22 de outubro de 2016

Resenha: Depois da Última Dança

Estação de King´s Cross, 1943. Rose chega a Londres querendo se entregar a uma vida de romance, glamour e dança, e para isso ela escolhe o Rainbow Corner, o mais famoso salão de dança da cidade. Enquanto a Segunda Guerra Mundial entra em seu momento final, Rose se apaixona perdidamente por um piloto, mas terá que lidar com as reviravoltas do destino antes que a guerra chegue ao fim.Las Vegas, dias atuais. Uma linda mulher vestida de noiva entra em um bar procurando alguém para se casar com ela. Quando Leo assume o papel e diz “sim”, ele não tem nenhuma ideia da situação em que está se metendo. Quem será Jane, a mulher misteriosa? Quando Jane e Rose, agora uma senhora de idade, se conhecem, a fagulha da discórdia se acende. Mas acontecimentos que elas não podem controlar fazem com que o tempo se torne um bem muito precioso. Depois da última dança conta a extraordinária história dessas duas mulheres, separadas pelo tempo mas ligadas pelo destino. Um romance que fará com que você acredite no poder do amor.

Título Original: After the Last Dance
Autora: Sarra Manning
Páginas: 336
Tradução: Viviane Diniz
Editora: Suma de Letras
Livro recebido em parceria com a editora

Depois da Última Dança, de Sarra Manning, despertou minha curiosidade por alguns diferentes motivos. Primeiro, porque intercala passado e presente, e alguns dos livros que eu mais gostei tinham essa construção. Em segundo lugar, porque parte da história se passa durante a segunda guerra mundial e, além de adorar tramas que se desenrolam nesse momento histórico, questionei-me se a autora (conhecida por publicar livros mais voltados aos jovens, como Os Adoráveis e Onde Deixarei Meu Coração) conseguiria dar ao enredo a seriedade necessária. Sarra Manning não me decepcionou e conseguiu criar um romance intenso e realista, duro, mas sem deixar de lado a doçura necessária às histórias de amor.

A narração do livro é feita em terceira pessoa e os capítulos se dividem entre os tempos de guerra, em que Rose era uma jovem que fugiu para Londres em busca de um pouco de brilho para sua vida, e os dias atuais, mais focados em Jane, uma mulher incrivelmente bela que pode criar para si várias novas personalidades, mas não consegue ser ela mesma. E o mais interessante: a história dessas duas mulheres se cruza em determinado momento e, ainda que não saibam, elas deixarão suas marcas na história uma da outra.

Não deveria mesmo se importar se Rose acreditava nela ou não, e Jane não deveria se preocupar. Ela deveria estar ali só de passagem, esse fora o plano, só que não tinha sido bem um plano, e sim mais uma série de eventos catastróficos que haviam colocado Jane na órbita de Rose.

É difícil dizer qual dos trechos é o mais interessante. A vida das duas mulheres possui pontos de luz e de escuridão e ambas são admiráveis e desprezíveis na mesma medida. Quero dizer que as duas erraram e acertaram, tiveram seus momentos de egoísmo e de altruísmo, mas, igualmente, foram moldadas pela dureza da vida. Manning criou personagens críveis, ainda que romantizadas, que podiam não ser exemplos de bom comportamento, mas que faziam seu melhor quando estava ao seu alcance - no caso de Jane, isso acontecia regado pelo interesse próprio, mas acontecia.

Todas essas nuances das personagens, porém, não aparecem de uma única vez, a autora não entregou um pacote pronto. Muito pouco é contado no início e a verdadeira natureza de Jane e Rose não são claras ao leitor, mas, no decorrer dos capítulos, aspectos do passado das duas vão aparecendo e compreende-se as marcas que cada uma carrega.

Além disso, a autora é irritantemente comedida: ela deixa escapar apenas pouco a cada capítulo e assim que alcançamos o ápice daquele momento, ela encerra o trecho de uma personagem e parte para a outra. Isso significa dizer que a curiosidade do leitor é constantemente aguçada, pois há sempre um enredo pendente de conclusão, e a leitura avança sem qualquer dificuldade. Apesar de me sentir um pouco frustrada quando o foco do texto alternava, porque queria muito saber o que acontecia na sequência com a personagem anterior, admito que essa construção foi ousada e magistral, dando ao enredo certa cadência que manteve, durante todo o livro, o bom ritmo da leitura.

- Quando eu estiver pronta, você vai estar aqui, não vai?
- Querida, eu não vou a lugar nenhum. Vamos cuidar para que você não esteja sozinha.
- Tem que ser você. Você é forte. Vou precisar que você seja forte o bastante por nós duas - disse Rose.
- Não sei se sou tão forte assim - hesitou Jane quando os olhos de Rose, de repente bem focados, olharam bem no fundo dos dela.
- Você é. Como eu era. Acho que nós duas somos bem parecidas. Nenhuma de nós tem medo de enfrentar o futuro de cabeça erguida.
- Ah, Rose, querida, não. Você... - Jane engoliu em seco. - Quando veio para Londres, você estava correndo em direção a alguma coisa. Tudo o que eu já fiz foi correr das coisas.

Os personagens secundários são tão complexos quanto as protagonistas. Os amigos de Rose nos dias atuais, por exemplo, são daqueles que nos tocam o coração, e Charles foi um personagem que se destacou, sobre o qual eu adoraria saber ainda mais. Por outro lado, os parceiros românticos de Rose e de Jane são tão cheios de defeitos que, no início, questionamos se autora pretendia mesmo que elas se apaixonassem por eles, o que parecia bastante difícil de acontecer. Manning, no entanto, conseguiu mostrar também as diversas facetas de Danny, de Edward e de Leo, e o leitor logo se vê sentindo a mesma emoção daquelas mulheres.

O que mais gostei do livro foi o fato de autora ter colocado como protagonistas duas mulheres com tantas diferenças, mas muito semelhantes. Em especial, o fato de que as duas são fortes, independentes e decididas, que se permitem amar e viver com alguém, não para serem subjugadas por qualquer homem, mas para com eles construirem algo, juntos.

Depois da Última Dança é um romance com protagonistas femininas fortes e cheias de defeitos, mas admiráveis mesmo assim, e a leitura é encantadora, deliciosa e apaixonante. Terminei o livro com um sorriso no rosto e acho que a história só não ficou em maior conta comigo porque senti falta de alguma coisa, algo que a destacasse dos demais romances e marcasse a leitura de alguma forma. De todo modo, trata-se de uma bela história, tão séria quando precisava ser e que me fez querer ler outras obras de Sarra Manning.

Classificação final: 

9 comentários:

  1. Oi!
    Não conhecia esta autora ainda, mas ela já me conquistou por construir uma estória que se passa neste período histórico. Achei bem interessante a proposta do livro, e apesar de não curtir muito romances acredito que vale a pena ler este livro.
    Beijos

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  2. Ju!
    Já li Os Adoráveis da autora e gostei demais.
    Fiquei bem feliz em ver que ela está amadurecendo e mudando seu público alvo e ainda mais feliz em ver que o livro é intrigante e deixa o leitor curioso do início ao fim.
    Adoro narrativa que mescla passado e presente e livros com ambientação nas guerras.
    Perfeito para leitura!
    “Com a sabedoria aprendemos a ser tolerantes.” (Henry David Thoreau)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de OUTUBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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  3. Oi Ju ^^
    Confesso que tive em mãos o livro Os Adoráveis e o descartei tão logo o peguei, achei a capa tão feia e o enredo me pareceu tão bobo que não entendi pq havia adquirido a obra. Diferente de Os Adoráveis, Depois da Última Dança tem uma capa linda e sinopse instigante. Decidi continuar na leitura da sua resenha e não me arrependi do que li agora.
    Gosto de personagens femininas fortes! Outro ponto que você ressaltou e que me chamou muita atenção foi o fato das personagens não serem perfeitas, terem os seus defeitos, isso torna o enredo mais real e convincente, nada é mais ruim numa obra do que personagens perfeitinhos!!!
    Acredite, eu sei bem como é se relacionar com alguém que é completamente o oposto de você e que acaba ainda te humilhando inconscientemente em alguns momentos, mas uma coisa que aprendi foi que somos capazes de ignorar os defeitos e amar aquele pedaço bom que nos fez ficar ao lado da pessoa. Acredito que as protagonistas encontraram esse lado e ignoraram os pedaços ruins pois ninguém, afinal, é perfeito. :D
    Gosto bastante de romances com as Guerras Mundiais como pano de fundo, mostram uma realidade que só nos é permitido, ainda bem, imaginar e não presenciar. Através dessa abordagem que conhecemos um pouco do passado conturbado da humanidade, sempre tem alguma informação nova que merece ser aprendida nesses enredos.
    Fiquei bastante curioso para saber o momento em que a história da Jane cruza com a da Rose. E ficou muito curioso em ver que a autora soube muito bem usar essa ferramenta de divisão de capítulos em personagens diferentes. :D
    Parabéns pela resenha, Ju.
    Bjs

    http://peregrinodanoite.blogspot.com.br/

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  4. Oi, Ju!
    Bem, infelizmente a autora ainda não me fisgou. Gostei de como ela escolheu e desenvolveu as personagens, mas eu tenho fugido de narrativas que intercalam passado e presente depois de alguns livros que foram tremendos fracassos comigo, além de que a Segunda Guerra Mundial não é bem a minha época preferida da história. Fiquei curiosa de entender no quê as duas personagens vão se unir, e o que isso vai significar pra história, apenas.

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  5. Não sei se gostei ou não... Pode ficar em ´duvida? hihihih, porque entendi que é um romance bem leve, com pitadas de ação na medida certa, mas que ficou faltando algo. Não sei, acredito que eu me sentiria muito à vontade pois gosto de romances que parecem estar no nosso cotidiano, e que podem acontecer quando menos esperamos!

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  6. Olá!
    Ainda não li nada da autora. Quero ler Os Adoráveis, mas ainda não surgiu oportunidade. Gostei da premissa desse livro e por tudo que você comentou, parece uma leitura muito interessante e inteligente. Dica anotada.
    Resenha muito bem elaborada. Obrigada. Beijos.

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  7. Oi Ju! Nunca li nada da Sarra, não gosto muito de romances, pois gosto de personagens fortes e geralmente nesses romances a mulher sempre é a frágil que precisa do homem, mas só de saber que as personagens são guerreiras e a história se passar na segunda guerra mundial já amei, espero ler logo. Beijos

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  8. Não conhecia a autora. Deve ser uma historia bem comovente por ter uma parte que se trata da guerra que sempre mexe com a gente. Fiquei aqui imaginando esse encontro das duas e já analisando o que uma é da outra fiquei na curiosidade rs.

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  9. Oi!!! Nunca tinha ouvido falar da autora, pra dizer a verdade...Mas eu achei bem interessante a proposta desse livro. Eu já li alguns livros que também tinham essa coisa de narração de presente e passado e achei muito interessante

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