2 de março de 2017

Resenha: Crave a Marca

Num planeta em guerra, numa galáxia em que quase todos os seres estão conectados por uma energia misteriosa chamada “a corrente” e cada pessoa possui um dom que lhe confere poderes e limitações, Cyra Noavek e Akos Kereseth são dois jovens de origens distintas cujos destinos se cruzam de forma decisiva. Obrigados a lidar com o ódio entre suas nações, seus preconceitos e visões de mundo, eles podem ser a salvação ou a ruína não só um do outro, mas de toda uma galáxia. Primeiro de uma série de fantasia e ficção científica, Crave a marca é aguardado novo livro da autora da série Divergente, Veronica Roth, que terá lançamento simultâneo em mais de 30 países em 17 de janeiro, e surpreenderá não só os fãs da escritora, mas também de clássicos sci-fi como Star Wars.

Título Original: Carve the Mark
Autora: Veronica Roth
Páginas: 480
Tradução: Petê Rissatti
Editora: Rocco
Livro recebido em parceria com a editora

Por várias vezes eu desejei ler Divergente. Isso, até assistir ao filme e receber spoilers de como termina o último livro. Aí, fiz o contrário, fugi dessa série. Então, fiquei sabendo do novo livro da autora, Crave a Marca, que traria um enredo que agradaria aos fãs de ficção-científica, mais especificamente, aos fãs de Star Wars. Bem, acredito que se eles lerem a história, não vão gostar muito do que vão encontrar.

Antes de continuar, tenho de deixar uma coisa bem clara: Crave a Marca não é ficção-científica. A grandiosidade do enredo que é descrita na sinopse, sobre os dois personagens poderem influenciar toda uma galáxia, é exagerada, uma vez que o enredo acontece quase em um único planeta, em uma única cidade, e os perigos que eles enfrentam, são sobreviver a lutas dentro de arenas. Crave a Marca é, sim, uma distopia, misturada com Young Adult.

E a autora usa outras inspirações para compor uma trama arrastada, confusa, com cenários pouco descritivos e uma ação tão rasa, que desanima. Ela utiliza a velha fórmula do casal de famílias rivais (neste caso, de raças rivais), que se apaixonam; da filosofia da Força de Star Wars, misturada com poderes mutantes e predestinação; e de Jogos Vorazes, misturado com gladiadores da Roma antiga.

Mas isso nem seria ruim, se fosse bem aplicado. A autora se perde em compor uma história, que tinha potencial para ser cheia de acontecimentos fantásticos. O que ela consegue, é desperdiçar o que usou das outras obras como base para a sua.

As naves espaciais, ou melhor, a nave espacial, uma vez que só aparece uma e, mesmo assim, é muito pouco descrita, serve apenas para locomoção; as armas utilizadas, são todas da idade média: facas e venenos; as armaduras de luta, bem... não consegui compreender o que elas são, porque são feitas de materiais que não conhecemos, e nem são explicados.

Entretanto, o livro não tem apenas defeitos. Vou falar de uma coisa que realmente me agradou: Cyra. Ela é irmã do vilão do livro, Ryzek, que governa a nação Shotet com mãos de ferro, e mata qualquer um que vá contra seus planos. O poder de Cyra é fazer os outros sentirem dor. Esse poder é visível por todo o seu corpo através de fios negros, sempre em movimento por baixo de sua pele. Quando ela usa toda a força de seu poder, sua pele fica totalmente negra. Mas a dor que ela causa com um toque, ela sente o tempo todo. Mesmo com analgésicos fortes, a dor está sempre lá.

Ryzek usa o poder da irmã em sessões de tortura, para conseguir confissões dos inimigos. Akos, da nação Thuvhe, que é sequestrado ainda criança pelos Shotet, possui um poder que Ryzek julga imprescindível para controlar Cyra: Akos anula o poder de Cyra. Assim, quando Cyra é tocada por Akos, ela para de sentir dor. Os dois passam a viver juntos, o tempo todo.

Cyra me consquistou por sua fragilidade, pelo que ela sofre nas mãos do irmão, por seu conflito moral ao ferir os outros, por sua perseverança em tentar se libertar e por seu senso de justiça. Mais do que isso, é Cyra que gere todas as ações da história, até mesmo aquelas perpetuadas por Akos, uma vez que ela se envolve em todas sem ele saber.

Mesmo assim, e infelizmente, isso não é suficiente para salvar a história. Inclusive, existe outro ponto na narrativa que me deixou confuso: os capítulos são alternados entre Cyra e Akos. Nos de Cyra, a narrativa é feita em primeira pessoa. Nos de Akos, a narrativa é em terceira pessoa. Não há nenhum motivo justificável para isso, uma vez que o foco da ação nos capítulos de Akos, se concentram todos nele. A menos que a autora pretenda matá-lo no futuro, por isso ele não conta sua própria história. Não sei se isso é verdade, então não encarem como um spoiler, mas foi a única explicação lógica para a mudança de narrativa.

Acredito que o prazer na leitura de Crave a Marca dependa de com qual expectativa você irá ler. Ser você for fã de Young Adult, de romances, de distopias leves, conseguirá apreciar a história. Agora, se você for fã de ficção-científica, de fantasia, de Star Wars, não irá conseguir apreciar, como eu não consegui.

Resenha por: Carlos Barros

14 comentários:

  1. Oi Ana, posso te contar uma coisa? Acho que essa foi a resenha mais sincera que eu li até hoje sobre esse livro. Eu conheço o trabalho da autora pelos livros da série Divergente, que só li o primeiro até agora e assisti aos filmes. Eu estava esperando mais dele, mas vou ler apesar de tudo isso porque vai que eu acabe fazendo parte do grupo que gostou da história né.
    Beijos
    [SORTEIO]Baile Literário
    Quanto Mais Livros Melhor

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  2. Carlos!
    Triste ver um livro ser 'vendido' como ficção e no final ser apenas uma distopia, não que não goste delas, mas prefiro mais as ficções.
    E mais triste ainda ver a autora se perder em um enredo mau construído e cheio de furos que deixam o ler até atordoado...
    Ainda assim tenho curiosidade para ler, vê se pode? É gostar de sofrer, né?kkkk
    “Todos os homens, por natureza, desejam saber.” (Aristóteles)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  3. Apesar de ser confuso e a autora se perder, fiquei curiosa em ler, não li divergente, então não conheço a escrita da autora, mas preciso ler para tirar minhas conclusões se vou gostar ou não. Pelo visto o ponto forte do livro é a Cyra fiquei sofrendo por ela ter esse dom que é terrível ainda mais que faz mais mal a ela.

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  4. Realmente de ficção não tem nada... Estou lendo agora e a Cyra também me conquistou. Estou gostando, mas sem achar nada espetacular. Até gostei da ideia da Corrente e tudo ser ligado, mas tenho dificuldade com os nomes diferentes kkk

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  5. Acabei de ler uma resenha desse livro (mais uma, já li várias), ele esta na minha lista de desejados, amo Divergente e ver que tem mais um livro da mesma autora com uma temática parecida me deixou mega animada para leitura. Para minha sorte ganhei ele num sorteio hoje <3 agora só esperar chegar e devora-lo.

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  6. Oi, Ana!!
    Que pena que esse livro não tudo aquilo que nós leitores esperávamos!! Fiquei muito desmotivada para comprar o livro!! Muito triste mesmo a autora der feito uma história tão mediana assim!!
    Beijoss

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  7. Tô bem curioso pra ler esse livro, já que nunca li Divergente quero que esse seja meu primeiro contato com a autora. Amei o blog!

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  8. Sou mais fã de Young Adult do que de ficção científica, ainda não li Crave a Marca, mas já li a série Divergente e no geral parece ter os mesmos defeitos, uma trama confusa e com descrições que se perdem no meio do caminho e que dificultam a leitura, apesar de tudo isso gosto da série e quero ler esse livro porque do mesmo jeito que falam mal, falam bem também e gostaria de tirar minhas próprias conclusões.
    Beijos!

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  9. Oi Ana Clara,
    Ao contrário de você, eu li Divergente (só o primeiro livro, pois recebi spoiler do último) e gostei muito do que a autora escreveu. Não dá para negar que a Veronica Roth sabe criar e desenvolver um mundo (seja ele distópico ou não). Mas nem sempre os elementos são bem explorados. Uma característica positiva dela é criar personagens femininas com grandes personalidades fugindo do esteriótipo de mocinhas indefesas. Estou vendo muita polêmica sobre estre livro, mas não sei se vejo isso como uma forma intencional de criar "burburinho" digamos assim ou se é só uma forma pessoal de ver certas coisas da sociedade (tanto históricas quanto atuais) e trazer elas para suas criações. Eu não li o livro então não tenho como descrever aqui uma opinião formada a respeito desta história, mas é uma leitura que farei no futuro, com certeza!!

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  10. Também não li divergente devido o spoiler de como a trilogia terminaria, tanto que quando vi divulgarem Crave a Marca como sendo da escritora de Divergente nem dei atenção ao livro. Não acredito que lerei este livro futuramente, gosto de distopias, mas não consegui sentir nenhum interesse nesse livro.

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  11. Oi Ana!
    Ai, eu não sei exatamente sobre esse spoiler de Divergente, mas faz dois anos que tô criando coragem pra ler Convergente. NÃO ESTOU PREPARADA
    Enfim, Crave a marca não tinha me despertado o interesse, não parecia algo que eu ia gostar massss ao contrário de você eu gosto de YA e distopia leve, além de não ter expectativas para essa leitura
    Então acho que no fim eu até que gostaria de Crave a marca :)

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    1. PS: Oi Carlos hahaha MAS ATÉ AQUI VOCÊ TÁ CARL :p

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    2. Povo me adora, fica me convidando para resenhar nos blogs deles. Pelo menos, agora, aqui tem uma resenha decente, né? :P

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  12. Estou bastante curiosa para conhecer esse livro. Eu gostei bastante da escrita da autora por conta da serie Divergente, e criatividade na criação da história. Então esse mês estarei lendo esse livro, e estou bastante animada para começar, agora é espera chegar pois ganhei em sorteio O/.

    Beijos, boa tarde

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