12 de setembro de 2018

Resenha: Correndo Descalça

Um romance emocionante sobre amizade, amor e família, da autora de Beleza Perdida.
Quando Josie Jensen, uma desajeitada menina prodígio da música, conhece Samuel Yates, um garoto confuso e revoltado descendente dos índios Navajos, uma amizade improvável floresce. Apesar de ser cinco anos mais nova, Josie ensina a Samuel sobre palavras, música, sonhos, e, com o tempo, eles formam um forte vínculo de amizade.
Após se formar no colégio, Samuel abandona a cidadezinha onde vivem em busca de um futuro, deixando sua jovem amiga com o coração partido. Muitos anos depois, quando Samuel retorna, percebe que Josie necessita exatamente das coisas que ela lhe oferecera na adolescência. É a vez de Samuel ensinar a Josie sobre a vida e o amor e guiá-la para que ela encontre seu rumo, sua felicidade.
Profundamente romântico, Correndo Descalça é a história de uma garota do interior e um garoto indígena, sobre os laços que os ligam a suas casas e famílias e sobre o amor que lhes dá asas para voar.

Título Original: Running Barefoot
Autora: Amy Harmon
Páginas: 349
Tradução: Débora Isidoro
Editora: Verus
Livro recebido em parceria com a editora

Apesar de Beleza Perdida ser o livro mais famoso de Amy Harmon, o meu primeiro contato com a autora foi através do Correndo Descalça, e eu fiquei muito feliz por ter tido a oportunidade de lê-lo. Eu jurava por Deus que esse seria mais um romance erótico que eu seria obrigada a criticar aqui no blog, mas não podia estar mais enganada. Começando pelo gênero, que não era nada do que eu pensava. Tudo o que eu encontrei aqui foi o que eu sonhava em encontrar: um romance bonito, bem construído, onde os personagens se atraem pelo que são e não pela beleza.

O livro é narrado em primeira pessoa por Josie Jo, e acompanhamos a protagonista em diversas etapas da sua vida: aos 9 anos, quando perdeu a mãe e foi praticamente obrigada a assumir as responsabilidades da casa; aos 13 anos, madura demais para a sua idade, apaixonada por música e livros, e bem na época em que conhece Samuel, um jovem extremamente mal-humorado, descendente dos índios navajos; e já na fase jovem adulta, onde vários acontecimentos marcantes permeiam o seu desenvolvimento — pensem numa personagem sofrida, multipliquem por mil e tenham Josie como resultado. 

Grande parte da história se passar com Josie aos 13 e Samuel aos 18 anos. A amizade deles acontece de uma forma imprevisível e muito bonita: eles se conhecem no ônibus da escola, pois dividem o banco. A partir de então, eles leem bons livros juntos, ouvem música clássica, conversam sobre diversos assuntos. É até difícil para mim assimilar a idade de Josie, em momento algum ela parece uma criança e isso me chateou um pouco, porque querendo ou não é um reflexo de ter perdido a mãe muito cedo. 

Em determinado ponto, Samuel deixa a pequena cidade de Levan para se tornar um Fuzileiro Naval. Eles continuam amigos, trocam cartas por um tempo, mas não é a mesma coisa de antes. A partir daí, o tempo começa a passar e cada um segue sua vida. Quando Samuel resolve finalmente dar as caras de verdade, Josie já tem 23 anos e é totalmente diferente da Josie de 13, que sonhava em viver de música e se tornar uma compositora de sucesso. Depois de vários acontecimentos desastrosos, ela simplesmente aceita que sua sina é passar o resto dos dias em Levan cuidando da família, dando aulas de piano e sendo cabeleireira. 

O mais interessante de tudo é que mesmo depois de tanto tempo, mesmo sem entender muitas coisas, o porquê de terem se afastado tanto, o amor que os dois sentem um pelo outro parece não ter acabado, sabe? Confesso que no começo eu me senti muito incomodada pela história começar com Josie aos 13 anos, porque ela realmente era muito nova. Mas com o passar das páginas, eu entendi que mais que uma história de amor — que só se concretizou com a Josie de 23 anos —, Correndo Descalça é um livro sobre o poder da amizade. 

O desenvolvimento dos personagens foi delicioso de acompanhar. Samuel amadurece muito após sair de Levan, o que eu gostei bastante. Apesar da forma como ele trata Josie em determinado ponto do livro, não posso deixar de pensar que ele estava certo, porque ela era muito novinha ainda, meu Deus! E Josie, que mulher! Admiro muito a personalidade dela, a forma como ela se manteve de pé mesmo depois de um monte de desgraça — perdoem o uso da palavra, mas não existe outra que exprime mais tudo o que ela passou —, o jeito como ela cuidava do pai e dos irmãos... Toda maravilhosa ela.

O romance em si eu amei demais gente. Porque pelo jeito que eles agiam, pelas coisas que falava, dava pra perceber que era amor mesmo, num existe aquela coisa de tensão sexual que a maioria dos autores teimam em colocar nos livros e que vocês sabem que eu odeio. É por isso que eu falo que foi realmente bem construído, porque os protagonistas são apaixonados desde a época do colégio e o sentimento perdurou. 

É muito bacana quando a gente lê um livro sem muitas expectativas e ele nos surpreende. Muitas vezes a gente fica muito tempo sem ler alguma coisa que realmente deixe a gente pensativo por um tempo, né? É exatamente isso que Correndo Descalça proporciona: uma leitura leve, cativante, cheia de reviravoltas e algumas boas cenas tristes, mas com o poder de conquistar o coração. 

11 comentários:

  1. Amo Beleza Perdida. Foi uma das minhas melhores e mais emocionantes leituras de 2018
    Fiquei completamente apaixonada pela escrita da Amy. E quando me apaixono pela escrita de um (a) autor (a) quero ler todos os seus livros publicados.
    Se já estava morrendo de vontade de ler Correndo Descalça agora então.....quero me apaixonar por Samuel e Josie

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir

  3. Aaah, que resenha maravilhosa! Esse livro está aqui na estante há mais de um mês, e eu não pego nele por medo do que a história pode me fazer sentir. Já li outros três da Amy Harmon, e todos são incríveis e me fizeram guardar sentimentos únicos aqui dentro. O meu medo com Correndo Descalça era banal, eu tinha medo de acabar me decepcionando, já que não entendia muito bem o conceito da história. Depois dessa resenha, no entanto, vou me preparar para uma viagem ao mundo de uma das autoras que mais amo <3

    P.s.: leio todos os livros dela sem expectativa, e me surpreendo toda vez. Essa mulher tem a magia de escrever palavras que tocam os nossos corações e acolhem nossas almas.

    ResponderExcluir
  4. Que resenha linda!!
    Como sou o tipo romântica, que não perde uma boa história de amor, ainda mais quando ela chega assim, com o amor construído pouco a pouco, mostrando que a amizade precisa existir o tempo todo, fiquei emocionada somente de ler a resenha.
    Um casal tão jovem, que antes de se amarem, amam a si mesmos e se entregam nessa amizade, na partilha do aprender a viver e que mesmo depois de um bom tempo, conseguem recomeçar não do zero, mas a partir de tudo que já haviam vivido.
    Com certeza, vai para a lista de desejados.
    Beijo

    ResponderExcluir
  5. Oi, Ana,

    É um bom livro, até que eu gostei, embora eu esperasse um pouco mais dele. Talvez um aprofundamento na relação do casal, que eu não senti muito, achei tudo um pouco corrido e em um curto período de tempo. Não é o que eu imaginava. No entanto, ele me prendeu muito.

    Achei um pouco tedioso a autora acrescentar no enredo a música como forma de conduzir a vida dos personagens, mesmo sendo um elemento primordial. E, confesso, pulei várias páginas por causa disso.

    Um outro detalhe que eu achei que não foi uma boa mistura, foi a questão da autora introduzir um pouco de religião no enredo, embora não de forma muito profunda. Não vou negar, isso me incomodou um pouco.

    Mas, reparei que - mesmo não tendo lido -, isso é bastante comum nos demais livros dela.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu sempre acho muito interessante como que um mesmo livro pode despertar opiniões tão diferentes! Porque olha, eu gostei do livro porque eu realmente achei que o romance foi desenvolvido, não achei nada corrido. kkkkkkkkk
      Realmente existe essa coisa da religião, mas não chegou a me incomodar.

      Excluir
  6. Oi Ana!
    Gostei mto da sua opinião sobre esse livro, estou louca pra ler.
    Ando lendo livros assim, sem nenhuma expectativa...
    Espero conseguir ler em breve.
    Bjs!

    ResponderExcluir
  7. Amei o de Beleza Perdida e foi o primeiro que li dela. Os outros só chamam atenção e pelo que li gostei. Esse tá na lista e não parece decepcionar. Os personagens começam a história bem cedo, mas é legal que isso do amor mesmo só tenha pegado embalo depois de mais velhos. O tempo separado, como cada um amadureceu, parece ter ajudado muito. Personagens maravilhosos essa autora sabe fazer, então não me admira ter gostado tanto da garota. Tem uma trama bonita aí. De novo a autora arrasando nas histórias cativantes. Quero ler! ^^

    ResponderExcluir
  8. Correndo descalça está na lista de melhores leituras do ano!
    É de uma sensibilidade que encanta, é o tipo de história que amo... também fico incomodada com livros que colocam o sexo como uma maneira de resolver tudo e esquecem dos diálogos.
    Correndo descalça tem isso: diálogo. É maravilhoso ver essa interação dos dois, as discussões literárias e musicais.
    Samuel e Josie foram bem construídos, sou apaixonada por eles.

    Beijos

    ResponderExcluir
  9. não esperava tudo isso que foi mencionado do livro, parece ser muito bom, gostaria de ler. É linda uma amizade como a dos personagens, gosto quando o romance vai surgindo sem pressa, parece ser uma leitura muito bonita, mas também sofredora, fiquei imaginando o sofrimento da personagem, mexe com a gente.

    ResponderExcluir
  10. Oi Ana,
    Já li Beleza Perdida e fui tão surpreendida com a escrita e história que não vejo a hora de ler mais livros da autora. Correndo descalça promete uma história cativante onde o amor (em suas várias formas) tem um papel muito importante. Dá para ver que a vida não facilitou em nada para Josie e mesmo com tanta responsabilidade e sofrimento ela me parece muito corajosa. Samuel é bem consciente sobre seus sentimentos e a relação com a Josie. Ele não nega o que sente, mas irá respeitá-la e respeitar o tempo também. Gostei que a autora trouxe um protagonista com descendência indígena, pois assim ela pode explorar outras coisas na história. É um livro que irá direto para minha lista de desejados e não vejo a hora de conhecer essa história.

    ResponderExcluir

 
Layout feito por Vinícios Costa editado por Silviane Casemiro | Todos os direitos reservados ©