24 de junho de 2017

Resenha: #Fui

Lully vai viajar! E não é uma viagem qualquer: ela vai passar quatro meses em um intercâmbio nos Estados Unidos e mal pode aguentar tanta ansiedade. Vai ser a primeira vez que ela vai passar tanto tempo longe de casa, ver neve e aproveitar todas as maravilhas que o País do Cheesebúrguer pode oferecer… A única parte difícil é esconder toda essa animação de seu namorado, Eric, que está compreensivelmente enciumado e nada satisfeito com o fato de a namorada ir viver tanta coisa nova longe dele. Logo nos primeiros dias em Lake Tahoe, Lully já descobre qual será sua rotina: MUITA neve no hotel onde vai morar, MUITA neve na estação de ski onde vai trabalhar e MUITA neve para gelar as cervejas das festas que os novos amigos não cansam de organizar. É tudo muito diferente da vida que levava no Brasil, mas, apesar de às vezes parecer difícil se adaptar, Lully está se dando muito bem. Mas isso é só até ela se ver obrigada a fazer uma escolha determinante para o resto de sua vida. A viagem acaba revelando o quanto suas certezas e seguranças podem ser frágeis, e que quem parte em uma grande jornada, dificilmente voltará a ser a mesma pessoa de antes…

Título Original: #Fui
Autora: Viviane Maurey
Páginas: 360
Editora: Globo Alt
Livro recebido em parceria com a Editora

Solicitei #Fui sem saber muito sobre o livro além do que diz a sinopse. Não tinha visto nenhuma resenha ou comentário que pudessem embasar minha escolha, mas, sinceramente, a capa já tinha me convencido. A trama tinha um potencial enorme e um enredo envolvente, mas a leitura não foi tão boa quanto eu esperava.

O livro conta a história de Lully, que está empolgada para viajar em um intercâmbio para Lake Tahoe, nos Estados Unidos. É a primeira vez que ela vai ter que se virar sozinha e ficar tanto tempo longe de casa, mas só o fato de sentir frio e ver neve de verdade a deixam ansiosa pela experiência. O problema é ter que deixar Eric, seu namorado, que está visivelmente desconfortável com essa viagem.

— Tá ansiosa? — pergunta Eric.
Esboço um sorriso gentil e faço que sim com a cabeça. É difícil estar animada e tentar não demonstrar. É como ser o primeiro em uma competição, querer comemorar e, ao mesmo tempo, tentar não ser indelicado com os outros participantes, sabe?

Meu maior problema durante a leitura foi, sem dúvida alguma, a protagonista, por três principais motivos. O primeiro deles é que Lully tentava ser engraçadinha o tempo todo e falhava miseravelmente. No meio de uma narrativa, era comum ela se interromper para fazer uma piadinha, quase sempre sem graça. E não era nem por ser piadinha nerd (que eu gosto, aliás), mas por ser irrelevante e de humor forçado. Sabe aquele cara da turma que tenta ser engraçado e se torna chato? Então. Eu gosto do humor espontâneo, daquele que nem sempre se vê de cara, é esse que me diverte.

A segunda razão para meu bloqueio com a protagonista é que ela se achava a diferentona — a única nerd do grupo, a única que conhecia livros, a única que acompanhava séries ou filmes, a única que não curtia balada, e por aí vai. E o pior era quando ela fazia referências sobre filmes e séries e, achando que o leitor não iria entender, mandava "dar um Google", e isso ocorre algumas vezes durante o livro. Ou ela subestima o leitor, ou se acha mesmo nesse aspecto, porque entendi todas as referências sem precisar pesquisar e nem me acho nerd.

Por fim, Lully era um bocado reclamona e, minha nossa, que coisa chata! Era o aquecedor que não estava bom, era a louça que não estava lavada, era o mundo que não gostava dela, e por aí vai. A garota criticava o comportamento de todo mundo como se o dela fosse o correto e achava que todo mundo tinha que mudar, menos ela. Era a vítima em tudo, mesmo quando o assunto não tinha nada a ver com ela. Por isso, quando essas três coisas apareciam no texto, eu não tinha nem dúvidas: passei a pular os parágrafos (ou páginas) sem dó, e não fizeram falta alguma na leitura. Não tenho paciência para mimimi.

 E se eu me perder no caminho? — Lully, se tem uma coisa que eu aprendi na vida, e olha que sou bem mais velho que você, é que a única coisa que realmente vale a pena é se perder. Não sei se é o sentido da vida, do universo e todo o mais, mas andar pelos caminhos seguros e previsíveis nunca levou ninguém a nada. Se encontrar é que é a questão.

Por outro lado, preciso ser justa, o livro tem coisas boas também. A escrita de Viviane Maurey é rica, detalhada na medida, o suficiente para nos envolver no mundo de Lully sem tornar a leitura cansativa. Apesar de não gostar de frio e nem me imaginar na neve, consegui sentir como se estivesse em Lake Tahoe. Além disso, adorei as cenas românticas escritas pela autora. Acho incrível quando a narrativa nos permite sentir o mesmo que os personagens, coração acelerando e tudo o mais, e Viviane consegue imprimir isso no seu texto.

O que mais gostei, porém, foi o crescimento da personagem durante a história. Lully saiu de casa como uma menina insegura, frágil, que preferia não falar para não se incomodar, mas acabou ganhando força com o decorrer dos acontecimentos, se tornou mais independente e proativa. E, no fim das contas, ganhou ainda um final fofinho e cheio de romance.

Fui tem seus altos e baixos, mas é uma leitura despretensiosa sobre crescimento e mudanças, sobre as possibilidades do caminho, com um toque de romance para os mais apaixonados.

10 comentários:

  1. Oi, Ana. Tudo bem?
    Ainda não conhecia essa obra, mas, mesmo estando ciente dos altos e baixos, adorei vários aspectos do livro. Achei interessante o fato da protagonista crescer ao longo da trama e da escrita da autora ser rica e agradável... Gostei disso!
    Estou com o pé atrás com essas piadinhas e reclamações da protagonista, mas, acho que dá pra levar rsrs...
    Dica anotada!
    Beijos

    http://coisasdediane.blogspot.com.br/

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  2. Ju!
    Diria que esse é um daqueles livros mornos, sem muitos altos e baixos, com uma protagonista que não conquista muito, embra mantenha amadurecimento no decorrer do livro e não tem nada de incentivador na leitura.
    Não gosto também de piadinhas sem nexo e sem graça.
    Boas festas juninas e bom final de semana!!!!
    “O que importa afinal, viver ou saber que se está vivendo?” (Clarice Lispector)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE JUNHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  3. Oi Ju, primeira resenha que vejo desse livro e curti demais a leitura da resenha, o livro nem tanto rsr. Acho que a conexão com o protagonista é super importante pra continuidade da leitura e só pude rir das partes em que a protagonista se acha engraçadinha sem ser e diferentona nerd haha, infelizmente não acho que iria conseguir criar empatia por ela. Contudo, os pontos positivos citados também são importantes e pode ser que mais a frente eu mude de ideia e resolva arriscar. Ótima resenha :D

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  4. Humm eu já não tava lá muito animada com esse livro então lendo a resenha a expectativa de lê-lo está lá no show agora, sabe eu não sei direito o que o escritores pensam quando vão forma o personagem e como vai ser ele no livro mas acho que devia ter um pouquinho mais de cuidado e tentar ver com uma versão de fora, acho que isso ia evitar muitos casos como esse. Os pontos altos até que foram bons mas não é o suficiente para me levar a ler esse livro.

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  5. Não conhecia o livro e adorei a proposta e fiquei louca para ler.A capa é linda e a história é muito interessante.

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  6. Oi Ju ;)
    Adoro livros que falam sobre intercâmbio, desde que li Fazendo Meu Filme, e achei essa capa linda.
    Também não gosto desse humor forçado, e pelo que você descreveu não vou gostar muito da protagonista, ainda mais se ela é reclamona desse jeito :/
    Pelo menos ela amadurece durante a história... e o final é fofo e romântico.
    Mas não me interessei em ler, quem sabe pesquisando mais eu não me interesso.
    Bjos

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  7. Olá Ju!
    Já tinha lido sobre o livro, eu gostei, me agradou o enredo, anotei na listinha pra em breve conhecer ...
    Bjs

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  8. Oi.
    Gosto muito das suas resenhas, pois você é direta e sincera, sobre o que pensa da obra.
    Por tudo que comentou, essa protagonista não cativa o leitor. Enfim, não sei se um dia irei ler, mas para quem gosta desse estilo de leitura, deve ser uma boa dica.
    Obrigada.
    Beijos.

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  9. Vi algumas pessoas comentando sobre esse livro, mas ele não chamou a minha atenção!
    Achei a sinopse bem fraca em relação a conteúdo. Me pareceu um livro que já li e também não gostei muito!
    Passo a leitura!

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  10. Quando vi esse livro me interessei achei a capa bonita, mas agora não sei se leria tambem não tenho paciencia com mimimi e a personagem parece ser chata e irritante, mesmo ela mudando não despertou meu interesse.

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