21 de dezembro de 2017

Resenha: O Problema do Para Sempre

Foto: Literatura Estrangeira
Mallory viveu muito tempo em silêncio. Mas o destino lhe reserva um novo desafio. E ela percebe que está na hora de encontrar a própria voz. Já na infância, Mallory Dodge percebeu que só poderia sobreviver se ficasse calada. Teve que aprender a ficar o mais quieta possível. Aprendeu a passar despercebida. A se esconder. Mas agora, após ter sido adotada por pais amorosos e dedicados, ela precisa enfrentar um novo desafio: sobreviver ao último ano do Ensino Médio numa escola de verdade. O que Mallory não imaginava é que logo no primeiro dia de aula daria de cara com um velho amigo que não via desde criança, quando viviam juntos no abrigo. E começa a notar que não é a única que guarda cicatrizes do passado, além de uma paixão adormecida e inevitável.

Título Original: The Problem With Forever
Autora: Jennifer L. Armentrout
Páginas: 392
Tradução: Rachel Agavino
Editora: Galera Record
Livro recebido em parceria com a editora

Gosto muito de ler livros que falam de superação. Quando li a sinopse de O Problema do Para Sempre, não tive dúvidas de que ia gostar da história, mesmo com o clichê da paixão que a personagem provavelmente sentiria pelo amigo de infância que não vê há muito tempo — algo que nos é entregado logo na sinopse. O que me interessou de verdade foi o trauma vivido por Mallory Dodge na sua infância, e como isso seria retratado na fase da vida que ela se encontra na trama. 

No início, tudo o que sabemos sobre Mallory é que ela teve uma infância terrível em um orfanato, onde ela e outras crianças eram abusadas pelo dono do estabelecimento. A protagonista sofreu longos anos até que aconteceu um "acidente" e os médicos que cuidaram dela acabaram se afeiçoando tanto a menina que a adotaram. Mallory teve muita sorte, mas quatro anos após o acontecido, ela não esqueceu nem por um minuto o seu melhor amigo Rider, que era o seu porto seguro, sua fonte de paz, e quem geralmente a salvava de acontecimentos muito ruins.

Depois de quatro anos de tratamentos intensivos, estudando em casa, Mallory decide que está na hora de frequentar uma escola como pessoas normais, pois quer mais que tudo entrar em uma faculdade. O que ela não esperava, obviamente, era encontrar Rider logo no primeiro dia de aula, depois de tanto tempo. Não é difícil de imaginar o desenrolar da história: os dois se reaproximam e um sentimento maior que amizade aparece entre eles — o que, até certo ponto, é normal, já que eles têm uma ligação muito forte.

O que me deixou incomodada com O Problema do Para Sempre não foi o clichê do reencontro e o romance em si. Provavelmente essa foi a parte que mais gostei, porque eu não engano ninguém falando que eu não gosto de clichê sendo que eu claramente adoro. O que me irritou foi que Rider queria porque queria fazer tudo por Mallory, como se ela não tivesse nem um pouco de capacidade de se defender ou fazer qualquer coisa sozinha. Até certo ponto pode ser entendível, visto que na infância tudo era muito confuso e ele protegia a menina de tudo de ruim que acontecia, mas começou a ficar uma coisa muito irritante mesmo. Não sei como autoras ainda não superaram essa coisa machista de todos os personagens masculinos que escrevem!

Um detalhe super importante sobre Mallory é que devido aos traumas, ela desenvolveu uma dificuldade gigantesca de se comunicar com as pessoas, e quando eu digo isso quero dizer que ela não conseguia dar um simples "oi" para uma pessoa que não fosse Rosa e Carl — seus pais adotivos —, Rider e sua melhor amiga. Gostei muito, muito mesmo de como a personagem foi abandonando esse medo aos poucos e ia se tornando um pouco mais sociável, se aproximando mais dos colegas de classe, dos amigos do Rider.

O Problema do Para Sempre é um jovem adulto e como todo livro do gênero, existem algumas partes um pouco mais quentes. A tensão sexual entre Mallory e Rider estava sempre marcada, mas não era o foco das cenas, o que me agradou bastante. A única coisa que me incomodou nesse ponto foi uma sensualização super forçada que Armentrout acrescentou à personagem, uma coisa que não tinha absolutamente nada a ver com ela. 

Uma última coisa que eu preciso falar e que me deixou muito pistola foi uma personagem feminina que aparece em certo ponto da narrativa, Paige. Meu Deus do céu, eu tinha vontade de esfregar a cara da menina no asfalto de tão insuportável e injusta. Parece muito aquelas vilãs de filme de Sessão da Tarde, tipo a Regina George de Meninas Malvadas, que fala coisas muito horríveis para as pessoas e acha que está tudo bem. Em relação aos outros personagens, gostei muito, principalmente de Hector e Jayden, os irmãos adotivos de Rider. Gostei tanto que realmente queria que eles tivessem uma presença maior no livro.

Apesar de alguns pontos negativos, eu realmente gostei de O Problema do Para Sempre. Foi um livro que li num espaço de tempo muito curto, após um período onde eu não estava conseguindo ler nada ou não gostava de nada que estava lendo. Gostei tanto que li o livro em praticamente o dia e realmente fiquei grata por conhecer essa história da Jennifer L. Armentrout. Acho que a única coisa que a gente tem que ter em mente é que não é legal e nunca vai ser um garoto achar que uma mulher não é capaz de fazer as coisas sem algum tipo de ajuda. 

17 comentários:

  1. Muito amor por esse livro!
    Gosto bastante dessa capa, transmite a delicadeza da história.
    A Mallory ela nos mostra ser muito indefesa, frágil... Vemos isso na maneira dela de falar, sentia a dor de pronunciar cada palavra.
    Acredito que Rider agia por instinto em tentar proteger; mas Mallory foi ganhando força, encontrando a voz e se posicionando. E legal que a Jeniffer não forçou isso, não fez com que a Mallory melhorasse num passe de mágica.
    Gostei de todos os personagens, foram muito bem construídos. Gostaria que tivesse mais alguns livros...
    Foi meu primeiro contato com a escrita da Jennifer e já quero mais.

    Beijos

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  2. Ah, parece uma história legal. Pela premissa e até pelo clichê eu gostei. Gosto mesmo, não acho aquele bom clichêzinho ruim porque quase sempre eles me encantam fácil. Isso de amor de infância é uma das minhas quedinhas e já gostei que tenha isso na história. A personagem parece que passou por maus bocados até encontrar uma família que cuidasse dela e depois de tanto tempo rever aquele amigo que sempre esteve ao lado dela nos momentos difíceis deve ser algo bonito. Ver esses dois se reaproximando e tendo algo a mais é legal.
    Tá, esse negócio do cara querer fazer tudo por ela desse jeito pode ser irritante mesmo, mas aí teria que ver se no contexto da história se isso é aceitável. Tem umas que não ligo muito porque de certa forma entendo o ponto do personagem, se irrita ou não aí só lendo pra ver. Não gosto de uns trens machistas também, às vezes dá birra ver autora escrevendo coisa assim. Mas às vezes não dá. Aí é coisa minha mesmo, sei lá.
    No geral gostei da história e leria o livro fácil.

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  3. Olá Ana! Quem não ama um bom clichê? Eu com certeza adoro. Gostei bastante da história, apesar dos pontos negativos que você mencionou, afinal machismo em pleno século XXI é inaceitável. Pelo que nos é mostrado na sinopse do livro e pela sua resenha não consigo imaginar Mallory sendo sensual. Já adicionei o livro à minha lista de leituras. Beijos

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  4. Eu sou apaixonada por um bom clichê, ainda mais quando envolve isso, do primeiro amor reencontrado depois de muito tempo, do despertar dos sentimentos. E ver tudo isso aliado ao lance de superação, fica melhor ainda.
    Não conhecia o livro,mas já quero ele nas minhas mãos.
    Pelo enredo acho que não cabia nada mais sensual não, sei lá, mas só lendo para realmente ter minha opinião.
    Beijo

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  5. Olá, além de tratar de temas recorrente como o abuso, a obra conta com uma caracterização bem feita, mostrando de forma graduada a evolução da personagem e como ela vai aos poucos superando sua introspecção. Realmente essa proteção excessiva que remete ao patriarcalismo parece incomodar um pouco, contudo a obra ainda se sobressai. Beijos.

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  6. Amo esse livro, é um dos meus favoritos! Li em um dia! A história da Mallory é muito bonita. Vale a pena ler!

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  7. Oi Ana.
    Eu adoro a escrita dessa autora, ele sempre aborda uns temas que eu acho bem relevante, eu entendo quando fala a questão da sexualização da personagem, nesse contexto não vejo mesmo onde isso pode se encaixar, mas no sentido geral, eu adorei a premissa e quero muito ler.
    Bjs.

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  8. Oi, Ana!!
    Que livro mais interessante, acho muito legal o tema superação quando vem nos livros. Acho que a Mallory sofreu muito e esse sofrimento acarretou muitos problemas de comunicação com as pessoas, mas pelo isto ela também teve muito sorte por encontrar pais tão maravilhosos!! Gostei da indicação!
    Bjoss

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  9. Ana!
    Essa questão do abuso psicológico e físico nas crianças é um caso sério mesmo.
    Fico feliz em ver que a autora soube abordar o tema de forma mais crível e mostrando que o amor de todas as formas, pode ajudar a melhorar os traumas que são deixados.
    Deve ser um livro doloroso, ao mesmo tempo, enriquecedor.
    Gostaria de ler.
    Bom final de semana e FELIZ NATAL!
    “Celebrar o Natal é crer na força do amor, é isto que transforma o homem e o mundo. Feliz Natal!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA dezembro 3 livros + 2 Kits papelaria, 4 ganhadores, participem!

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  10. Olá! Não sou muito fã de histórias de superação, como você é, então acho que por isso que o livro não me chamou muito a atenção. Também acho muito cansativo essa romantização do machismo, o clichê da mocinha indefesa e do mocinho que deve protegê-la. Queremos ver mulheres fortes nas histórias, não é mesmo?
    Beijos!

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  11. A primeira coisa que me chamou a atenção nesta obra, foi exatamente a questão de tratar de assuntos como traumas do passado, uma pena que a trama teve muitos ponto negativos, por causa da personalidade e atitudes de alguns personagens.Porém ainda sim vejo que o desenvolvimento da estória lhe cativou, e te prendeu, já que queria saber qual seria o desfecho da trama. Enfim, quero muito este livro, espero gostar, tanto quanto você.

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  12. Oi Ana...
    Gostei bastante da ideia do livro... o fato de Mallory ter dificuldade de se comunicar com as pessoas devido a traumas do passado, nos levam a refletir de que muito do que somos é um reflexo de algo que vivemos... Quero ler esse livro e conhecer de perto essa trama...
    Beijinhos...

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  13. Não tinha visto esse livro e nem conhecia. Fiquei bastante impactado com a historia, porque nela vemos que faz parte de uma historia real, se parar para pensar, isso passa na sociedade mesmo que não sabemos mas em algum momento no mundo alguém passa por isso. A historia realmente me deixou triste e com certeza que se eu leria, chorarias litros. Espero poder ter a oportunidade de ler ele.

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  14. Parece ser uma historia bonita e ao mesmo tempo sofrida abuso é um tema que me deixa agoniada e revoltada. Adoro romances que surgem desde a infância e com o tempo vai crescendo. Só não sei se vou gostar desse zelo todo que o garoto tem com a garota, talvez seja por causa de tudo que passaram.

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  15. Fico um pouco receosa em de água da autora até porque nem um livro desse gênero dela e eu fiquei totalmente deixa gostosa Em contrapartida eu adorei a série Lux dela fico um pouco receosa em começar a ler esse livro apesar de ter um interessado bastante e as críticas serem ótimas

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  16. Oii Ana ;)
    Consegui esse livro em uma troca recentemente, e estou bem animada para ler ele, pois eu AMO os livros da Jennifer. Confesso que achei a premissa bem similar a um livro que adoro, O Silêncio das Águas da Brittainy C Cherry, que eu amei, mas mesmo assim quero muito ler esse!
    Apesar da sua crítica à superproteção que o mocinho tem (também não gosto), espero que isso não atrapalhe minha leitura!
    Bjos

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  17. Também gosto de livros que falem de superações, sem ser chato ou cansativo. Esse livro eu curti bastante e achei bem interessante. So espero que não seja uma história muito triste que me deixe chorosa por muito tempo.

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