28 de abril de 2017

Resenha: Os Meninos da Rua Paulo

Publicada em 1907, a história dos meninos que travam batalhas pela posse do “grund” da rua Paulo, um pedaço de terra cercado onde se brinca à vontade, é conhecida por leitores de todo o mundo. A luta pelo “grund” vai além da vontade de comandar o local: ali, infância e fantasia prevalecem sobre as imposições do mundo adulto. O espírito de aventura, amizade e heroísmo presente nesta obra é capaz de transpor qualquer barreira de tempo, espaço ou idade. Esta nova edição conta com, além dos textos presentes na anterior, uma orelha assinada por Luiz Schwarcz, um posfácio de Michel Laub e um glossário.

Título Original: A Pál utcai fiúk
Autor: Ferenc Molnár
Páginas: 280
Tradução: Paulo Rónai
Editora: Companhia das Letras
Livro recebido em parceria com a editora 

Até hoje eu não sei o que me levou a pedir esse livro para a Companhia das Letras, para falar a verdade. Acho que a capa em forma de quadrinhos me chamou atenção — tanto que, num primeiro momento, achei que fosse uma versão em quadrinhos. Os Meninos da Rua Paulo foi publicado originalmente em 1907 e é considerado um clássico da literatura e um dos livros mais famosos na Hungria. 

A história gira em torno de um grupo de amigos, a Sociedade do Betume, que se reúnem logo após a aula em um terreno baldio, que eles chamam de grund. A Sociedade me lembrou aqueles clubinhos secretos que a gente fazia quando criança, sabem, cheio de regrinhas, companheirismo... Porém a paz no grund, que e liderado pelo incrível João Boka, se vê abalada quando os Camisas Vermelhas, outro grupo de amigos, decide lutar para tomar o terreno para eles. 

O livro é narrado em terceira pessoa por um narrador que, aparentemente, foi um dos meninos da rua Paulo. Em algumas notas da tradução, Rónai explicita que o autor parece confessar, mesmo que involuntariamente, que participou do grupo. Gostei muito desse detalhe principalmente porque, se for verdade, Os Meninos da Rua Paulo pode muito bem ser um maravilhoso livro de memórias. 

Num primeiro momento, o enrendo pode parecer bastante bobo — não posso negar que é bastante nostálgico —, mas está lotado de lições. A primeira delas é o companheirismo e a fidelidade que os amigos tinham. A Sociedade do Betume também estava totalmente ligada à honra, caráter e perdão, características que podem ser percebidas principalmente ao acompanharmos Boka, Nemecsek — o magrelinho que todos acreditam ser indefeso, mas que é portador de uma coragem enorme — e Geréb, o traidor da turma que se bandeou para o lado dos Camisas Vermelhas. 

Apesar de ser um clássico e ter a linguagem um pouco mais complexa que o que estamos acostumados a ler, a leitura é muito fluida e rápida. Creio que os personagens e a história em si são tão envolventes que é impossível parar de ler. A moral que essas crianças nos passam é algo que adulto nenhum pode passar. 

Os Meninos da Rua Paulo foi uma leitura fascinante, mas devo dizer que as dez últimas páginas acabaram comigo. Os últimos parágrafos, então... Eu não posso nem dizer ao certo como me senti sem dar spoiler, mas eu posso dizer que essa história me arrebatou do início ao fim e é justamente isso, esse poder de mexer com a gente, que o torna uma leitura obrigatória.

15 comentários:

  1. Ana, eu agradeço por compartilhar a sua experiência com o livro. Mesmo sendo um clássico, jamais ouvi falar sobre ele. Porém, depois de ler a resenha, senti o quanto ele é profundo, nostálgico, cativante e instigante por trazer grupos de crianças para a narrativa. Se é uma obra que tem o poder de nos fazer refletir, lerei também.
    Bjos!

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  2. oI Ana.
    Eu não costumo ler livros do gênero, essa escrita mais clássica sempre foi uma pedra no meu sapato para mim, mas fiquei curiosa para ler, eu confesso que sou uma pessoa de capa então esse livro passaria batido por mim com toda certeza, o fato de que ele trás varias lições me deixou extremamente curiosa.
    Bjs.

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  3. Não conhecia, mas adoro um bom clássico. Achei muito legal essa guerra entre os meninos da Rua Paulo contra os Camisas Vermelhas. Além de ter a delicadeza de um livro juvenil, traz uma grande moral. Fiquei curiosa sobre o final. Espero que não seja algo triste.
    Beijos, Ana Clara!

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  4. Ana Clara!
    É um verdadeiro clássico e carregado de ensinamentos que devemos aprender desde a mais tenra idade.
    A escrita mais rebuscada é ainda um adendo melhor para a leitura, porque podemos aprender mais.
    Bom final de semana!
    “A sabedoria é a única riqueza que os tiranos não podem expropriar.” (Khalil Gibran)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP COMENTARISTA ABRIL especial de aniversário, serão 6 ganhadores, não fique de fora!

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  5. É um livro que quero ler, deve fazer com que o leitor volte no tempo e lembre se sua infância, gosto muito quando os livros passam lições é sempre bom para refletirmos sobre elas, a historia parece passar um misto de sentimentos para o leitor.

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  6. Oi, Ana!!
    Que bom que livro têm uma história interessante!! E tão maravilhoso ler um livro assim que lembra nossa infância!! Adorei a resenha e a capa também!!
    Beijoss

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  7. Oi Ana! Já tinha lido uma resenha do livro, gostei bastante do enredo, não estou acostumada á ler esse gênero, mas achei bem bacana.
    Bjs

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  8. Não conhecia mas curti bastante afinal é um clássico e eu adoraria saber mais a respeito.
    Abraços!!!

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  9. Oi, Ana!
    A capa remete mesmo, de primeira, à pensar que poderia ser uma HQ adaptada da obra, mas interessante saber que é o texto integral mesmo. Não sou muito chegada em enredos como esse, ainda que esse teor nostálgico dos garotos e seu clube me deixe curiosa, mas só de saber que o desfecho impacta tanto só ressalta ainda mais a carga da leitura como um todo, após você mesma citar que as crianças conseguem passar lições que mesmo muitos adultos não são capazes de fazê-lo. O livro deve mesmo merecer o mérito que tem como clássico, e se quiser ler algo do tipo em algum momento, vou lembrar dessa indicação com certeza. A resenha está ótima!
    Beijos!

    ♥ Sâmmy ♥
    ♥ SammySacional.blogspot.com.br ♥
    ♥ DandoUmadeEscritora.blogspot.com.br ♥

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  10. Eu não achei tão legal a temática do livro então vou dispensar a leitura. Eu achei que era uma história em quadrinhos e já tava até animada por causa disso mas como é um clássico, e me perdoe eu não gosto de clássicos. Mas obrigada pela resenha mesmo assim.

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  11. Não sou muito chegada a ler clássicos, mas a história desse grupinho me deixou bem curiosa.
    Fiquei bastante interessada pra descobrir as aventuras e a luta deles.
    Quem sabe não tenha a oportunidade de conhecer a obra em breve?
    Parece estar bem caprichada!
    Beijos,
    Caroline Garcia

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  12. Que gostosura de resenha, Ana. Quero muito ler sim, não tenho nenhuma ressalva quanto aos clássicos, afinal, se tornaram clássicos pela sua qualidade <3

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  13. Oi Ana Clara,
    Não conheço este livro, na verdade nunca ouvi falar a respeito desta história. Na minha infância eu tinha uns grupinhos também que se reunia na rua e compartilhara milhares de ideias e brincadeiras. Algo inocente, mas que levávamos muito a sério. Os meninos da Rua Paulo, me lembraram desta época e me trouxe uma satisfação muito grande em saber que tive este tipo de infância. Se eu tiver a oportunidade, com certeza, vou querer realizar esta leitura.

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  14. Nunca ouvi falar do livro nem do autor, e confesso que clássicos não são o meu forte... Alguns eu até leio mas não gostei muito de nenhum até hoje...

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  15. Oi Ana!
    Eu adoro livros que são narrados na visão de crianças. Eles tem a capacidade de nos envolver e nos colocar dentro do campo de visão delas, mostrando assim, mesmo que nas pequenas coisas, a enormidade de assuntos que valem a pena serem discutidos.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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