2 de novembro de 2017

Resenha: No Seu Pescoço

A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie vem conquistando um público cada vez maior, tanto no Brasil como fora dele. Em 2007, seu romance Meio sol amarelo venceu o National Book Critics Circle Award e o Orange Prize de ficção, mas foi com o romance seguinte, Americanah, que ela atingiu o volume de leitores que a alavancou para o topo das listas de mais vendidos dos Estados Unidos, onde vive atualmente. Ao trabalho de ficcionista, somou-se a expressiva e incontornável militância da autora em favor da igualdade de gêneros e raça. Agora é a vez de os leitores brasileiros conhecerem a face de contista dessa grande autora já consagrada pelas formas do romance e do ensaio. Publicado em inglês em 2009, No seu pescoço contém todos os elementos que fazem de Adichie uma das principais escritoras contemporâneas. Nos doze contos que compõem o volume, encontramos a sensibilidade da autora voltada para a temática da imigração, da desigualdade racial, dos conflitos religiosos e das relações familiares. Combinando técnicas da narrativa convencional com experimentalismo, como no conto que dá nome ao livro — escrito em segunda pessoa —, Adichie parte da perspectiva do indivíduo para atingir o universal que há em cada um de nós e, com isso, proporciona a seus leitores a experiência da empatia, bem escassa em nossos tempos.

Título Original: The Thing Around Your Neck
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Páginas: 256
Tradução: Julia Romeu
Editora: Companhia das Letras
Livro recebido em parceria com a editora

A minha reação ao terminar de ler o primeiro livro de contos de Ngozi Adichie foi apenas "CHIMAMANDA EU TE VENERO". Isso porque essa mulher não escreve absolutamente nada ruim. Desconheço autora com uma escrita mais forte e determinada do que a dela, uma narrativa que nos presenteia com uma realidade que, provavelmente, muitos desconhecem. E é justamente essa vida real que Adichie nos apresenta nos doze contos de No Seu Pescoço.

Todas as histórias aqui apresentadas possuem um único foco principal: as dificuldades de ser um estrangeiro nos Estados Unidos. É claro que todos os protagonistas de No Seu Pescoço são nigerianos, assim com a maioria dos personagens criados por Chimamanda. Então, o foco não é apenas ser imigrante, mas ser um imigrante africano tendo em vista a visão que a maioria dos norte-americanos têm da África — por exemplo, a maioria das pessoas não sabe que a língua oficial da Nigéria é a inglesa.

Não existe nenhum conto que seja menos que excelente nessa coletânea, mas o meu preferido foi, sem sombra de dúvidas, A Cela Um. Aqui, uma irmã mais velha narra como o irmão mais novo tem tudo o que quer, faz tudo de errado que existe e sai impune, até que ele vai preso por ser suspeito de um atentado terrorista e não há nada que os pais coniventes possam fazer. Já nesse primeiro conto do livro podemos perceber uma das maiores características da escrita de Adichie: falar sobre como é ser uma mulher em uma sociedade majoritariamente machista. 

Além disso, outros temas recorrentes em No Seu Pescoço são injustiça, desigualdade de gênero e o racismo propriamente dito. A autora expõe uma nação que se julga superior pelos seus costumes, crenças, cor de pele. E obviamente todas as críticas são muito bem fundamentadas, pois Chimamanda emigrou ainda muito jovem para os Estados Unidos para estudar. Em uma de suas palestras do TED, O Perigo de Uma Única História, ela faz questão de contar algumas histórias pessoais que exprimem bastante a ideia do seu livro de contos. 

No Seu Pescoço, assim como Americanah, Hibisco Roxo ou Meio Sol Amarelo, é literatura de excelente qualidade. O livro não decepciona em nenhum ponto e a escrita, como sempre, é impecável.  São histórias que devem ser saboreadas e entendidas. A verdade é que qualquer mínima coisa nas mãos dessa mulher incrível se torna uma verdadeira obra prima.

18 comentários:

  1. Uau, que incrível.
    Ainda não tive a oportunidade de conhecer o trabalho desta autora, confesso que nem conhecia até então.
    Fico muito feliz de ver a literatura dando espaço a livros com temas necessários: racismo, gênero, imigração, desigualdade social, lgbt, feminismo e outros temas que não tem tanta voz por aqui.
    Fiquei curiosa pra conhecer essa escrita, e livros de contos é algo muito bacana.
    A capa está maravilhosa, esse que cabelo é incrível.
    Vou procurar saber dos outros livros dela.

    Beijos

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  2. Ganhei um livro dela esses dias que nem conhecia e depois que fui perceber que era dessa autora fiquei até mais curiosa. Ela parece ter uma escrita muito bonita mesmo, o tom de realidade das coisas faz ter bem mais graça. Um livro de contos e que retrata como é ser um estrangeiro e as dificuldades deve ser algo que dá até pra se identificar um pouco ao menos. Ver as coisas de uma nova forma, saber mais...bem tem um tema que chama atenção.
    Se gostar do que vou ler dela talvez acabe querendo ver como são os outros e esse parece uma boa dica.

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  3. Que bom que os contos são excelentes, é difícil livro de contos todos serem assim, sempre tem algum que desagrada. Muito interessante o livro, pois não é nada fácil estar em um lugar diferente, ainda mais com tantas injustiças. Deve ser uma leitura bem reflexiva sobre como as mulheres são tratadas.

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  4. Um livro de conto tem um foco importantíssimo, apesar de ter passado muitos anos desde que a segregação foi banida, ainda vemos como mulheres, principalmente as negras e extrangeiras, sofrem com a desigualdade.
    Estou lendo um livro como esse foco, que as mulheres negras e brancas tiveram que lutar para serem reconhecidas como engenheiras.
    Por isso fiquei curiosa para ler os contos dessa escritora que parece ser bem interessante.

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  5. Essa autora é fantástica! Escreve de tal forma... sensibiliza a gente; e na medida que aborda todos esses temas, cria uma obra literária grandiosa, e que merece o seu devido respeito.

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  6. Oi Ana!
    Nunca tinha ouvido flar da autora acredita?
    O enredo é simplesmente lindo, qro conseguir ler em breve e conhecer além da história a escrita da autora.
    Bjs!

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  7. Infelizmente ainda não tive oportunidade de ler nenhum das obras desta autora, ainda sim me pareceu aborda temas capaz de tocar os leitores, principalmente nos mulheres, pois ela escreve exatamente pela minorias, e usa da literatura para retratar a realidade de quem vive e uma sociedade, onde as mulheres, negros, entre outros vivem uma vida cada vez mais precária, e nada e feito para mudar. Quero muito ler este livro, e todos os outros da autora.

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  8. Ana!
    Não li ainda nenhum dos livros da autora, mas sempre leio as resenhas e os livros dela trazem sempre polêmicas relevantes e mostra o quanto as realidades são diferentes e crueis.
    Muito bom ver que todos os contos são relevantes e importantes e que nos fazem refletir.
    Temos de venerá-la mesmo...
    Desejo um mês repleto de realizações e um final de semana de luz e paz!!
    “O que mais me interessa saber, não é se falhaste mas se soubeste aceitar o desaire.” (Abraham Lincoln)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!

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  9. Depois de uma resenha como essa, não consigo falar mais nada, apenas que vou ler, pois acabei de colocar na lista de desejados.

    Eu já queria conhecer a escrita desta mulher, mas agora fiquei com mais vontade ainda.

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  10. Nunca li nada dessa autora, mas agora lendo a sua resenha vi que estava perdendo algo muito bom.
    Tenho algumas amigas que já leram esse livro e elas falam super bem.
    Legal esses temas que ela aborda sobre imigrante africando. Deve ser bem difícil.
    Beijos.

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  11. Oi Ana!
    Nossa, estou me perguntando porque eu não tinha conhecido essa autora antes, ela me parece MARAVILHOSA pelo o que você escreveu na sua resenha.
    Confesso que eu não curto muito contos, mas eu amei a premissa desse livro, amei o fato de que a autora escreve sobre temas importantes .
    Com certeza eu vou colocar esse livro e outros livros da autora na minha lista de desejados.

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  12. Oi Ana,
    Ainda não li nada da Chimamanda, mas é uma autora que faço questão de conhecer a escrita. No seu pescoço, acredito, ser a obra da autora que mais me chamou atenção, pois os contos nos trás diversos protagonistas em diversas situações que retratam a realidade dos imigrantes. Vejo que suas histórias são regadas de veracidade e servem para abrir os olhos de muitas pessoas que não veem as injustiças, a desigualdade, o preconceito, o machismo ou sexismo. Talvez eu comece a conhecer as obras da Chimamanda por esta indicação, pois fiquei curiosa por cada conto.

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  13. Oi Ana.
    Eu ainda não tive o prazer de conhecer a escrita da autora, porém já assistir sua palestra Chimamanda Adichie: O perigo da história única e eu adorei. Eu adoro que ela fala tão abertamente de temas que precisam muito ser debatidos, como: o preconceito, racismo e a desigualdade, isso serve para abrir os olhos da sociedade e os nossos olhos, enfim, eu quero muito ler as obras da autora.
    Bjs.

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  14. Olá Ana ;)
    Todos os livros da Chimamanda sempre terminam na minha lista de leitura, sou doida para conhecer a escrita dessa autora que parece incrível e tem um poder de tocar o leitor com suas palavras!
    Quero ler até o fim do ano Sejamos Todos Feministas, está na minha meta de fim de ano.
    Apesar de não gostar muito de livros de conto, me interessei demais neles pelos comentários que você fez. Fiquei curiosa para saber o relato dessa irmã mais velha que você mencionou.
    Ainda não tinha assistido O Perigo de Uma Única História, obrigada por deixar o link ;)
    Bjos

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  15. Olá, não conheço o trabalho da autora, mas depois dessa resenha vou colocar No Seu Pescoço na minha lista de desejados. Infelizmente os contos abordam a realidade presente na vida de muitas pessoas, que não julgadas com conceitos estereotipados e possuem dificuldade de se integrarem socialmente. Beijos.

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  16. Olá Ana
    Só tem um ponto que me incomoda: contos. Não gosto, por mais que sua resenha esteja ótima, e buscando encontrei mais elogios sobre a autora, acredito que poderia ser somente uma história, eu iria gostar mais.
    O interessante é que (acredito eu)a autora achou uma forma mto bonita de chamar atenção para o povo nigeriano e seus costumes, é um ponto positivo para a escrita dela.
    Beijos

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  17. Oi, Ana
    Nunca li nenhum livro dessa autora, mas com uma resenha tão positiva dá vontade de ler e conhecer a escrita dela e tudo que ela tem a apresentar. Achei legal saber que esse livro é de contos, já tinha visto a capa, mas não sabia do que se tratava. Eu já li um livro em segunda pessoa e é bem diferente, uma experiência que eu gostei. Não faço ideia de como seja complicado para os nigerianos passar por essa migração. A verdade é que gosto de ler livros assim, que fazem a gente refletir.

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  18. Eu amo contos e quando li a primeira resenha deste livro, já o coloquei na fila de desejados. Não somente pelas letras da autora, que sim,conquistou uma legião incansável de fãs,mas também pela verdade descrita em cada conto. Com suas lutas, batalhas e também, sentimentos!
    Ainda lerei, com certeza!
    Beijo

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