29 de agosto de 2018

Resenha: O Clube dos Oito

Como um grupo de jovens estudantes bem-educados acabou se envolvendo num escândalo que chocou um país? Por que tantos especialistas em comportamento juvenil têm algo a dizer quando o assunto é o Clube dos Oito? Até quando inúmeras manchetes de jornal e programas de TV sensacionalistas vão explorar o caso nos mínimos detalhes? Para fazer com que a verdade venha à tona, Flannery Culp, a dita líder do Clube, decide tornar público o diário que manteve ao longo do seu desastroso último ano de ensino médio. Agora que está presa por cometer um assassinato, a garota tem tempo de editar o que escreveu e revisitar a rotina que levava ao lado de seus sete melhores amigos. A narrativa de Flan, permeada de professores da pior índole, um amor não correspondido, aulas complicadas e jantares pomposos, comprova que ela pode até ser uma adolescente criminosa — mas, pelo menos, é uma adolescente criminosa muito inteligente.

Título Original: The Basic Eight
Autor: Daniel Handler
Páginas: 400
Tradução: Fabricio Waltrick
Editora: Seguinte
Livro recebido em parceria com a editora

Minha primeira experiência com Daniel Handler foi com Por Isso a Gente Acabou, diferente da maioria das pessoas que conhecem o autor como Lemony Snicket, o criador de Desventuras em Série. O fato é que eu gostei muito do primeiro livro citado, então fiquei muito curiosa com O Clube dos Oito, principalmente depois de ler a sinopse, mas não consegui me conectar nem um pouco com os personagens, muito menos com a história.

Flannery Culp e seus amigos, que jutos formam o Clube dos Oito, estão no último ano do ensino médio e só querem saber de curtição, desde jantares com muitas drogas à festa com muitas bebidas e sexo, num meio onde pais não parecem existir ou simplesmente não estão nem aí para os filhos. Durante uma dessas festas malucas, Flan acaba cometendo um assassinato. Mas acalmem-se, isso não é um spoiler. Desde as primeiras páginas do livro já sabemos que a protagonista matou alguém, e o enrendo gira em torno de como ela fez isso e o mais importante, o que a motivou.

Assim, para que todo mundo saiba direitinho o que realmente aconteceu, Flan resolve publicar o diário que escreveu no decorrer do seu último ano na escola. Sendo assim, a narrativa assume a forma de diário, o que deveria tornar a história mais intimista, mas não é o que acontece. Primeiro porque a protagonista não tem um pingo de carisma — e pensem comigo, pior que odiar um protagonista, é não sentir nada por ele —, e segundo porque não acontece nada. Gente, simplesmente não acontece nada nesse livro.

Até a página 200, que é a metade do livro, só tinha lido esse blablabla de festas, drogas e bebidas, os jantares incrivelmente chatos que o Clube dos Oito oferecia, Flannery matando aula, Flannery correndo atrás de um cara SUPER BABACA que não queria nada com ela, mais jantares chatos e festas sem noção. Eu me perguntava de verdade onde que os pais desses adolescentes estavam, MEU DEUS, porque não tem condição praticamente QUEBRAREM, SUJAREM, VOMITAREM uma casa inteira e os pais não falarem nada. Sem contar que as notas iam de mal a pior, e todo mundo sabe que fazer um bom colegial é essencial pra conseguir uma bolsa em uma faculdade descente.

Agora chegou a famosa hora dos spoilers, porque para dizer um dos motivos de eu não ter gostado do livro, preciso falar sobre alguns assuntos. Em um certo ponto da história, o professor de Biologia da Flan assedia a assistente dele, e ela vê e não faz nada. Um pouco mais pra frente, esse mesmo professor ESTUPRA a protagonista e novamente ela não fala nada. Eu sei que a gente sente medo, eu sei que não é "só falar", mas o que me irritou foi que o autor colocou a personagem na posição de mulher maluca que só não fala o que aconteceu porque ninguém vai acreditar nela porque só pode ser invenção. Na parte do estupro, por exemplo, ainda teve o acréscimo de ninguém acreditar porque além de louca, ela é "gorda e feia". Além desses, existem diversos outros gatilhos no decorrer da trama. Fim do spoiler.

Para um livro originalmente publicado em 1998, o autor até que consegue tratar de alguns outros assuntos, como sexualidade, por exemplo, de forma bem natural para a época. Mas ainda assim, com a visão feminista que eu tenho, não posso deixar de comentar sobre o machismo sempre presente. Esses aspectos, aliados à personalidade da protagonista e, confesso, um pouco da narrativa de Daniel Handler não conseguiram fazer eu me conectar com esse livro. Além disso, o final é extremamente previsível, até para mim que não tenho muito contato com gêneros envolvendo mistério.

O que salvou esse livro, literalmente, é que ele é muito fácil e rápido de ler. Apesar das várias partes maçantes e confusas, principalmente até a primeira metade, a curiosidade para saber se o palpite dado foi certeiro sustenta a leitura até o final. Acredito que O Clube dos Oito tem potencial para agradar àquelas pessoas que estão sendo introduzidas na literatura num geral, mas para mim não funcionou. 

14 comentários:

  1. Oi, Ana,

    Mesmo o livro sendo muito óbvio, acho que no fundo, ele desperta nos leitores uma certa curiosidade em tentar entender a mente da Flannery através de suas lembranças - e em saber como tudo se iniciou e trucidou na morte do garoto.

    Aparentemente, é um livro bem construído, e eu, desejo lê-lo, é claro!

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  2. Ana!
    Triste ver um autor renomado, escrever um livro com tons de machismo e ainda por cima tedioso.
    Tem nem graça de ler, né?
    cheirinhos
    Rudy

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  3. Desde a primeira vez que vi Clube dos Oito na
    Live da Ssguinte (Sim mais uma vez eu tô falando nela. Rsrsrs) a sinopse não me chamou a atenção.
    Se já não tinha vontade de ler agora que o livro não recebeu o Selo RL de aprovação ai que nem chego perto.

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  4. Gosto muito do trabalho do autor, mas realmente este livro dele causou muitas opiniões diferentes pelo mundo literário. Algumas "cenas" não precisariam existir, ou se existiram, que fossem vistas de forma diferente e não foi o que aconteceu.
    Talvez tenha sido este o motivo de tantas coisas negativas a respeito da leitura desta obra.
    Não digo que não lerei, afinal, as letras do autor são únicas,mas não é assim um dos livros mais desejados.
    Beijo

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  5. Oi Ana!
    Infelizmente esse livro não em prendeu atenção, talvez seja o tema abordado...
    Bjs!

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  6. Eu adoro o trabalho do autor e a princípio o livro me lembrou muito filme The Breakfast Club até mesmo em relação ao título apesar do livro parecer ser bem machista e tedioso

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  7. Confesso que esse livro já esteve na minha lista, mas me decepcionei bastante. Não seria algo que eu gostaria de ler. De verdade, adoraria conhecer a escrita do autor, mas não nesse livro.

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  8. Putz, ele é autor de Por Isso a Gente Acabou! Sabia que já tinha visto o nome mas nem lembrava e muito menos tinha procurado por isso. Caramba, amei esse livro também. Mas vou te dizer que esse dos Oito não tá chamando atenção mesmo. Parece difícil de se envolver com a história, não é a primeira vez que vejo falando isso. E personagem que a gente odeia ou não sente nada e trama que não vai pra lugar algum? Ai :S
    Não sei se leio mesmo. Se acabar lendo vai ser mais pela curiosidade que por esperar algo bom.

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  9. Nossa, depois dessa resenha vou passar longe desse livro.
    Não conheço nada sobre o autor e nunca tive interesse por Desventuras em série, então...
    Queria entender qual a proposta do autor com esse livro, acho que se ele tivesse aprofundado mais os sentimentos das personagens teria sido melhor.
    Ainda bem que é uma leitura rápida e pôde acabar logo.

    Beijos

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  10. Ganhei esse livro em um sorteio, é uma pena que não agradou, até desanimei pra ler, poderia ser melhor trabalhado, essas cenas onde os personagens fazem o que quer e não tem pais para imporem limites, não deve agradar nadinha, sem falar no estupro onde a personagem poderia ter tomado uma atitude, deixam a desejar.

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  11. Olá, Ana
    Li algumas resenhas sobre o livro e confesso que tinha me interessado, mas lendo sua resenha fico em dúvida se algum dia vou dar uma chance para ler o mesmo.
    Traz o questões complicadas como os pais não participam da vida de seus filhos jovens, e a vida dos mesmos só em festas, drogas.
    Beijos

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  12. Oi, Ana!!
    Já tinha lido outras resenhas sobre esse livro e sinceramente esse livro não vai rolar para mim. Então vou deixar passar a indicação desse livro.
    Bjos

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  13. Ai Ana, me desculpe, mas achei esse livro muito ruim por tudo o que você falou, nossa, foi muito mal escrito e mal desenvolvido.
    Não vou querer ler, não.
    Poxa, essa cena do estupro é horrível. Não da pra acreditar que deixaram dessa maneira.
    É muito triste e pesado ler livros assim.
    bjsss

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  14. Oi Ana,
    Clube dos Oito é, certamente, um livro que chama atenção, tanto pelo autor e título, quanto por essa linda edição da Editora Seguinte. Confesso que ainda não tive a oportunidade de ler nenhuma obra Daniel Handler (o famoso Lemony Snicket), mas curiosidade não me falta. Eu tenho uma preocupação com livros onde adolescentes vivem uma vida regada de drogas, sexo e atos impensados, passando a ideia de que está tudo bem em viver essa vida desregrada e sem supervisão, quase como um incentivo a tais ações. Flannery é uma personagem bem fria, não só pelo assassinato, mas pela forma como ela é descrita. Pelas suas características sei que eu não teria nada em comum com ela o que, consequentemente, afetaria meu envolvimento com a história. É uma pena ver um livro com um potencial tão grande não atingir a expectativa esperada.

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