12 de abril de 2017

Resenha: Belgravia

Uma nova saga histórica, fascinante e irresistível, repleta de segredos e escândalosAmbientada nos anos 1840, quando os altos escalões da sociedade londrina começam a conviver com a classe industrial emergente, e com um riquíssimo rol de personagens, a saga de Belgravia tem início na véspera da Batalha de Waterloo, em junho de 1815, no lendário baile oferecido em Bruxelas pela duquesa de Richmond em homenagem ao duque de Wellington.
Pouco antes de uma da manhã, os convidados são surpreendidos pela notícia de que Napoleão invadiu o país. O duque de Wellington precisa partir imediatamente com suas tropas. Muitos morrerão no campo de batalha ainda vestidos com os uniformes de gala.
No baile estão James e Anne Trenchard, um casal que fez fortuna com o comércio. Sua bela filha, Sophia, encanta os olhos de Edmund Bellasis, o herdeiro de uma das famílias mais proeminentes da Bretanha. Um único acontecimento nessa noite afetará drasticamente a vida de todos os envolvidos. Passados vinte e cinco anos, quando as duas famílias estão instaladas no recente bairro de Belgravia, as consequências daquele terrível episódio ainda são marcantes, e ficarão cada vez mais enredadas na intrincada teia de fofocas e intrigas que fervilham no interior das mansões da Belgrave Square. 

Título Original: Belgravia
Autor: Julian Fellowes
Páginas: 432
Tradução: Rachel Agavino
Editora: Intrínseca

Já ouvi muito falar sobre Downtown Abbey, série de TV criada por Julian Fellowes, mas só tive real curiosidade de assistir depois de começar a ler Belgravia, escrito pelo mesmo autor e publicado este ano pela Editora Intrínseca. Imediatamente notei algumas semelhanças na construção de ambas as histórias e, apesar de só ter visto o primeiro episódio da versão televisiva, tenho a impressão de que, se a experiência for semelhante à da leitura do livro, Julian Fellowes entrará na lista de autores históricos favoritos sem qualquer dificuldade.

O enredo de Belgravia tramita pela complexa constituição social existente no século XIX e, para bem ilustrar todas as suas ramificações, o autor não se esquiva de criar dezenas de personagens diferentes, cada um deles bem desenhado e abordado. Claro que pode parecer confuso, inicialmente, tentar compreender tantas personalidades diferentes, mas com o passar das páginas Fellowes mostra que cada detalhe foi bem planejado e que, de alguma forma, todos estão interligados. O autor consegue dar consistência às ações dos personagens, motivar suas decisões e especificar seus sentimentos de uma forma como pouco se vê na literatura, especialmente porque não se concentra em um ou dois personagens principais, mas o faz com todos os envolvidos na trama que criou. 

Um dos aspectos mais interessantes do livro é a clara distinção entre as classes sociais existente à época. É nítida a diferenciação entre senhores e criados e, mesmo dentro de cada classe dessas, há ainda subdivisões intransponíveis, como em um critério de castas em que, independente da situação financeira ou da posição que ocupa, só é possível fazer parte pela loteria do nascimento.

Como a estruturação do mundo deles era estranha... Uma moça de vinte e poucos anos era o auge da ambição social. Estar na presença de uma jovem dessas era o ponto alto que buscavam homens como James, inteligentes, talentosos, bem-sucedidos, como se isso fosse um coroamento glorioso depois de uma vida de sucesso. Mas o que a moça tinha feito? Nada. Apenas nascido.

A relação entre patrões e empregados, aliás, faz parte do contexto central da trama. Não há dúvidas das diferenças de posições e da submissão dos criados aos seus patrões, tão escancaradas na narrativa do autor, ao mesmo tempo em que as regras sociais exigem um comportamento de lealdade que é posto frequentemente à prova.

Grande parte das intrigas que dão tom ao livro enveredam por essas convenções e regramentos sociais e é interessante observar quanta coisa mudou, embora também seja possível perceber muita coisa que, ainda hoje, acontece exatamente da mesma forma, em especial no que se trata de dar importância ao que os outros pensarão.

A narrativa detalhista e quase poética também tem seu charme e combina com uma época em que vestidos, salões de bailes e aparências eram supervalorizados, e o livro não deixa de nos presentear com um belo romance, reencontros familiares e outros acontecimentos tocantes.

Nada realmente importava, não mais. Ela o amava. E ele a amava. Ela o reconhecera como seu amante. Isso era tudo o que ele precisava saber. Mesmo que ela o magoasse, teria valido a pena por aquele momento. O que aconteceria depois, ele não tinha como adivinhar, mas estava apaixonado e era correspondido. Por enquanto, isso bastava.

Belgravia tem também uma trama permeada por segredos que, muitas vezes, nem mesmo o leitor conhece. Enquanto as peças do quebra-cabeças se encaixam e mudam todas as perspectivas da história, é fácil se flagrar surpreendida pelas artimanhas de Fellowes, que traz uma peça cheia de surpresas, mesmo para os leitores mais atentos.

Gostei muito da leitura do livro e leria qualquer outra obra do autor sem pestanejar. Para quem gosta de romances históricos, Belgravia com certeza é uma ótima opção de leitura.

14 comentários:

  1. Sua resenha me deixou muito curiosa a respeito do livro. Gostei de saber que Belgravia é uma saga fascinante e irresistível, cheia de reviravoltas e referências históricas, que revela os escândalos, segredos e intrigas guardados a portas fechadas nas mansões da alta sociedade londrina, explorando também o lado da criadagem. É uma leitura que estará presente em minha meta.
    Bjos!

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  2. Confesso que estou bem animada pra conhecer a obra.
    Amo histórias com essa pegada mais de época e a leitura desse livro parece ser incrível, além de interessante e envolvente.
    Pela capa e sinopse já estava interessada, agora fiquei mais ainda.
    Espero ler a obra em breve.
    Beijos,
    Caroline Garcia

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  3. Não há ninguém como Julian Fellowes e sua capacidade de escrever personagens únicos. Seu romance tende a fazer o leitor viajar e imaginar perfeitamente cada lugar descrito e a maneira como a história vai sendo desenhada só pode conduzir a uma maravilhosa experiência para quem o lê. E esse último lançamento mostra ser um daqueles romances que nos envolvem profundamente, com todo o mistério, intigas e romance. Como fã de romances de época, não posso deixar de ler Belgravia.
    Beijos!

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  4. Ju!
    Acompanho vez por outra a série Downtown Abbey, justamente por achar a época fascinante: roupas, cultura, cenários, enfim, tudo muito diferente da nossa época e bem rico.
    Quando li a primeira resenha desse livro, tive certeza que iria gostar da leitura, porque é bem o que busco em um livro.
    E gostei ainda mais de ver que o livro mostra os conflitos entre as classes sociais, o que era bem marcante naquela época.
    Quero poder ler.
    “A sabedoria começa na reflexão.” (Sócrates)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP COMENTARISTA ABRIL especial de aniversário, serão 6 ganhadores, não fique de fora!

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  5. Tenho o livro em formato de ebook mas ainda não li, não por falta de vontade mas é o tempo que não deixa mesmo. mas a historia prende bem o leitor e estou ciente pretendo ler em breve.
    Até mais!!!

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  6. Oi Ju, tudo bem?
    Eu tenho vontade de assistir Downtown Abbey, e de ler esse livro também. Fiquei até chateada por não ter ganhado ele em um top comentarista. Autores que conseguem dividir a importância dos personagens de forma quase que igual, sempre conseguem elevar a trama a outro nível né. Espero gostar do autor tanto quanto você.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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  7. Oi, Ju!
    Foram várias as resenhas que li desse livro principalmente logo que foi lançado, e ao menos agora não lembro de nenhuma que tenha sido negativa, todas as opiniões que vi ressaltavam justamente o fato da trama ser tão bem construída, tanto quanto aos seus personagens diversos como, mais ainda, claro, o próprio cenário. Não li praticamente nada realmente de cunho histórico até agora, mas justamente pelos elogios tenho certa curiosidade com Belgravia. Se vier a me interessar mais por iniciar o gênero um dia, certamente essa será a minha escolha. Valeu a dica!
    Beijos!

    ♥ Sâmmy ♥
    ♥ SammySacional.blogspot.com.br ♥
    ♥ DandoUmadeEscritora.blogspot.com.br ♥

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  8. Eu não sou fã de romances históricos, apesar de pela tua resenha dar para ver que deve ser um livro bem interessante, com esses segredos e surpresas.

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  9. Não sabia da série anotei para assistir. Geralmente quando tem muitos personagens não tem como não ficar perdido mesmo, depois de algumas páginas fica mais fácil identifica-los eu mesmo sempre fico rs. Também gosto dessa comparação de como as coisas eram antigamente e como são hoje, fico horrorizada com a maioria das coisas que as pessoas faziam antigamente devido as classes sociais e como os funcionaram eram tratados, ainda bem que muitas coisas mudaram e infelizmente outras não, vou querer ler o livro com certeza.

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  10. Oi Ju.
    Já tinha ouvido falar do livro, mas confesso que ele não tinha exatamente chamado minha atenção, eu não sou lá nenhuma fã de livros que tenham muitos personagens não, justamente por acreditar que como você mesma falou fique confuso inicialmente, entretanto tenho que dizer que a premissa me chamou a atenção e fiquei curiosa para saber cada pequena complexibilidade dos personagens.
    Bjs.

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  11. Oii! Adorei conhecer o livro, nunca tinha ouvido flar, o enredo parece bem bacana tbm. Vou anotar a dica!
    Bjs

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  12. Confesso que não sou a leitora mais atenta do mundo mas esse livro série com certeza uma ótima experiencia de leitura. Espero ter a oportunidade de ler esse livro e se o tiver espero poder aproveitar bem a leitura como você, acho que a única coisa que me deixa receosa em relação a leitura é o fato que por ser bem detalhista pode acabar me dando um sono mas acho que não custa tentar.

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  13. Oi, Ju!!
    Adorei ler um pouco sobre a estória desse livro gosto bastante de livros que tem um certo mistério sua composição. Sem dúvida fiquei bem curiosa para saber mais do desenrolar da estória.
    Bjoss

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  14. Já tentei ver a série Downtown Abbey algumas vezes, mas sempre fico com preguiça e paro de assistir. Não gosto muito do gênero, apesar de achar a época fascinante.

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