16 de dezembro de 2017

Resenha: Anna Kariênina

Em tradução de Rubens Figueiredo, com posfácio de Janet Malcolm, a obra-prima de Liev Tolstói retrata o caso de infidelidade da aristocrata Anna Kariênina, tendo como cenário uma Rússia decadente. "Toda a diversidade, todo o encanto, toda a beleza da vida é feita de sombra e de luz”, escreve Liev Tolstói no romance que Fiódor Dostoiévski definiu como "impecável”. Publicado originalmente em forma de fascículos entre 1875 e 1877, antes de finalmente ganhar corpo de livro em 1877, Anna Kariênina continua a causar espanto. Como pode uma obra de arte se parecer tanto com a vida? Com absoluta maestria, Tolstói conduz o leitor por um salão repleto de música, perfumes, vestidos de renda, num ambiente de imagens vívidas e quase palpáveis que têm como pano de fundo a Rússia czarista. Nessa galeria de personagens excessivamente humanos, ninguém está inteiramente a salvo de julgamento: não há heróis, tampouco fracassados, e sim pessoas complexas, ambíguas, que não se restringem a fórmulas prontas. Religião, família, política e classe social são postas à prova no trágico percurso traçado por uma aristocrata casada que, ao se envolver em um caso extraconjugal, experimenta as virtudes e as agruras de um amor profundamente conflituoso, "feito de sombra e de luz”.

Título Original: Анна Каренина
Autor: Liev Tolstói
Páginas: 839
Tradução: Rubens Figueiredo
Editora: Companhia das Letras
Livro recebido em parceria com a editora

A minha vontade de ler Anna Kariênina surgiu, serei honesta, quando a Companhia das Letras o colocou entre as opções do mês para os parceiros e eu fui procurar saber um pouco mais sobre o livro. Essa obra é claramente um clássico que mostra o cenário da Rússia no século XIX e que causou muito espanto na época em que foi publicado, pois a sua história central gira em torno da personagem Anna, que se envolve em um caso extraconjugal, tema que sempre será tabu, independentemente da época retratada.

A trama é dividida em oito partes que acompanham Anna Kariênina e outro personagem central, Liévin — que curiosamente se encontram apenas uma vez durante as 818 páginas de história. Anna é uma mulher deslumbrante, que chama atenção por onde passa, enquanto Liévin é um homem quieto, que gosta do campo e tem um desejo enorme de se casar. Apesar dessa curiosidade que citei anteriormente, os dois personagens estão totalmente ligados por questões familiares, o que, para mim, é um dos pontos principais de Anna Kariênina.

A protagonista Anna surge logo no início do romance para tentar salvar o casamento do seu irmão mais velho, Oblonsky, cuja traição com a preceptora dos filhos foi descoberta pela esposa, Dolly (que obviamente acaba perdoando o marido por questões de comodidade). Anna é casada com o Conde Alexei Karenin, o que não a impede de se apaixonar perdidamente pelo Conde Vronsky, que acaba sentindo o mesmo por ela. Obviamente os dois se envolvem e, com exceção das partes voltadas à Liévin, tudo gira em torno do relacionamento entre Anna e Vronsky.

Assim como várias outras pessoas que tiveram contato com esse livro, a impressão que eu tive é que o que levou Anna a se envolver com outra pessoa foi a necessidade de amar alguém verdadeiramente — apesar de o romance com Vronsky ter começado apenas pela aparência dele. Acredito que para conquistar isso, a personagem acabou tomando decisões extremamente egoístas sem realmente parar para pensar no tamanho da besteira que ela estava fazendo. Eu sinceramente só conseguia sentir ranço da Anna, porque ela simplesmente queria que todos aceitassem como uma coisa normal a traição. E sim, todo mundo sabia o que estava acontecendo.

Eu não acho aceitável as pessoas usarem traição com a desculpa de "preciso ser feliz", mas o caso de Anna é muito pior porque, apesar de o Conde Karenin realmente não amá-la, a gente consegue perceber que há ali uma relação de muito respeito. É claro que raramente os casamentos naquele contexto eram firmados por amor, mas, para mim, nunca vai justificar as atitudes da protagonista. O mais engraçado é que ele tenta abrir os olhos da esposa, mas ela só consegue vê-lo como um monstro que, na minha concepção, ele não é.

Apesar disso, os capítulos com foco em Anna foram muito mais satisfatórios para mim do que os do Liévin, não por ele ser um homem acomodado com a sua vida, mas por várias partes em que ele fala sobre economia, agricultura e várias outras coisas das quais, naquele momento, eu não tinha o menor interesse. Não que fosse uma linguagem difícil ou técnica demais, mas para mim só foram um monte de informações que não fariam falta nenhuma caso fossem retiradas, por exemplo.

O que fez, sinceramente, eu me interessar por esse livro foi o fato de narrar um adultério envolvendo uma mulher, e não um homem. Quer dizer, se você parar para pensar, quando um homem trai, arranjam milhares de justificativas para não enxergarmos aquilo como um erro, mas como um deslize ou algo do tipo. Agora, quando uma mulher é inserida nesse papel, a gente consegue ver claramente como as opiniões mudam. Repito, eu não concordo com as ações da personagem em Anna Kariênina, mas é um fato que nos faz refletir bastante.

Para quem tem interesse em ler Anna Kariênina, mas tem medo da linguagem por ser um livro de Liev Tolstói, não se acanhe: não tem nada de difícil nesse livro. Provavelmente esse foi um dos pontos que mais me agradou fora do contexto da história em si, que é um espetáculo. 

18 comentários:

  1. Olá Ana! Gosto da História da Rússia estar envolvida na trama, mas não me agradou muito o livro não. Realmente o que chama atenção é a mulher adultera como personagem principal e numa sociedade machista esse livro nos traz grandes lições. O livro também chama a atenção pelo grande número de páginas, e espero que a história não tenha ficado monótona e cansativa. Beijos

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  2. Olá, realmente o livro aborda um tema que, se já é complexo na atualidade, imagina no contexto da Rússia do século XIX. Vejo que Liév foi extremamente destemido ao publicar tal obra à época, fato que tanto o fez ser alvo de muitas críticas quando rendeu ao mesmo a característica ousada. Beijos.

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  3. 818 páginas? Uau...
    Eu tenho vontade de ler clássicos, mas ao mesmo tempo sinto um certo receio de não me identificar com a escrita. Fico feliz em saber que não é uma leitura difícil.
    Concordo com sua opinião em relação a traição e a maneira como Anna lida com isso; não justifica.
    Acredito que eu ainda não faça essa leitura, mas foi bom saber.

    Beijos

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  4. Oi, Ana. Esse livro está na minha lista de leitura há tempos e a única coisa que me impediu de lê-lo até agora foi o preço meio salgado. Ainda não tive a oportunidade de comprá-lo, infelizmente. Mas assim que conseguir pretendo ler. Quero muito conhecer as obras do Tolstói que é um grande cânone da literatura russa.
    Beijos.

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  5. Não gosto dessas temas de traição, também acho que nada justifica a traição, mas é bom como mencionado por ser uma mulher que é julgada totalmente diferente em relação a uma traição masculina, com a mulher é sempre pior.

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  6. Olá!
    Estou com esse livro parado há bastante tempo na minha estante. Ano que vem preciso realmente ler! Achei interessante pelo mesmo fato que você, justamente de retratar a mulher nesse papel de traição. É para pensar e refletir.
    Adorei sua resenha, beijos!

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  7. Claramente esse livro é um retrato da sociedade russa e seus costumes, em como o adultério por parte das mulheres, era visto, ou seja, é um retrato da hipocrisia.

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  8. Acredito que este livro além de trazer toda a carga emocional de Anna, também traz uma boa parte de história. E isso é maravilhoso!!
    Tive oportunidade de ver um filme bem antigo sobre a vida desta mulher, que lutou sim, para ser feliz(sem julgamentos meus),mas que também narra uma parte da Rússia do passado que poucos conhecem!
    Adorei a resenha que li e gostei demais da capa do livro também, aliás, um livrão né?rs
    Se for possível, quero muito ler sim!
    Beijo

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  9. Eu nem acredito que li esse livro. Lembra um filme que saiu um tempo atrás? Fui assistir e adorei a história e aí inventei de ler. E nossa, é uma troço enooooorme e muito enrolado, mas vale a pena. Gostei da escrita dele, desse negócio de dividir as coisas, de como mostra a evolução dos vários personagens, de como eles estão interligados. É bem legal.
    O personagem do Vronsky foi um que me deu é nojo. Ahh não, gostei por um tempinho mas depois Deus que me livre. A Anna me deixou meio a meio. Com raiva de umas atitudes, mas tentando entender...
    E o legal é as coisas que o autor joga pra gente, as questões mais sérias, como faz você refletir sobre a vida dos outros e a situação deles e etc. O retrato da sociedade, sabe? Gostei disso. Meu personagem favorito foi aquele do Konstantin, o cara do interior lá. Ahh achei ele o mais legal. De todos ali foi o único que salvou pra mim xD

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  10. Talvez esta mudança de perspectiva em relação ao adultério, quando relacionado ao sexo feminino, e masculino, são vistas e comentadas de formas completamente diferente, um e mais aceitado que outro, principalmente na época em que se passa o livro. A estória me pareceu interessante, e me despertou interesse de leitura, até pelo fato de quero conhecer melhor a visão de narrativa desta mulher, em um casamento concedido não por amor.

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  11. Oi, Ana!!
    Já tem um tempo que estou interessada em ler algo de Liev Tolstói, e Anna Karienina e um dos livros que quero ler em 2018. Bom valeu a indicação.
    Bjoss

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  12. Oi Ana.
    Eu adorei a sinceridade da sua resenha, eu gosto de livros que abordam esses fatores históricos, porém o livro tem algo que me incomoda muito, que é a traição, eu assim como você, acredito que não ha justificativa, eu não vejo isso com bons olhos e não por se tratar de uma mulher, nesse caso é qualquer tipo de traição, enfim, apesar de ter achado interessante, não leria.
    Bjs.

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  13. Ana!
    Acredito que tem mais de 30 anos quando fiz a leitura desse livro e as personagens são tão marcantes que nunca saiu da minha cabeça.
    Lendo sua resenha, todo enredo voltou, bem como o prazer de ler esse clássico, preciso fazer uma releitura, porque é um livro atemporal.
    Bom final de semana e FELIZ NATAL!
    “Celebrar o Natal é crer na força do amor, é isto que transforma o homem e o mundo. Feliz Natal!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA dezembro 3 livros + 2 Kits papelaria, 4 ganhadores, participem!

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  14. Oi Ana...
    Normalmente clássicos nos marcam de tal forma que nunca mais esquecemos de alguns detalhes da obra né? Ainda não tive a oportunidade de ler Anna Kariênina, e apesar de não concordar com adultério (em hipótese alguma), é uma obra que quero ler..
    Beijinhos...

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  15. Um livro grandioso, o melhor dos Tolstói que li. A cena do baile - Kitty no mercado do casamento - não me sai da lembrança. Impressionante como Tolstói enxerga perfeitamente a posição da mulher nesse trecho, apesar de pouco as compreender, na minha opinião.

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  16. Sou apaixonada por esse livro tem semente por ser tolstoi que é um grande autor esse livro além de complexo É bem interessante e é uma leitura imperdível

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  17. Oii Ana ;)
    Nossa, que edição maravilhosa de Anna Kariênina... não conhecia ela ainda, mas da gosto ler um livro lindo desse kkkk
    Concordo com você acerca do seu comentário sobre traição, mas infelizmente é só o que acontecia nessa época, devido aos casamentos que eram firmados não baseados no amor (quase todos né). Tenho muita vontade de ler o livro e ver o filme com a diva Keira Knightley, mas não tive a chance ainda!
    Bjos

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  18. Ja vi outros livros de Liev Tolstói, são interessantes, mas para mim são leituras bem complexas. Tenho vontade de ler, mas para o momento não daria. Preciso de muita atenção para ler e entender.

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