18 de agosto de 2015

Resenha: Fragmentados

Título Original: Unwind
Autor: Neal Shusterman
Páginas: 368
Tradução: Camila Fernandes
Editora: Novo Conceito
Livro recebido em parceria com a editora.

Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria. Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe. O vencedor do Boston Globe-Horn Book Award, Neal Shusterman, desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo.

Todo mundo sabe que distopia é um dos meus gêneros favoritos. Posso não saber absolutamente nada sobre o livro, podem falar horrores dele para mim, mas se for uma distopia eu vou querer ler do mesmo jeito. Quando a Novo Conceito divulgou o booktrailer de Fragmentados, não precisou de mais nada para despertar a minha curiosidade. 

Após a Segunda Guerra Civil, conhecida entre a população como Guerra de Heartland, foi aprovada uma lei, a Lei da Vida, que permite que crianças e adolescentes enter 13 e 18 anos possam ser "abortadas". As crianças são protegidas pela lei até os 13 anos de idade, mas após essa idade os pais podem assinar um termo de fragmentação caso achem que o filho está causando problemas demais. A fragmentação consiste em retirar cada pedacinho do indivíduo que será usado em alguma pessoa que esteja precisando: órgãos, sangue, pedaços do corpo... O fragmentado é 100% aproveitado, digamos assim. O mais bizarro de tudo é que as pessoas realmente acreditavam que esse processo não era problema nenhum, já que a pessoa continuava viva, apesar de ter sido totalmente dividida.

Assim, tendo em vista esse contexto, acompanhamos a vida de três personagens que estão a ponto de ir para a fragmentação: Connor, um garoto de 16 anos meio rebelde que descobriu por acaso a sua ordem de fragmentação enquanto procurava um grampeador no escritório do pai; Risa, uma talentosa musicista que é órfã e tem o seu destino decidido pelo governo aos 15 anos; e Lev, que possui 13 anos e a história mais peculiar de todas as três. Lev é o décimo filho de uma família totalmente fanática por religião, portanto, ele é um Dízimo. Isso significa que desde pequeno está sendo preparado para ser fragmentado, com o seu total consentimento. Apesar de serem pessoas tão diferentes, eles possuem algo em comum: são fugitivos (com exceção de Lev, que quer ser fragmentado e demora um pouco para aceitar a realidade).

— Talvez. Talvez não. Você aprende uma coisa depois de ter vivido tanto quanto eu vivi: as pessoas não são completamente boas nem completamente ruins. A gente passa a vida toda entrando e saindo das sombras e da luz. Neste momento, estou feliz por estar na luz. (pág. 108)

A obra é dividida em sete partes muito bem construídas. É narrado em terceira pessoa sob diversos pontos de vista, não só dos personagens principais, apesar de, é claro, basicamente tudo girar em torno deles. Conhecemos o íntimo de Connor, Risa e Lev desde o momento em que conseguem fugir, assim acompanhamos passo a passo da luta pela sobrevivência dos três. A narrativa do Neal Shusterman é empolgante, dá aquela sensação de angústia e ansiedade a cada capítulo que passa, coisa que eu adoro em livros desse gênero.   

Confesso que a fragmentação em si me deixou um pouco (muito) revoltada. Quem, em sã consciência doaria o filho para ser partido em mil pedaços? Acredito que a criança/adolescente entre 13 e 18 anos passa por mudanças e variações hormonais muito grandes, por isso ficam irritadas e costumam fazer bobagens muito mais fácil. Por mais rebelde que a criança seja, não acredito que precise de um método assim tão radical. Aliás, os pais teriam que ser bem frios para submetê-las a um processo tão cruel. Uma cena em especial, que narra detalhadamente uma fragmentação, me deixou de cabelo em pé de tanta gastura. 

Fragmentados é, provavelmente, um dos livros mais originais que eu li na vida. Apesar de ser uma série, a Shusterman escreveu um fim tão digno que, para mim, não precisa de continuação. Os personagens, diferentemente das distopias que já li, não são ingênuos e frágeis (talvez Lev fosse um pouco no início, mas ele era meio cego, tadinho...). O enredo é incrível e mostra a importância da doação de órgãos. Eu já sou doadora, avisei para toda a minha família. Manter a família informada é muito importante, portanto, se você quiser ser um doador de órgãos também, não deixe de avisar.

Classificação final: 

9 comentários:

  1. Oi, Ana! Tudo bem? Eu acho a premissa de "Fragmentados" bem legal e as várias resenhas que tenho lido sobre a obra aqui na blogosfera só tem feito com que a minha vontade de lê-lo aumentasse! Você já é a segunda pessoa que diz que ficou meio desconcertada com as cenas de fragmentação e eu já estou ficando com medo disso! hahaha Adorei a resenha! :)

    Abraço

    http://tonylucasblog.blogspot.com.br/

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  2. Oi Ana!
    Exatamente a minha reação: quem em sã consciência faria uma coisa dessas?! Mas isso é o que eu acho mais interessante na distopia: ver personagens que acham normais as coisas que para nós parecem completamente absurdas.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  3. Oie Ana =)

    Confesso que esse livro não me chamou a atenção. Embora as resenhas que venho lendo dele seja bem positivas a história em si não me deixa com aquela pontinha de curiosidade para conhecer o livro sabe rs...

    Fico feliz em saber que você curtiu a história =D
    Ótima resenha!

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary

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  4. Oi Ana,
    Ótima resenha!
    Adorando as resenhas que estou lendo desse livro.
    Sempre gosto das premissas das distopias, e esse não é diferente.

    Por esses relatos da cenas de fragmentação, daria um ótimo filme haha

    bjs
    Nana - Obsession Valley

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  5. Geeente, que coisa mais sinistra! Não sabia que as pessoas eram fragmentadas assim nesse livro o.o kkkkk
    Mas fiquei com muita vontade de ler, mesmo sendo sinistro. rs
    Ótima resenha!

    Bjos :*
    fantasiandocomoslivros.com.br

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  6. Olá,
    Ando fugindo de distopias, li tanto do gênero que cansei, cansei mesmo. Tenho aindo muitos livros do tipo aqui em casa esperando para serem lidos, porém falta mesmo entusiasmo. Confesso que nem leria esse livro por não ter me interessado.
    Beijos.
    Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

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  7. Oi Ana.
    Adorei sua resenha!!!
    Esse livro está entre minhas metas de leitura para os próximos dias.
    Distopia também é um dos meus gêneros favoritos. *--*
    Eu adorei a proposta desse livro, super bizarro. Me deixou muito curiosa. kk'
    Com a sua resenha, eu fiquei ainda mais curiosa, principalmente depois de você dizer que é um dos livros mais originais que você já leu.
    Beijos!!

    http://www.lostgirlygirl.com/

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  8. Oiii
    Adorei sua resenha
    Mostrou exatamente os seus sentimentos por ele , gostei bastante
    Também solicitei para a editora ,mas agora com sua resenha vou furar a fila dos livros a serem lidor e ler esse!
    Beijos
    http://www.oclubedameianoite.com/

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  9. Sou completamente louca para ler esse livro, sua resenha foi maravilhosa super sincera e instigante!
    Amei!

    Beijos
    Dani Cruz
    blog-emcomum.blogspot.com.br
    Twitter - @blogemcomum / Insta - @blogemcomum / Fanpage Em Comum

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