3 de março de 2018

Resenha: Bela Gratidão

Um romance sobre amadurecimento e a dureza de crescer em uma cultura que exige das mulheres nada menos que a perfeição. Corey Ann Haydu explora as complexidades da família, os limites do amor e quão duro é crescer em uma cultura que premia a beleza acima de qualquer outra coisa e cobra das mulheres nada menos que a perfeição. Uma leitura atual que dialoga direta e honestamente com a multiplicidade de questões enfrentadas por adolescentes e jovens no mundo todo – a confusão do primeiro amor, os dramas familiares e a construção da própria identidade no meio de toda essa loucura. O livro está cheio de personagens realistas, que tropeçam nos próprios medos e cometem erros com alguns dos quais é impossível não se identificar. Montana e sua irmã Arizona têm um pacto desde que a mãe as deixou: São elas duas contra todo o mundo. Com o pai sempre imerso em relacionamentos tóxicos e uma sucessão de madrastas essa foi a maneira que encontraram de seguir em frente. Mas agora que Arizona foi para a faculdade Montana se sente deixada pra trás e perdida, mergulhando em uma amizade vertiginosa e empolgante com a ousada Karissa. No meio disso tudo, Montana encontra uma distração em Bernardo. Resta saber se Montana têm a confiança necessária no que sentem um pelo outro para encaixar Bernardo na sua vida imperfeita.
Título Original: Making Pretty
Autor: Corey Ann Haydu
Páginas: 432
Tradução: Natalie Gerhardt
Editora: Galera
Livro recebido em parceria com a editora

Bela Gratidão é um conjunto de relatos de uma jovem que deseja apenas durabilidade e pertencimento, e é justamente a simplicidade que torna a realização mais difícil. Montana está prestes a ingressar na universidade, mas está vivendo sob a sombra do famoso pai cirurgião, da irmã que rendeu-se às intervenções estéticas e da mãe que há muito não mantém contato. Mas as últimas férias trouxeram amor e muita instabilidade para a vida dessa loira. O que será que estará escrito em seu diário no final deste verão?

O contexto em que o Diário da Gratidão vira uma rotina de Montana é de total turbulência. A colocação de três motivos para ser grata todos os dias, torna Montana mais afogada em questões pessoais que sempre têm um lado bom, mesmo que machuquem. Os personagens principais deste Diário são aqueles mais próximos, mas ninguém melhor que a protagonista para reafirmar que o amor é uma faca de dois gumes. E é a partir dessa premissa, que o mundo da jovem confusa entra em xeque e grandes decisões precisam ser tomadas. Ainda é tempo de ser grata, mas a firmeza é determinante.

O início da trama acontece em uma festa escura com menores de idade embriagados, no alternativo Dirty Versailles. Ao lado de sua nova amiga do teatro, Montana se vê inserida em uma realidade que lhe fora renegada nos últimos meses, com o afastamento a irmã Arizona. A novidade é Karissa. 23 anos, universitária, excelente atriz e a melhor companhia já encontrada. A capacidade de ambas sentirem-se como pertencentes de um universo particular, contagia não só a narradora, mas também ao leitor. A cada passagem, a diferença entre elas torna-se evidente, pois Montana é uma noob de 17 anos, ansiosa por mudanças, mas usufruindo cada segundo da zona de conforto. 

Entretanto, nem só de Karissa vive Montana. Arizona retorna à cidade para as férias e os choque começam. Quando a mais velha aceita do pai o contrato para um implante de silicone, o único fio que ainda concretizava a irmandade rompe-se, o que gera uma série de problemáticas no livro. Confesso que neste momento, compreendi cada passagem. Acho que quem tem irmãos entenderá cada uma das angústias de Montana, e isso é uma temática que foge do romance óbvio e me agradou bastante. 

Claro que temos, sim, o romance. Bernardo, o estranho garoto do outro lado do parque que em poucos dias pinta o cabelo de rosa por Montana e a leva para conhecer seus pais. Trago este breve resumo, pois esta parte do livro não foi a melhor desenvolvida. Falta um pouco do gancho que prende o jovem adulto que lê a narrativa. Faltam também a verossimilhança e a ligação mais realista com o dia a dia. Eu, como uma fã confessa dos livros do gênero Young Adult, me vi desapontada com este quesito. Não é de todo ruim, Bernardo ainda é cativante ao seu modo, mas a tentativa de torná-lo comum foi justamente o que tornou um personagem qualquer. 

É justamente Bernardo que ajuda Montana a aguentar as cenas fortes que a família Varrens viverá ao lado de Karissa. Logo perto da centésima página, uma reviravolta acontece. O desgaste no ambiente familiar, os flashbacks com as inúmeras madrastas e o sumiço da mãe são narrados de uma forma única, porém um tanto confusa. 

A tentativa de Coryen de abordar várias temáticas em um livro só, tornou sua escrita um pouco distante para manter o leitor presente. ‎Primeira pessoa, expressões repetidas, flashbacks desconexos e  personagens contradizentes foram desgastando a leitura até torná-la entediante em certo ponto. Isso não fez com que eu o abandonasse, mas sim que pausasse a leitura. Ao invés de ser aquela leitura divertida, passa a ser um livro que precisa ser digerido aos poucos. 

Não conheço outras obras da autora, mas Bela Gratidão certamente me fará ler algum outro livro sob esta assinatura. Apesar dos deslizes, a criatividade da autora na ‎ambientação em New York  andando pelos parques nos dias mais quentes do verão, as calçadas, as house parties, o estilo de vida e acima de tudo a alta probabilidade de qualquer coisa incrível acontecer nas férias ensolaradas torna o passar de páginas lentos, mas ainda prazeroso. 

16 comentários:

  1. Admito que não conhecia o livro, exceto por ver o título em algum lugar literário. Mas nunca havia parado de fato para ler alguma resenha. E para mim, pareceu um enredo bem confuso.
    Não sei se estou certa.
    Mas acredito que tudo que envolva família e questões de descobrimento, acabam por se tornar cansativas e até repetitivas.
    Se tiver oportunidade, quero ler.
    Beijo

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  2. O fato da leitura ser meio monótona é bem complicado, costumo ler antes de dormir ou seja com certeza cairia no sono, mas eu gostei da história, meio diferente do que estamos acostumados a ler sobre nova Iorque pois sempre lemos muito glamour romance mas drama é mais difícil, problemas reais. Espero ter oportunidade de ler.

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  3. Essa capa é de uma simplicidade tão grande que encanta; mas não consegui me encantar com esse enredo.
    Gosto de drama e YA, mas me parece que falta algo para deixar mais envolvente.
    Acho legal essa ideia de sempre encontrar motivos para agradecer, mesmo que seja algo pequeno.

    Beijos

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  4. A capa é uma graça, a leitura mostra como é os jovens com seus conflitos, inseguranças e problemas familiares. Confesso que achei um pouco confuso também, talvez por ela ter abordado muitos assuntos, e não sei se leria.

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  5. Myla!
    O que acho uma das coisas mais legais daqui é que vejo resenha de livros que nem ouvi falar em lugar nenhum.
    Gosto quando o livro traz a temática familiar, mesmo que aqui seja uma família bem desestruturada.
    A pobre da Montana tem que lidar com sentimentos profundos de rejeição e ainda uma série de outros sentimentos que devem torná-la uma pessoa um tanto triste...
    Fiquei bem curiosa para ler, mesmo dizendo que tem alguns trechos arrastados.
    Desejo um mês mais que abençoado, carregadinho de luz e paz e um final de semana esplendoroso!
    “Acredite, existem pessoas que não procuram beleza, mas sim coração.” (Cazuza)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA MARÇO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  6. Oi, Myla.

    Acho que com o abandono da mãe e com o entra e sai de mulheres na vida do pai, a Montana deve ter se acostumado com a perda e mudança brusca frequente. Mas, é preciso lidar bem com ela, com o desapego.

    E é um livro que nos faz refletir sobre a perfeição e sua busca e a não satisfação excessiva no próximo.

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  7. Olá Myla!
    Li poucas resenhas sobre esse livro, mas tenho mto interesse em conhecer a escrita do autor e o enredo que parece mto bacana, a capa está linda, espero mto conseguir ler em breve.

    bjs!

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  8. Achei interessante pelo livro destacar isso da perfeição na mulher e como fazem coisas às vezes mais do que o limite pra sempre estar se melhorando. A pressão disso, sabe? Isso me chamou atenção na trama. E uma filha de cirurgião e a visão dela dessas coisas. Os conflitos da família, a curiosidade pra entender todo esse contexto e os sentimentos da garota foram coisas que me deixaram com vontade de ler. Mas acho que seria uma leitura mais leve, não tem cara de ser daqueles livros espetaculares. Mesmo assim acho que iria gostar bastante de ler depois de uma ressaca ou coisa assim. Ele parece fazer a gente pensar numas coisas boas, umas questões importantes.

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  9. Oi Myla,
    Dramas familiares, geralmente, rendem bons enredos, pois são muitas vertentes a serem exploradas e, a partir delas, o autor (a) consegue criar histórias cativantes e envolventes. Montana é o reflexo da falta de um responsável em sua vida. Com o abandono da mãe, um pai ausente e irmã seguindo sua vida, a personagem ficou sem rumo e sem orientação sobre sus escolhas na vida. Sua vulnerabilidade deu total acesso à amizades mal intencionadas e ações desregradas, com pouca ou nenhuma consequência. Sem ter lido o livro consigo entender a intenção da Corey Ann Haydu, pois ela mostra uma realidade que muitos querem ignorar. Acho que a autora só pecou em não ter sido mais focada em um elemento e fazer deste o ponto central da trama. Certamente o livro seria melhor absorvido pelos leitores e a leitura mais prazerosa.

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  10. Oi Mila
    Dá para perceber que a leitura não é tão leve como imaginamos vendo a história que Montana e sua irmã passam com o pai, mas é mto bom acompanhar o amadurecimento desse relacionamento da família, melhor ainda sabendo que o livro traz tantas mensagens positivas..
    Beijos

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  11. Oi Myla!
    Nunca tinha ouvido falar do livro, por isso só vendo a imagem achei por certo momento que era aqueles livros leves pra ser ler em uma ressaca literária mas me surpreendi por tratar de tantos temas e não só apenas o romance. Esse é um lado positivo do livro, gosto de uma abordagem diversificada, e algo a mais do que o romance como a situação dela com a irmã. No entanto achei uma pena a escrita ficar um pouco distante porque eu acabo me desestimulando e até parando de ler, por isso fico em dúvida se algum dia lerei mas eu sempre adoro as dicas pra poder entender melhor sobre o livro, ainda mais algum desconhecido.
    Bjs

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  12. Oi, Myla!
    Gostei bastante da capa do livro, pois mesmo numa capa simples o livro chama atenção. Mas para falar bem a verdade não fiquei tão interessada em fazer essa leitura. No momento estou querendo ler outros gêneros literários.
    Bjos

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  13. Este comentário foi removido pelo autor.

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  14. Gosto de ler livros de drama que abordam a questão dos relacionamentos em família que convenhamos são sempre complicados eu ouvi falar e muito bem a respeito da escrita dessa autora e apesar de No momento está lendo o livro belas adormecidas Stephen King assim que terminar eu vou procurar saber mais sobre esse livro para começar a ler

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  15. Oi!
    Ainda não conhecia esse livro, achei o conceito da historia bem interessante, principalmente os temas que ele consegue aborda com cada uma das meninas, esse parece ser aquele tipo de livro que sempre nos faz pensar em nossas escolhas e no que estamos fazendo ao longo da leitura, ele consegue me chamar atenção e fiquei interessada em conhecer essa historia !!

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  16. Oi Myla.
    Essa é a primeira vez que vejo falar do livro e confesso que ele não me chamou muito a atenção não, eu não sei bem o que pensar a respeito dessa obra, como você comentou na resenha o livro passa essa ideia de que deve ser digerido aos poucos, o que eu particularmente não gosto muito, pois, prefiro leituras mais rápidas, enfim, não sei se leria.
    Bjs.

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