1 de julho de 2016

Resenha: O Peso da Gravata

Título: O Peso da Gravata
Autor: Menalton Braff
Páginas: 171
Editora: Primavera Editorial
Livro recebido em parceria com a editora

Esta coletânea de contos inéditos do autor Menalton Braff traz diversos universos, a partir de diferentes pontos de vista. Mergulha no realismo fantástico, com histórias como a de um sobrado degradado pelo tempo, e a de um personagem morto que caminha em direção ao seu próprio túmulo. Alguns contos permeiam, ainda, a cruel realidade da rotina, do dia a dia, da morte e da vida. O leitor é convidado, ao final do livro, com o conto "Jardim Europa", a entrar no mundo de um condomínio prestes a ser invadido.

Há muito tempo eu não lia um livro de contos. Ou melhor: há muito tempo eu não lia um livro de contos que fugia dos finais felizes e das fábulas generosas, que se carregavam nos detalhes de cada história.

Quando eu li o título deste livro, logo imaginei a metáfora contida nas entrelinhas. Então me veio à cabeça a palavra: rotina. Os contos divididos em 18 capítulos tratam disso: da rotina maçante e suas dobras e manobras. Mas a leitura não escorre de forma desgastante. Ao contrário. Os detalhes das cenas, dos personagens, as falas entrelaçadas com a narrativa surpreendem o leitor.

A moça, de calça jeans e blusa de malha, quer descer e pede licença. A blusa azul tem manchas escuras na região das axilas. Ela pede licença e avança enfiando a cara e os braços pelas fissuras entre os passageiros. Pede licença e avança. Um pé, depois o outro, os braços e o corpo. A moça puxa sua mochila que também tem de descer e pede licença. Ela atravessou a cidade e precisa chegar em casa. Tem banho e jantar: o vapor sobe do prato. Ela avança devagar, mas não a vejo mais. Apenas o seu pedido de licença dá existência à moça, de calça jeans e blusa de malha, que quer descer.
O ônibus parou e a moça deve ter descido para enfrentar a aragem da cidade latejante no fim do expediente, porque de sua voz só ficou um eco pedindo licença.
(p. 70)

Há fases que você se identificará com determinado conto. Ou não. O gaúcho Menalton Braff escapa de toda mesmice, e deposita neste primeiro livro publicado pela editora Primavera Editorial uma visão diferente do que cada um passa em sua rotina. Enfrentando dores, angústias, choros, desejos e sentimentos intermináveis.

O Peso da Gravata é mais um livro que te tira da zona de conforto e percorre com a imaginação nas 171 páginas destinadas à outras vidas. De até outros mundos. Há quem não goste de contos, entendo. Mas há aqueles que se permitem a enfrentar — por quê não? — as rotinas perturbadoras dessas tais vidas.

Classificação final:  

5 comentários:

  1. Oi miga!

    Eu num sou muito de ler conto não, sabe quando você sente que tá faltando um final fechadinho? Mas enfim, gosto de livros que retratam a rotina de uma pessoa comum, e gostei das especificações que fez sobre o livro.

    Beijo!

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  2. Oi Ellen!

    Pois eu adoro um livro de conto, costuma ser o gênero que mais leio se eu for fazer uma perspectiva sabe (a histórias são curtas e o livro em si também, então leio mais rápido). Gostei da sua resenha, é sempre bom lermos livros que tiram agente da zona de conforto.

    Bjs!
    Patrícia

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  3. Eu amo contos! Então com certeza fiquei interessada nessa obra, ainda mais sabendo que tira da zona de conforto. Adorei o tema, e assim que tiver oportunidade irei conferir. Adorei sua resenha, ficou pequena, mas abordou tudo que precisava para me interessar em ler, sabe?
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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  4. Oi!
    Raramente leio livros de contos, normalmente ganho livros do gênero já que não costumo compra-los, mas sempre acabo achando a leitura interessante pois sempre ao menos um dos contos nos faz refletir e carregam boas mensagens o que torna a leitura interessante, então acho que leria essa obra sim.
    Abraços

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  5. Eu realmente sou apaixonada por contos. Adorei a sua resenha e vou adicionar o livro na minha lista de comprinhas. <3

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