15 de julho de 2017

Resenha: A Química Que Há Entre Nós

Grace Town é esquisita. E não é apenas por suas roupas masculinas, seu desleixo e a bengala que usa para andar. Ela também age de modo estranho: não quer se enturmar com ninguém e faz perguntas nada comuns. Mas, por algum motivo inexplicável, Henry Page gosta muito dela. E cada vez mais ele quer estar por perto e viver esse sentimento que não sabe definir. Só que quanto mais próximos eles ficam, mais os segredos de Grace parecem obscuros. Mesmo que pareça um romance fadado ao fracasso, Henry insiste em mergulhar nesse universo misterioso, do qual nunca poderia sair o mesmo. Com o tempo, fica claro para ele que o amor é uma grande confusão, mas uma confusão que ele quer desesperadamente viver.

Título Original: Our Chemical Hearts
Autora: Krystal Sutherland
Páginas: 272
Tradução: Luisa Geisler
Editora: Globo Alt
Livro recebido em parceria com a editora

A única coisa que nós, leitores, sabemos sobre Grace Town, além da sua esquisitice habitual, é que ela sofreu um acidente de carro que destruiu uma de suas pernas. Além disso, Grace não é exatamente do tipo simpática. Mas é claro que tais excentricidades não impediram Henry Page de se aproximar da garota, mesmo ela tendo praticamente roubado o seu posto de editor chefe no jornal da escola. Depois de um tempo, Town se torna a obsessão de Henry, tanto que mesmo sabendo que o relacionamento deles não chega nem próximo de saudável, ele não consegue se manter afastado.

É verdade que A Química Que Há Entre Nós é um romance YA que foge dos tradicionais. Nada do que a gente espera acontece e não existe aquele clichê de final feliz — que eu adoro e não vou negar. Porém, o que mais prende durante a leitura é a narração do protagonista: eu não senti que estava lendo um livro escrito por Krystal Sutherland, e sim pelo próprio Henry Page. Tudo é muito bem descrito e real, principalmente as emoções do garoto.

Henry é o tipo de personagem que é impossível não gostar. Carismático, amável, fofo... Tem uma vidinha bacana, melhores amigos legais e uma família completamente fora do comum, o que deixou a leitura muito mais divertida. Grace é um completo mistério para mim até agora. A princípio, foi muito difícil tolerar a personagem, já que eu não entendia o porquê das atitudes dela. Ao mesmo tempo em que parecia amar Henry, parecia simplesmente não suportá-lo. É a partir daí que Krystal Sutherland engatilha o principal tema do livro: depressão.

Para mim, a depressão é pior que muitas doenças físicas e muito mais traiçoeira. Ela ataca os nervos da pessoa de forma que ela simplesmente perde o interesse em tudo. No caso de Grace Town, tal patologia é extremamente clara, não apenas pelo fato de andar suja, desarrumada e cabisbaixa. O comportamento de Grace era atípico. Ela não se aproximava de ninguém e, quando o fazia e se sentia um pouco mais alegre — porque há uma enorme diferença entre alegria e felicidade —, a garota se sentia extremamente culpada e não precisava ir muito a fundo na história para perceber isso. Alguma coisa tinha acontecido e essa coisa simplesmente acabou com a vontade de viver da personagem. 

A partir do momento que a história de Grace foi finalmente revelada, eu não parei de chorar por um minuto sequer. O que aconteceu com a menina é brutal e o fato de ela estar tão machucada — e não estou me referindo a perna que foi estraçalhada no acidente — reflete proporcionalmente em Henry. Eu chorei por Grace, mas, no fim, acho que chorei muito mais por Henry e pelo amor que ele idealizou. Eu chorei porque queria imensamente um final feliz para Henry e Grace, digno de Sessão da Tarde, mas A Química Que Há Entre Nós mostra que há caminhos diferentes para seguir e que isso não é necessariamente ruim.

O que conquista em A Química Que Há Entre Nós é justamente o seu enredo simples. Krystal Sutherland não nos motra um amor daqueles de tirar um fôlego. Ela nos mostra pessoas reais, convivendo com problemas reais, que se apaixonam e têm o coração partido de alguma forma. Porém, o que a autora oferece em troca vale a leve decepção do final fora de qualquer expectativa: a promessa de que sempre é possível consertar algo que foi quebrado, tudo é questão de tempo.

12 comentários:

  1. Oi Ana!
    Eu não conhecia o livro, mas gostei bastante dos pontos que você comentou. Para começar, adoro personagens excêntricos (hehe) e também gosto quando o autor foge do final feliz.
    Fiquei curiosa para saber o que te fez chorar tanto hehe. Se tiver uma chance, vou ler sim. Faz tempo que não leio um YA que realmente me cativa.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  2. Achei interessante o tema de depressão na história e confesso que foi isso que me fez ter vontade de ler. É uma doença desgraçada essa e ainda hoje em dia vejo tanta gente tratando com descaso...acabo tendo vontade de ler livros com coisas assim pra entender melhor como é pra pessoa. Sei lá, me chama atenção.
    A Grace parece uma personagem que irrita e ao mesmo tempo você espera que mude, quer entende, sabe? Você quer saber porque ela é assim e parece que o mistério não é dos melhores. Queria saber qual é a história dela porque com certeza chamou atenção.
    O livro parece ser bem bonito pela simplicidade da história e a complexidade de sentimentos que explora. Acho que iria gostar.

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  3. Oi Ana, resenha ótima e A química entre nós parece ser uma surpresa bem positiva, confesso que não esperava muito do livro só vendo a capa, mas as resenhas que tenho lido dele me fazem pensar que essa é uma história intensa e emocionante e quero sim ler. Fiquei curiosa e apreensiva sobre o que aconteceu com Grace e Henry parece ser um protagonista super cativante. Espero poder ler logo logo essa história também ;)

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  4. Eu acho a capa desse livro muito linda, e ficava sempre me perguntando sobre o que se tratava essa história. Agora já posso dizer que essa história parece ser apaixonante :) E adorei a resenha.

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  5. Que resenha mais incrível, confesso que de primeira não me interessei pelo livro, mas no decorrer da resenha me vi super curiosa pra saber como tudo aconteceu, e o que acongeceu com ela. Gostei muito da proposta do livro, realmente a depressão é a doença mais traiçoeira de todas, e a mais comum nos dias de hoje, é uma pena que não tenha um final feliz, mas estou muito curiosa pra saber como tudo termina.

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  6. Gostei! Estou desesperadamente precisando de um romance mais real!
    Gostei da sinopse e sua resenha me deixou com vontade de ler!
    A capa é linda e a história parece ser muito boa!

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  7. Oi Ana, tudo bem? Nem sempre eu gosto de YA, mas pela resenha já deu pra perceber que o livro vai muito além de uma simples história e gosto quando abordam o tema depressão! Gostei da indicação.

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  8. Já havia visto este livro na lista de lançamentos da editora, só não imaginava que esta estória aborda um romance tão real, com pessoas das quais nos identificamos, com problemas sociais que vemos em nosso dia a dia, por isso acredito que o leitor consegue se envolver de forma plena nesta leitura. Amei esta premissa, e por isso quero muito começar está leitura.

    Participe do TOP COMENTARISTA de Julho, para participar e concorrer aos livros "O Casal que mora ao lado" e "Paris para um e outros contos".
    http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/

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  9. Olá Ana!!
    Parabéns pela resenha, adorei!
    Faz tempinho que já anotei na listinha esse livro, qro mto ler e claro conhecer a escrita da autora.
    Bjs!

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  10. Que resenha mais linda, já inclui o livro ao desejados do Skoob. Ainda não conhecia ele, e nunca li nadado autor, mas confesso que amo romances ainda mais este que tem toda uma temática interessante e bem diferente. E esta capa é um charme a parte.

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  11. Ana!
    Que protagonista hilária e bem diferente, gosta de chocar e causar, hein?
    Tão bom quando os protagonistas criam uma amizade, para depois surgir um sentimento mais profundo.
    Ver os conflitos dos adolescentes é sempre bom e podemos ver um outro lado do que passam e sentem.
    Quais serão os segredos que ela tem?
    Fiquei curiosa.
    Uma semana esplendorosa!
    “O amor é a única loucura de um sábio e a única sabedoria de um tolo.” (William Shakespeare)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE JULHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  12. Nossa parece ser uma historia muito triste e que mexe com nossas emoções eu sempre idealizo um final feliz, mas fiquei curiosa em saber o final desse mesmo que não seja feliz parece ser algo terrível que aconteceu com a personagem. E gostei por não ser o mesmo do mesmo, diferencial é muito bom nesse meio.

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