29 de março de 2018

Resenha: Uma Sombra Ardente e Brilhante

O primeiro livro da série de Jéssica Cluess, perfeito para surpreender fãs de fantasias já bem habituados com magia, profecias e triângulos amorosos
Henrietta Howel tem o poder de explodir em chamas. Quando é obrigada a expor suas habilidades ela tem certeza de que será executada. Apenas os feiticeiros podem usar magia, e nenhum deles é mulher. Ela se surpreende quando não só é poupada da guilhotina, mas também nomeada a primeira feiticeira em séculos. Ela é a garota profetizada, aquela que derrotará os Ancestrais – seres sanguinários que aterrorizam a humanidade. Henrietta então passa a treinar dia e noite com um grupo de feiticeiros ansiosos para testar as habilidades – e o coração – da garota da profecia. Mas será que Henrietta é mesmo a garota da profecia?

Título Original: A Shadow Bright and Burning
Autora: Jessica Cluess
Páginas: 336
Tradução: Carla Bitelli
Editora: Galera Record
Livro recebido em parceria com a editora

Foi praticamente impossível não me interessar por um enredo onde uma mulher se sobressai em uma sociedade arcaica e extremamente machista. Em Uma Sombra Ardente e Brilhante, conhecemos a personagem Henrietta Howel, a primeira feiticeira em séculos. Mais do que isso, Nettie é a garota profetizada, que nasceu para salvar o mundo dos Ancestrais: "uma menina de origem feiticeira se levanta das cinzas de uma vida, vós deveis vislumbrá-la quando a Sombra queimar na Neblina de uma cidade reluzente". Apesar de possuir algumas ressalvas, me surpreendi bastante com a primeira obra de Jessica Cluess.

A trama, que se passa na Inglaterra, gira em torno da destruição dos Sete Ancestrais — "demônios" que foram invocados por um mago há milhares de anos —, que estão destruindo a humanidade e precisam ser detidos a todo custo. É aí que entra Henrietta, feiticeira, mulher e negra, que apesar de ser capaz de criar e controlar o fogo, possui uma grande dificuldade de ser aceita e respeitada pelos outros feiticeiros, que são todos homens. Apesar de a história acontecer em um século extremamente distante do nosso, Cluess conseguiu desenvolver bem o tema "machismo".

Por exemplo, apesar de ser a única feiticeira mulher do mundo e de demonstrar ser extremamente poderosa — mesmo tendo sido treinada por um tempo infinitas vezes mais curto do que os seus colegas feiticeiros —, Nettie tem que fazer no mínimo o dobro de esforço que Blackwood ou qualquer outro dos meninos para receber a mesma "dose" de respeito. Obviamente isso me deixava irritada o tempo todo, pois é muito difícil para mim aceitar uma coisa dessas, independente do século ou qualquer coisa que seja. 

Ainda nesse aspecto, me incomodei bastante com o comportamento e falas de alguns personagens do livro. Lá pela página 200, por exemplo, há um acontecimento e um dos personagens diz isso como argumento: "O problema é que os feiticeiros ingleses não estudam a bíblia. Primeira Carta de Paulo a Timóteo: 'A mulher ouça a instrução em silêncio, com espírito de submissão. Não permito à mulher que ensine nem que se arrogue autoridade sobre o homem' [...] Ela não é uma de nós". Nem preciso dizer minha cara quando eu li isso, né? Mas acredito que o propósito da autora foi realmente causar esse desconforto, até porque estamos no século 21 e ainda ouvimos discursos como esses.

Eu realmente adorei esse protagonismo feminino e achei que ele foi muito bem inserido na trama. Todos os personagens são essenciais — até aquele vilão chato que a gente torce o nariz — e bem apresentados, mesmo tendo alguns com a personalidade bem boba. A escrita de Jessica Cluess é daquelas que começa lenta, tímida, mas vai conquistando com o passar das páginas, na medida que a história se desenvolve. Tendo em vista esse volume, acredito que a autora seja muito inteligente, do tipo que vai entregando as informações aos poucos, para nós mesmos especularmos algumas coisas.

O que me desagradou realmente foi a inserção de um triângulo amoroso, apesar de não ser o ponto central do livro. Não há nada de novo nesse tipo de romance, mas o pior de tudo é que, na minha opinião, não havia tanto espaço assim na história para relacionamentos amorosos logo nesse primeiro volume. Resumindo, foi desnecessário sim, Deus me defenderay. Nesse sentido, posso dizer que Henrietta consegue ser bastante ingênua. Outro ponto negativo são algumas cenas e diálogos infantis envolvendo esses mesmos personagens, inclusive a protagonista. Na minha cabeça não faz sentido algum Nettie se mostrar uma pessoa cheia de confiança que se impõe e, na página seguinte, agir uma como uma criança de seis anos de idade.

De um modo geral, Uma Sombra Ardente e Brilhante foi uma leitura bastante satisfatória. Algumas pontas ficaram soltas, mas segundo as informações da internet, é uma trilogia, então ainda tem muito material para ser explorado. O que eu espero, sinceramente, é que Jessica Cluess foque um pouco mais na Era Vitoriana, na história dos Ancestrais, dos feiticeiros, magos e bruxos, porque é justamente isso o que chama atenção para essa história. É um primeiro volume muito promissor, mas a história em si pode ser melhor desenvolvida no restante da trilogia.

15 comentários:

  1. Oi, Ana.

    Bom, apesar da Henrietta não ser condenada por ser uma feiticeira, ao seu segredo ser revelado, acredito que ela passou por momentos no qual a mesma lutou e se esforçou para mostrar a sua capacidade, para ser aceita e para receber o devido respeito, em meio ao machismo.

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  2. Não conhecia o livro,mas achei super interessante a premissa.
    Fazia tempo que não lia ou via algo com feiticeiras desta forma, tipo, sendo mulher e indo contra tudo que era imposto naquela época, já tão controladora.
    E mesmo com estas pontas soltas, fiquei muito interessada em ler o livro e conhecer mais sobre a trilogia.
    A capa é maravilhosa!!!Amo capas assim.
    Beijo

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  3. Não tinha ouvido falar desse livro, mas após sua resenha, estou muito ansiosa pra poder lê-lo . Existem poucas protagonistas negras na literatura , e ver isso em uma fantasia, gênero de que gosto tanto, me deixou bem feliz.

    Beijão

    letologia.blogspot.com.br

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  4. Oi Ana!
    Nunca tinha lido resenha do livro, gostei bastante do tema e pelo visto é uma excelente leitura para os fãs do gênero, e como curto mto vou add aos desejados, adorei essa capa tbm.
    bjs!

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  5. Essa capa é muito linda. Não sei se é em capa dura, mas seria incrível se fosse.
    Em relação a história não fico interessada, não é um estilo que me chama atenção.
    Esse machismo é sempre chato de ler, mas acredito que sempre tem um motivo. É pra incomodar, cutucar e nos fazer pensar.

    Beijos

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  6. Não sabia que tinha isso de machismo na história e olha, odeio injustiça. Já amei o livro xD
    Mas sério, é interessante você poder ver uma personagem forte assim tendo que se sobressair pelo pensamento machista dos outros. Mesmo sendo forte do jeito que é ela não ter o mesmo tipo de respeito é triste. Faz a gente simpatizar e esperar que ela mostre o que merece sabe? E a trama é interessante. Esse mundo do jeito que ficou, toda magia e o que dá pra explorar com isso é bem legal. Queria ler.

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  7. Oi Ana,
    Sou fã de fantasia, mas não foi isso que chamou minha atenção em Uma Sombra Ardente e Brilhante, pois analisando a sinopse, todos os elementos clássicos de livros do gênero estão presente, mas o que faz este se destacar é a representatividade e os problemas sociais que a protagonista terá que enfrentar, como o machismo e sexismo. Henrietta sofrerá uma cobrança muito grande da sociedade para provar sua importância nesse cenário, o que já vai ser um peso enorme para ela, mas sinto que haverá muita cobrança de si mesma também (pois percebe-se sua característica forte e determinada) e a pressão de toda essa situação pode cobrar seu preço. É uma boa mistura de elementos ficcionais e reais, que funcionam muito bem para o que a autora propõe, há muito ainda a ser explorado e, como não gosto de triângulo amoroso, concordo com você e acho desnecessário para esta história. Fiquei interessada na leitura, sim, mas não para realiza-lá imediatamente.

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  8. ANA!
    Adoro livros de fantasias, ainda mais quando trazem profecias e bruxaria com todas suas vertentes. Não tinha visto ainda esse livro em lugar nenhum e fiquei totalmente encantada com toda trama. Vou procurar para ler.
    Não gosto também de triângulos amorosos, mas em alguns contextos, até dá apra ler.
    “Não cruze os braços diante de uma dificuldade, pois o maior homem do mundo morreu de braços abertos!” (Desconhecido)
    BOA PÁSCOA!
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA MARÇO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  9. Oi Ana!

    Gostei da história, eu não leio tanta fantasia mas esse é o tipo que eu gosto e adorei a indicação, já vou colocar na lista dos desejados.
    Poxa que pena que o triângulo amoroso não foi um dos melhores. Em geral eu nem curto muito triângulos amorosos então imagino que esse não será um dos que eu vou me encantar.
    Adorei a capa e pretendo saber mais sobre o resto da trilogia.
    Bjs

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  10. Oi, Ana!!
    Gosto bastante de um bom livro de fantasia e essa é a primeira resenha que leio sobre esse livro, achei a história interessante mesmo não curtindo muito triângulos amorosos.
    Bjss

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  11. Eu tive essa mesma impressão que você eu achei que a história não conseguiu ser finalizada e ficou muitos pontos em aberto eu confesso que eu comecei a ler esse livro sem saber que é uma trilogia porque senão eu teria desistido ultimamente só tô lendo livro de sonhos porque eu não aguento ficar nessa espera de sair ou não a continuação

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  12. Oi!
    Essa capa esta maravilhosa, gostei bastante de temos um livro com representação feminina tão grande, gostei bastante de toda a trama como a autora trás um tema tão presente no dia a dia para um livro de fantasia, foi só uma pena esse triangula amorosa, ultimamente quando vejo triângulos amorosos em livros já da uma desanimação, porque me decepcionei com muitos !!

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  13. A capa desse livro é muito linda, lembra um pouco os livros antigos.
    A história me desagradou um pouco pelo fato de ter um triangulo amoroso, mas já que não é o foco central da história não é tão ruim.
    Pena que é uma trilogia, preciso esperar os próximos lançarem para ler tudo junto.

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  14. Que capa bonita, gosto de historias com feiticeiros e bruxos, gostei por ter uma mulher no meio dos homens ainda mais por ser poderosa, mesmo ela não sendo aceita por eles, mostra a luta dela para conseguir seu lugar, é uma pena esse triângulo amoroso isso pra mim estraga a trama, não tenho a menor paciência com eles, nem sei porque existem rs.

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  15. Oi Ana.
    Eu estava bem ansiosa para ler esse livro, agora porém já não seu se lerei.
    Como já comentei diversas vezes por aqui, triângulos amorosos não fazem muito meu forte e o fato de que a personagem se mostra um tanto que infantil me incomodarei bastante, acho esperarei o lançamento do próximo e quem sabe não tenha coragem em embarcar nessa leitura.
    Bjs.

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