7 de março de 2017

Resenha: 30 e Poucos Anos e Uma Máquina do Tempo

Imagine poder viajar no tempo para assistir a qualquer grande show da história: os Beatles no Shea Stadium ou no telhado da Apple Records, o Nirvana em um bar minúsculo de Seattle ou Miles Davis no lendário clube Birdland. A norte-americana Mo Daviau transformou esse desejo em realidade no engenhoso 30 e poucos anos e uma máquina do tempo, uma espécie de cruzamento entre De volta para o futuro e Alta fidelidade protagonizado por Karl e Wayne, dois amigos de meia-idade que descobrem um meio de voltar no tempo para assistir a shows incríveis, e a ganhar dinheiro com o negócio. Tudo vai bem até que Wayne decide o óbvio: interferir no passado. Afinal, quem dispensaria a chance de reescrever uma ou outra linha da própria história? Movido a música e romance, 30 e poucos anos e uma máquina do tempo é uma espirituosa, e um tanto nostálgica, reflexão sobre sonhos, escolhas de vida e a passagem do tempo.

Título Original: Every Anxious Wave
Autora: Mo Daviau
Páginas: 304
Tradução: Edmundo Barreiros
Editora: Fábrica 231
Livro recebido em parceria com a editora

Sempre que tenho a oportunidade de ler algum livro onde a música está presente, leio. Adoro ver as músicas ou músicos que já conheço contextualizadas em uma história, da mesma forma que amo conhecer novos sons. 30 e Poucos Anos e Uma Máquina do Tempo é uma leitura satisfatória, mas que acabou me decepcionando em alguns pontos. É aquela velha história de ir com muita sede ao pote...

Neste livro, conhecemos a história de um ex-guitarrista de sucesso, Karl Bender, agora dono de um bar em Chicago. Ele e seu amigo Wayne DeMint são almas gêmeas no quesito solidão e decadência, porém a vida dos dois dá uma guinada quando Karl descobre um buraco em seu armário que o faz voltar no tempo. Wayne, que é um ótimo programador, ajuda o amigo criando um software que possibilita que qualquer pessoa viaje no tempo, com o bônus de conseguir escolher a data e o local.

Apesar de o intuito da máquina do tempo ser apenas para as pessoas conseguirem assistir aos shows dos seus ídolos no passado (apenas assistir, nada de fazer interferências ou contato com as pessoas), Wayne acaba pedindo para Karl enviá-lo ao ano de 1980 para impedir o assassinato do Jonh Lennon. Seria um sonho — ou não, já que para cada ação há uma reação — se Karl não tivesse errado a data e enviado o amigo para 980, deixando-o preso num passado tão distante que ainda não existia civilização.

30 e Poucos Anos e Uma Máquina do Tempo é narrado em primeira pessoa por Karl, um personagem super egoísta e babaca que se alimenta do seu passado, mas a escrita da autora é tão gostosa que dá pra ignorar o fato de o personagem principal possuir características tão negativas — coisa que, dependendo do autor, pode deixar a narração cansativa e maçante. Apesar disso, a história começa a acontecer de verdade no momento em que Wayne e enviado ao passado por engano, gerando várias consequências indesejadas. O livro é, basicamente, uma sucessão de viagens no tempo que geram consequências e reflexões. 

Para falar a verdade, essa parte de viagens do tempo e o que pode mudar no presente quando se altera alguma coisa no passado é um tema que me agrada demais. O que me incomodou desde o início da leitura é que Mo Daviau não se importa e dar explicações, para ela, as coisas acontecem e pronto. É claro que dado o gênero do livro, isso provavelmente não fará muita diferença para a maioria das pessoas que lerem, mas pessoalmente gosto das coisas explicadinhas, principalmente quando há teorias que já existem envolvidas. 

Também achei que os personagens, apesar de mostrarem pontos em comum em suas vidas, poderiam ter sido um pouco mais desenvolvidos. Particularmente a personagem que mais chama atenção é Lena, uma física que entra na história com o intuito de consertar a bagunça que Karl e Wayne fizeram. Ela é ótima, luta com todas as forças para conseguir alcançar os seus desejos e é isso o que mais me admira em personagens femininas.  

O mais legal é que 30 e Poucos Anos e Uma Máquina do Tempo é aquele tipo de livro que pode dar errado em vários sentidos, mas acaba funcionando porque tem o intuito de divertir, de ser leve, nada de muitas complicações. É claro que eu esperava um pouco mais do livro justamente por causa do tema, mas possui um saldo geral positivo que faz a leitura valer a pena. 

9 comentários:

  1. Sou apaixonada por histórias sobre viagens no tempo, então só o título já me fez deseja ler este livro. Tinha visto a capa deste livro a um tempo atrás em alguma rede social, mas já tinha esquecido dele.
    Obrigada pela resenha, assim que tiver oportunidade com certeza lerei este livro.

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  2. Não sei porque mas tenho um fetiche por historias com viagens no tempo, então mesmo com os pontos negativos, gostaria de ler, também gosto de tudo bem explicadinho vou sentir falta disso. Fiquei curiosa (e com pena dele) com o fato do Wayne parar no tempo onde nem existia a civilização. Acho que a leitura nos leva a questionar se pudêssemos voltar no tempo e mudar algo o que mudaríamos.

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  3. Ana!
    como você adoro enredos regados a muita música e que fala sobre viagens no tempo e fiquei triste em saber que o autor não soube explicar o motivo das viagens e que as personagens tenham sido mau desenvolvidas, uma pena mesmo...
    “Saber de cor não é saber: é conservar aquilo que se deu a guardar à memória.” (Michel de Montaigne)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  4. Oi Ana! Não sei por que, mas esse livro me lembrou de um outro que vi há uns meses que falava sobre as coisas legais dos anos 90. Achei que fosse um tipo de "continuação".
    Enfim, a premissa é bacana, também curto demais isso de interferir no passado e ter consequência no futuro (amo Efeito Borboleta), portanto acredito que o autor deveria sim explicar os motivos das coisas terem acontecido como aconteceram.
    Ainda estou em cima do muro em relação à essa leitura, então vou esperar para ler outras resenhas e decidir se vou me aventurar também

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  5. Oi Ana Clara,
    O que me atrai na sinopse, sem dúvidas, são as músicas (mesmo gostando do lance da viagem no tempo), pois para mim tudo de for anterior ao ano 2000 (na música) ou quase tudo é digno de relembrar. Agora falando da grande questão, viagem no tempo é um tema muito complicado, na teoria sabemos que mudar o passado pode causar sérias consequências no presente, mas como resistir a vontade de modificar algo que se arrepende ou até mesmo para evitar a perda de um ente querido? Neste ponto da para entender algumas atitudes que os personagens possam tomar, mas acredito que o que mais enriqueceria a história seria um aprofundamento maior na temática proposta pela autora!!

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  6. Sou apaixonada por livros, series e filmes que tem essa coisa de viajar no tempo. O que acho mais legal nestas historias, é que qualquer coisa pode mudar o futuro ou passado. E isso acaba fazendo jogo psicológico com personagens, porque muitas vezes querendo mudar algum fato que aconteceu em nossa vida. E ter essa chance tão perto é uma segunda chance. Porém nunca sabemos o que pode mudar, se será bom ou ruim. E certamente vai acontecer com 30 e pouco e uma maquina. O que achei legal, e que personagens são mais velhos, sempre costuma serem mais novos

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  7. Oi Ana, eu sou vidrada em viagem no tempo e sempre leio/assisto tudo relacionado a isso. Sempre que temos viagem no tempo, temos confusão na certa. Que pena que a obra tenha te decepcionado um pouco.
    Não é todo autor que consegue construir um personagem com um defeito chato e ainda manter o leitor atento né.
    Beijokas
    [SORTEIO]Baile Literário
    Quanto Mais Livros Melhor

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  8. Adoro livros com a temática viagem no tempo, achei bem intrigante isso dele viajar para o ano errado e gostei bastante da mulher que é física, mostra que nem sempre as mulheres estão em uma posição de minoria, gostei bastante do livro e gostaria de ler, mesmo que tenha algumas coisas que não foram muito bem explicados.
    Beijos!

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  9. Oi, Ana!!
    Gostei de livros que tenham como base viajar no tempo, e achei bem legal que essas viagens são feitas para assistir qualquer show da história!! Sem dúvida é um livro bem diferente!!
    Beijoss

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