28 de setembro de 2014

Resenha: Fique Onde Está e Então Corra

Título Original: Stay Where You Are and Then Leave
Autor: John Boyne
Páginas: 224
Tradução: Henrique de Breia e Szolnoky
Editora: Seguinte

Em meio às tragédias da Primeira Guerra Mundial, o amor é a única arma de um garoto para curar seu pai. Alfie Summerfield nunca se esqueceu de seu aniversário de cinco anos. Quase nenhum amigo dele pôde ir à festa, e os adultos pareciam preocupados — enquanto alguns tentavam se convencer de que tudo estaria resolvido antes do Natal, sua avó não parava de repetir que eles estavam todos perdidos. Alfie ainda não entendia direito o que estava acontecendo, mas a Primeira Guerra Mundial tinha acabado de começar. Seu pai logo se alistou para o combate, e depois de quatro longos anos Alfie já não recebia mais notícias de seu paradeiro. Até que um dia o garoto descobre uma pista indicando que talvez o pai estivesse mais perto do que ele imaginava. Determinado, Alfie mobilizará todas suas forças para trazê-lo de volta para casa.

No dia 28 de junho de 1914, o assassinato do arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono da Áustria-Hungria, pelo nacionalista iugoslavo Gavrilo Princip, em Sarajevo, foi o gatilho imediato da guerra. Exatamente 30 dias depois desse acontecimento, o Império Áustro-Húngaro declarou guerra contra o Reino da Sérvia, iniciando assim a Primeira Guerra Mundial. 

Nesse mesmo dia, 28 de julho de 1914, Alfie Summerfield comemorava seu aniversário de cinco anos. Porém, não foi uma festa muito movimentada, já que quase nenhum dos seus amigos compareceu e todos os adultos estavam aflitos e pensativos. No dia seguinte, Georgie Summerfield resolve fazer uma "surpresa" para sua família: chegou em casa fardado, dizendo que se voluntariou para lutar com o exército inglês. 

Muita coisa mudou após esse dia. A mãe de Alfie trabalhava de 12 a 14 horas por dia e, ainda assim, o dinheiro era escasso. E quatro anos se passam com a família nessa situação, mas com um adicional: Alfie simplesmente para de receber notícias do pai. Com essa preocupação a mais, o garoto resolve ajudar a mãe engraxando sapatos na estação King Cross. 

É exatamente em um dos seus dias de trabalho que Alfie descobre uma pista da localização do seu pai, e a partir daí faz de tudo para trazê-lo de volta para casa. 

— Se Praga é tão maravilhosa — ele perguntou —, então por que o senhor se mudou para Londres?
O sr. Janáček abriu um imenso sorriso e ele pareceu mais feliz do que todas as outras vezes em que Alfie o tinha visto.
— Pela melhor razão do mundo — ele explicou. — Por amor.

Meu primeiro contato com o John Boyne foi "O Menino do Pijama Listrado". Da mesma forma que o autor me tocou com essa obra, ele o fez em "Fique Onde Está e Então Corra". Apesar de ser em terceira pessoa, o livro me agradou bastante com sua narrativa simples e tocante através dos olhos de Alfie, que faz de tudo para ajudar mesmo estando em um momento ruim. 

O livro, apesar de se passar durante a Primeira Guerra, não fala propriamente dela. O tema retratado é um pouco mais sofrido: como a Guerra pode mudar as pessoa, os traumas que ela pode trazer e suas inúmeras outras consequências. 

É incrível acompanharmos a determinação de Alfie, que é o que o move durante toda a história. O modo com que ele tenta tornar as coisas mais fáceis para a mãe, o desejo de rever o pai e principalmente a esperança de que tudo acabe bem é maravilhosamente mostrada de forma muito sensível. 

Apesar de ser um infanto-juvenil, acredito que a obra é digna de todos os públicos, só peço que não esperem um enredo muito complexo nem muito detalhado. "Fique Onde Está e Então Corra" é o exemplo perfeito de que por maior que seja o sofrimento, sempre é possível superá-la com a dose certa de amor.

Classificação final: 

9 comentários:

  1. Esse livro parece ser muito bom!!
    www.s2nopiquedamoda.blogspot.com.br

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  2. Oi Ana!
    Li esse livro semana passada e tive a mesma impressão que você: não é sobre a guerra. É sobre o impacto dela nas pessoas.
    Gostei muito do Alfie, mas confesso que não foi um dos livros do John Boyne que mais gostei.
    Beijos
    alemdacontracapa.blogspot.com

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    1. Oi Mari!

      E não é? Eu gostei bastante também, mas ainda prefiro "O Menino do Pijama Listrado".

      Beijo!

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  3. Já li muito sobre a segunda guerra, mas nada sobre a primeira. Guerra sempre é guerra, não deve mudar muita coisa, ainda mais sobre a perspectiva que o livro fala. Mesmo assim parece uma boa leitura.

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    1. Oi Suzana!

      Também acho que não muda muito também não, tudo é sofrimento.
      Eu gostei bastante, mesmo sendo infanto-juvenil.

      Beijo!

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  4. Oi, Ana! Tenho muita vontade de ler os livros do John Boyne! Esse vem chamando minha atenção desde o seu lançamento! E essa capa? Muito linda! Adorei sua resenha! :)

    Abraço

    http://tonylucasblog.blogspot.com.br/

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    1. Oi Tony!

      Ah, leia mesmo. São uns amores.
      Também gostei bastante da capa.
      E muito obrigada, que bom que gostou.

      Beijos!

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  5. Olá Ana! :D

    Eu confesso que não gostei muito dessa capa, e este é o motivo de não ter comprado o livro até hoje KKKK. mas a sua resenha me fez mudar de opinião! Por mais que o livro não seja tão aprofundado em certos assuntos, do jeito que sou chorona, acho que me emocionaria muito com a leitura! E eu amo isso <3 rs. Ótima resenha!

    Beijos,
    Ana M.
    www.vicioemlivros.com

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    1. Oi Ana!

      Ah, eu gostei. Não é minha preferida, mas achei muito bonitinha e bastante condizente com o conteúdo do livro. Que bom que minha resenha atiçou sua curiosidade, espero que goste também.

      Beijo!

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