14 de junho de 2016

Resenha: Rompendo Limites

Título Original: Breakthrough
Autora: Jack Andraka
Páginas: 224
Tradução: Sandra Martha Dolinsky
Editora: Best Seller
Livro recebido em parceria com a editora.


Ao perder seu melhor amigo para o câncer de pâncreas, Jack Andraka se deu conta da inacessibilidade e ineficácia dos exames existentes para detectar a doença. Decidido a criar seu próprio método, Jack, então com 15 anos de idade, se dedicou a um extenso estudo e descobriu uma maneira para identificar o câncer de pâncreas, ovários e pulmão de forma muito mais precoce. Após ser rejeitado por diversos pesquisadores, o jovem conseguiu, finalmente, que sua criação fosse aceita por um laboratório de pesquisa. Em Rompendo Limites, Jack Andraka narra a sua difícil jornada contra a depressão e a homofobia e relata todos os detalhes de sua importante invenção científica.

A família Andraka é apaixonada por ciências e novas descobertas. Com pais felizes em suas profissões, o contágio da ideia de felicidade profissional transborda dentro do ambiente familiar. Os pais incentivam desde a infância, seus dois filhos, Luke e Jack, a experimentarem esportes, ciências e atividades que possam apontar não apenas suas aptidões, mas que os tornem pessoas mais felizes. 

O incentivo dos pais atinge em cheio seus dois filhos que parecem ter talento inato para as ciências exatas e biológicas. A ascensão de Luke Andraka como cientista juvenil e a eterna competição saudável entre os dois irmãos é o que leva Jack a aventurar-se pela criação de hipóteses e comprovações das mesmas, levando ao que hoje é o diagnóstico mais rápido, barato e eficaz para cânceres nos pulmões, ovários e pâncreas. 

Antes de tudo, acho importante reafirmar que Luke foi estudante de uma escola particular estadunidense e que sua família além de possuir condição financeira para lapidar seus talentos, era sua melhor torcida e apoio. Entretanto, o fato de viver em uma realidade educacional diferente da precária educação brasileira não retira seus méritos, já que este soube usufruir perfeitamente das oportunidades que lhe foram oferecidas. Afinal, não são todos os estudantes do ensino médio que criam invenções tão relevantes para a humanidade! 

Mas não posso negar que por várias vezes, eu, uma aspirante a engenheira, me vi lançando olhares invejosos para o relato de Jack sobre a educação científica no ensino médio estadunidense. Inclusive, eis um dos motivos pelos quais o livro se torna uma soma de biografia, relato científico e auto ajuda para jovens que amam ciência. 

Nem só de flores e vida acadêmica se faz Rompendo Limites. Jack divaga narrando sobre sua infância, [homo]sexualidade, o bullying que sofreu e da exaustivas e solitárias horas que passava sozinho no porão de sua casa pesquisando e experimentando. Tais relatos ajudam a conhecer um pouco dos motivos que levaram alguém tão jovem a uma descoberta tão importante. Certamente, uma soma de todos os problemas que deveriam afundá-lo, tornaram-se seu gás para ir mais longe.

Por que isso aconteceu?
O que eu vou fazer agora?
Por que tantas coisas terriveis estão acontecendo comigo?
Parecia que não havia mais nada firme onde eu pudesse me segurar, nada estável para me ajudar a recuperar o equilíbrio. Tudo estava mudando depressa demais.

Além disso, com a perda do grande amigo que levou-o a querer encontrar a cura do câncer (ao invés de seu diagnóstico), a depressão se instalou e somou-se aos outros problemas. Mas a forma que Jack dialoga com o leitor sobre isso, torna tudo mais leve e nos leva a crer que hoje ele parece realizado e aliviado após provações tão severas.

Um lado mais velho e mais maduro de mim sabia, na época, que tudo isso era ridículo, mas meu lado mais jovem e impetuoso rapidamente o deteve. Se foi exuberância juvenil ou estupidez desenfreada, não sei bem, mas, qualquer que fosse a razão, eu estava convicto. Eu e mais ninguém.

Sem dúvidas, é um livro sobre invenção e seu inventor, como muitos outros que já existem, mas são os diferenciais que o fizeram se tornar meu não-ficção preferido do momento. A linguagem em primeira pessoa em forma de diálogo conquista logo nas primeiras páginas; os experimentos mais complexos narrados de forma simples e compreensível até mesmo para quem não curte muito ciências; as analogias e comparações utilizadas são muito engraçadas e facilitam o entendimento; por fim, este livro te fará amar ciências, ou pelo menos, vê-la com olhos mais interessados. 

Impossível falar das qualidades do livro sem fazer uma declaração de amor e gratidão para o Jack. Além de ter feito um super diagnóstico que salvará inúmeras pessoas nos próximos anos, Jack se mostra um ser humano incrível e disposto a continuar sendo um grande acumulador de prêmios de ciência, desde que estes ajudem os outros e o tornem uma pessoa melhor e mais atuante em seu próprio mundo. O que claro, é uma inspiração válida!

A citação de nomes como  Alan turing e Thomas Edison, a descrição da longa jornada com boa cronologia e linguagem jovial, a explicação de prêmios e eventos, os detalhes breves de experiências, com uma diagramação simples e um apêndice bullying, suicídio, comunidade LGBT e experiências para reproduzir... São pequenos detalhes de Rompendo Limites que explicam porque se tornou meu queridinho. 


Classificação final: 

2 comentários:

  1. Que história lindaa!Não fala apenas de ciências mas de superação e de como Jack lutou e não desistiu da sua pesquisa,além de outros momentos difíceis em sua vida e com apenas 15 anooos.Parece ser um livro com um conteúdo super interessante e que eu fiquei muito curiosa para ler.Ótima resenha,bjss!

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  2. Oi Mylane.

    Olha, acho que qualquer pessoa lançaria olhares invejosos pro Jack. E de imaginar que ele, tão novo, já é meio que um cientista e eu aqui com 25 anos nas costas sem ter feito nada de útil para a humanidade... Difícil viu...

    Bjs!!

    Patrícia

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