19 de abril de 2019

Resenha: Os Meninos de Nápoles

Com ritmo eletrizante e prosa brutal, Roberto Saviano narra a ascensão de uma gangue juvenil na violenta Nápoles dos dias atuais. Do premiado autor de Gomorra e Zero zero zero.Um novo tipo de gangue domina as ruas de Nápoles: as “paranzas”, grupos de adolescentes que dividem seu tempo entre o Facebook e o video game e circulam com pistolas e AK-47s, aterrorizando os moradores e marcando território para seus chefes, ligados à máfia. Os meninos de Nápoles conta a história da ascensão de uma dessas paranzas e de seu líder, Nicolas Fiorillo, conhecido por amigos e inimigos como o Marajá. Seduzido pela perspectiva de imprimir seu nome na história, ele não medirá esforços para conquistar o bairro de Forcella — sem levar em conta, porém, que ambição, dinheiro e poder acarretariam consequências inimagináveis.
Com toda a vivacidade e a perspicácia que fizeram de Gomorra uma sensação mundial, o premiado escritor Roberto Saviano nos transporta para as violentas terras italianas neste romance de tirar o fôlego.

Título Original: La Paranza dei Bambini
Autor: Roberto Saviano
Páginas: 408
Tradução: Solange Pinheiro
Editora: Companhia das Letras
Livro recebido em parceria com a editora
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No começo escolhi essa leitura pela minha ligação com a Itália, mas depois de pesquisar um pouco sobre o autor, algo a mais surgiu. Saviano, ao escrever Gomorra, foi jurado de morte pela máfia italiana pelo que estava retratando, então me interessei muito pelo que ele tinha a dizer. Inclusive no começo de Os Meninos de Nápoles ele faz uma nota deixando bem claro que personagens e locais ali retratados não tem nenhuma ligação com pessoas, situações ou estabelecimentos que existem ou existiram na vida real. Saviano atualmente vive sob proteção da policia italiana... Ficou curioso? Eu também fiquei.

Pois bem, tenho certeza de que, ao começar a leitura, você vai estranhar a escrita de Saviano. Isso acontece principalmente pelo autor ter escrito grande maioria dos diálogos do livro em napolitano (dialeto do sul da Itália), e como os protagonistas são adolescentes, obviamente os palavrões e gírias estão presentes também. A tradução, preparação e revisão tentou balancear isso tudo (com maestria, diria eu), mas ainda assim não estamos acostumados com essa linguagem informal, e isso incomoda bastante o leitor.

Em Os Meninos de Nápoles as gangues formadas por adolescentes ou mesmo crianças, são chamadas de 'paranzas'. Essas paranzas dividem o seu tempo entre as redes sociais e video-games com as brigas de rua. Com as armas e celulares sempre em suas mãos, estão prontos para a ação, sem se importar com a violência ou os limites socialmente impostos que transpõem com facilidade. O'Marajá (líder) Nicolas, como esperado, vive quebrando as regras e sente imenso desgosto pelo pai e suas tentativas de botar o garoto na linha, já que ele significa tudo que Nicolas gostaria de extinguir da face da terra.

A violência, o medo e a admiração por Mussolini e Maquiavel, só escancaram o fato de que os garotos queriam poder, sem se importar como conseguiriam chegar lá, inclusive compartilhando toda essa vida de gangue no Facebook, por exemplo. A visão infantil dos garotos da paranza chega a incomodar, e eles parecem só tomar algum tipo de consciência no final do livro, onde as consequências dos seus atos finalmente começam a pesar.

No fim, Saviano nos faz pensar sobre nossos próprios atos dentro e fora da internet, mas definitivamente essa não é uma leitura fácil. Seja pela linguagem, pelo conteúdo violento ou pelo tema super atual, acredito que vale a pena enfrentar esses obstáculos para terminar o livro. É uma daquelas obras que vai te deixar pensando e, mesmo irritado, querendo ler ainda mais sobre tudo aquilo.

13 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Jéssica!
    Já fiquei curiosa pela forma de escrita diferenciada, devemos sempre conhecer novas fórmulas de escrita e aqui teremos uma oportunidade única.
    Como também sou descendente de italianos e da região sul, fiquei ainda mais interessada em conhecer esses rapazes iniciados desde cedo no mundo da máfia.
    cheirinhos
    Rudy

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  3. Li uma resenha deste livro em outro blog que acompanho nesta semana e me apaixonei pelo enredo.
    Lembra demais a história contada em Capitães de Areia e isso é maravilhoso.
    Claro, Nápoles traz essa pegada genial e misteriosa da máfia italiana, mas também traz a amizade e a cumplicidade e isso é genial.
    Com certeza, quero demais poder conferir a leitura desta obra!!
    Beijo

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  4. Olha, vou dizer que chamou atenção pela coisa toda de Itália e tal. Mas essa violência e todos esses negócios de gangue e etc desanimou. Não parece um livro fácil. E não me chamou tanta atenção. O mais interessante parece ser isso da rede social aí no meio, do fato de fazerem de tudo e não estarem nem aí pra consequências, o que pode acontecer depois...
    Mas no geral não é um livro que leria.
    E que doideira isso do autor até correr perigo por causa do livro!

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  5. Não conhecia esse livro.
    Eu gosto quando há esses dialetos, mas me incomoda quando a narrativa tem uma pegada mais informal.
    Gosto de leituras reflexivas, então foi muito bom saber um pouco sobre.

    Beijos

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  6. Não conhecia esse autor e, parando para pensar um pouco nem sei se já li algum autor italiano.
    Gostei da premissa. Também gosto de livros com gangues e máfias. Mas com crianças tenho um certo receio. Sei que me emociono com tudo o que atinge as crianças. Mas vamos torcer pelo Biscoitinho então!
    Vou querer conhecer essa história, principalmente por se passar fora do lugar comum onde sempre ocorrem nossas leituras. Viajando para a Itália em 3, 2, 1....

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  7. Oi Jéssica,
    Eu sempre gostei de assistir filmes com máfia italiana, mas não tenho experiência com livros assim, muito menos com essa seriedade. O fato do autor estar sobre proteção da polícia é algo muito curioso e já me vi interessada nessa leitura. Assusta um pouco ler uma história com uma gangue formada por adolescentes e crianças, pois tem um pouco de realidade nisso, talvez não uma realidade muito próxima da minha, mas é algo que existe no mundo todo. Achei curiosa a escrita do autor para essa obra, claro que nunca li nada em napolitano, mas acredito que, por mais que seja difícil, seria uma experiência de leitura bem interessante.

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  8. Não o seria minha primeira escolha para ler pois foge e muito do meu gosto literário mas fui pesquisar sobre o autor e sobre o livro e percebi que é uma leitura forte, que por vezes pode revirar o estômago contudo real e que faz parte de uma sociedade.
    E concordo com você, Jess, faz o leitor rever o que pública, acompanha nas redes sociais.

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  9. Mulheeeer, já querooooo esse livro.
    Eu sou descente de italianos também por parte de pai e desde pequena eu me encantei por histórias que se passa na Itália, vou add esse livro na minha wishlist. Adorei a resenha também, muito boa.

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  10. Oi, Jéssica!
    Geralmente eu estranho bastante linguagem informal, sem falar que eu não curto livros com conteúdo violento, tramas com garotos que não se importam com a violência que praticam ou com os limites socialmente impostos me deixam bastante angustiada... por isso eu não leria Os Meninos de Nápoles. Bjos!

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  11. Olá, Jéssica
    Ainda não conheço a escrita do autor e mesmo sem conhecer já o admiro. Mesmo sendo ameaçado ainda continua escrevendo sobre a máfia mesmo que seja apenas ficção.
    A trama sendo escrita em linguagem coloquial deve incomodar um pouco, porém deve ser uma experiência incrível conhecer um pouco da cultura italiana mesmo que seja com esse linguajar.
    Gostei muito da trama e quero muito ler para ter todos os detalhes dos garotos.
    Beijos

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  12. Oi, Jéssica!
    Não conhecia esse livro mas a história foge um pouco do que normalmente leio, mas fiquei bem curiosa com esse livro e quero dar uma chance para essa obra.
    Bjos

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  13. Já li outra resenha do livro e achei curioso.
    Extremamente diferente.
    Mas não é meu tipo, muita coisa ruim nu livro só kk não é meu estilo mesmo.
    bjs

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