23 de agosto de 2014

Resenha: O Oceano no Fim do Caminho

Título Original: The Ocean at the End of the Lane
Autor: Neil Gaiman
Páginas: 208
Tradução: Renata Pettengill
Editora: Intrínseca

Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino. Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.

Não sei muito bem o que me fez desejar tanto esse livro. Muito provavelmente se deu pela minha ânsia de ler alguma coisa um pouco diferente, mas acho que a capa e o próprio nome do livro ajudaram na escolha. A questão é que eu não tinha a mínima ideia do que esperar dessa obra. A estória é literalmente um mergulho de cabeça, mas em águas bem mais profundas do que se pode imaginar.

Após quarenta anos longe da casa onde foi criado, nosso protagonista, cujo nome não sabemos, é forçado a retornar àquele lugar para um velório. Acontece que o destino o leva à fazenda da família Hempstock, onde passou uma pequena parte da sua infância. Ao chegar lá, vai ao lago na propriedade (aquele mesmo que sua amiga Lettie o convenceu ser um Oceano) e começa a se lembrar exatamente de tudo o que aconteceu naquele tempo, quando tinha apenas sete anos de idade.

Seus pais estavam passando por um grave problema financeiro e resolvem alugar um dos quartos da enorme casa em que viviam. Para o azar do nosso protagonista, era justamente o quarto em que dormia, que tinha uma pia amarela instalada especialmente para ele. O quarto foi alugado para um minerador de opalas, que, poucos dias depois, foi encontrado morto no carro da família. O motivo? Suicídio. O problema é que essa morte foi o estopim para várias coisas obscuras que começaram a acontecer na região.

É exatamente nesse cenário que o garotinho conhece a família Hempstock, composta por três mulheres: avó, mãe e filha, que viviam em uma fazenda cheia de mistérios e segredos. Assim, o garoto vai nos contando as coisas que aconteceram na sua infância após conhecer Lettie Hempstock. O interessante é que Neil Gaiman não deixa totalmente claro se são lembranças ou apenas fantasias da cabeça da criança. 

— Nada nunca é igual — respondeu ela. — Seja um segundo mais tarde ou cem anos depois. Tudo está sempre se agitando e se revolvendo. E as pessoas mudam tanto quanto os oceanos.

Apesar de ser um livro adulto, tem uma narrativa bem simples e fluida, que se dá ao fato de ser contado por uma criança bem nova. Não me lembro se já disse isso aqui antes, mas eu amo livros narrados por crianças porque eles sempre têm aquele toque de inocência de alguém que ainda tem muita coisa para viver e muito para descobrir. 

Uma das minhas teorias sobre o nome do garotinho não ser citado ao longo da estória - o que me incomodou um tanto, confesso - é o fato do Gaiman ressaltar, nas páginas de agradecimentos, que alguns fatos do livro foram baseados na sua própria infância. Isso me faz pensar que, talvez, o garotinho seja uma imagem do próprio autor. Posso estar viajando um pouco, mas isso entrou na minha cabeça assim que terminei de ler os tais agradecimentos. 

A trama, apesar de girar em torno do garoto de sete anos e ser repleta de magia, traz mensagens atuais e adultas, como a ganância. Fico super impressionada como as pessoas nunca estão satisfeitas com aquilo que têm, por mais prósperas que sejam. O livro também aborda de uma forma bastante interessante temas como lealdade e amizade. 

"O Oceano no Fim do Caminho" é o terceiro livro do Neil Gaiman que li e só tenho mais uma coisa para dizer: o cara é simplesmente genial e acho que não há quem discorde. Com bastante simplicidade, o autor nos faz mergulhar de cabeça nas suas palavras, nos deixando sedentos por mais uma de suas incríveis estórias.

Classificação final: 

6 comentários:

  1. oie Ana
    esse livro foi meu primeiro contato com o Neil, mas infelizmente não rolou rs
    acho que eu não estava no clima, e acabei dando 3 estrelinhas.
    Mas pretendo ler novamente em breve.
    bjos
    www.mybooklit.com

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    1. Oi Jacque!

      Sério? Ai, eu gostei bastante.
      Que pena que só deu 3 estrelinhas. Espero que você goste quando reler.

      Beijo!

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  2. Oláááá!
    ainda não li NADA do Neil! #comopode?!
    Estou louca para conferir!
    Acho que a magia de se ler algo passado as vistas de uma criança deve ser mágico, ainda mais conseguindo abordar assuntos adultos com leveza! Estou louca para conferir!
    mas são tantos livros dele... juro que não sei por qual começar!

    Um beeijo Lara.
    Blog Meus Mundos no Mundo | | Página Coração Furta-Cor

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    1. Oi Lara!

      Como pode mesmo, menina! Para mim, ele é um gênio da literatura e ponto final.
      Eu gosto demais de livros narrados por crianças, acho que tem mais magia mesmo.
      Comece por "Coraline".

      Beijo!

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  3. Oi Ana!

    Apesar de não ter lido o livro, acho que sua teoria sobre o personagem principal ser uma reflexo do autor muito válido e confesso que isto me deixou muito curiosa, principalmente por conta dos pontos que você citou, a obra que me parece ser maravilhosa e planejo ler em breve. :D

    Beijos.

    www.daimaginacaoaescrita.com

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    1. Oi Sammy!

      Então, me veio isso na cabeça mesmo. Fiquei até com medo de estar falando besteira, mas resolvi comentar sobre isso mesmo assim. rs
      Espero que você aprecie a leitura!

      Beijos!

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