29 de setembro de 2018

Resenha: Querido Mundo

O relato surpreendente de uma menina síria em meio aos horrores da guerra. Aos 3 anos de idade, Bana Alabed tinha uma infância feliz que foi interrompida abruptamente por uma guerra civil. Durante os quatro anos seguintes, Bana viveu em meio a bombardeios, destruição e medo.
Sua provação angustiante culminou em um cerco brutal em que ela, seus pais e os dois irmãos mais novos ficaram presos em Aleppo, com pouco acesso a comida, água, medicamentos e outras necessidades básicas. Com o potencial revolucionário da Internet, Bana, em um gesto simples, mas inédito, usou o Twitterpara pedir paz e mobilizar pessoas ao redor do mundo pelo mesmo intuito.
Contendo palavras da própria Bana e cartas comoventes de sua mãe, Fatemah, Querido Mundo não é apenas um relato envolvente de uma família ameaçada pela guerra — o livro oferece, também, uma perspectiva únicasobre uma das maiores crises humanitárias da história, vista pelos olhos de uma criança. Bana perdeu sua melhor amiga, a escola onde estudava e seu lar. Mas não perdeu a esperança — com relação a si mesma e às outras crianças ao redor do mundo, vítimas e refugiadas de guerra que são dignas de vidas melhores.

Título Original: Dear World
Autora: Bana Alabed
Páginas: 160
Tradução: Claudia Gerpe Duarte
Editora: Best Seller
Livro recebido em parceria com a editora 

Eu já tinha ouvido falar sobre a história de Bana Alabed quando saiu aquela notícia sobre a J. K. Rowling ter enviado os e-books de Harry Potter para a garotinha, após um pedido de sua mãe, Fatemah. Lembro muito bem de que houve uma confusão enorme, porque as pessoas não acreditavam que Bana e Fatemah conseguiam usar a internet no meio de uma guerra. Eu nunca duvidei — até porque, convenhamos, não é lá muito difícil ter acesso à internet —, mas depois de ler Querido Mundo, eu tenho certeza do sofrimento de Bana, sua família e de todas as pessoas que viveram e ainda vivem essa guerra. 

Pior do que ler sobre uma guerra, é ler sobre uma guerra sob o ponto de vista de uma criança. Quando essa criança é real, é mais doído ainda, porque você sabe que tudo aquilo que ela está narrando realmente aconteceu com ela. Apesar de ter tido ajuda de adultos para escrever o livro, dá para perceber pelos fatos citados e pela ingenuidade que só uma criança tem que é a visão dela da história — afinal, quem mais se preocuparia com um par de botas cor de rosa no meio do caos de Aleppo?

A escrita de Querido Mundo é bem simples e fluida, o que permite que a leitura seja rápida. Eu me senti muito incomodada ao ler cada relato de Bana, que geralmente eram curtos, mas muito impactantes. Incomodada porque é frustrante saber que milhares de pessoas inocentes estão morrendo em uma Guerra Civil que está destruindo a Síria. Os textos de Bana e as cartas de sua mãe, Fatemah, mostram o que realmente acontece no país desde 2011, que foi quando a guerra começou. Felizmente Bana e sua família estão em segurança na Turquia, mas quantas outras famílias ainda estão sofrendo?

O que me deixa mais triste é saber que uma barbárie dessa está acontecendo e que eu não posso fazer nada para ajudar a não ser orar para que tudo fique bem. A edição da editora Best Seller traz algumas fotos muito tocantes, como, por exemplo, imagens de Bana e seus irmãos mais novos pedindo por socorro em meio os destroços de sua vizinhança após um bombardeio. Para vocês terem ideia, existe uma foto da casa da menininha totalmente destruída por uma bomba. A gente realmente não tem um pingo de noção do que é perder tudo e continuar lutando. 

Querido Mundo, apesar de ter uma linguagem fácil, está longe de ser uma leitura fácil. Mas eu acredito que essas coisas devem ser mostradas. Apesar de passar por coisas horríveis e ter vontade de desistir em vários momentos, Bana nunca perdeu a esperança, e eu tenho certeza que foi essa força de vontade, essa vontade de mudança, que salvou tantas pessoas.  

15 comentários:

  1. Não sabia dessa história entre a menina e a J.K. Rowling. É bem interessante.
    Gosto muito de livros que se passam em períodos de guerra; na verdade, acho que gostar nem é a palavra certa porque como gostar de algo repleto de sofrimento?
    Essas leituras são tocantes, já fiquei interessada nesse livro e acredito que todo o mundo deveria ler ao menos 1 livro sobre o período da guerra e se dar conta do quanto foi devastador. E ainda é!

    Beijos

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    1. Foi justamente por causa dessa ligação entre J. K. e ela que fiquei sabendo sobre a história, para você ver como as coisas são. Concordo com você, a gente precisa ter pelo menos uma noção do que foram os horrores, né?

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  2. Oi, Ana,

    Não tenho o hábito de ler livros com essa temática, mas livros como esse chamam a atenção pela veracidade crua e real, e por serem demasiado em sentimentos.

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  3. Ana!
    Nossa! Deve ser um livro doloroso e intenso.
    Saber sobre a guerra através da visão infantil de quem passou por tudo e até sem entender bem o motivo da guerra.
    Deve ser um livro bom de se ler, no sentido de aprendermos as dores de quem passa por essa situação.
    Bom final de semana.
    “Sede felizes; os amigos desaparecem quando somos infelizes.” (Eurípedes)
    cheirinhos
    Rudy

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  4. Uma leitura forte intensa e avassaladora não é?
    Essa temática de Guerra morte tristeza não costuma ser a mimha primeira escolha literária. Leio pouco mas quando leio são leituras fortes que me deixam reflexiva.
    A Guerra Que Salvou Minha Vida me tocou fundo de olha que é uma ficção! Nem imagino como ficaria lendo uma história real de uma criança na guerra

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    1. O que deixou o meu coração menos apertado com esse livro foi justamente ser a visão de uma criança. Apesar dos horrores, a ingenuidade dela é comovente.

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  5. Estava lendo sobre este livro esta semana e fiquei sei lá, num misto de sentimentos em relação a ele. Amo o tema, apesar de ler demais sobre a Segunda Guerra e mesmo depois de tanto tempo, ter mais guerra e mais mortes inocentes.
    Ainda mais vindo do coração de uma criança. Creio(tenho certeza) que isso torna a leitura mais difícil ainda e sim, mais dolorida.
    O livro já está na minha lista de desejados e espero poder ter ele em breve.
    Beijo

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  6. Oi Ana!
    Esse livro parece ser lindo, emocionante e marcante...
    Não costumo ler livros do gênero, mas este eu gostaria mto de conhecer.
    Bjs!

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  7. Histórias assim é que dão um baque na gente. Ver falando sobre guerra em livros, guerras passadas e todo o sofrimento já é uma coisa que impacta. Algo que tá ali acontecendo e ter a visão de uma criança em meio a tudo isso é de dar um sentimento horrível de impotência e injustiça. Enquanto uns brigam por poder ou o que seja outros inocentes e que não tem nada a ver com o conflito estão ali morrendo, perdendo suas casas e suas vidas como a conheciam por causa disso. É horrível imaginar. Mas tá aí um livro que abre os olhos da gente pelo visto. Leria. Parece forte.

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  8. Olá, Ana
    Gosto muito de livros que abordam fatos históricos, mas se for pensar no sofrimento de tantas pessoas é angustiante.
    Infelizmente não podemos fazer muita coisa para mudar a realidade destas pessoas, só orar, pedir a Deus que estas famílias consigam mudar sua realidade e recomeçar.
    Apesar de triste quero muito ler esse livro.
    Beijos!

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  9. Oi Ana,
    Sempre que alguém falava em relatos sobre a guerra através de um livro, minha única referência era O Diário de Anne Frank, mas ela não foi a única a passar por isso. Existiram e existem muitas outras crianças e jovens que viveram a sua maior parte da vida em meio a bombardeios e perderam tudo. Claro que nem todas conseguiram escapar e puderam contar sua história. Esta é a primeira vez que vejo o nome de Bana e sei sobre o quanto essa garotinha é corajosa. Nem imagino como seja crescer em meio a guerra, principalmente quando se é criança. É uma pena ver a inocência ser interrompida por causa da estupidez e egoísmo dos adultos e como você falou dói não poder fazer nada para acabar com isso. Fiquei bem tocada com a história de Bana ainda mais depois de saber do pedido pelos livros de Harry Potter. Nenhuma criança deveria ser privada de apreciar algo tão simples como a leitura de um livro e só esse motivo já deveria ser suficiente para conscientizar a humanidade dois erros que eles continuam cometendo.

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  10. É realmente difícil comentar e se por no lugar de uma pessoa que teve não sai a infância como toda a vida afetada por uma guerra por 1001 diversos fatores Eu acho que eu não teria estômago para aguentar esse livro nenhuma criança deve passar por isso na verdade nem uma Pessoa adulta deve passar por isso esse livro Só é mais um exemplo do quão traumatizantes essas guerras podem ser

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  11. Ana, ainda não conhecia esse livro.
    Gente, que triste, meu Deus.
    É horrível saber que o mundo tá se acabando em tanto ódio e guerra, e a situação da Síria está terrível demais.
    Comecei a ler O Diário de Myriam e parei, porque não aguentei, vou deixar pra ler mais pra frente porque tudo isso me entristece demais.
    Querido mundo também vou querer.
    Por mais complicado, forte e triste que seja, a gente precisa MUITO ler mais sobre guerras e tentar fazer o máximo possível para evitar que aconteçam em nossa país e de alguma forma, ajudar os outros que precisam.
    bjs

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  12. Oi, Ana!!
    Sem dúvida é difícil ler livros que falem sobre guerra sem ficar emocionado com a história dessas pessoas que sofrem na guerra, e fico imaginando como esse livro é especial por ser um relato de uma criança inocente que sofre junto com a família na guerra da Síria.. Gostaria muito de ler esse livro e conhecer um pouco mais da pequena Bana Alabed.
    Bjos

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  13. Não conhecia o livro e nem a historia dos e-books, gosto de historias sobre a Guerra, embora são muito tristes e sofridas só de imaginar o que essas pessoas passam, me sinto muito mal. É bom que cada vez mais essas historias apareçam para ficarmos a par do sofrimento alheio e pedir para que tudo melhore. Concordo quando se trata de crianças passando por isso é de cortar o coração.

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