21 de janeiro de 2017

Resenha: Maus

Maus ("rato", em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu-polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, Maus ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura. A obra é um sucesso estrondoso de público e de crítica. Desde que foi lançada, tem sido objeto de estudos e análises de especialistas de diversas áreas -história, literatura, artes e psicologia. Em nova tradução, o livro é agora relançado com as duas partes reunidas num só volume. Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto. Spiegelman, porém, evita o sentimentalismo e interrompe algumas vezes a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações. É implacável com o protagonista, seu próprio pai, retratado como valoroso e destemido, mas também como sovina, racista e mesquinho. De vários pontos de vista, uma obra sem equivalente no universo dos quadrinhos e um relato histórico de valor inestimável.

Título Original: MAUS
Autor: Art Spiegelman
Páginas: 296
Tradução: Antônio de Marcelo Soares
Editora: Quadrinhos na Cia. 

Vocês sabem que eu tento ser cem por cento sincera nas minhas resenhas e é justamente isso o que eu vou ser aqui. Começando por agora, onde eu admito que eu simplesmente não sei o que falar sobre Maus. A minha vontade é de falar apenas uma coisa: "morria de vontade de ler Maus. Li. Estou bem triste", e não porque a história é ruim, longe disso. É porque, como toda história que fala sobre o Holocausto, é extremamente triste mesmo.

Maus, a História de Um Sobrevivente recria o horror passado pelos pais do autor do quadrinho, Art Spiegelman durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1992 Spiegelman ganhou o prêmio Pulitzer, que é dedicado à pessoas que realizam trabalhos de excelência na área jornalística. Mas o detalhe que diferencia Maus de tantas outras obras é que ela foi a primeira história em quadrinhos a ganhar tal honraria. Na narração, Art trata a si mesmo como um dos personagens e tenta reconstruir a vida do seu pai, Vladek Spiegelman, da juventude até os dias em que se livrou da prisão em Auschwitz.

Apesar de o foco do livro realmente ser a vida de Vladek durante o Holocausto, principalmente no período em que viveu nos campos de concentração, Maus pode ser considerada uma semibiografia do próprio Art, já que também fala um pouco da sua vida e do seu relacionamento conturbado com o pai. O mais interessante é que o autor até tenta suavizar o terror vivido naquela época tratando a história como uma fábula: por exemplo, os nazistas são representados por gatos, os judeus como ratos, os poloneses não-judeus como porcos e os americanos como cachorros. O que assusta, na verdade, é quando nos lembramos que, de fato, eram pessoas e não animais.

A história se alterna entre passado, que são as lembranças de Vladek, e presente, que além de mostrar o relacionamento entre pai e filho, fala muito sobre as consequências que a Segunda Guerra Mundial deixou em cada um. Muitas das coisas contadas por Vladek nós já conhecemos das aulas de História: nós sabemos que os judeus passavam fome e frio, nós sabemos sobre a temida marcha da morte, sobre as câmaras de gás, mas nós nunca vamos saber o que é passar por isso (bom, pelo menos espera-se que não). É por isso que eu tenho tanta certeza que nenhum filme, livro ou relato conseguirá exprimir o verdadeiro inferno que foi viver em Auschwitz.

Por mais que eu já tenha estudado sobre o assunto, tenha visto vários filmes e lidos vários livros, eu nunca vou me acostumar. A cada nova informação, tenho acesso a mais mortes, mais sofrimento, mais famílias e sonhos que foram destruídos. Em Maus, Art e Vladek Spiegelman conseguiram relatar de forma tão real o Holocausto que é preciso ter estômago e psicológico para suportar tantos tapas na cara. 

13 comentários:

  1. Oi Ana, tudo bem?
    Livros que falam nem se for um pouco sobre o Holocausto causam esse sentimento em nós mesmo, e com razão né. Tudo o que envole esse período, por mais triste que seja, eu tenho vontade de ler porque sei que vale a pena.
    Já até adicionei a obra na minha lista do Skoob.
    Beijos
    [SORTEIO] Aniversário de 1 Ano: Livro - Perdida
    Quanto Mais Livros Melhor

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  2. Adorei a capa do livro mas quando se trata desse assunto meu assista só de pensar porque muita gente sofreu e eu nunca me imagino vivendo nessa época não só adulto mais também tantas crianças acho também que todos devem entender o que essas pessoas passavam e só lendo as histórias para saber um pouco.
    Até mais

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  3. Eu imagino o quanto deve ter sido triste conhecer essa história. Eu gosto muito de ler livros e ver filmes sobre o holocausto, de conhecer histórias de pessoas que vivem naquela época e decidiram contar tudo o que passou ali. É sempre bom saber e refletir como foi dolorosa aquela época.

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  4. Livros assim são muito bons, para as pessoas refletirem sobre esse tempo de sofrimento e angustias que muitos passaram, para acordamos pra vida e parar de reclamar e dar mais valor as coisas que temos e consumimos. Fico muito triste quando leio historias assim.

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  5. Ana!
    Primeiro HQ que vejo falar sobre o Holocausto e realmente é um assunto difícil de digerir, mesmo sabendo de tudo que se passou na época, mas ler algo escrito por alguém que esteve presente, é mais vívido.
    Gosto de todos os livros com o tema, mesmo achando que são tristes e dolorosos.
    Semaninha De muita luz e paz!
    “Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas.” (Confúcio)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de JANEIRO dos nacionais, livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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  6. Nunca tinha ouvido falar desse HQ mas achei incrível a ideia do autor em retratar o Holocausto com personagens de animais.
    Ontem, eu vi um filme relacionado aos judeus e os nazistas, que foi "Um ato de liberdade". Esse filme fala sobre a fuga dos judeus do terror dos guetos e suas câmeras de gás. Através da fuga, eles se refugiam dentro da floresta e utilizam armas para se protegerem. Ótimo filme, recomendo!
    Esse HQ me lembra muito esse filme mas é bom assistir e ler sobre esses assuntos pois é pra gente nunca mais esquecer para não repeti-lá na história da humanidade!

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  7. Não conhecia o livro mas vez ou outra pego pra ler algo que foi relacionado a alguma guerra mundial ou batalha que já tivemos. É um leitura bem histórica, que a gente pode conhecer o que na realidade aconteceu pelas palavras de quem ali viveu.

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  8. O único livro que li falando sobre o assunto foi A menina que roubava livros e não gostei. Fico extremamente triste ao ler, e por isso evito. Acho que ser uma história em quadrinhos pode amenizar um pouco os horrores mas ainda é complicado para mim esse tipo de leitura

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  9. Oi, Ana!!
    Não conhecia o livro mais sempre é triste a história do Holocausto!! O livro parece ser bem interessante por retratar esse fato tão triste em Hq. Fiquei bem curiosa para conhecer mais sobre essa história.
    Beijoss

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  10. Quase não leio HQs, não porque não gosto, mas porque não vejo muitos interessantes. Maus parece ser um livro muito intenso e o fato de o autor relatar algo que ele viveu o torna mais pesado, mesmo amenizando um pouco com os personagens.

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  11. Oi!
    Estou bem curiosa para ler Maus, ainda não li nenhum livro que retrata o Holocausto e achei muito interessante a forma que o autor faz isso, principalmente como ele acaba utilizado animais e principalmente por nos trazer essa historia em uma HQ, se tiver oportunidade irei ler!!

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  12. Falou em Auschwitz eu já quero ler.
    Gosto muito de ler sobre o assunto, e entender melhor tudo o que aconteceu, mas realmente é muito triste pensar que eram pessoas e o quanto essas pessoas sofreram.
    Já tinha lido algumas resenhas de Maus, e ele está a algum tempo na minha lista de leitura. Pretendo ler ele agora em fevereiro.
    Adorei sua resenha, o livro parece muito interessante.
    Beijos!
    Lost Words

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  13. Oi Ana!
    Eu li Maus mas já faz tempo. Não me lembro se a Graphic Novel que li se tinha as duas partes da história, na época eu tinha apenas treze ou quatorze anos e tinha acabado de ler O Diário de Anne Frank e estava bastante curiosa sobre os fatos da Segunda Guerra. Maus é uma obra prima, os animais antropomorfizados e a trama quase em forma de fábula dão suavidade à uma história tão pesada.
    Um dos meus bisavôs é um imigrante judeu de uma região entre a Polônia e a atual Ucrânia, não chegou a vivênciar os Campos de concentração, mas viveu as perseguições e os decretos antissemitas, antes de conseguir fugir com parte de sua família para o Brasil. Então, eu sempre ouvi um pouco dessas história sobre o nazismo. Mas, eu nunca vou conseguir entender como o ser humano pode ser tão cruel uns com os outros. E você tem razão, nos nunca saberemos (ainda bem) o que é passar por tamanho horror, nenhuma obra literária ou cinematográfica, jamais irá nos fazer sentir nem ao menos o medo e o desespero das minorias perseguidas e assassinadas pelo Reich. Mas, algumas obras nos ajudam a ter uma melhor noção e compreensão dos acontecimentos, já que somos apenas expectadores. Livros assim também servem de alerta para humanidade não deixar que um horror assim se repita novamente.
    Beijos!

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