21 de fevereiro de 2016

Resenha: Ball Jointed Alice

Título: Ball Jointed Alice
Autor: Priscilla Matsumoto
Páginas: 212
Editora: Draco
Livro recebido em parceria com a editora.

Frank é um homem sem esperança nenhuma. Um punk com um passado insano que, numa manhã de ressaca, acorda com uma boneca lhe desejando bom dia. Ele sabe bem quem é essa boneca e como ela se chama. Alice é uma ball jointed doll criada por Frank em seu projeto mais ambicioso: recuperar as memórias e os sentimentos por uma louquinha de mesmo nome. Mas ao tentar puxar a linha da lembrança do embolado novelo que é o passado, Frank acaba puxando a linha da tragédia. Acompanhado por seus antigos companheiros de hospício: a gothic lolita Tay, o estudante de direito Shin e a sociopata Emi, ele se envolve em um plano de vingança contra o hospital que os massacrou a alma e levou Alice à morte. Ball Jointed Alice – Uma história de amor e morte é um sensível romance de Priscilla Matsumoto. Flutuando entre a melancolia e o erotismo, esse é um relato cru de uma juventude cínica que parece perdida, mas que sabe demais sobre a natureza do mundo para não desistir dele.

Vivo me perguntando se um dia conseguiremos entender a mente humana. Sempre fiz alguns questionamentos em relação a isso, mas depois de ler Ball Jointed Alice comecei a pensar que todo mundo tem suas loucuras. Depois eu comecei a achar que eu era muito louca, porque durante a leitura, senti que entendia e não entendia a história ao mesmo tempo. Tudo bem, vocês não são obrigados a compreender o que eu estou tentando falar.

O livro é narrado por Frank, um cara totalmente insano, ninfomaníaco, viciado em café e outras drogas que foi violentado sexualmente pelos pais na infância. Toda história gira em torno dele e da boneca Alice, uma personificação de um amor platônico que o personagem teve enquanto estava internado no hospício. Ah, detalhe: a Alice verdadeira se matou e, de alguma forma, a boneca se comporta como uma humana. Não esperem uma explicação para isso, é apenas assim e ponto final. 

Falando em hospício, o livro é todo isso, uma versão totalmente doentia de Alice no País das Maravilhas. Em diversas vezes me senti perdida com a narração de Frank. Em nenhum momento conseguimos distinguir o que é real do que é imaginário. Na verdade, o mundo paralelo de todos os personagens se mistura tanto a todo momento com a realidade que é difícil saber se os acontecimentos narrados são, de fato, reais. 

[...] Menos de dois minutos depois, pingos grossos e gelados batiam no meu rosto. Segurei sua mão com força, impedindo que ele corresse para dentro.
— Deixa, é só água. Não é fogo. — ri.
Ele me puxou para perto de si novamente e seu rosto, antes preocupado em fugir do temporal, se desanuviou. — Você pões fogo na chuva.
(pág. 52) 

A narrativa do livro é super rápida e fluida, acho que principalmente pelo fato de que, no começo, Ball Jointed Alice ter sido uma fanfic. Se tem uma coisa que eu gosto nesse mundo é quando autores de fanfics são reconhecidos, dá uma felicidade no coração que vocês não imaginam. Apesar de ser rápida, não posso dizer que é uma leitura fácil, não é para qualquer tipo de pessoa. 

As cenas de sexo são totalmente casuais e presentes, o que é aceitável, já que é a única forma que Frank encontrou para interagir com as pessoas. Mesmo assim incomoda um pouco. Tudo bem, uma cena erótica aqui e ali é normal, mas não o livro inteiro. A autora também não economiza nos palavrões e frases chulas. Portanto, se você não gosta desse tipo de literatura, é melhor abandonar a ideia de ler esse livro aqui. 

Ball Jointed Alice é mais sobre o mundo que se passa em nossa cabeça do que qualquer outra coisa, sobre o real e o abstrato, a loucura e a lucidez, como diz o Humberto Gessinger e uma de suas canções. Não é um livro para qualquer pessoa e, no final, há aquele sentimento de confusão, não que isso seja ruim. Talvez desagrade àquelas pessoas que gostam de todas as coisas esmiuçadas, mas ainda assim é uma boa leitura. 

Classificação final: 

9 comentários:

  1. Oi Ana, que coisa mais louca. rsrs Enquanto lia tinha a impressão que você estava descrevendo Sucker Punch, um filme mucho loko que infelizmente não rolou para mim. E também tem isso de real x imaginário. Definitivamente não leria.

    Beijos

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  2. Oi Ana! Tudo bem?
    Não sei se leria o livro, mesmo sendo fã de histórias que vieram de fanfics, eu amo isso. Tenho certo problemas com personagens muito loucos, pois acabo sendo afetada pela loucura deles, já sempre mergulho na leitura de tal modo que chego a sentir o mesmo que os personagens. Apesar disso achei a história bem interessante.
    Adorei sua resenha.
    Um grande abraço e até a próxima.
    >>Dhessy

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  3. Oiee ^^
    Eu também gosto bastante de fanfics, mas não sei se leria esse livro. Histórias narradas por personagens confusos, lunáticos ou algo do tipo sempre me confundem bastante, então eu nunca consigo gostar totalmente dos livros, sabe? Essa coisa toda de sentimentos de confusão não é comigo *-*
    MilkMilks
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  4. Oi, flor!
    Achei muito legal a sua resenha sobre essa obra. Estava mesmo curiosa sobre ela. No entanto, o fato de ter muitas cenas de sexo e não se aprofundar na "loucura" do personagem me desencantou. Não pretendo investir nessa leitura por enquanto, embora tenha gostado de saber que a autora tem uma pegada punk.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

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  5. Realmente não curto palavrões e frases chulas, muito menos cenas de sexo tão presentes em um livro - algumas eu consigo até superar, mas muitas realmente não dá pra encarar. Já não tinha me interessado muito pelo enredo, com toda essa loucura de nem dar pra saber o que é real, mas agora tenho certeza que não é leitura pra mim.

    Beijo.

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  6. Oi Ana!!
    Menina notei que você gosta de livros bem fora da casinha né? Acho isso super legal e de muita personalidade.
    Ana esse personagem é muito louco em? Não sei se leria o livro eu fico bem no muro sabe? Mas pelo que você disse da pra ver que toda essa loucura dele derivou do abuso que ele sofreu quando mais jovem.
    Esse tipo de livro deixa a gente pensando mil coisas né? é meio estranho e interessante ao mesmo tempo!!

    Xo
    Alisson
    Re.View

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  7. Não me importo com palavrões e cenas de sexo, mas acho que tem que ser na medida certa, sabe? Quando é em exagero acaba sendo uma leitura enfadonha, né? Eu não leria a obra, pois realmente não me interessei. Mas sobre isso de não saber o que é real e o que não é eu adoro quando tem nos livros, é muito legal ficar nessa dúvida, rs.
    www.apenasumvicio.com

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  8. Oi Ana!
    Que loucura! Quando comecei a ler sobre Frank fiquei "passada", que vida difícil ele levou, heim? E pelo visto o coitado ficou doidinho de pedra.
    Achei a trama interessante, mas sei que não é um livro pra mim (concordo plenamente com o que disse sobre não ser um livro para todos, se eu fizesse a leitura certamente não iria gostar muito). Não me importo com palavrões, cenas de sexo ou algo do tipo, mas quando é excessivo acaba por me cansar.
    Beijos

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  9. Oie, Ana!
    Eu não conhecia o livro, mas gostei bastante da premissa. Livros e filmes assim sempre me interessam, pois acho a mente humana fascinante e caótica. Fiquei curiosa para ler, mas não sei se vou procurar agora, pois estou com uma fila enorme. Mas vou colocá-lo na lista de compras.
    Beijinhos
    Anna - Letras & Versos

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