9 de junho de 2017

Resenha: Uma Longa Jornada Para Casa

A história que deu origem ao filme Lion: uma jornada para casa, com Dev Patel. Aos 5 anos, Saroo pede ao irmão mais velho que o deixe acompanhá-lo à cidade onde ele passava os dias em busca de dinheiro e comida. Durante a viagem, o menino adormece. Ao despertar, confuso, se vê sozinho na estação de trem. Ele não sabe onde está o irmão, mas vê um trem parado. Imaginando que Guddu poderia estar lá dentro, Saroo embarca no vagão, e isso o faz atravessar a Índia. Sem saber ler nem escrever, e sem ideia do nome de sua cidade natal ou do próprio sobrenome, ele é obrigado a sobreviver sozinho nas ruas de Calcutá até ser levado para uma agência de adoção e ser escolhido por um casal australiano. Os anos se passam e, ainda que se sinta extremamente agradecido pela nova oportunidade que os Brierleys lhe proporcionaram, Saroo não esquece suas origens. Até que, com o advento do Google Earth, ele tem a oportunidade de procurar pela agulha no palheiro que costumava chamar de casa, e investiga nas imagens de satélite os marcos que poderia reconhecer do pouco que se lembra de sua cidade. Um dia, depois de muito tempo de procura, Saroo encontra o que buscava, mas o que acreditava ser o fim da jornada é apenas um novo começo.

Título Original: A Long Way Home
Autor: Saroo Brierley
Páginas: 229
Tradução: Evandro Ferreira
Editora: Record
Livro recebido em parceria com a editora

Em Uma Longa Jornada Para Casa, conhecemos a história de Saroo Brierley, que se perdeu do irmão mais velho em uma estação de trem na Índia quando tinha apenas cinco anos. Ao entrar em um trem para procurar o irmão, acaba pegando no sono e parando em um lugar totalmente desconhecido. Sem saber sua cidade de origem e muito menos o seu nome completo, Saroo passou semanas sozinho nas ruas de Calcutá até ser levado para um orfanato, onde encontrou uma nova família. 

O livro que deu origem ao filme Lion: Uma Jornada Para Casa é autobiográfico, e Saroo nos conta tudo o que lembra desde o dia em que se perdeu até o dia que conseguiu se reencontrar com sua família biológica, passando por várias dificuldades e períodos de adaptação até se tornar quem é hoje. A todo momento pensava como era comum (não sei se continua assim) as crianças na Índia saírem sozinhas, sem nem avisar aos pais. Chegavam ficar uma semana inteira sem voltar para casa e isso era visto como normal. Tanto que, ao reencontrar sua mãe biológica, Saroo conta que ela começou a se preocupar com o sumiço dos filhos — o irmão mais velho de Saroo também não voltou para casa — só uma semana depois.

O que tinha acontecido comigo era extraordinário e poderia oferecer esperança a pessoas que desejavam encontrar sua família perdida, mas que achavam isso impossível. Talvez até mesmo pessoas em situações diferentes pudessem encontrar inspiração na minha experiência de agarrar oportunidades, por mais temerosas que parecessem, e nunca desistir.

Minha experiência ao ler a história de Saroo foi tão incrível que não consigo explicar. Eu não conseguia acreditar que uma criança tão nova tinha parado a mais de 1200 quilômetros de casa e não acreditava mais ainda que fosse possível achar a cidade natal, 25 anos depois, com a ajuda de um aplicativo tão conhecido por nós, o Google Earth. Foi tudo muito emocionante, principalmente as partes que Saroo contava sua vida na Índia. Gente, eu não consigo aceitar a verdade, tendo em vista a minha criação e a minha vida, que é normal sentir fome o tempo todo no país mais populoso do mundo. A banalização da miséria foi uma coisa que me chocou bastante.

Fiquei feliz por Saroo Brierley ter se tornado um homem digno, por ter sido adotado por uma família tão amorosa e afável. Admiro muito a força de vontade que ele teve para tentar reencontrar sua família biológica — mesmo amando muito seus pais de criação —, principalmente porque, se fosse eu, teria desistido na primeira decepção. O mais incrível de tudo é que Saroo narra tudo de forma muito leve e despretensiosa, tanto que, apesar de ser uma história triste, dá pra ler em uma sentada só. 

Tive uma surpresa muito agradável ao ver que a edição traz fotos nas páginas finais e isso enriqueceu muito a leitura. Além disso, Saroo, ao falar mais sobre sua cultura — que sinceramente desconhecia a maior parte —, acabou introduzindo os leitores num mundo totalmente diferente. Uma Longa Jornada Para Casa fala sobre superação, persistência mas, principalmente, sobre esperança.

14 comentários:

  1. Olá Ana ;)
    Conheci o livro semana passada, e tenho muito interesse em assistir Lion!
    Já vi umas resenhas muito positivas, e cada vez fico mais animada pra ler. A jornada do Saroo parece emocionante. Realmente essa banalização da miséria deve chocar, já que algumas pessoas não estão acostumadas a isso.
    e que lindo saber que essa edição traz fotos S2
    Já está na lista de leitura ;)
    Bjos

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  2. Eu não conhecia este livro e nem o filme, geralmente não curto muito ler histórias autobiográficas, mas lendo um pouco mais sobre do que se trata a história deste livro ao ler sua resenha, fiquei bem interessada em ler ele e assistir o filme, então adicionei Uma longa jornada para casa em minha lista de leituras.

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  3. Esse livro parece conter uma história super emocionante e saber que ele é autobiográfico deve enriquecer ainda mais a leitura. Já tinha visto trailer do filme que fizeram sobre ele e ficado super curiosa pra conhecer a história e agora que tô começando a acompanhar as resenhas do livro, espero ler ou ver o filme logo, pois a história parece ser muito boa. Gostei que tem fotos ao final e que Saroo encontra a mãe :)

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  4. Oi Ana.
    Descobri recentemente que o filme eram da Habitação do livro que foi para mim uma surpresa já que nunca tinha ouvido falar desse livro achei a premissa bem interessante fiquei super feliz em saber que você também curtiu a leitura deve ter sido difícil para ele parar tão longe de casa sozinho atitude que ele teve dia atrás dos seus pais biológicos mesmo mandar família atual Foi incrível eu espero muito em breve está descontando dessa leitura.
    Bjs.

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  5. Boa tarde!
    Li uma outra resenha positiva desse livro recentemente, fico feliz em ver que você também gostou. A história do Saroo é muito linda, é bacana ver que ele conseguiu reencontrar a família depois de tanto esforço.
    Também quero ver o filme.
    Abraços.

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  6. Achei bem legal a sinopse dele e estou curiosa quanto ao filme!
    Mas é claro vou tentar ler primeiro o livro!
    Vi resenhas positivas sobre ele o que me deu mais vontade de conhecer a história!
    Beijoss

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  7. Eu não tinha visto falar desse livro ainda, a capa e o título chamaram a minha atenção. Não imagino o desespero dele ao se ver em um lugar longe de onde deveria estar. Pelo visto é uma história cheia de drama e emocionante.A premissa é bem interessante e desconhecia que a obra era baseada na experiência de vida do autor. Não tenho problemas com esse tipo de leitura e até acho bem atrativa.
    Estou curiosa para saber como foi esse reencontro com sua família biológica e também para conferir a adaptação.

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  8. A história é um bonito exemplo de superação, gratidão e busca. Vi o trailer do filme e fiquei muito afim de ver, e não sabia que era derivado de um livro e muito menos de uma história real. É mesmo assustador pensar numa criança tão pequena já encarando um desafio tão grande como estar totalmente perdida, sem saber absolutamente nada que possa ajudar a retornar a sua vida de antes. E mais assustador ainda como você mencionou, o fato da miséria e dificuldades tão grandes na Índia. Vou adorar conhecer!
    Bjoxx ♥

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  9. Ana!
    Deve ter sido uma história bem sofrida no começo da vida de Saroo e depois uma história de alegria e vitórias, afinal, não é sempre que se encontra uma família que está disposta a dar um lar para uma criança de outra nacionalidade totalmente diferente, sem se saber do passado da criança e ele aproveitar todo amor e carinho que lhe foi dispensado no decorrer dos anos.
    E mais bonito ainda depois de ele já crescido, ir em busca das pessoas do seu passado, atrás de sua família biológica.
    Não li o livro e não assisti o filme ainda, mas quero me emocionar.
    Desejo um ótimo final de semana!
    “É preciso já ser sábio para amar a sabedoria.” (Friedrich Schiller)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE JUNHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  10. Oi Ana! Faz um tempinho que li uma resenha desse livro, fiquei encantada com a história, já está na minha listinha de desejados, espero conseguir ler em breve.
    Bjs!

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  11. Mas gente ... essa história é do babado não é mesmo ? Confesso que to bem chocada em a mãe só se tocar do sumiço dos depois de uma semana enquanto aqui minha mãe se duvidar sabe até o o horário do ônibus que eu pego. Imagino como ele deve ter se sentido ao se lembrar ainda da família biológica e ser adotado por um outro casal, porque ele não era órfã só estava perdido, eu sinceramente acho que entraria em panico. Eu fiquei agora com muita vontade de ler esse livro e espero ter a oportunidade de me agraciar com essa história.

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  12. Oi, tudo bem?
    Livros assim, repletos de emoção, ensinamentos e muita reflexão, são leituras que ficam para sempre guardadas na memória. Espero poder assistir o filme e também fazer a leitura desse livro!
    Sua resenha está excelente. Beijos.

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  13. Oi Ana,
    Livros autobiográficos têm uma narrativa pausada e cansativa em sua maioria, mas acredito que o que diferencia Uma longa jornada para casa de outros livros do gênero é justamente o fato de foi Saroo que escreveu, sem floreios e sem fantasiar sua história. Ele trás a dura realidade de viver na Índia, como algo normal, porque é normal. Para nós de fora choca mais quando é descrita a fome ou a pobreza, pois nos é passada uma imagem do país completamente diferente. Sarro, apesar dos desafios teve uma vida boa, conseguiu bons pais de criação, não perdeu as esperanças e com muita determinação encontrou sua família biológica. Ainda não li este livro e nem assisti ao filme, mas pretendo faze-los logo que possível.

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  14. Que historia interessante e comovente, fiquei imaginando como seria estar no lugar do personagem tão novo e perdido, o desespero deve ter sido grande, achei estranho isso de uma criança ficar fora de casa até uma semana depois é que dão como desaparecida eu hein rs. Fiquei curiosa em saber da cultura, acho que conheço muito pouco.

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