9 de dezembro de 2016

Resenha: Boo

Oliver Dalrymple é o típico “looser” americano: aos 13 anos, magro e pálido como um fantasma, está mais interessado em biologia e química do que em esportes e vida social. Um dia, enquanto se recupera de um dos frequentes episódios de bullying de que é vítima recitando a tabela periódica em frente a seu armário, ele desfalece para sempre. E é aí que sua verdadeira vida começa. O “céu” onde Oliver acorda depois do que acredita ter sido uma parada cardíaca em função de um problema congênito chama-se Cidade e é povoado por pessoas que morreram aos 13 anos, como ele e seu colega de escola Johnny Henzel, que chega dias depois de Boo à Cidade, trazendo notícias perturbadoras sobre a causa da morte deles. Notícias que mudam para sempre a percepção de Oliver Boo sobre sua personalidade e seu lugar no mundo. Elogiado pela crítica e adorado pelos leitores, Boo é um romance cativante sobre amizade, confiança, bullying e a difícil tarefa de ser adolescente.

Título Original: Boo, a Novel
Autor: Neil Smith
Páginas: 336
Tradução: Elisa Nazarian
Editora: Fábrica 231
Livro recebido em parceria com a editora

Acho que todo mundo pensa bastante em o que acontece com as pessoas quando elas morrem — de acordo com a crença de cada um, é claro. Para Oliver Dalrymple, mais conhecido como Boo devido a sua palidez natural, que morreu recentemente, o "céu" é um pouco diferente do que estamos acostumados a imaginar. Ele simplesmente desperta em lugar chamado Cidade, que é para onde todas as crianças de 13 anos da América vão quando morrem. 

E se você está pensando que a Cidade é um lugar onde as almas caridosas descansam em paz, estão totalmente enganados. É basicamente igual à cidade onde vivemos: os habitantes têm que comer, dormir, estudar e até mesmo arranjar um emprego. Ah, e eles não envelhecem mais, ficam com aparência de 13 anos durante 50 anos e depois simplesmente desaparecem — alguns dizem que voltam para a América, outros falam que apenas mudam de nível, mas ninguém tem certeza de nada. 

Quando vivo, Boo sofria muito bullying dos colegas não só por causa da cor da sua pele, mas também pela sua inteligência que incomodava muito os colegas — mesmo quando vai para o céu, ele continua um menino curioso que ama a tabela periódica . E Boo não tinha muitos amigos. Na verdade, ele ficava totalmente satisfeito em manter contato com seu Pai e sua Mãe, mas acaba fazendo alguns amigos no céu, como Thelma e Esther. Quando Johnny chega a cidade pouco depois dizendo que, na verdade, Boo e ele foram assassinados por um garoto chamado Atirador na escola, os quatro amigos se juntam para descobrir o que realmente aconteceu e, eventualmente, descobrir se Zig — é assim que Boo nomeia Deus — mandou o Atirador para a Cidade também, já que aparentemente ele se matou após atirar nos meninos. 

Boo é narrado em primeira pessoa pelo personagem principal em forma de diário, direcionado ao seus pais, onde conta para eles tudo o que acontece na Cidade desde que chegou lá. Para um garoto de apenas 13 anos, Oliver é bastante inteligente e culto, mas ainda assim conseguimos perceber com bastante sutileza que ele é apenas uma criança confusa. Como na Cidade a idade passa a ser contada pelo tempo em que chegou lá, conseguimos notar a diferença de maturidade entre os personagens, mesmo todos mantendo a aparência de quando chegaram lá, e é uma sacada sensacional.

O mistério envolvendo a morte de Boo e Johnny nos fisga desde o princípio e, sinceramente, eu não sabia o que esperar. Várias teorias se formaram na minha cabeça mas o final foi tão surpreendente que eu tive que parar e ler de novo. Diferente de outras opiniões que li na blogosfera acerca do ritmo de leitura, achei que Neil Smith acertou em cheio. Não posso discordar que algumas páginas aqui e ali não acrescentaram nada para a obra, mas não que mudasse seu ritmo de fato. 

Boo nos faz refletir muito sobre nossa jornada de autodescoberta e aceitação, além de tratar assuntos como amizade, desejo de vingança e perdão. Também trouxe uma outra visão sobe a vida após a morte, mostrando que as pessoas continuam bastante humanas no céu. Neil Smith conseguiu criar uma história surpreendente, cativante e que prende por sua criatividade. 

18 comentários:

  1. Olá, tudo bem?
    Eu já queria ler esse livro antes, mas agora depois de sua resenha tenho a certeza de que preciso ler ele.
    Beijos,
    teattimee.blogspot.com.br

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  2. Oi Ana, sempre vejo algumas pessoas falando sobre o livro por aí, mas nunca parei de fato para prestar atenção. rsrs
    Gostei da proposta de Boo, e fiquei curiosa sobre o mistério do enredo e sobre as reflexões que traz.

    Beijos!

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  3. Oi Ana, tudo bem?
    Eu estava super ansiosa para saber mais sobre esse livro, eu me apaixonei pela capa assim que vi, mas não tinha lido nada relacionado ainda.
    Adorei a sua resenha, acho que super compensa a leitura, é totalmente diferente do que imaginei, e achei legal a temática, além dessa ideia de que eles continuam com a mesma aparência mas acabam amadurecendo igual.
    Outra coisa que achei legal é a narrativa ser em forma de diário, acho que isso deixa a história mais interessante, e é mais fácil do leitor se apegar ao protagonista.
    Vou tentar ler logo.
    Beijos!
    Lost Words

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  4. Não conhecia esse livro e achei bem diferente essa historia, fiquei com vontade de ler, nos mostra uma outra visão da morte, fiquei curiosa em relação ao assassinato dos personagens em como aconteceu.

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  5. Eu recebi esse livro de parceria também, simplesmente adorei, foi 5 estrelas e favoritado, um dos melhores do ano
    Super me identifiquei por também ter 13 anos, e concordo que isso da aparência continuar a mesma foi uma sacada genial
    Ri e chorei com o livro, a cada reviravolta ficava com sentimentos diferentes quanto aos personagens, e não sabia muito bem qual fim queria para a trama, o final foi surpreendentemente e inesperado, o autor é incrivelmente maluco e conseguiu criar um universo maravilhoso
    A edição ficou fantástica.

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  6. Ana!
    deve ser um livro com muitos questionamentos e uma pitada de mistério em relação a morte dos meninos, o que atrai bastante a leitura.
    Meu maior questionamento é: se aos 13 anos todos morrem e vão para Cidade, como fica a população na terra em termos de perpetuação da espécie? Vai chegar um tempo em que não haverá mais ninguém...
    “Desejo a você e a sua família um Natal de Luz! Abençoado e repleto de alegrias. Boas Festas!”
    (Priscilla Rodighiero)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de DEZEMBRO ESPECIAL livros + BRINDES e 4 ganhadores, participem!

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  7. Pelo jeito esse livro tem mesmo dado o que falar, hein? Esse é um tema que sempre tive curiosidade de ler, mas nunca tive uma real oportunidade disso. Fico imaginando essa jornada de autoconhecimento e as reflexões que o livro emprega. Deve ser uma leitura bem intensa num geral.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/
    Participe dos SORTEIOS de Natal que estão rolando lá no blog!

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  8. Tenho que admitir que a primeira coisa que gostei no livro foi a capa... Kkkkk
    Adoro quando uma história nos faz refletir sobre a vida. Até me identifico um pouco com Boo 😜

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  9. Uau! Eu imaginei uma história totalmente diferente quando vi a capa pela primeira vez.
    Agora só sei de uma coisa: eu PRECISO ler Boo <33

    Beijos,
    Flá Bergamin
    http://voceetaolivro.com.br/

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  10. Nunca tinha ouvido falar desse livro, mas só pela sinopse já fiquei com muita vontade de ler,e depois da sua resenha fiquei ainda mais curiosa pelo desfecho! Geralmente não vemos um livro de ficção com a temática vida após a morte,ainda mais com protagonistas adolescentes.Fiquei bem intrigada, com certeza mais um para minha lista de livros desejos <3! Abraços!

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  11. Eu não conhecia esse livro, lendo a sinopse e sua resenha, fiquei bem curiosa e interessada em ler o livro, parece ser uma história bem interessante, pretendo ler em breve.

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  12. Oi!
    A sua resenha veio em boa hora, estava pensando em ler algo mais profundo, a história do Boo me deixou bem curiosa, deve ser um livro incrível daqueles que nos fazem para para pensar na vida. Fiquei muito feliz em saber que você achou o final surpreendente, pois é tão bom quando o final de um livro nos pega de surpresa. Boo entrou para minha lista, estou bastante curiosa.
    Beijos Squad Of Readers

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  13. Preciso ler este livro para agora rsrs, amei a resenha e confesso que não conhecia o livro porém já coloquei na lista de desejados.

    Com certeza vou gostar, pois é um tipo de tema que me agrada.

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  14. Oi Ana, tudo bem?
    Eu não me interessei pela premissa do livro, não consegui visualizar um desenvolvimento da história sem cair em algo monótomo sabe. Não foi dessa vez.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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  15. parece ser um livro interessante que faz a gente repensar sobre a vida, mas sabe aquela sensação de eu já passei da idade? tipo eu adoraria ter lido isso quando eu estava na escola para lidar melhor com a questão do bully, mas hoje não vejo muito sentido lê-lo

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  16. Quando li o nome já lembrei da Boo, do filme Monstros S.A.(<3). E realmente pensei que o livro falaria sobre ela :( O que mais me chamou a atenção (além do nome do livro. Haha!) foi esse "céu" criado pelo autor, que é quase como o mundo em que vivemos. E ainda tem o fato de a morte de Boo não ter sido uma causa natural, mas sim, assassinato. Além de que trata de bullying, entre outras coisas! Que vontade enorme deu de ler esse livro!

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  17. Oi!
    Não conhecia essa historia, mas achei ele bem criativa, principalmente esse novo mundo diferente, e o conceito do que vem depois que o autor cria, fiquei curiosa para saber mais sobre esse lugar. Essa trama também logo chamou minha atenção e fiquei interessada para descobrir o que aconteceu com Boo, se tiver oportunidade com certeza irei ler esse livro !!

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  18. Eba! Eu tenho esse livro e estava querendo ler ele no mês que vem! Já vou confirmar ele na TBR!

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