lista de: não leia se estiver na bad por que você VAI ficar pior.
    Agora quero ler também, mas antes~ vamos aos livros de terror <3

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