12 de outubro de 2017

Resenha: Nunca Houve Tanto Fim Como Agora

Evandro Affonso oferece ao leitor a possibilidade de encarar a miséria invisível que habita as almas e o cotidiano de nossas cidades Vítimas do abandono, cinco personagens sobrevivem nas ruas de São Paulo, entre ranhos e remelas, ao relento. Em suas conversas, gritos, tosses e divagações, cinco “ácaros topográficos” buscam o sentido da vida, denunciando o desdém geral dos transeuntes. Escritor premiado, Evandro Affonso Ferreira alcança, neste romance, um raro equilíbrio entre apuro literário, inovação linguística, reflexão filosófica e crítica social. Resistindo ao apelo das narrativas uniformizadas, que atualmente se confundem no vazio, Evandro tem pacientemente cultivado, ao longo de décadas, o próprio estilo. O resultado é único: uma voz contundente, ao mesmo tempo honesta e erudita, reconhecida pelo leitor desde as primeiras linhas, como ocorre nos maiores nomes de nossa literatura.

Título Original: Nunca Houve Tanto Fim Como Agora
Autor: Evando Affonso Ferreira
Páginas: 160
Editora: Record
Livro recebido em parceria com a editora

Nem é preciso me conhecer direitinho para saber que solicitei Nunca Houve Tanto Fim Como Agora por causa desse título incrível e criativo. A história criada pelo mineiro Evandro Affonso Ferreira no seu nono romance, narra pela visão de Seleno, o dia-a-dia de um quinteto que tem como "lar" um viaduto na cidade de São Paulo. Apesar de viverem em cinco, as lembranças do protagonista são mais voltadas para Ismênio e Eurídice — a única mulher do bando —, os seus fiéis companheiros de Relento.

A história apresentada por Ferreira é uma enorme crítica social da mazela do nosso país: há vários Selenos, Ismênios e Eurídices em todos os cantos do Brasil que não são escutados, muito menos vistos. A morte, consequentemente, também é um assunto bastante retratado no livro, pois parece sempre estar a espreita. Creio que, justamente pelo tema do livro ser tão melancólico, a linguagem do mesmo é bastante rebuscada. Em algumas passagens, é até difícil entender o que o autor quer passar. 

Particularmente, não tenho problema algum com uma literatura que possui narrativa mais culta, mas, para mim, há um grande abismo de diferença entre o rebuscado e o culto. Na minha opinião, Evandro Affonso fez "muita graça" para falar pouca coisa. Há diversas formas de narrar uma história mais pesada e nostálgica. Em Capitães da Areia, por exemplo, Jorge Amado explora o drama dos jovens abandonados nas ruas de Salvador com uma linguagem muito mais acessível, e a data da primeira publicação é de 1937. 

É impossível negar que as memórias apresentadas por Seleno, agora um professor universitário, em Nunca Houve Tanto Fim Como Agora são necessárias para reconhecermos a realidade da miséria que as pessoas insistem em não saber do que se trata. Portanto, é uma obra importante, com uma história muito boa, mas com uma narrativa mal aproveitada. 

É repetitivo, eu sei, mas o único ponto que me desagradou foi o suficiente para tornar a leitura cansativa ao extremo. Talvez um leitor mais maduro ou com o gosto mais chegado a uma narrativa poética e estética, aproveitaria mais a história de Nunca Houve Tanto Fim Como Agora. Eu, particularmente, teria preferido conhecer a vida de Seleno, Ismênio e Eurídice através de olhos um pouco menos obsoletos. 

16 comentários:

  1. Não conhecia esse livro, fiquei bem interessada. Gosto de obras que abordam situações mais complexas de nossa sociedade. Vou dar uma olhada nele no skoob.

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  2. Não gosto muito de narração mais pesada. Gosto de livros em que me envolvo com a escrita leve e inteligente que faça o leitor não desgrudar do livro.
    Achei bacana a sinopse, porém não sei se eu leria.

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  3. Olá, a obra chama atenção por fazer uma apelo social para os moradores de rua, que muitas vezes são tratados como invisíveis pelos transeuntes. Quanto à linguagem complexa, acredito que pode tanto agradar uns quanto incomodar outros, vai de gosto. Beijos.

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  4. Esse título realmente é incrível!
    Mas estou pasma por nunca ter visto/lido um trabalho do autor; bom que trouxe esta resenha, acho maravilhoso dar espaço a nossa literatura.
    O tema me chama muita atenção, totalmente necessário essa crítica social. Existem tantos Selenos, Ismênios, Eurídices por aí e com muitas histórias para contar.
    Pena que a narrativa deixou a desejar, e é um ponto importante na hora de fazer a leitura.
    Mas gostei de conhecer melhor este livro.

    Beijos

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  5. Também achei o título deste livro bem criativo, não costumo muito ler livros que envolve crítica social, como é o caso deste livro, então não sei se eu leria ele no momento, quem sabe futuramente.

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  6. Também não curto muito livros com uma linguagem mais culta, e pela sua descrição talvez não fosse até cabível nesta obra em si, pelo fato da estória não se aprofundar. Por se tratar de um crítica, talvez seria melhor se tivesse optado por algo em que os leitores se identificasse, ou se aproximasse durante a leitura. Infelizmente não tive interesse em ler está obra.

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  7. Ok, não sei bem o que iria achar desse livro se lesse então. Gosto da ideia de mostrar a vida de pessoas assim porque é uma realidade e é triste demais, mas ao mesmo tempo o jeito da narrativa pode pesar e muito pra mim. Sou enrolada pra ler, ao menos estou enrolada demais pra ler e dependendo da narrativa se for pra empacar ainda mais eu nem tento. Mas não sei, talvez fosse bonito e valesse a pena exatamente por ser tão diferente do que estou acostumada. É um livro que chamou atenção, ainda mais pelo título porque tenho que concordar que é bem legal, mas pela narrativa dele me deixou com o pé atrás =/

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  8. Oi Ana,
    A realidade, na maioria das vezes é difícil de aceitar ou reconhecer. Os moradores de rua fazem parte da paisagem urbana das grandes cidades e mesmo eles estando em grande número nem sempre recebem a atenção que precisam. A proposta do livro é bem legal, só é uma pena a narrativa não ter sido feita de acordo com a história. Rebuscar uma fala nem sempre conta de forma positiva para um livro. Eu até imaginei que o autor poderia ter usado de uma escrita mais brusca, pois aí estaria de acordo com a realidade de muitos moradores que são analfabetos, por exemplo. Ainda assim, achei o livro interessante e uma boa recomendação.

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  9. Oi Ana.
    Me identifiquei com o que diz, afinal eu não leio clássicos, não porque não goste, mas pelo fato de que na maioria das vezes a escrita não me prende e a narrativa é bem arrastada para mim, como você falou, talvez para uma outra funcione, mas para mim não rola, achei a premissa interessante o título realmente chama a atenção e é realmente uma pena que não curtiu 100% o livro.
    Bjs.

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  10. Oi, Ana!!
    Gostei muito da indicação de leitura, não conhecia esse autor mais a estória é bem interessante. E o livro sem dúvida traz um tema bem recorrente na nossa sociedade que é a das crianças que moram na rua. Mas infelizmente não tem costume de ler livros com uma narrativa poética. Mesmo assim valeu pela indicação.
    Bjoss

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  11. Primeira resenha que leio sobre o livro, e confesso que não tenho muito o hábito de ler livros com gêneros mais complexos, apesar de achar a proposta deste muito interessante. Irei pesquisar mais sobre capitães de areia. Mas adorei ter a oportunidade de conferir a resenha dele.

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  12. Ana!
    Apesar de o autor já ter tantos livros escrito, ainda não tinha ouvido falar sobre ele.
    Gostei até da ideia do livro, do enredo até atual e crível por parecer com nossa sociedade atual, mas como você, acredito que se a linguagem fosse um pouco mais contemporânea e atual, ficaria uma leitura mais agradável e menos maçante.
    Um final de semana alegre e feliz!
    “Não há nada que faça um homem suspeitar tanto como o fato de saber pouco.” (Francis Bacon)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE OUTUBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  13. Oi Ana!
    Não conhecia o livro, uma pena eu não curtir mto esse estilo, corro de livros cansativos....
    Bjs!

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  14. Gostei por se passar no meu Estado, realmente é um tema muito interessante de aborda dos moradores de rua no País tem muitos e quando vejo fico me perguntando qual seria a historia de cada um para estar ali, é uma pena isso lamentável. Pena essa linguagem difícil que deve dar uma atrapalhada na leitura deixando mais lenta.

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  15. Me identifiquei muito com sua opinião e gosto durante a resenha e acho que esse livro não seria uma leitura muito desenvolvida pra mim, mesmo que aborde um tema interessante. Abraços!

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