28 de junho de 2019

Resenha: Agora e Sempre

O premiado romance histórico da autora best-seller Judith McNaught com orelha assinada por Carina Rissi.
Após perder os pais em um trágico acidente, Victoria Elizabeth Seaton é enviada para a Inglaterra, onde se espera que reivindique seu lugar de direito na sociedade inglesa. Assim que chega à suntuosa propriedade de Jason Fielding, ela é vista por seu tio Charles como a mulher perfeita para o sobrinho. Assustada com a má fama do marquês de Wakefield, Tory jamais pensaria que sob a frieza e a amargura de Jason haveria lembranças de um passado doloroso a atormentá-lo. Ele, por sua vez, acredita ser incapaz de amar de verdade, quem quer que seja. Juntos, Victoria e Jason descobrirão até que ponto se pode conter um coração que quer se entregar e todos os obstáculos que só um amor verdadeiro é capaz de vencer.

Título Original: Once and Always
Autora: Judith McNaught
Páginas: 350
Tradução: Cristina Laguna Sangiuliano Boa
Editora: Bertrand Brasil
Livro recebido em parceria com a editora
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Provavelmente toda vez que sai uma resenha minha sobre algum romance histórico aqui no Roendo Livros vocês já esperam a coisa mais negativa do mundo, né? Não tiro a razão de ninguém, já que tenho um enorme problema com o gênero e não consigo esconder minha indignação com a posição das mulheres na sociedade no século em que as histórias se passam. E não, a impressão que as autoras tentam passar de "mulheres que estão à frente do seu tempo" também não me desce, porque no fim elas estão presas à um casamento e só. Mas por incrível que pareça a crítica de hoje vai ser um pouquinho diferente, já que eu acabei gostando de algumas coisas em Agora e Sempre — mas não se enganem, há várias ressalvas, é claro.

Agora e Sempre é o primeiro livro da série Sequels e a Bertrand Brasil está relançando todos os volumes com capas novas e maravilhosas. Aqui, conhecemos a história de Victoria Elizabeth Seaton, que levava uma vida bastante simples ao lado de sua irmã, Dorothy, até a morte súbita de seus pais. Antes de dar o último suspiro sua mãe menciona dois parentes, o Duque de Athernon e a Duquesa de Claremont, avó das meninas — até então, ninguém fazia ideia de Katherine possuía sangue nobre. Acontece que Victoria se parece tanto com a falecida mãe que a duquesa se recusa a recebê-la, deixando seu destino nas mãos do duque, que vê nisso uma oportunidade de casá-la com seu "sobrinho", Jason Fielding. 

Gente, gente. Eu simplesmente não tenho a mínima ideia do que pensar dessa história. Até mais da metade do livro eu estava realmente gostando, porque, aparentemente, McNaught tem o dom de fazer o leitor se apaixonar pelos personagens logo de cara. O enredo também não é ruim, e olha que vocês me conhecem muito bem e sabem o quanto sou crítica em relação à enredos de romances históricos. Por outro lado, eu fiquei extremamente irritada com as cenas machistas presentes aqui, mais que o normal! E olha que para o gênero eu relevo um monte de coisas, afinal, estamos falando geralmente sobre os séculos XVIII e XIX. 

Jason, o par romântico de Victoria, é extremamente agressivo e Judith McNaught justifica essa característica com o passado sofrido dele. Jason passou por muita coisa terrível e, de certa forma, até dá para entender ele ser frio e não ter mais esperanças no amor, até porque romances de época têm muito disso, né... Só que ser frio & triste é uma coisa totalmente diferente de ser violento. A noite de núpcias deles foi um show de horrores! Eu não tô nem aí se isso é spoiler, mas ele estupra a menina, gente! Tá na cara que ela não quer estar ali, não quer estar com ele, e mesmo assim ele força! O ódio maior é que a autora dá a entender que isso é uma coisa natural, mas obviamente não é! Fico pensando como que um autor consegue acabar com uma história tão bonitinha em um passar de páginas.

Apesar disso, a construção da narrativa é tão boa que a gente até sente ódio do personagem, das ações dele e dessa cena deplorável que me fez ter vontade de jogar o livro na parede, mas não consegue sentir raiva a história em si por causa de uma coisa: Victoria. Ela é tão amável & forte & boazinha & espirituosa que é impossível não torcer por ela, se apaixonar por ela. O jeito que ela trata as pessoas, principalmente os criados de Jason — que, inclusive, ele mal sabe os nomes —, é a coisa mais maravilhosa do universo. Simplesmente não existe isso de posição social para ela.

Então, Victoria salva o enredo de certa forma, mas por mais que existam coisas boas em Agora e Sempre, que são diferentes dos outros livros de forma positiva, nada pode apagar uma cena de estupro, que continua sendo estupro, não amor, nos séculos XVIII, XIX, XX e XXI, não importa. Não sei se posso ser mais clara que isso. Posso estar sendo incoerente se levar em conta a nota que dei para o livro no Skoob e detesto ficar nessa posição, ainda mais em uma situação como essa, mas Victoria é realmente uma protagonista muito boa para ser esquecida por um erro grotesco da autora.

14 comentários:

  1. Como já disse outras vezes por aqui eu curto muito romance de época. Ainda não li nenhum livro da Judith. Apesar de estar com a Dinastia Westmoreland na fila para ser lido.
    Quando vi que essa série seria (re) lançada fiquei curiosa mas decidi ler primeiro A Dinastia Westmoreland para ver se curto a escrita da Judith.
    Quanto a suas críticas a Agora e Para Sempre concordo que o comportamento do Jason na lua de mel é totalmente reprovável.
    Gosto dos mocinhos "quebrados" mas há um limite que não se ultrapassa.

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    1. Tipo, a escrita dela é realmente formidável, passa num segundo! E a história até o ponto da lua de mel tava até legal (e olha que pra eu falar isso tem que ser mesmo bacana), mas né... Não consigo passar pano!

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  2. Li faz muito tempo e lembro que amei essa história. A personagem é daquelas que ganham a gente mesmo. Mas vendo coisas dele hoje em dia iria amar e odiar por uns detalhes. Nem lembro muito mais, mas isso da noite de núpcias rapaz...
    Gosto muito dos livros da autora e lembro que a cada um que lia era amor e mais amor. Mas ler hoje em dia já sei que iria ver as coisas de forma bem diferente. Tem umas coisa pesadas, coisas de época que são terríveis e é fo#@ porque nesse tipo de livro acaba ficando como normal mesmo. Mas é isso aí. Amar umas coisas, detestar outras. Ela tem coisa pior ta. Isso aí ainda ta "normal" pra enredo dela. Lembro de um que olha...muita coisa errada. Mas aí é com cada um.

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  3. Oiii ❤ Nossa, estou horrorizada! Além de machismo, esse livro também tem uma cena de estupro! Eu não esperava por isso, não é porque naquela época as coisas eram diferentes que o marido tem o direito de forçar a mulher a algo que ela não quer. Esse livro caiu no meu conceito, pelo que tinha ouvido, parecia tão fofinho.
    Fico triste que um livro que parece ter começado tão bem, tenha tomado outro rumo. Concordo com você que o passado de Jason pode justificar sua frieza, mas nunca o fato de ele ser violento.
    Só sinto pena de Victoria, que parece um anjo, ter que conviver com alguém como Jason.
    Adorei sua resenha, gosto muito de resenhas com opiniões tão sinceras ❤

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  4. A vontade que eu tenho em ler os livros dessa autora em norm porém sempre que eu vou começar essa leitura eu acabo pulando a vez ele o outro livro no lugar. A Vitória e o Jason me chama bastante atenção mas pelo visto muita gente achou que esse livro não agradou e É uma pena porque a proposta dele é maravilhosa

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  5. Amei sua resenha! Gosto muito de ver sua posição em relação a essas histórias.
    Não leio tanto romance de época, em parte porque ainda não me acostumei, mas já li alguns nacionais que me surpreenderam.
    Tenho vontade de ler algo da Judith, ela parece criar uma história diferente; e isso me chama atenção.

    Beijos

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  6. Oi, Ana
    Não leio muito romances de época, mas li um nesse ano.
    Tem muitas coisas complicadas em relação daquela época sobre um patriarcado e as mulheres serem submissas.
    Ainda bem que a protagonista salva o enredo, ainda não li nada da autora. Mesmo com essas ressalvas quero conhecer sua escrita.
    Beijos

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  7. Também não gosto de romances de época. Admiro vc que, mesmo tendo uma opinião muito clara a respeito do gênero, ainda consegue ler e apontar as qualidades que a obra apresenta.

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  8. Oi, Ana
    Também não gosto muito de livros de época por ter tanto machismo e cenas hot.
    Eu tinha vontade de ler os da Judith mas li várias resenhas de vários de seus livros e quase todos falam sobre como ocorrem estupros nele tidos como nornal. Fiquei chocadissima.
    Não lerei nada dela não.
    Bjs

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    1. O maior problema é o machismo, na minha opinião. E acaba que a parte de sedução vem muito desse machismo, né? É por isso que eu costumo não gostar.
      Gente, agora eu fiquei até com receio de ler os outros livros dela por causa desse trem dos estupros. Gente, não dá! Que isso...

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  9. Olá! Nossa, geralmente vejo só comentários e resenhas positivas em relação aos livros da Judith, mas ela com certeza caiu no meu conceito ao colocar uma cena de estupro no livro. Que horror! Não importa o século, estupro é estupro!
    Victoria parece uma personagem incrível, com certeza ela não merece alguém tão violento quanto Jason.
    Obrigada pela sinceridade, resenhas sinceras são as melhores! ♡
    Beijos! ♡

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  10. A Judith tem uma escrita que te prende mesmo. Esse livro eu li há alguns anos e até gostei. Mas realmente essa cena da noite de núpcias é terrível. Concordo com você, não é porque o cara teve um passado sofrido que ele pode agir dessa maneira. Eu ainda pretendo ler a sequência dessa série.

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  11. Oi, Ana!!
    Adoro um bom romance de época mas tenho um pé atras com a autora Judith McNaught, pois li a muito tempo um livro dela que não gostei e acabei não lendo mais nada da autora. E sempre gostei de mocinhos que são sofridos mas acho que nada justifica um estupro.
    Bjs

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  12. Olá Ana! Sou bem suspeita pra comentar pois amo um romance de época, já li alguma coisa dessa autora a anos atras, romance de banca, estou bem curiosa em ler essa série e cada resenha que vejo dos livros, fico ainda mais ansiosa em conferi isso tudo que dizem.
    Bjs

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