9 de setembro de 2019

Resenha: Daqui Pra Baixo


Aos 15 anos, Will conhece intimamente a violência. Ela está à espreita no dia a dia de seu bairro, nos avisos para que não volte tarde para casa, nos sussurros dos vizinhos sobre mais uma pessoa que foi morta. Dessa vez, os sussurros são sobre seu irmão mais velho. Shawn foi assassinado na rua onde a família mora. 
Contado do ponto de vista de Will, Daqui pra Baixo é uma narrativa ágil que se passa em pouco mais de um minuto — o tempo que o elevador do prédio leva para chegar ao térreo. Esse é o tempo que Will tem para descobrir se vai seguir as regras de sua comunidade ou se é possível não perpetuar o ciclo de violência. 
A regra número 1 é não chorar. A número 2, nunca dedurar alguém. A terceira, a crucial: se fazem algo com você ou com os seus, é preciso se vingar. A curta trajetória do elevador é ritmada pelas paradas em cada andar e por aqueles que aos poucos ocupam a cabine e os pensamentos de Will. Cada rosto tem uma história de vida e de morte. Will, em questão de segundos, vai definir a dele. Originalmente escrito em prosa, depois em verso, Daqui Pra Baixo faz a emoção — a confusão, a revolta, o medo — de um garoto armado que sai para vingar o irmão crescer também no peito de quem lê. Um livro impossível de ignorar.

 Título Original: Long Way Down
Autor: Jason Reynolds
Páginas: 320
Tradução: Ana Guadalupe
Editora: Intrínseca
Livro recebido em parceria com a editora

Com certeza Daqui Para Baixo é diferente de tudo o que eu já li. O livro chamou minha atenção logo na divulgação do Intrínsecos, o clube de assinatura da Editora Intrínseca. Além de falar sobre violência, todo o burburinho acerca de toda a história se passar em 67 segundos me deixou louca de curiosidade. E é isso mesmo que vocês leram, a história contada por Will, um adolescente de 15 anos que perdeu o irmão para a violência, se passa em um elevador, durante 67 segundos.

Will foi apresentado às regras muito novo:
1. Não chorar;
2. Nunca dedurar alguém;
3. Se vingar. Sempre.
Ele não chora, não dedura e está a um passo de cumprir a terceira regra. A única coisa que ele precisa fazer é matar o cara que matou seu irmão. Quando ele entra no elevador do seu prédio com a arma escondida nas costas, já está tudo decidido. Mas esses 67 segundos do sétimo andar até o térreo podem mudar sua vida.

Apesar de ser muito novo, Will é acostumado com a violência e já viu ela de perto. Sua amiga de infância foi morta, seu tio foi morto, seu pai foi morto. E agora seu irmão. No elevador, em cada andar, ele recebe uma visita inusitada que o faz repensar o ciclo de violência que é uma regra no bairro onde vive. 67 segundos podem passar num piscar de olhos, mas também podem durar uma eternidade, como no caso de Will.


Daqui Para Baixo é diferente principalmente pelo seu estilo de narrativa, em forma de versos. Pode parecer estranho e nada a ver, mas funcionou extremamente bem. Combinou muito com a atmosfera angustiante que Will passa e prende do início ao fim. Foi escrito originalmente em forma de prosa, mas não consigo imaginá-lo dessa forma, para vocês terem noção do quanto os versos fazem jus a essa história. Dá para ler em uma sentada, em questão de no máximo duas horas, não só por causa do estilo, mas porque queremos saber a decisão de Will.

Engraçado é que esse livro é muito simples, mas eu fiquei muito tocada por ele. Daqui Para Baixo é pesado, cru, e mostra a realidade de vários jovens negros dos Estados Unidos, a realidade de vários jovens negros aqui do Brasil. Uma realidade triste e violenta, que faz refletir sobre o racismo institucional e essa desigualdade terrível em que vivemos.

O final do livro me surpreendeu um pouco, porque é aberto. Ou seja, não tive a resposta que eu queria, só pude imaginá-la. Mas sou uma pessoa muito esperançosa e otimista, no final das contas. Acredito que, além de mostrar essa dura realidade vivida em vários países, Jason Reynolds também quis passar uma mensagem: violência gera violência.

10 comentários:

  1. Uau!!!!Vou admitir que não conhecia o livro, mas enquanto lia a resenha, fiquei imaginando isso tudo na tela. Puxa, daria uma adaptação daquelas.
    E oh, a realidade de tantos jovens né? Que desde cedo, infelizmente, tem que aprender na dor,na perda e na raça, não somente a não chorar, mas a serem fortes e lutarem também para não caírem nisso da vingança, do tirar satisfação.
    Doeu imaginar isso de perder o irmão para a violência e do enredo ser estes segundos no elevador.
    Já vai com certeza para a lista dos mais desejados!!!!
    Beijo

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  2. Aquele 1 minuto que pode mudar tudo e muda não é?
    Interessante ser contada em versos que juntos contam a triste porém real história não só do Will mas de muitos jovens.
    Essas três regras que ele TEM que seguir achei duras demais. Principalmente a de não chorar. Mas regras são regras e em alguns casos mesmo que não concordemos é necessário seguir.

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  3. Adoreiii! Não tinha ouvido falar em nada igual. Um livro que se passa em 67 seguntos! É muito legal a maneira como o livro foi construido, em versos. Deve ser um livro que prende muito rápido, eu mesma ja quero saber qual decisão Will tomou. Visto que ele teve um vida extremamente difícil, e perdeu muitas pessoas, chega ser triste. Mas uma coisa é certa, que você disse, violência gera violência.

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  4. Olá! ♡ Confesso que ainda não tinha ouvido falar deste livro, essa é a primeira resenha que leio sobre o mesmo.
    Achei a premissa bem interessante e também o fato de o livro se passar em apenas 67 segundos, nunca li nada parecido e estou curiosa para ver como o autor fez isso.
    Acho muito importante o livro abordar temas ainda muito presentes na realidade em que vivemos como a violência, o racismo, a desigualdade.
    Parece mesmo uma leitura rápida, mas que marca e fica conosco mesmo muito tempo depois de termos terminado o livro.
    Muito obrigada pela indicação, com certeza vou ler! Beijos! ♡

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  5. Nem imaginava que era assim, bem diferente mesmo. Mas a forma de contar parece passar ainda mais emoção e deixar uma história que nos pega de jeito. Esse ciclo de violência é horrível e nem consigo imaginar o tanto de coisa que ele já passou, tudo que sentiu...faz pensar. 67 segundos marcantes então. Só fiquei pé atrás com esse tipo de final. Tem livro que fica pedindo por mais, aí não sei o que iria sentir lendo esse assim. Mas chama atenção.

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  6. Essa é a segunda resenha incrível que leio hoje! 👏🏻👏🏻👏🏻
    Eu já necessito desse livro, ainda mais com essa narrativa. E por ser tão curtinho e ainda assim transmitir tanto sentimento, nossa, me fascina.
    Acredito que vai amar A poeta X, a narrativa também é feita em versos e é uma leitura forte.

    Beijos

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  7. Achei interessante a história se passar em 67 segundos e ser escrita em versos.
    É triste pensar que o Will, com apenas 15 anos, já teve a amiga, o tio, o pai e o irmão assinados. Infelizmente, essa é a realidade de muitos jovens aqui no Brasil, que acabam reproduzindo o ciclo da violência, que envolve outras questões como racismo e desigualdade social.
    Pelo visto, acho que pelo fato da narrativa ser em forma de versos, a boa tradução foi essencial para a leitura ser tão fluida. Já foi para a minha lista de desejados!

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  8. Ana!
    Acredito que a forma mesmo que em prosa, porém no formato de poesia, pode ser para visualizarmos como se fosse um elevador, pelo menos foi assim que senti com sua foto.
    Deve ser bem chocante e diferente mesmo, tudo em 67 segundos, uauuuuuu!
    A realidade demonstrada no livro, é a que se vive em alguns lugares do EUA, triste.
    cheirinhos
    Rudy

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  9. Oiii ❤ Acho tão triste que Will tenha perdido tantas pessoas próximas dele e que onde viva existam essas três regras. Parece tudo tão cruel, que esse garoto sofre bastante.
    Gostei da crítica que o autor quis fazer no livro, é terrível saber que a desigualdade e o racismo ainda persistem, que negros ainda sofram tanto por isso.
    Eu realmente fiquei curiosa sobre a leitura, já que nunca imaginei que uma trama poderia se passar em apenas 67 segundos.
    Eu espero que Will tome uma decisão correta.
    Nunca entendi o que essa capa queria dizer, mas sabendo sobre o que a história se trata, ela parece ter todo o sentido.
    Beijos ❤

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  10. Olá!
    É por favor onde posso ter esse livro?! Fiquei muito interessada pela leitura, apesar que não leio muito a coisa em prosa mas me deixou bem curiosa e inusitada em relação a historia de Will. E como você diz violência gera violência, realmente ver uma família sendo morta por violência e horrível, até que entendo o lado de will. Espero ler logo!

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