14 de setembro de 2016

Resenha: Achados & Perdidos

Foto: Carlos Barros
Millie Bird é uma garotinha de apenas 7 anos que já sabe muita coisa. Ela já descobriu que todos nós um dia vamos morrer. Em seu Livro das Coisas Mortas, ela registra tudo o que não existe mais. No número 28 ela escreveu “Meu Pai". Millie descobriu também, da pior forma possível, que um dia as pessoas simplesmente vão embora, pois a mãe dela, abalada com a morte do marido, a abandona numa grande loja de departamentos. Ela só não está triste porque conheceu Karl, o Digitador, um senhor de 87 anos que costumava digitar com os próprios dedos frases românticas na pele macia de sua mulher. Mas, agora que ela se foi, ele digita as palavras no ar enquanto fala. Ele foi colocado pelo filho em uma casa de repouso, porém, em um momento de clareza e êxtase, ele escapa, tornando-se então um fugitivo. Agatha Pantha é uma senhora de 82 anos que mora na casa em frente à de Millie e que não sai mais, nem conversa com ninguém, há sete anos. Desde que o marido morreu, ela passou a viver num mundinho só dela. Agatha preenche o silêncio gritando, pela janela, com as pessoas que passam na rua, assistindo à estática na televisão e anotando em seu diário tudo o que faz. Mas, quando descobre que a mãe de Millie desapareceu, ela decide que vai ajudar a menina a encontrá-la. Então, a adorável garotinha, o velhinho aventureiro e a senhorinha rabugenta partem em uma busca repleta de confusões e ensinamentos, que vai revelar muito mais do que eles imaginam encontrar.

Título Original: Lost & Found 
Autora: Brooke Davis
Páginas: 252
Tradução: Ana Carolina Mesquita
Editora: Record
Livro recebido em parceria com a editora 

Achados & Perdidos com certeza é uma aposta da Editora Record para esse segundo semestre. A obra da australiana Brooke Davis vem conquistando o coração de vários leitores por aí. Não posso dizer que eu morri de amores por ele, mas foi uma leitura bastante proveitosa e acabei parando para pensar em algumas coisinhas que acontecem conosco enquanto lia. 

O livro, apesar de ter três protagonistas, gira em torno de Millie Bird, uma garotinha de apenas sete — quase oito! — anos que, infelizmente, conhece muito mais a morte do que deveria. Ela sabe muito bem que todos nós iremos morrer um dia. Prova disso é o item 28 no seu Livro de Coisas Mortas: o próprio pai. E o pior de tudo é que, além de ter que superar essa perda tão grande, sua mãe a deixa num shopping e nunca mais volta. Nesse meio tempo, Millie conhece Karl, o Digitador, um velhinho de 87 anos que, mesmo de longe, passa a tomar conta dela, e Agatha Pantha, uma idosa mais que rabugenta, mas que tem o coração enorme. Os três possuem algo em comum: perderam um ente querido e ainda não conseguiram superar a dor.

Millie nem sonha que foi abandonada. Ela simplesmente espera que a mãe volte uma hora ou outra para buscá-la, mas quando isso não acontece, Karl, o Digitador e Agatha Pantha partem em uma viagem pela Austrália para tentarem encontrar a mãe da garotinha. Vocês conseguem imaginar quanta confusão dois idosos e uma criancinha podem trazer? Pois então. Essa viagem acabou rendendo momentos super divertidos, mas outros tensos e tristes, cheios de reflexão.

Ele havia abraçado Millie e a sensação era de ter ganhado algo que não merecia, mas que gostaria muito de merecer. Com certeza um dia ele também havia abraçado seu filho assim, porém a sensação agora parecia completamente nova. E agora aquela mulher estava ali também, tornando sua vida mais interessante, mais complicada. (p. 127)

Apesar de eu ter gostado bastante da premissa do livro, fiquei um tantinho decepcionada com a escrita da Brooke Davis. Não sei se eu estava colocando expectativas demais, mas a verdade é que eu esperava algumas coisas diferentes. É claro que o saldo final de leitura foi positivo, mas ainda acho que ela poderia ter desenvolvido o destino dos personagens de uma forma diferente. O ponto alto da obra é, sem sombra de dúvidas, o foco nos achados e perdidos. Afinal, sempre estamos perdendo e encontrando pessoas a todo tempo, e gostei do jeito como ela tratou isso. 

O livro, apesar de tentar passar certa inocência por causa dos personagens — como Karl, o Digitador, mesmo fala em certo trecho do livro, ninguém vê maldade em crianças e velhinhos, todo mundo acredita na inocência deles —, é um livro extremamente adulto. Quer dizer, pelo menos eu acho a morte um tema muito maduro, mesmo quando é tratada em livros infantis. As mensagens passadas no livro são magníficas. Independentemente da idade, sempre estamos procurando algo, passando por fases de luto ou de felicidade plena, enfrentando as coisas da vida mesmo. 

Achados & Perdidos foge do comum, mas é extremamente real. É impossível não se identificar com os personagens e suas lutas internas. Pensar que já passamos por isso ou, infelizmente, passaremos, torna os três protagonistas ainda mais humanos e dignos de admiração.

Classificação final: 

16 comentários:

  1. Oi Ana!
    Simpatizei com o livro e gostei dos aspectos que você abordou. Uma pena que tenha te decepcionado um pouco (essas grandes apostas das editoras às vezes fazem isso, né?), mas o saldo geral parece ter sido bem positivo. Deve ser uma delícia acompanhar esse trio inusitado.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  2. Olá,
    Desde que soube sobre o lançamento da obra, fiquei bastante curiosa devido ao título e a premissa. Parece que a autora soube realmente como abordar essa parte de encontrar e perder pessoas de uma forma leve.
    Fico triste que tenha ficado um pouco decepcionada com o rumo dos personagens e que acha que poderia ser escrito de forma diferente. Mas é bom que o saldo final seja positivo, pois me anima para fazer a leitura.

    http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

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  3. Oi, Ana! Bom dia ^^
    Vi muitas pessoas falando sobre esse livro, mas essa foi a primeira resenha que li da obra. Vem cá, que tipo de mãe tem coragem de abandonar a própria filha no meio de um shopping? Meu coração ficou em pedacinhos T_T Eu divido o item número 28 com a Millie, então sei como é não ter mais um pai por perto (fisicamente, claro). Acho que se a minha mãe me largasse no shopping, eu ia chorar até não aguentar mais... porém, Millie realmente foi bem madura (me lembrou um pouco a Matilda, não sei pq). Mas os velhinhos, por mais que tivessem boas intenções, foram um pouco fora da lei, ne?
    Gostei de saber que dá pra refletir sobre algumas coisas durante a leitura (só na resenha eu já refleti um montão xD).
    Se tiver oportunidade, irei realizar a leitura!

    Beijos
    www.procurei-em-sonhos.com

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  4. Eu gostei muito da sua resenha! Gosto de histórias maduras como essa, e misturar crianças e idosos com certeza foi uma boa ideia, assim como você disse, são pessoas "inocentes" e deixam a história um pouco mais leve mesmo com um tema pesado. Já deixei anotado para um dia ler :D

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  5. Oi, Ana!
    Eu realmente não dei muita atenção à esse livro logo que ele foi anunciado, por mais que a capa tenha me chamado um pouco a atenção e o título tenha me intrigado à princípio, mas acabei ignorando. Bom ler a sua resenha agora e perceber a profundidade que a história tem mas sendo retratada por personagens tão inesperados mas aparentemente tão únicos e ideais para ela. Ainda não tenho certeza se penso em fazer a leitura realmente, mas vou pensar com calma no assunto e ver se pode ser uma história que vá me agradar de alguma forma. Valeu a dica!
    Beijos!

    ♥ Sâmmy ♥
    ♥ SammySacional ♥

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  6. As opiniões que tenho visto sobre esse livro são bem divergentes. Pelo jeito, alguns gostaram muito, outros gostaram pouco, mas todos tem algo em comum: acham que a autora poderia ter trazido um pouco mais na história. Eu estou muito em dúvida se quero fazer essa leitura ou não, embora o tema seja bastante interessante e forte, por se tratar de abandono.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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  7. Oi Ana, não conhecia esse livro e em um primeiro momento meio que torci o nariz quando li que a personagem tem apenas oito anos, mas no decorrer da resenha passei a pensar que talvez o livro seja mesmo bom, apesar dos detalhes que vc compartilhou e que poderiam ser melhor desenvolvidos. O receio inicial é pq as vezes não me dou bem com livros em que os personagens são muito novos, vai entender rsrsrs.

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  8. Olá, Ana Clara. Fiquei bastante curiosa a respeito do destino da menina e do casal de idosos que a encontra. Que coisa, largar a menina no shopping. Espero que a tenham encontrado e que ela tenha uma boa desculpa para isso.
    Me identifiquei com a personagem principal por conta dela também ter perdido o pai, com certeza leria o livro com muita compaixão com a personagem principal.
    Já tinha visto o livro em outro blog e tinha me interessado por ele, só que seus pontos negativos abaixou um pouco as expectativas a respeito da leitura. Ótima dica!

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  9. Oi, Ana!
    É sempre uma coisa difícil de lidar quando um livro não atinge as expectativas né? Mas que bom que de forma geral você gostou da leitura! Livros que lidam coma morte sempre mexem muito comigo e esse provavelmente é um dos motivos para eu estar tão ansiosa para ler Achados e Perdidos. Acho interessante que a autora colocou três personagens em estágios diferentes da vida (dois adultos e uma criança) mas que são "ligados" pela perda... é, preciso ler essa história mesmo.
    Bjs!

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  10. OOi!
    Quero muuuuito ler esse livro, ainda mais agora após ler sua resenha!
    Parece ser uma história emocionante, profunda, madura e ao mesmo tempo inocente.
    Que pena que ele não superou suas expectativas! Pretendo lê-lo em breve, espero que supere as minha. haha

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  11. Eu li tanta resenha positiva desse livro que até me surpreendi de ler que você se decepcionou um pouco com a leitura. Que pena saber disso, mas mesmo assim ainda quero conferir a trama, pois eu realmente curti. Gostei de ter a morte como tema, ainda mais por ser tratado por uma criança. Realmente é algo bem maduro.
    Beijos
    www.apenasumvicio.com

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  12. Oi, Ana tudo bom?
    Acho a capa deste livro uma fofura. Acho que este será um livro, que irei gostar. Espero poder comprá-lo em breve.
    Por se tratar de um tema pesado, é interessando ver pelo olhos de uma crianças e dois idosos.
    Espero poder ler em breve.

    Bjux ;)
    http://entrelinhasalways.blogspot.com.br/

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  13. Oi Ana, tudo bem?
    Eu lembro que vi Achados & Perdidos em alguns blogs, mas confesso que não me lembrava sobre a história.
    Achei a premissa interessante, mas uma coisa que não quero ultimamente (mas ninguém quer, né?) é ficar decepcionada, por isso se for ler futuramente já sei que não devo ir sede ao pote. A capa é muito linda e a morte é uma tema que gosto em livros, me faz pensar em muitas coisas importantes sobre a vida, o futuro, família, amor.
    Beijos!

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  14. Miga, to triste que você não gostou da escrita porque eu tava super animada pra ler :( Li a sinopse e achei tão fofo, 1 kid e 2 velhinho saindo pelo país afora (claro que o bagulho da morte é tenso e não é fofo né). Acho que a escolha dos personagens que foi o que me chamou a atenção, realmente sai do padrão.
    Também acho morte um tema maduro, ainda mais quando é em livro com criança, parece que pesa 10x mais.
    Agora to com as expectativas diminuidas, talvez eu goste mais assim.

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  15. Eu já disse o quanto você é uma excelente resenhista, Ana? Pois é!
    Adorei a premissa do livro e também conhecer os pontos negativos do livro, pois assim quando eu fizer a leitura já não vou com tanta expectativa. E livros que retratam perdas assim, sempre me conquistam.
    Beijo

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  16. Oi Ana, sua linda, tudo bem?
    Engraçado eu não ligo a palavra inocência aos idosos, sempre os vejo como pessoas maduras, experientes e alguns sábios por isso mesmo. A inocência e a pureza para mim, estão guardadas para as crianças. Esse tema infelizmente está presente na vida de todos, el algum momento todos teremos que encarar a morte. Parece ser um livro com mensagens bonitas, que emocionam. Pena que a autora não lhe agradou por completo. Vou anotar a dica pois parece ser uma boa leitura no saldo total. Gostei muito da sua sinceridade, sua resenha ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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