9 de novembro de 2018

Resenha: Celular

Onde você estava no dia 1º de outubro? O protagonista Clay Riddell estava em Boston, quando o inferno surgiu diante de seus olhos. Bastou um toque de celular para que tudo se transformasse em carnificina. Stephen King - que já nos assustou com gatos, cachorros, palhaços, vampiros, lobisomens, alienígenas e fantasmas, entre outros personagens malévolos - elegeu os zumbis como responsáveis pelo caos desta vez.
Depois de anos de tentativas frustradas, o artista gráfico Clay Riddell finalmente consegue vender um de seus livros de histórias em quadrinhos. Para comemorar, decide tomar um sorvete. Mas, antes de poder saboreá-lo, as pessoas ao seu redor, que por acaso falavam ao celular naquele momento, enlouquecem.
Fora de si, começam a atacar e matar quem passa pela frente. Carros e caminhões colidem e avançam pelas calçadas em alta velocidade, destruindo tudo. Aviões batem nos prédios. Ouvem-se tiros e explosões vindos de todas as partes.
Neste cenário de horror, Clay usa seu pesado portfólio para defender um homem prestes a ser abatido, Tom McCourt, e eles se tornam amigos. Juntos, eles resgatam Alice Maxwell, uma menina de 15 anos que sobreviveu a um ataque da própria mãe.
Os três sortudos - entre outros poucos que estavam sem celular naquele dia - tentam se proteger ao mesmo tempo em que buscam desesperadamente o filho de Clay. Assim, em ritmo alucinante, se desenrola esta história. O desafio é sobreviver num mundo virado às avessas. Será possível?

Título Original: Cell
Autor: Stephen King
Páginas: 384
Tradução: Fabiano Morais
Editora: Suma
Livro recebido em parceria com a editora

Clayton Ridell acaba de vender sua história em quadrinhos e finalmente vai poder provar para Sharon e Johnny que é capaz de sustentá-los novamente. O hobbie caro agora seria profissão e nada no mundo poderia estragar o sentimento de felicidade de Clay, que para comemorar a conquista recente, decide tomar um sorvete, no centro de Boston, próximo ao seu hotel. O que Clay não esperava é que o apocalipse começasse a acontecer lá, naquele exato momento.

Todas as pessoas que estavam com um celular receberam o que posteriormente foi chamado de "o grande pulso". Todas elas acabaram se tornando uma espécie de zumbis, não estavam mortos, mas haviam apagado toda a sua "programação" de civilidade, e não passavam de animais raivosos e sanguinolentos. No meio de toda confusão, Clay conhece um senhor de bigodes, Tom McCourt, e logo após disso a adolescente Alice Maxwell, e os três parecem entender bem onde tudo aquilo começou. Precisam se afastar dos grandes centros que queimam incessantemente, dos fonáticos malucos e principalmente dos celulares, que sabe-se deus até quando vão emitir aquela programação dos diabos.

Clay não sabe se Johnny, seu filho pequeno, estava com Sharon ou não no momento do pulso, mas sabe que precisa ir até o Maine, cidade de Kent Pond, para descobrir o que aconteceu. Tom e Alice prometem se juntar à Clay e partem em uma jornada perigosa e noturna, já que agora os fonáticos parecem sair de dia para se alimentar. Os seres humanos então, precisam viver nas sombras.

Se eu disser que não me emocionei com esse livro, estarei mentindo. Celular não é só um livro que fala de apocalipse ou pessoas que estão em um estado descontrolado. Ele trata sobre amizade, sobre coragem e pessoas que sentem de mais. Parece que você já ouviu isso sobre um outro "livrinho" do King por aí, e sim, é o que muita gente fala sobre It, a Coisa.

Fato é que Celular também é sanguinolento, gráfico e levanta muitas questões na mente do leitor. Fiquei mal e triste durante toda a leitura por causa de escolhas que Clay, Tom e Alice precisaram fazer, que eu mesma teria que fazer se estivesse no lugar deles caso estivesse viva ainda. Não deu pra não sentir vontade de socar o King e ao mesmo tempo abraçar o mestre, que escreveu três personagens fantásticos, mais uma vez.

Mas claro que eu não serei só elogios. Vi muita, muita gente mesmo, reclamando do final desse livro, que foi raro no Brasil por tantos anos. Eu sei na verdade as razões disso: o final de Celular é aberto, e não deixa nada claro o que acontece. Você vira a página e fica se perguntando incansavelmente "o que diabos ele quis dizer com isso?". Então talvez você ache meia boca... Eu gostei, por não ver necessidade em explicar tudo, mas isso pode ser um problema.

Meu sentimento após fechar Celular foi de estar desamparada, e escrever essa resenha chega a ser difícil, pois parece que abro mão de coisas importantíssimas. Espero que um dia vocês, que tem muito medo, pelo menos cogitem a ler Celular. Acho que, como disse antes, esse livro é muito mais sobre pessoas e suas ações, do que de fato de terror. Ah, a leitura também tem muitas referências de músicas e tecnologia, se você quiser, o King já te dá até uma playlist pra ler o livro, que é tão animadinha que chega a dar arrepios!

14 comentários:

  1. Os livros do Mestre King tem esse poder sobre todos nós, de fazer com que nos lembremos do enredo por um longo tempo.
    Seja pelo enredo, personagens ou apenas por deixar tudo no ar..rs (acho que ele adora fazer isso)
    Ainda não li este trabalho do autor,mas tenho lido muita coisa a respeito e fico boba de ver que ele mais uma vez, conseguiu transformar o que era simples em algo que mexe com a imaginação.
    Não somos todos zumbis hoje em dia com toda essa tecnologia??
    Com certeza, o livro já está na lista de desejados.
    Beijo

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  2. Realmente não sinto vontade de ler algo do King, o gênero que ele escreve não me agrada.
    Mas é genial essa ideia do celular e de tudo que acontece a seguir por conta dele; sinto uma certa metáfora nessa história, não sei... acho que tem uma certa atualidade nessa escrita sobrenatural e apocalíptica; afinal, é raro encontrar alguém que não esteja com o celular em mãos.
    King fazendo refletir... muito bacana.

    Beijos

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  3. King é mestre em transformar coisas banais e simples em objetos de terror que causam traumas e pesadelos por um bom tempo. Não apenas em seus personagens mas também nos leitores.
    Acho que Celular tem um crítica velada (ou não) ao homem moderno e sua compulsão por tecnologia. Afinal as vezes não nos tornamos zumbis dos nossos celulares?
    Esse final aberto é que tenho dúvidas se é algo bom ou não. Quem sabe vem uma continuação por aí?

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  4. Mais um livro do mestre King que entra para minha na pequena lista de livros que preciso ler antes de morrer 😄
    Quando comecei a ler resenhas sobre esse livros, percebi que realmente se trata mais de amizade e lealdade do que do terror propriamente dito.
    Além disso, acho que uma das questões mais interessantes é que, pelo o que pude notar, ele aborda também a questão do uso excessivo desse aparelho tão importante nos dias atuais. Já que o vírus se espalha através dele. E quem não é tão conectado ou viciado, acaba não sendo infectado.
    Gostei muito.

    Bjos

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  5. Muitas pessoas dizem que zumbis já deu (histórias sobre eles são chatas e tal). Acho que elas não leram essa resenha, ou nunca ouviram falar no que King pode fazer com sua mente privilegiada! Kkkk, assim que comecei a ler já queria o livro para devorar, eu amei a sua introdução da resenha, caramba eu amo King e o que ele consegue fazer com suas histórias e fisgar o leitor (ele nunca decepciona!).

    "Todas as pessoas que estavam com um celular receberam o que posteriormente foi chamado de "o grande pulso"". Olha só que genial, é inegável que maiorias das pessoas seriam zumbis hoje. Quando mais ia lendo mais ansiosa ficava, como assim socar o King? rsrs, estou louca para ler esse livro,não sabia que os pontos altos do livro fosse a amizade, mas isso também é bom, agora de um fim sem fim de verdade deixa muito a desejar (mas quero lê-lo para tirar muinhas conclusões, mas confesso que já amo esse livro!)!
    Ótima resenha!
    Bjs.

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  6. Achei interessante a ideia do celular e zumbis e por isso deu vontade de ler. Não sabia que tinha uns sentimentos fortes e coisas assim. Já animou mais. As decisões de personagem e um bom drama, coisas difíceis e tal sempre chama atenção. E olha, achei até interessante um final desse jeito. Não é todo livro que agrada, mas aí depende de como ficou. Agradou a ideia de final aberto por todos os sentimentos que parece deixar. Acho que assim a gente pensa mais na história, sei lá. Se puder vou ler.

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  7. Oi Jéssica!
    Não consegui ler nenhuma obra do King ainda, fico acompanhando resenhas por enquanto.
    Li mto sobre esse livro, e pelos comentários, parece excelente.
    Espero que surja oportunidade em breve pra que eu conheça este tbm.
    Bjs!

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  8. Oi, Jéssica!!
    Adoro os livros do Stephen King, e desde que vi que esse livro foi relançado aqui no Brasil fiquei eufórica!! O que mais gostei foi que nesse livro o King foge um pouco da zona de conforto dele e nos entrega uma história sobre apocalipse zumbi. Espero ter oportunidade de ler esse livro.
    Bjos

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  9. Jéssica!
    Mesmo quano o protagonista é dos melhores, King sabe criar um enredo que sai da mesmice e traz uma visão totalmente nova para temas que parecem estar saturados.
    Zumbis estão em profusão nos livros, porém King sempre inova e da uma releitura toda própria, transformando em terror cheio de conjecturas e aprendizado para o leitor.
    Adorei!
    Desejo uma ótima semana!
    “A ambição é louvável quando acompanhada pelo desejo e pela capacidade de fazer felizes os outros.” (Paul Holbach)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA NOVEMBRO - 5 GANHADORES – BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  10. Olá Jéssica,
    Não é atoa que o chamam de mestre...
    Sabe o que mais me atrai na história, o fato de ser algo que ao mesmo tempo é impossível, ser possível. Afinal, já somos controlados pelos nossos aparelhos, o que King fez, foi só transformar isso em algo mais aterrorizante, o que convenhamos, ele consegue.
    O enredo está divino, percebo que a escrita dele mudou um pouco, e é como disse, ele escreve sobre pessoas, principalmente sobre os monstros que existem dentro delas.
    Beijos

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  11. Gosto de ler King. Conhecia o nome pela capa e título, mas não sabia detalhes de seu enredo. Alguns finais em abertos acho que até funcionam, mas dependendo da situação também fico irritado, parece preguiça ou falta de imaginação do autor de pelo menos direcionar o leitor. A trama parece interessante e quer ler o livro.

    Evandro

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  12. Oi Jéssica,
    Para mim Stephen King nunca foi um autor só do gênero terror, pois por mais que eu tenha tido um contato bem limitado com suas obras, consigo perceber o quão eclética sua escrita é. E acho que é isso o torna tão incrível, essa capacidade de nos matar de medo em alguns livros e em outros atiçar a imaginação usando e abusando da fantasia. Adoro quando um autor cria uma história e através dela faz críticas aos hábitos reais das pessoas. Celular tem uma premissa tentadora e esse cenário pós-apocalíptico é algo que adoro. Ver a raça humana sendo colocada a prova é algo que assusta na maioria dos enredos, pois é quando o pior de cada um vem à tona, agora imagina isso pela visão de King? Mas seu diferencial neste enredo está nos personagens, na forma como irão se conhecer e a amizade improvável que surgirá entre eles. Imagino que em uma situação como essa conseguir amigos e aliados em quem se possa confiar é extremamente importante. O final aberto, geralmente, me incomoda, pois quero respostas. Mas entendo que para algumas histórias um desfecho certo e fechado nem sempre é a melhor opção.

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  13. Oi, Jéssica
    Um dia ainda quero ler King.
    Tenho ficado bem curiosa para saber como ele desenvolveu essa trama, que parece uma loucura e que não foge tanto assim da realidade que vivemos.
    Somos escravos do celular, internet, entre outras tecnologias.
    Beijos

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  14. Adorei sua resenha, Jéssica!
    Parece ser um livro muito interessante, emocionante, que apesar de toda a fantasia nos faz refletir e ainda sentir aquele vazio de confusão, rsrsrsrs
    Vou querer ler sim.
    Preciso ler mais do King!
    bjsss

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