14 de maio de 2019

Resenha: A Metade Sombria


Criar George Stark foi fácil. Se livrar dele, nem tanto. Há anos, Thad Beaumont vem escrevendo, sob o pseudônimo George Stark, thrillers violentos que pagam as contas da família, mas não são considerados “livros sérios” pelo escritor. Quando um jornalista ameaça expor o segredo, Thad decide abrir o jogo primeiro, e dá um fim público ao pseudônimo. Beaumont volta a escrever sob o próprio nome, e seu alter ego ameaçador está definitivamente enterrado. Tudo vai bem. Até que uma série de assassinatos tem início, e todas as pistas apontam para Thad. Ele gostaria de poder dizer que é inocente, que não participou dos atos monstruosos acontecendo ao seu redor. Mas a verdade é que George Stark não ficou feliz de ser dispensado tão facilmente, e está de volta para perseguir os responsáveis por sua morte.

Título Original: The Dark Half
Autor: Stephen King
Páginas: 464
Tradução: Regiane Winarski
Editora: Suma
Livro recebido em parceria com a editora

Na cidade de Castle Rock (sim, você já ouviu esse nome, muitas histórias do King se passam aqui) vive o escritor Thad Beaumont. Ele, a esposa Liz e os gêmeos levam uma vida tranquila. Seus livros não são muito famosos, estão sempre na média e ele gostaria que isso mudasse. Já George Stark tem livros muito conhecidos e apreciados, e apesar de toda violência contida neles, o público parece sempre clamar por mais.

Mas Thad e George são a mesma pessoa, e essa revelação choca a muitos. Thad decidiu por um fim em seu pseudônimo organizando um show e chamando toda a mídia para assistir o funeral, com direito a lápide falsa e tudo. Já que esse é um livro do King, sabemos que as coisas não acabam aí. Quando Thad começa a escrever novamente algo o atormenta. O enterro de mentira parece ter dado voz ao morto... Seria isso possível? Aparentemente sim, já que alguém está matando pessoas muito próximas a Thad, e ele jura que o culpado é George Stark. Ou seria ele mesmo?

Uma coisa interessante no fim das contas é que o próprio King escreveu livros sob um pseudônimo por um tempo de sua vida. Richard Bachman tinha livros muito mais sombrios do que o King, que começou a usar esse nome para tentar entender se suas obras vendiam pela fama do seu nome ou por serem boas. A Metade Sombria surgiu justamente por que em 1985 a história foi descoberta e King precisou se livrar de Bachman. 

Stephen King, na minha opinião, é o único autor capaz de criar cenários ridiculamente bizarros e fazer com que a gente acredite neles. Às vezes podemos até pensar que nada tem lógica, mas sentimos medo/tensão do mesmo jeito. Por exemplo, como explicar o fato das digitais e do DNA do assassino serem as mesmas de Thad Beaumont, sendo que é impossível que ele tenha cometido os crimes? Isso porque sempre havia alguém com ele nesses momentos, então confirma que seria tecnicamente impossível, não é?

Além de achar o desenvolvimento de A Metade Sombria sensacional — não só o enredo, mas também os personagens — gosto mais ainda de a história em si ser tão ligada ao King. Eu sei que cada livro dele é um pedaço dele, mas sempre que ele cria um protagonista que é escritor, é muito mais fácil enxergar essa essência. Ao meu ver, Beaumont é nada mais nada menos que um "outro eu" do King.

Ademais, como o próprio nome indica, esse é um dos livros mais sombrios do Mestre simplesmente porque ele mexe com o leitor na medida em que trabalha com a personalidade do personagem, que não deixa de ser uma pessoa comum, que tem um trabalho comum e uma família comum. Quer dizer, ele trabalha com a dualidade de todos nós, seres humanos, afinal, todos não dizem que cada um tem um lado bom e um lado ruim?

A nova edição da Suma está uma maravilha, dispensa comentários. Não vejo a hora de relançarem mais livros sensacionais na Biblioteca Stephen King. Ah, só um último aviso antes de mais uma leitura incrível: no final desse livro tem spoiler do próprio King sobre O Concorrente, que é outra obra do autor. É bom avisar :P

9 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Coração fica tão feliz quando há resenha de algum trabalho do Mestre King!Ainda mais quando é um livro que eu ainda não li.
    Vale dizer que esta coleção capa dura está um escândalo de linda e eu preciso urgente completar a minha!
    Gosto muito disto de pseudônimo hoje em dia, dá para conhecer um autor(autora) em outras vertentes da literatura e isso é maravilhoso!
    Com certeza, lerei!!!
    Beijo

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  3. Não sei nem se tenho coragem de ler algo mais sombrio dele. Já li do autor e gostei desse jeito de trabalhar o personagem e a mente, da tensão. Mas algo mais macabro acabo fugindo. Gostei das coisas que disse do enredo e de como faz o leitor se borrar mesmo com umas coisas sem logica. Isso é bem interessante porque dá pra ver que ele consegue escrever algo que mexe muito com a gente. Mas vou dizer que esse mão sei se leria. Não é lá meu estilo.

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  4. Que enrascada Thad se meteu hein? Criou uma digamos, alter ego, que por um tempo o ajudou a realizar o sonho de ser escritor mas que se tornou sua Metade Sombria.
    #Curiosa para saber se existe realmente um Stark

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  5. Oi Jéssica,
    O que mais gosto do King além da diversidade de suas histórias são esses elementos reais que fazem parte de sua vida como escritor e que, consequentemente, fazem parte de nossas vidas como leitores. A ideia de ter dois personagens, mas estes serem a mesma pessoa é bem curiosa, pois já fico imaginando como essa narrativa funciona. Thad tem uma personalidade bem clara, é pai, marido, autor, mas quando ele é Stark o quanto disso ainda faz parte dele? Esse é mais um livro de King que nunca tinha ouvido falar e, por isso, agradeço que a Suma tem feito esses relançamentos e ainda mais nessas edições maravilhosas.
    E obrigada por avisar sobre o spoiler ao final do livro!!

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  6. Ah, livros do King não são o meu forte, ainda mais sabendo que esse é um dos mais sombrios do autor.
    Mas acho genial a premissa, ele parece escrever com maestria.
    E essas novas edições estão incríveis.

    Beijos

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  7. Não leio livros de terror. Nunca li nada do King, mesmo sabendo que ele tem um livro bastante conhecido sobre a escrita. Quanto ao livro A metade sombria, achei interessante o autor já ter utilizado um pseudônimo, o que demonstra que a construção do protagonista foi inspirada no próprio King.

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  8. É difícil conseguir imaginar o que se passa pela mente do mestre King. Mais um livro que deve ser sensacional e muito mais baseado na sua própria vida. O que será que acontece com o Thad? Será que ele vence o seu outro eu? Será que é ele mesmo o assassino? Muito curiosa. Preciso ler esse livro do King.

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