25 de julho de 2017

Resenha: Uma Vez

Felix Salinger, um menino judeu que mora na Polônia, adora ler e é ótimo em escrever e contar histórias. E é isso o que ele mais faz enquanto espera, num orfanato católico, o pai e a mãe, que foram cuidar da livraria da família. Uma vez, na fila do jantar, Felix ganhou uma sopa com uma cenoura inteira. Naqueles tempos em que era impossível até mesmo ter pão fresquinho no café da manhã, uma cenoura inteira só podia ser um sinal. A mensagem ficou mais clara quando livros judeus da biblioteca do orfanato foram transformados em uma imensa fogueira. Seus pais e a livraria da família estavam em perigo. O garoto sabia que precisava voltar para casa para ajudá-los. Assim começa a jornada de Felix por um país tomado por soldados nazistas, vizinhos delatores, mas também por pessoas dispostas a ajudar. A incrível imaginação do garoto é sua melhor companhia para compreender a terrível realidade que o cerca.

Título Original: Once
Autor: Morris Gleitzman
Páginas: 160
Tradução: Marília Garcia
Editora: Paz & Terra
Livro recebido em parceria com a editora

Minha única motivação para ler Uma Vez, do autor australiano Morris Gleitzman, foi o fato de o livro se passar na Segunda Guerra Mundial — não importa quantos livros eu leia sobre o assunto, eu nunca vou enjoar. Mas essa obra é um pouco diferenciada, pois ele proporciona um olhar diferente sobre o período citado, longe dos campos de concentração, mas ainda assim muitíssimo perto de muito sofrimento. 

Aqui, conhecemos a história de um garotinho chamado Felix Salinger, que mora num orfanato católico na Polônia, bem no boom da Segunda Guerra Mundial. Felix guarda muitos segredos, incluindo ser judeu, o fato de os pais estarem vivinhos da silva e que ele foi deixado ali apenas para se manter em segurança em segurança para que seus pais viajassem pelo mundo vendendo livros. Obviamente o pequenino não vê a hora de os pais voltarem para buscá-lo e retomar sua antiga rotina. 

Tudo permanecia calmo e tranquilo após quase quatro anos, mas eis que um dia Felix encontra uma cenoura inteirinha na sua sopa e, é claro, em tempos de tanta escassez, aquilo só podia ser um sinal de que seus pais estavam voltando. Porém, por mais que quisesse esperar, em mais um dia normal no orfanato, Felix vê guardas usando livros judaicos para acender uma fogueira e entende que precisa avisar aos pais, já que depois do episódio a livraria da família corre um risco gigantesco. É à partir daí que começa a aventura do menino que só quer encontrar os pais em um país tomado por nazistas e pessoas de má fé, mas também de várias criaturas boas que só querem ajudar. 

Apesar da trama relativamente simples, Uma Vez é um livro extremamente forte e cheio de valores. Felix, um judeu de apenas 10 anos, é a personificação da inocência. Ele simplesmente não entende o que está acontecendo ao seu redor e ele não acredita de forma alguma que existam pessoas ruins no universo. Algumas vezes, a criança chegava a inventar história mirabolantes para driblar o que estava escancarado à sua frente, como encontrar um casal morto em sua casa. Às vezes eu não conseguia acreditar em tamanha ingenuidade. 

Provavelmente, o ponto mais alto do livro é a amizade entre Felix e Zelda, uma garotinha que ele mesmo resgata de um incêndio. A partir daí, o vínculo que eles criam — não se esqueçam da responsabilidade que foi imposta em Felix a partir daí — é tão grande que se tornam inseparáveis. Zelda é um show à parte. Apesar de ser bem mais nova que Felix, ela é muito inteligente e teimosa, e é muito difícil ludibriá-la. No decorrer das páginas, os amigos acabaram encontrando várias pessoas legais que, de verdade, me fizeram voltar a acreditar na humanidade. 

Esse livro de Morris Gleitzman entrou para a lista das 100 obras mais recomendadas para jovens segundo a BBC e o The Guardian e com certeza merece tal posto. O tema, apesar de impactante de difícil, como tudo relacionado à Segunda Guerra e ao Holocausto, foi tratado de uma forma muito leve. O que eu mais gosto nesse tipo de narrativa é que ela agrada até mesmo os leitores mais velhos e Uma Vez com certeza se encaixa nessa categoria.

Após fazer algumas pesquisas, descobri que a história de Felix e Zelda não para em Uma Vez. Em seu site, o autor fala um pouco das obras seguintes, que ainda não foram publicadas no Brasil: Then, Now, After e Soon. Além dessas informações, também é possível ler algumas histórias reais que inspiraram Gleitzman em seus livros. 

14 comentários:

  1. Gosto de livros que abordam esse tema, é horrível e triste mas faz ter uma perspectiva do que muitas pessoas passaram, os personagens parecem ser uma graça e nos conquista com facilidade, fiquei impressionada com a ingenuidade do garoto ou ele não quer acreditar em como as pessoas são cruéis. Gostaria de fazer a leitura.

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  2. Li poucos livros com esta temática, mas os poucos foram suficientes para continuar querendo os ler. E nesta estória podemos acompanhar a luta de uma família pela sobrevivência, e imagino o peso que este garoto de apenas 10 anos tende a carregar, em saber de um segredo que pode matar seus pais, e ter de ficar calando fingindo não ser judeu. Fiquei entusiasmada para saber qual será o desfecho desta trama. Espero um final feliz.

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  3. Oi Ana, eu gosto de histórias que se passam sob o ponto de vista das crianças pois costumam ser bem sensíveis e imagino que se passando num período tão negro seja mesmo sensível e bem forte. Eu leio poucos livros dessa época porque acho bem triste, mas entendo que são necessários. Eu gostei da resenha, os personagens parecem ser super cativantes e até fiquei interessada em ler o livro que em meio a um período triste parece trazer alguma esperança quando os amigos encontram pessoas que os permitem voltar a acreditar na humanidade ;)

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  4. Olá Ana!
    Acho que li poucos livros do gênero, mas curto bastante ler esse lado das crianças, um assunto sensível e delicado, triste tbm, vou anotar a dica.
    bjs

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  5. Tambem nunca vou enjoar de livros sobre a Segunda Guerra Mundial, não tem como enjoar. Amei de mais este livro e nem li ainda.Só pela capa já da vontade de ler e depois de ler a sinopse quero mesmo ler, já vai para minha lista. Será que este livro é daqueles que dá vontade de chorar?? Com certeza vou amar este livro.

    Vistem meu blog!
    garotaeraumavez.blogspot.com.br
    Obrigada!

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  6. É, sou outra que adora ler livros com esse tema da Guerra e não importa o que estão falando ou quantos leio acho sempre legal pelo clima e pelas emoções ele consegue despertar. Faz a gente pensar...
    Esse livro parece conseguir isso, fazer a gente refletir mesmo podendo ter uma trama mais simples. Não conhecia e achei bem interessante. Ainda mais pelos valores que ele parece destacar. E essa amizade do Felix e Zelda já deu uma curiosidade pra conhecer.
    Pode ser um livro que gostaria muito se lesse. É uma dica legal =)

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  7. Também não vou enjoar de Segunda Guerra Mundial! História é uma matéria maravilhosa e sempre gostei de idade média e as guerras mundiais! Livros que abordam esses assuntos sempre me agradam e me fazem aprender coisas novas!
    Gostei da sinopse desse livro. Vou ver se consigo ler em breve.

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  8. Oi, confesso que eu fujo de livros que se passam nessa época, talvez tenha sido por causa de uma desilusão em um que eu li. Também acho que na visão de uma criança pode deixar mais leve - o máximo que se pode no meio de uma guerra - mais ainda sim acho uma tristeza só,é nunca me animo pra ler. Gostei muito da resenha!

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  9. Diferente de vs, eu não curto muito livros que se passam no período da 2 guerra mundial, mas o enredo desse livro me chamou muito a atenção, fiquei muito curiosa pra saber como Félix vai tentar achar os pais dele e tudo oq acontece, como ele vai ficar seguro e etc, parece ser um livro muito forte e que passa uma mensagem forte tbm.

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  10. Oi Ana,
    Uma vez é uma boa forma de mostrar que a Guerra afeta tudo e todos de diversas maneiras. Felix é atingido indiretamente pela Guerra, mas isso não diminui o peso ou as marcas deixadas por ela. Fico imaginando quantas crianças viveram neste período sem realmente entender o que estava acontecendo. Muitos pais devem ter feito muitas coisas para amenizar as dificuldades e perigos vivenciados pelos seus filhos. A inocência do protagonista em relação a sua realidade mostra o quanto a humanidade é egoísta em travar guerras sem se importarem com as consequências que elas geram na vida dos inocentes. Apesar de não ter costume de ler livros de com esta temática, gostei muito desta recomendação.

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  11. Ainda não conhecia o livro, mas é difícil não se encantar com esta premissa de historia, ainda mais quando envolve 2° Guerra e a historia de crianças.Creio que seja aquele tipo de livro que nos faz viajar para um tempo muito triste que ocorreu.

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  12. Ana!
    Os livros com pano de fundo da Segunda Guerra sempre me atraem.
    Aqui parece tudo através da visão de uma criança com uma percepção muito aguçada e que tem um senso de amizade e lealde bem exacerbado, o que deve tornar o livro uma leitura deliciosa.
    Quero poder ler.
    Bom final de semana!
    “Ciência é conhecimento organizado. Sabedoria é vida organizada.” (Immanuel Kant)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE JULHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  13. Nossa, esse livro me chamou a atenção logo de cara. Gosto muito dos livros em que as protagonistas são crianças, justamente por mostrar essa inocência. E juntando com o tema "segunda guerra mundial", é impossível não me chamar ainda mais atenção!
    Sem dúvidas um livro que ganhou espaço na minha lista de leitura.

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  14. Oi, Ana! Nunca li livros que falam sobre a guerra no olhar de protagonistas crianças, e confesso que tenho muita curiosidade! O livro parece ser lindo e bem gostoso de ler, apesar do cenário em que ele se encontra. Quero muito saber se o protagonista encontra seus pais! Beijoss

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