15 de agosto de 2017

Resenha: Ladainha

Bruna Beber tenta retirar, ao extremo, o peso, a profundidade e a densidade da poesia. A começar pelo título: tipo de canto, prece ou recitação que provém de uma dimensão religiosa, a palavra “ladainha” passou a ser usada para dizer aquilo que se repete incansavelmente apesar de já ter perdido o sentido. Ainda, ao escolher não dar títulos aos poemas, mas apenas enumerá-los com a sequência dos 32 primeiros números primos, Bruna Beber foge à simples infinitude dos números naturais, aspirando a uma infinitude ainda não de todo mapeada. O que poderia ser visto como um exercício de banalidade e humor propositalmente afirmativos é, antes de tudo, uma posição ironicamente crítica da poesia para com sua história, para com a poeta, o leitor, a tradição, o mundo, o nosso tempo e, mesmo, a vida.

Título Original: Ladainha
Autora: Bruna Beber
Páginas: 94
Editora: Record
Livro recebido em parceria com a editora

Há um tempo, eu jurava para todo mundo que eu não gostava de ler poesias. Depois eu só me dei conta que ainda não tinha encontrado o tipo de poesia certa para mim, e cheguei a essa conclusão após conhecer o trabalho do Leminski. Desde então, resolvi me aventurar um pouco mais no gênero e o faço sempre que tenho oportunidade. É uma pena que Ladainha não despertou em mim o mesmo sentimento que os livros do meu amado Paulo Leminski. 

Bruna Beber é uma escritora brasileira, vencedora do 2º Prêmio QUEM Acontece na categoria revelação literária de 2008. Muitos consideram Ladainha o seu livro mais espirituoso e divertido. Em entrevista para o blog do Grupo Editorial Record, Beber afirma que a única coisa que restava para esse seu projeto era escrever livremente e ela certamente cumpriu bem tal papel.

Dividida em três partes — Vidádiva, Canseios e Meu Deos — e com poemas sem título, apenas identificados por números primos infinitos, a obra de Bruna Beber me parece mais uma bagunça que uma ladainha ("falação fastidiosa que está sempre repisando as mesmas ideias; enumeração longa e cansativa; esp. repetição monótona e tediosa de queixas e recriminações"), isso porque eu simplesmente não consegui absorver nada dessa leitura, muito menos entender.

Enquanto lia, não conseguia ver sentido em nada. Para mim, tudo não passava de um monte de palavras soltas e sem nexo. Porém, depois de ver tantas críticas positivas sobre o trabalho da autora, a única coisa que se passa na minha cabeça é que realmente Ladainha não foi escrito para mim. Provavelmente ainda não tenho maturidade literária o suficiente para entender certas coisas.

Estaria mentindo descaradamente para os leitores que acompanham o blog se eu indicasse esse livro, mas já diria minha mãe, gosto é gosto e cada um tem o seu. Quem quiser se aventurar na escrita de Bruna, que seja por sua conta e risco. 

10 comentários:

  1. Achei estranho e ao mesmo tempo diferente poemas sem títulos. Não sou muito fã de poesias por talvez não ter encontrado as que me encantem, mas já li algumas e até gostei outras nem entendi, não faziam sentido assim como essa que pra mim parece estranha, parece daquelas que lê e relê e nada se entende rs.

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  2. Oi Ana! Tudo bem?

    Leio poesias esporadicamente, e essa proposta de poemas sem títulos me interessou bastante, talvez seja o livro ideal para que eu retorne a ler o gênero.

    Grande abraço,
    www.cafeidilico.com

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  3. Eu ainda estou na época de jurar que não gosto de poesia, até hoje não achei nenhum tipo de poesia que me agradou, normalmente não entendo nada e parece que leio coisas que para mim não fazem sentido nenhum, se fosse ler Ladainha, com certeza esse sensação seria maior ainda.
    Beijos!

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  4. Oi Ana,
    Tenho o costume de dizer que não gosto de ler poesia, mas para ser sincera eu nem dou chance ao gênero para ser tão enfática em meu gosto. Ao ler o título deste livro estava imaginando que seriam textos bem descontraídos e de fácil compreensão, mas acho que não foi isso que a autora conseguiu passar para o leitor. Por não ter experiência com poesias não sei muito bem o que deveria esperar, mas é certo que independente do gênero ou a forma que o autor escolhe contar uma história, quero me sentir envolvida e motivada. Uma pena Ladainha não ter atendido suas expectativas.

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  5. Amo poesia!
    Atualmente tenho encontrado ótimos poetas contemporâneos, mas a sua opinião sobre o livro já me freou rs...
    Tenho um contato muito forte com poesias,sou fã da Floberla Espanca, adoro a escrita do Fernando Pessoa, então, realmente sou exigente.Realmente, não me despertou o interesse.
    Abraço!

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  6. Confesso que nunca tive vontade de ler poesia então não posso dizer se eu não gosto, pois nunca experimentei.
    Mas, quem sabe um dia eu tome coragem.

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  7. Amo poesias e esse livro parece ser lindo.

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  8. Ana!
    Ler poesia é muito bom, mas é bem como falou, temos de encontrar aquelas com que nos identificamos.
    E quando a poesia é livro, é mais difícil mesmo de entender.
    Acredito que o título Ladainha caiu bem, concorda? Afinal é uma 'falação' sem fim que por vezes, nem dá para entender..
    Bom final de semana!
    "...Aceite com sabedoria o fato de que o caminho está cheio de contradições. Há momentos de alegria e desespero, confiança e falta de fé, mas vale a pena seguir adiante..."(Paulo Coelho)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE AGOSTO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  9. Não sou muito fã de poesia, na verdade quase nem leio poesia, é muito difícil pra mim. Me pareceu esquisito diferentes poemas sem títulos. E confesso que esse livro não despertou o meu interesse.
    Beijos.

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  10. Olá,
    Eu gosto muito de poesia, que pena que Ladainha não te agradou e não te fez sentir nada, e além de não ter sentido para você, que bom que gosta de Leminski, ele é muito bom.
    Beijos *-*

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