14 de abril de 2018

Resenha: Uma Irmã

Ao ter suas férias pacatas transformadas por Hélène, o jovem Antoine passa a viver os dias mais intensos de sua vida, repletos de emoção e receios. De forma sutil, ainda que forte, ele vai descobrindo um universo feminino tão gracioso quanto perturbador. E o que poderia ser apenas mais uma história de verão, se transforma, pelas mãos de Vivés, em uma narrativa apaixonante. Um conto delicado e sensual sobre o despertar de um adolescente que provoca um turbilhão de sentimentos.

Título Original: Une Souer
Autor: Bastien Vivès
Páginas: 216
Tradução: Fernando Scheibe
Editora: Nemo
Livro recebido em parceria com a editora

Apesar de não aparecerem muitas resenhas do gênero por aqui — principalmente pela minha dificuldade em falar sobre coisas mais gráficas —, mas eu sempre gostei muito de ler histórias em quadrinhos. Uma Irmã deixa uma sensação de nostalgia na gente, porque acaba mostrando varias atitudes que muitos de nós fazíamos quando éramos adolescentes. Apesar das lembranças e o meu envolvimento com o enredo, algumas coisas me incomodaram um pouco e vocês entenderão o porquê.

Aqui, conhecemos Antoine, um garoto de 13 anos e seu irmão mais novo, Titi. Os dois estão de férias e, como já é tradição, irão passar o verão na casa de praia da família no litoral francês, junto com os pais. Essa estadia tinha tudo para ser monótona como todas as outras, não fosse a presença de Hélène, uma adolescente de 16 anos que muda não só o verão, mas, de certa forma, a vida do nosso protagonista.

Logo no início, uma coisa que chamou minha atenção e me deixou muito intrigada, foi o fato de Bastien Vivès quase nunca desenhar os olhos dos personagens. Ainda não consegui entender muito bem o que o autor quis nos passar com isso, talvez alguma memória específica, não sei ao certo. Passado esse desconforto inicial, consegui me conectar mais com a história e com o cotidiano de Antoine, Titi e Hélène.


Uma Irmã é uma HQ sobre descobertas, disso eu não tenho dúvida. Aqui, os personagens conhecem novas pessoas, experimentam bebidas, cigarros e, principalmente, descobrem a sexualidade. Tanto que o quadrinho, os traços, as cores, tudo é muito sensual. O que me incomodou de fato não foi a sensualidade, mas foi o fato de Antoine ainda ser tão novo. Eu tenho plena consciência que as crianças de 13 anos são mais "maduras" do que nós éramos com essa mesma idade, mas sob o meu ponto de vista, é isso o que elas são, crianças. 

Bom, suponho que esse lado sexual de Antoine com Hélène me deixou desconfortável porque inevitavelmente eu me comparei com eles, com as coisas que eu fazia quando tinha a idade deles e, acreditem, eu era uma criançona ingênua, que brincava de lutinha com meus amigos, que voltava pra casa correndo depois da escola para assistir desenhos na TV. As cenas entre os personagens não são coisas muito fortes para nós, adultos, mas definitivamente não é um quadrinho indicado para crianças.

Antoine e Hélène vivem aquele famoso amor de verão, que é passageiro, mas irremediavelmente fica na memória. Não há nenhuma reviravolta mirabolante que nos deixa de coração apertado e nervosos, só aquela calmaria e uma delicadeza gigante. Talvez o final surpreenda algumas pessoas, assim como aconteceu comigo. Para mim, fica clara a mensagem de Vivès: para toda ação sempre há uma reação de mesma intensidade.

18 comentários:

  1. Oi Ana,
    Eu, certamente, aos 13 anos agia conforme a idade, pois ainda participava de brincadeiras e n sabia qual era o gosto de uma bebida alcoólica. Uma Irmã pode incomodar um pouco a leitura, pois trás um retrato um pouco mais próximo da realidade de muitos pré-adolescentes, que é o amadurecimento precoce. Eu também vejo isso, como um certo incentivo as crianças mais influenciáveis, pois é o tipo de história (e meio) que atrai um público mais jovem e que está curioso a cerca de diversas coisas. Até fiquei curiosa com a HQ, principalmente para conseguir entender melhor o que o autor quis passar com essa história.

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  2. Eu não tenho hábito de ler HQ,s.
    É uma história um tanto interessante, mas não consigo imaginar um menino de 13 anos descobrindo esse lado sexual. Por mais que eu saiba que muitos começam cedo, ainda me apego a essa inocência de criança.


    Beijos

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  3. Já conhecia essa HQ e uma das coisas que mais me chamou a atenção foi as lindas ilustrações com traços delicados e tons pasteis.
    A premissa é interessante apesar de em certos momentos provar choque devido ao comportamento das protagonistas.

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  4. Olá Ana.
    Também me surpreendi a idade do protagonista, se olharmos o que estamos vivendo hoje pode até ser que isso seja uma realidade, afinal 13 anos é mesmo adolescência, mas, como você, eu não consigo enxergar bem isso... Fora esse pequeno ponto a história traz lembranças de uma época que para mim foi muito divertida, e espero ter a oportunidade de ler.
    Ah, que estranho os personagens serem desenhados sem os olhos..
    Beijos

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  5. Oi, Ana.

    Bom, com certeza para o Antoine, as férias para ele aconteceu de forma imaginável, mas que trouxe algo fundamental para a sua fase de vida, que é a exploração e descoberta sexual... Algo bastante típico, mas que em certos adolescentes isso já não é algo tão inocente.

    Afinal, hoje em dia, adolescentes com essa idade, já têm conhecimento sobre muitas coisas, e inclusive, já namoram.

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  6. O livro trata de descobertas pelo visto. Os adolescentes hoje em dia querem virar adultos muito cedo, querendo experimentar e conhecer várias coisas ao mesmo tempo. Isso é ruim, pois mais para frente, irão entender o quanto é difícil ser adulto, ser uma pessoa responsável.

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  7. Mesmo sendo um universo que eu não tenha tanto conhecimento, adoro ver uma boa Hq resenhada!
    E pelo que li e vi acima, esta é muito bem feita e claro, traz todo esse ar nostálgico a quem a ler.
    Antigamente, as crianças eram mais inocentes do que hoje em dia. Mas ao mesmo tempo, arrumavam seus jeitos de descobrir tudo e a todos.rs
    Se tiver oportunidade, quero muito poder conferir este trabalho!
    Beijo

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  8. Já tinha visto ele e achei bem interessante esse quadrinho pelas coisas como descobertas da juventude, as novas experiencias e esses negócios. Talvez pra gente fique até estranho se comparar, também era uma inocente nessa idade e só imagino como é ver as coisas assim e não achar diferente. Mas é interessante. E isso dos olhos dos personagens também achei louco, mas pode ser legal ao ler pela forma como deixa pra gente interpretar. Gostei dele.

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  9. Ana!
    Gosto também de HQs e cada vez mais estão no mercdo.
    Esquisito mesmo esse lance dos protagonistaas não terem olhos.
    O bom é que o enredo mostra a realidade adolescente, carregada de novas descobertas, muitas não tão boas, mas enfim, mostra a fase conturbada.
    Bom domingo!
    “Violência gera violência, os fracos julgam e condenam, porém os fortes perdoam e compreendem.” (Augusto Cury)
    cheirinhos
    Rudy
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    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  10. Olá Ana!
    Segunda resenha que leio sobre o livro e que me deixou ainda mais interessada em conhecer o livro, a ilustração está linda msm sendo preto e branco, me chamou atenção, espero conseguir ler em breve.
    Vai para os desejados!
    Bjs!

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  11. Oi Ana.
    Eu ainda não li essa Graphic Novel, mas acho que me incomodaria bastante com essa parte mais sexual da história. Com 13 anos eu gostava de brincar com meus amigos e irmãos, ver tv e jogar videogame.
    Eu li uma resenha no blog gettub em que ele explica porque os personagens são desenhados ora sem olhos e oras com. "quando ele (o autor) quer destacar uma reação, ou uma fala, ou uma ação de algum personagem, ele o desenha com olhos, enquanto deixa os demais sem olhos. Isso faz com que o leitor foque sua atenção imediatamente naquele personagem que tem os olhos desenhados, manipulando o interesse do leitor naquilo que o autor quer mais destaque."
    Achei uma boa explicação e fez sentido depois de ver algumas imagens da GN.
    Beijos

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  12. Oi Ana
    Acho que esse Graphic Novel realmente se trata de descobertas. Como é descobrir a paixão mas também confesso que acho os personagens muito novos. Realmente a história dos olhos me deixou intrigada. Acho que é um livro com conotação um pouco mais sexual e com certeza deve ser indicado mais pra adultos.
    Bjs

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  13. Não sei se é uma questão de maturidade ou de prematuridade. Já li um quadrinho da Nemo e fiquei simplesmente encantada (Não Era Você que Eu Esperava, caso você não conheça acredito que vale a pena procurar). Preciso dizer que esse não chamou muito minha atenção, acredito que algumas pessoas vão se identificar em vários momentos com os personagens e talvez até eu mesma me identificasse, só que não consegui enxergar um super diferencial na história. Não me senti instigada a ler. E realmente é um livro para adultos ou para jovens que estão passando por essas descobertas, para crianças não é não.

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  14. Oi!
    Geralmente esse não é um gênero que leio muito, gosto bastante dele, mas não é um gênero que dou muito prioridade, o que espero mudar, pois esse ano fiz uma proposta de ler coisas diferentes do que geralmente leio, esse não foi um livro que me chamou atenção, mas fiquei intrigada pelo fato do autor não desenhar os olhos dos personagens !!

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  15. Também achei o personagem muito novo para esses acontecimentos, na minha época era tão diferente, embora as coisas estão muito evoluídas hoje em dia ainda assim acho muito cedo para ele essas descobertas. Também achei estranho eles não terem olhos, fica faltando algo.

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  16. Oi, Ana!!
    Gosto bastante de quadrinhos mas não leio tanto quanto gostaria. Também achei estranho não colocar olhos nos personagens, e também achei que o personagem é muito novo para tais descobertas.
    Bjoss

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  17. Hoje em dia, as coisas acontecem muito rapidamente, e, apesar de adorarem dizer que "fulano é maduro pra idade", penso como você, são crianças. Lendo a resenha, me senti ingênua tbm em minha infância, até idiota eu diria pq não fiz tantas coisas com Antoine nessa fase das descobertas da adolescência.
    Já li muitas HQs, mas atualmente tenho dificuldades com estilo.

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  18. Infelizmente as coisas tem acontecido rapidamente, as vezes fico me questionando com era na minha infância. E a literatura também tem retratado esse avanço. Particulamente não vejo com bons olhos.

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