7 de outubro de 2016

Resenha: Eu Estou Aqui

No cenário frio e asséptico de um hospital surge a paixão entre Elsa, uma montanhista em coma há cinco meses depois de cair durante uma escalada, e Thibault, que se refugia no quarto da moça, por não querer visitar o irmão, o motorista bêbado que causou a morte de duas adolescentes num acidente automobilístico. Delicadamente composto, o romance mostra o envolvimento gradual entre dois personagens cuja comunicação se dá instintivamente. Enquanto Thibault pode conversar e incentivar Elsa a retomar o domínio de suas ações, a jovem ouve, percebe e sente toques em seu corpo, mas não tem como comunicar seus desejos e anseios. Os dois passam a se conhecer tanto pelo que transmitem um ao outro – Thibault em suas confidências, Elsa tentando demonstrar que corresponde a seus estímulos – quanto pelo que os amigos da montanhista comentam a respeito do rapaz ou falam a ele sobre Elsa. Junto da moça em coma, Thibault sente-se tranquilo e protegido da revolta contra o irmão, internado em estado grave no mesmo hospital. Elsa, embora cercada pela família e por amigos, se entusiasma com a ousadia de Thibault, que não se acanha em beijá-la. E quando os parentes discutem a possibilidade de desligar os aparelhos que a mantêm viva, é com ele que Elsa conta para lutar por sua própria sobrevivência.

Título Original: Je Suis Là
Autora: Clélie Avit
Páginas: 288
Tradução: Marcos Marcionilo
Editora: Fábrica 231
Livro recebido em parceria com a editora 

Confesso que o que chamou minha atenção neste livro foi a capa — o que me surpreendeu, porque costumo odiar capas em que a arte são rostos, e também porque me lembrou muito os livros da Gayle Forman por motivos óbvios. Para ser sincera, nunca tinha ouvido falar da Clélie Avit até então. A escritora ganhou o prêmio Nouveau Talent 2015 por essa obra e posso garantir que foi muito bem merecido. 

Elsa está em coma há aproximadamente cinco meses devido um acidente durante uma de suas escaladas, em que foi totalmente soterrada por neve e sofreu todos os tipos de traumas possíveis que um corpo humano pode sofrer. Além disso, a família e os médicos não acreditam mais em sua recuperação. Elsa sabe disso porque, apesar de estar imóvel e tecnicamente não sentir nada, ela escuta tudo o que acontece ao seu redor. É assim que ela sabe que Thibault entrou em seu quarto cem por cento por engano. Só que ao entrar lá, ele sente uma paz tão incrível que resolve voltar para visitá-la sempre às quartas feiras, dias em que tem que levar a mãe para ver o irmão — que se machucou após causar um acidente que matou duas jovens de 14 anos, e Thibault ainda não é capaz de perdoá-lo. Não é difícil imaginar o romance inusitado que nasce a partir dessas tais visitas, não é?

Parece e é muito estranho um romance se desenrolar nesse cenário macabro, mas Clélie conseguiu desenvolvê-lo com muita delicadeza apenas com os sentimentos dos personagens, já que praticamente não há contato físico entre os dois, salvo nas partes em que Thibault vai se despedir dela. Daí é possível concluir que o livro não tem absolutamente nada de ação, principalmente nas partes narradas por Elsa. Sim, confesso que o ritmo pode ser um pouco lento, mas a ansiedade para saber se a personagem vai acordar é tão grande que torna tudo muito mais interessante. Para falar a verdade, ansiava mesmo pelas partes dela. Não que não gostasse da vida de Thibault, mas tinham umas partes chatinhas. Eu só queria que ele ficasse com a Elsa o tempo todo, hihi.

Uma coisa que eu achei super interessante na escrita de Avit é que parece que duas pessoas diferentes escreveram o livro. Não sei explicar exatamente, mas as partes de Thibault são muito diferentes das partes da Elsa, e não digo isso, obviamente, por serem personagens totalmente distintos. Até as palavras usadas eram diferentes para cada um, o modo de construir as frases, a entonação... Muitas pessoas podem achar isso um ponto negativo, mas eu gostei bastante. É assim que parece que realmente são dois personagens em contextos diferentes, com vidas diferentes.

Eu Estou Aqui não tem exatamente um ponto alto, mas trata de assuntos claramente muito importantes, como problemas com álcool e, principalmente, a eutanásia — nesse caso eu nem sei se o termo correto é esse, já que instintivamente o desejo de Elsa é sobreviver. Não consigo nem imaginar o quanto é angustiante e desesperador saber o que as pessoas estão fazendo sem poder se defender de alguma forma... É muito triste ler a luta interna da personagem que quer mais que tudo acordar, que tenta mandar estímulo para o cérebro, mas não consegue nada, mas também faz a gente pensar no quanto a vida pode surpreender a gente. 

Não recomendo Eu Estou Aqui para aquelas pessoas que gostam de ação e muita movimentação o tempo inteiro, mas é perfeita para aqueles momentos em que tudo o que queremos é ler uma boa história debaixo de umas três cobertas enquanto cai aquela chuva lá fora. Esse é o cenário perfeito para esse livro.

Classificação final: 

15 comentários:

  1. Oi Ana, não conhecia esse livro, e fiquei curiosa na sua opinião também pela capa do livro. Gostei do enredo, apesar de ser um pouco parado, e se tivesse oportunidade, creio que leria. Também achei interessante a forma como a autora construiu a personagem e mostrou sua vontade de viver, dizem que às vezes o coma é assim mesmo né? rsrs
    Gostei

    Beijos!

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  2. Oi!
    Já tinha lido outra resenha deste livro antes, mas não tinha me interessado a primeira impressão. Gostei bastante deste segundo contato com o livro, e por ser um pouco parado não sei se eu conseguiria ler até o final. Gostei da estória, quem sabe algum dia eu me arrisque na leitura.
    Beijos

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  3. Fiquei curiosa com o livro, mesmo que não tenha ação acho que é uma boa história. Estou curiosa pra saber como vai ser desenvolvida a relação dos dois, sendo que a Elsa está em coma. Vou colocar na lista de desejados.

    Abraços :)

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  4. Ao contrário de você, eu aprecio muito capas assim, pois são simples e ainda assim instigantes, bonitas. Mesmo não tendo um ponto alto realmente, gostei do enredo pelos assuntos importantes que são explorados, fiquei até bem curiosa de como isso foi desenvolvido.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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  5. Eu não conhecia o livro e nem a autora. Porém, o enredo me ganhou e me deixou bem curiosa para saber mais a respeito da obra.

    Agora livros com este tipo de tema, porém tenho que estar num momento certo para ler rsrs.

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  6. Olá.
    A premissa desse livro é bem diferente, mas muito interessante, por abordar temas fortes. Não é muito meu estilo, mas se surgir uma oportunidade, gostaria de ler. Fiquei curiosa. Sua resenha está muito bem elaborada. Obrigada. Beijos.

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  7. Ana Clara!
    O que mais gostei foi do enredo diferenciado dos que estou acostumada a ler em romances, fiquei bem curiosa para ver como essa relação vai se desenvolver e como tudo vai terminar.
    Gostei também de saber que a narrativa entre os protagonistas são diferentes, o que dá mais credibilidade ao livro.
    “Conhecimento sem transformação não é sabedoria.” (Paulo Coelho)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de OUTUBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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  8. Oi Ana ^^
    A primeira vista, Eu Estou Aqui também me chamou atenção pela capa, depois que li a sinopse fiquei intrigado e tratei logo de ler sua resenha a cerca da obra.
    Tenho uma opinião muito revolta referente a esse tipo de romance que a autora utilizou. Um cara se apaixonar por uma personagem em coma? Sério? E ele achar que está sendo correspondido? Fico agradecido pelos dois não terem contato físico. Quando se tem a opinião da pessoa que está em coma o quadro poder dar uma mudada, mas e se não tivesse? Seria um cara dando em cima de uma guria que não pode se defender.
    Claro que esse livro tem um enredo bem incomum, mas é chocante demais, para mim, e não de uma forma positiva.
    Essa capa lembra muito A Garota Perfeita!!! Quase idênticas! Parece q a moda é utilizar essas imagens faciais ampliadas.
    Que pena que o enredo não tem ação. A monotonia deve ser grande na leitura desse livro, mas se a escrita é fluida esse ponto negativo pode até ser passado despercebido.
    A protagonista parece ser bem interessante, já o co-protagonista não.
    Agora tenho que confessar que depois de ler sua resenha, toda a minha expectativa de ler essa obra extinguiram-se. Não vou nem tentar forçar uma futura leitura porque o enredo não me cativou, se não me cativou em resenha não irá cativar numa leitura.
    Parabéns pela resenha, Ana! A sua honestidade me salvou de cometer um enredo na escolha de futura leitura.
    Bjs

    https://peregrinodanoite.blogspot.com.br/

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  9. OI!
    primeiramente, MEU DEUS QUE CAPA LINDA, a história parece ser ótima, entrou pra minha wishlist, adoro livros com essa temática. beijos.

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  10. A capa é realmente maravilhosa e eu acho tri quando o/a autor consegue escrever de dois modos distintos dependendo do persongem, porém eu não consigo ler livros que sejam muito parados :( triste realidade

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  11. Caramba deu vontade de ler agora.SENSACIONAL.ATUAL.

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  12. Achei super interessante você destacar que as partes narradas pelos dois personagens são diferentes não só de um modo óbvio, mas pela escrita e entonação também, achei isso um bom toque por parte da autora.
    Também não sou lá muito fã de livros com rostos, mas o dela parece mesmo o de alguém em um hospital e relaciona-se com o título pelo fato de ela parecer meio desesperada na capa (minha opinião).

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  13. Eu teria dificuldades na leitura pelo ritmo lento da narrativa, como você disse, mas a sinopse me conquistou.
    Imagino um romance bem doce entre os dois, quero saber se ela acorda e se ele perdoa o irmão. A capa do livro, não gostei muito rsrs achei meio estranha

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  14. Também achei a capa linda. Tenho um amigo que após tentar o suicídio ficou treze dias em coma, e ele nos relatou que conseguia ouvir tudo o tempo todo, que sabia que as pessoas estavam ali, e cada vez que um médico dizia que ele não teria mais condições de viver ele ouvia. E falou que é de uma angústia inimaginável, e foi por isso que ele decidiu lutar pela vida e voltar! Bom, mas sobre o livro: como não querer depois de saber que é bem desenvolvido e tudo o mais?

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  15. Acho o livro deve ser interessante e trazer reflexões sobre a personagem não poder gritar para o mundo, ficar presa sem poder falar o que sente, sua vontade, deve ser muito triste. Gostei do encontro dos personagens bem diferente e inusitado como eles se conheceram.

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