12 de setembro de 2016

Resenha: Pureza

A jovem Pip Tyler não sabe quem é. Ela sabe que seu nome verdadeiro é Purity, que está atolada em dívidas, que está dividindo um apartamento com anarquistas e que a sua relação com a mãe vai de mal a pior. Coisas que ela não sabe: quem é seu pai, por que a mãe a força a uma vida reclusa, por que tem um nome inventado e como ela vai fazer para levar uma vida normal. Um breve encontro com um ativista alemão leva Pip à América do Sul para um estágio numa organização que contrabandeia segredos do mundo inteiro - inclusive sobre sua misteriosa origem. Pureza é uma história sobre idealismo juvenil, lealdade e assassinato. O mais ousado e profundo trabalho de um dos grandes romancistas de nosso tempo.

Título Original: Purity
Autor: Jonathan Franzen
Páginas: 616
Tradução: Jorio Dauster
Editora: Companhia das Letras
Livro recebido em parceria com a editora

A minha dificuldade maior não foi enfrentar as 616 páginas desse livro, mas, sim, tentar entender quem é a Pip Tyler. Devidamente, eu parei na página 67 antes de conseguir engatar realmente na leitura. Será que a primeira impressão é a que fica, caro leitor?

Até então, tudo na vida da garota de 23 anos é um mistério. Seu humor com a mãe — que não mora na mesma casa que a menina, que aliás, casa que não tem nenhum aspecto familiar — se altera pela falta de paciência de tentar entender ao questioná-la sobre a vida de seu pai, já que não o conheceu.

É engraçado como a menina tenta se virar para fugir dos tormentos diários. Uma transa programada, por exemplo, com um cara que viria ser o seu refúgio —  se o cara não fosse um babaca, é claro! Há momentos que me identifiquei com a garota. O autor Jonathan Franzen traz uma narrativa complexa, mas que preza a liberdade —  ou a busca por ela.

A jovem não tem amigas. Ok, ela até tentou puxar um papo aqui ou ali, mas o ar de desprezo que aquelas mulheres transmitiam à garota que não tinha muita paciência para rodeios, a incomodava. Adeus, paciência. Continuemos a sós, solidão. Entende?

Outro ponto interessante é que durante a leitura, você se deparará com dias das semanas em caixa alta. Sim, parece um diário. Mas talvez seja só uma forma de destacar o dia para não cair no esquecimento. E enlouquecer. Acho que a tristeza da personagem foi tão difícil para mim que coloco aí a culpa de eu ter demorado tanto para ler Pureza.

Há transformações também. Mas não irei descrevê-las, caro leitor. Não quero que você pense que transformei esta resenha em uma fábula. Até por que a primeira impressão nem sempre é a que fica. Boa leitura!

Classificação final: 

11 comentários:

  1. Olá, tudo bem?
    Bom, na verdade, nunca tinha ouvido sobre essa obra, porém, a sua resenha me criou uma curiosidade para ler esse livro. Parece ser muito bom!. A resenha está maravilhosa, amei!

    Beijos.

    https://blogparadaliteraria.blogspot.com.br/

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  2. Oi Ellen!
    Vou te confessar que sua resenha me atraiu muito mais do que o livro em si. Adorei como você analisou a personagem, tentando entende-la. O livro mesmo não me chamou atenção, nem a história despertou meu interesse.
    Beijo

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  3. Oi Ellen!
    Antes de ler a resenha, fui olhar a sinopse e fiquei imaginando que a história tinha um "quê" de thriller (não sei de onde tiro essas ideias as vezes). Mas pelo que percebi não tem nada a ver com o que pensava. Ao que parece há um foco grande na personagem e em seus dilemas. Fico imaginando como deve ser a vida dessa jovem: sem amigas, sem pai, com um péssimo relacionamento com a mãe... espero que ao menos ela consiga achar as respostas que tanto queria.
    Não é o tipo de livro que me chama atenção, mas parece ser uma leitura agradável pra quem curte esse tipo de história.
    Beijos

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  4. Oi Ellen, tudo bem?
    O número de páginas não me assusta e eu gostei da forma como você falou da história. Com uma sutileza e que me deixou intrigada para saber quem é Pip Tyler. Eu gostei principalmente de saber que a história fala em buscar liberdade, uma tema que me atrai em tramas.
    A tristeza deve ser latente, por isso acho que se fosse ler demoraria como você mas acho que é uma leitura válida.
    Dica anotada.
    Beijos!

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  5. Oi, Ellen!
    Não conhecia o livro, mas só de saber o número de páginas e, principalmente, o teor aparentemente melancólico e triste da história e narrativa, segundo o que compreendi na resenha, é uma dica que certamente irei deixar passar. Não que a vida conturbada da personagem seja o problema em si, leio dramas similares também, mas esse peso que ela parece ter por ser mais sozinha e o humor instável me repelem de verdade, provavelmente não me agradaria, então nem vou tentar a chance. Mas para quem está preparado e/ou gosta de coisas do gênero, parece interessante dar uma chance, sim.
    Beijos!

    ♥ Sâmmy ♥
    ♥ SammySacional ♥

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  6. Olá,
    Desconhecia a obra e de cara já fiquei meio assustada pelas 600 páginas rsrs
    Achei a premissa do livro bem interessante e fiquei intrigada para saber se a primeira impressão realmente é a que fica em relação à personagem ou se no final do livro terei outra visão dela.
    Me identifico um pouco com ela pelo fato de quando era mais jovem, preferia ficar sozinha do que ter diálogos superficiais com as meninas que me olhavam com cara de desprezo na sala de aula e só sabiam ficar falando de meninos! Não via nenhum futuro naquilo!
    Achei bem interessante e pretendo procurar para ler.

    http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

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  7. Olá Ellen!
    Eu ainda não conhecia esse livro e fiquei um pouco surpresa pela personagem ser um pouco difícil de compreender. Livros como esse é sempre um desafio maior para o leitor já que podemos ter uma boa impressão ou não. Gosto de saber que apesar da protagonista ser misteriosa o autor tenha uma narrativa que preze pela liberdade. Já coloquei na minha lista de leitura.
    Beijos.

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  8. Uau! Que resenha maravilhosa é essa? Se o livro reserva surpresas e mistérios, você os preservou muito bem, Ana Clara! Nunca tinha lido sobre Pureza, apesar de já ter ouvido falar dele. Sua análise das transformações e as observações sobre a vida que a personagem leva foram ótimas! Deu vontade de encarar as 616 páginas tb e já estou anotando aqui! ;) Parabéns pela resenha!

    Bjs,
    Yohana Sanfer
    http://www.papelpalavracoracao.com.br/

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  9. Gostei bastante da proposta do livro. Fiquei meio receosa por ser grande demais, e quase 70 páginas de lentidão... Enfim, parece ser uma história confusa, com crises existenciais e tudo o mais. Gostei bastante da sinopse e da capa, fiquei muito curiosa, mas ainda assim preciso saber mais do livro antes de me arriscar, principalmente porque sei que acabaria ficando muito tempo lendo ele.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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  10. Eu não conhecia o livro, e confesso que me assustei com a quantidade de páginas. Mas sua resenha me deixou com aquela coceirinha, sabe? Aquela vontade de ler, pois realmente achei a trama interessante. Você deixou sua resenha com gostinho de quero mais, quero muito saber mais sobre a obra, rsrs. Acho que terei que ler. :P
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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  11. Olá! Mais de 600 páginas realmente não são fáceis de enfrentar, a menos que se prenda à história de uma maneira fantástica!
    Adorei o fato de o livro conter dramas familiares e da personagem principal ter que lidar com eles. Adoro escritas densas, de forma a fazer o leitor se dedicar de verdade à história.
    Também gostei da ideia dos dias da semana em caixa alta, como se fosse um diário.
    Vou procurar para leitura. Valeu a dica!


    Beijos!
    Karla Samira

    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

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